quinta-feira, 2 de julho de 2026

GUAÇUÍ - ESPÍRITO SANTO

Guaçuí é um município do estado do Espírito Santo, no Brasil. Sua população estimada pelo IBGE para o ano de 2025, era de 31.418 habitantes. Guaçuí está a 230 km de Vitória.
História
Na época da chegada dos primeiros europeus à região, no século XVI, esta era habitada por tribos indígenas puris, localizadas num aldeamento onde se localiza, atualmente, a sede do distrito de São Pedro de Rates.
Procedentes de Minas Gerais, os desbravadores de origem europeia da região, comandados pelo capitão mor Manoel José Esteves de Lima, ultrapassaram os contra fortes da Serra do Caparaó do norte para o sul e promoveram a instalação de uma povoação, às margens do Rio Veado, no início do século XIX.
O pequeno exército que o jovem Manoel José Esteves de Lima, de apenas 23 anos, organizou para desbravar as terras sul-capixabas era formado por apenas 72 homens. Em busca de riquezas e fugindo da decadência das Minas Gerais após os anos de riqueza provindos da extração de ouro, o pequeno exército de Manoel José Esteves de Lima chegou à ainda isolada região que hoje é Guaçuí, se instalando onde é, atualmente, a Rua Tenente Arnaldo Túlio "Rua da Palha", no início do século XIX.
Ainda no início da colonização, após a sobrepujação aos indígenas que viviam na região, uma disputa entre os próprios desbravadores se instalou sobre se a nova localidade pertenceria a Minas Gerais ou ao Espírito Santo. Após alguns anos de disputa no tribunal ouropretrano – de 1858 a 1860 –, foi decidido que a nova localidade ficaria como terras do Espírito Santo.
Desde a chegada dos primeiros desbravadores de origem europeia, a localidade teve várias denominações, até receber o nome de Guaçuí. Seu primeiro nome foi São Bom Jesus do Livramento. Em 1866, quando ela foi elevada ao nível de distrito, foi renomeada São Miguel do Veado. Em 1928, elevada a município, recebeu o nome de Veado. Em 1931, foi renomeada para Siqueira Campos. Em 1943, recebeu seu atual nome, Guaçuí.
O atual povoamento da região se deu no contexto da marcha do café sobre terras capixabas. Povoamento que se deu em meados do século XIX, por mineiros e fluminenses, com a formação de grandes fazendas cafeeiras na região sul do estado, sustentadas inicialmente por trabalho escravo e, posteriormente, com a incorporação de mão de obra imigrante – massivamente italiana – no contexto de substituição da mão de obra escrava na lavoura nos anos finais do século XIX.
Durante a primeira metade do século XX, a economia da cidade adquire importância no contexto estadual, através a produção de café e pecuária leiteira. Em 1913, a Estrada de Ferro Leopoldina, estende seus trilhos até a cidade de Guaçuí, muito contribuindo para o desenvolvimento do município. Nessa época, existiam grandes fazendas produtoras de café, como por exemplo, a Fazenda do Castelo, propriedade da família Aguiar. Nos anos 1940, um fazendeiro do município Cândido A. Mendonça funda uma indústria de laticínios, o Laticínio Candó Mendonça, que daria origem a atual Colagua (Cooperativa de Laticínios de Guaçuí), fundada no início dos anos 1960. Atualmente, na economia agrícola do município ainda se destaca a produção de café e a pecuária leiteira. O ator, produtor e diretor Fernando Torres foi o filho mais ilustre do município.
Topônimo
"Guaçuí" origina-se da língua tupi. Significa "água de veado", pela junção de gwa'su ("veado") e 'y ("água, rio"). Conta-se que a origem do nome está no fato de que, quando os desbravadores de origem europeia chegaram à região, existiam vários veados margeando o rio local. 
Formação Administrativa
Distrito criado com a denominação de São Miguel do Veado, pelo Decreto Provincial n.º 09, de 13 de julho de 1866, subordinado ao município de São Pedro de Cachoeiro de Itapemirim. 
Pela Lei Provincial n.º 18, de 03 de abril de 1884 e por Decreto Estadual n.º 53, de 11 de novembro de 1890, transfere o distrito de São Miguel do Veado da Vila de São Pedro de Cachoeiro de Itapemirim, para constituir o novo município de Alegre (ex Nossa Senhora da Conceição de Alegre). 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, figura no município de Alegre o distrito de Veado (ex São Miguel do Veado). 
Elevado à categoria de município com a denominação de Veado, pela Lei Estadual n.º 1.688, de 25 de dezembro de 1928, desmembrado do município de Alegre. Sede no antigo distrito de Veado. Constituído de 3 distritos: Veado, Rio Preto e São Lourenço. Todos desmembrados do município de Alegre. O município foi instalado em 10 de janeiro de 1929. 
Elevado à condição de cidade com a denominação de Veado, pela Lei Estadual n.º 1.722, de 30 de dezembro de 1929. 
Pela Lei Estadual n.º 1.730, de 03 de janeiro de 1930, é criado o distrito de São Pedro Rates e anexado ao município de Veado. 
Pelo Decreto Estadual n.º 1.543, de 08 de agosto de 1931, o município Veado passou a denominar-se Siqueira Campos. 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de 4 distritos: Siqueira Campos (ex Veado), Rio Preto, São Lourenço e São Pedro de Rates. 
Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 15.177, de 31 de dezembro de 1943, o município de Siqueira Campos passou a denominar-se Guaçuí. Sob o mesmo Decreto o distrito de São Lourenço e Rio Preto tomaram as denominações, respectivamente, Imbuí e Divisa. 
No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o município é constituído de 4 distritos: Guaçuí, Divisa (ex Rio Preto), Imbuí (ex São Lourenço) e São Pedro de Rates. 
Pela Lei Estadual n.º 750, de 28 de dezembro de 1953, é criado o distrito de São Tiago com território dos distritos de Guaçuí e Imbuí, e anexado ao município de Guaçuí. 
Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1955, o município é constituído de 5 distritos: Guaçuí, Divisa, Imbuí, São Pedro de Rates e São Tiago. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1º de julho de 1960. 
Pela Lei Estadual n.º 1.914, de 30 de dezembro de 1963, é desmembrado do município de Guaçuí o distrito de Divisa. Elevado à categoria de município com a denominação de Dores do Rio Preto. 
Pela Lei Estadual n.º 1.915, de 30 de dezembro de 1963, é desmembrado do município de Guaçuí o distrito de Imbuí. Elevado à categoria de município com a denominação de Divino de São Lourenço. 
Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1963, o município é constituído de 3 distritos: Guaçuí, São Pedro de Rates e São Tiago. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2001. 
Em divisão territorial datada de 2005, o município é constituído de 4 distritos: Guaçuí, São Miguel de Caparaó, São Pedro de Rates e São Tiago. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2017.
Geografia
O município de Guaçuí encontra-se na Microrregião Sete do Espírito Santo. Limita-se ao norte com Divino de São Lourenço e Ibitirama; a leste, com Alegre; ao sul e sudeste, São José do Calçado; a sudoeste, com Bom Jesus do Itabapoana e Varre-Sai; a noroeste, Dores do Rio Preto; a oeste, com Porciúncula e Varre-Sai.
Com área de 467 quilômetros quadrados, ocupa um por cento do território capixaba e 8,4 por cento da microrregião na qual está inserido. O distrito sede, está localizado a uma altitude de 590 metros. Emancipou-se de Alegre em 1928. De sua área territorial foram desmembrados em 1963 os municípios de Divino de São Lourenço e Dores do Rio Preto. Possui três distritos: São Pedro de Rates São Miguel do Caparaó e São Tiago. 
Relevo e Altitude
O município está inserido na zona de amortecimento do Parque Nacional do Caparaó. O relevo é predominantemente montanhoso e fortemente ondulado, caracterizado pelo domínio dos "Mares de Morros". A altitude média na sede urbana é de 590 metros, mas o território municipal apresenta variações bruscas, com picos que ultrapassam os 1.000 metros de altitude.
Modelado em rochas cristalinas o relevo é bastante acidentado, com destaque para a Serra das Cangalhas, ou Serra de Santa Catarina, no limite sudeste. A altitude oscila entre seiscentos e mil metros, cota alcançada na porção ocidental. O solo predominante é classificado como latosolo vermelho-amarelo, com fertilidade de média a baixa, em terrenos relativamente baixos e pH em torno de 4,5 e 5,0. Possui 53,09% de suas áreas com declividade entre trinta e cem graus. Devido às características observadas, o solo possui grandes de jazidas de manganês, além de bauxita e caulim. Some-se a isto a presença de feldspato, mica, alguns veios de ouro e de pedras semipreciosas, como ametistas e águas marinhas. Lembramos que estamos a cinquenta quilômetros do Pico da Bandeira (no Caparaó).
Dentre as três macroformas do relevo capixaba – região serrana, tabuleiros e planícies costeiras –, que, de certa forma, se orientam pelo Espírito Santo de oeste para leste respectivamente, Guaçuí está situado dentro da região serrana, que, segundo a classificação morfoclimática de Aziz Ab'Saber, se localiza dentro do domínio de Mares de Morros.
Mares de Morros é a denominação dada a relevos acidentados, geralmente de solos profundos, de formação cristalina (rochas ígneas e metamórficas), em que o processo erosivo deixou os morros com forma de "meia-laranja". 
Limites
O município limita-se ao Norte com Divino de São Lourenço; ao Sul/Sudeste com São José do Calçado; a Noroeste com Dores do Rio Preto e a Oeste/Sudoeste com o estado do Rio de Janeiro, do outro lado do Rio Itabapoana    .
Solos e Vegetação
Os solos são do tipo Latossolos Vermelho-Amarelos, profundos e com boa drenagem, embora exijam manejo cuidadoso contra a erosão devido à declividade. A vegetação original pertence à Mata Atlântica (Floresta Estacional Semidecidual), restando hoje fragmentos preservados e áreas de reflorestamento, especialmente nas encostas mais íngremes.
Clima
Em Guaçuí, a estação com precipitação é abafada e de céu quase encoberto; a estação seca é de céu quase sem nuvens. Durante o ano inteiro, o clima é morno. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 13 °C a 30 °C e raramente é inferior a 9 °C ou superior a 33 °C. 
A melhor época do ano para visitar Guaçuí e realizar atividades de clima quente é do fim de abril ao fim de setembro. 
A estação quente permanece por 2,5 meses, de 1 de janeiro a 18 de março, com temperatura máxima média diária acima de 29 °C. O mês mais quente do ano em Guaçuí é fevereiro, com a máxima de 30 °C e mínima de 19 °C, em média. 
A estação fresca permanece por 3,2 meses, de 9 de maio a 14 de agosto, com temperatura máxima diária em média abaixo de 26 °C. O mês mais frio do ano em Guaçuí é julho, com a mínima de 13 °C e máxima de 25 °C, em média. 
Em Guaçuí, a porcentagem média de céu encoberto por nuvens sofre extrema variação sazonal ao longo do ano. 
A época menos encoberta do ano em Guaçuí começa por volta de 5 de abril e dura 6,3 meses, terminando em torno de 14 de outubro. 
O mês menos encoberto do ano em Guaçuí é agosto, durante o qual, em média, o céu está sem nuvens, quase sem nuvens ou parcialmente encoberto 76% do tempo. 
A época mais encoberta do ano começa por volta de 14 de outubro e dura 5,7 meses, terminando em torno de 5 de abril. 
O mês mais encoberto do ano em Guaçuí é dezembro, durante o qual, em média, o céu está encoberto ou quase encoberto 76% do tempo. 
Etnia
A gente guaçuiense é resumo da formação étnica do povo brasileiro. Ou seja, resultado da miscigenação entre brancos, negros e índios, em especial Puris. A colonização, como se observa, foi levada a efeito por correntes migratórias, a partir de 1838. O processo se estendeu, com muita intensidade pelas décadas seguintes, até o início do século XX. O clima frio atraiu imigrantes italianos, que formaram uma grande colônia. A influência exercida, por este grupamento, é maior que a dos próprios colonizadores portugueses.
A forte presença de afro descendentes, deve-se ao fato de que o sul do Espírito Santo — que chegou a ter 40,3% da população composta por escravos, no século XIX — haver sido a única região do país a ter crescimento da população de negros, após a edição de leis como a dos Sexagenários, e a do Ventre Livre, cujos objetivos eram inibir o sistema escravista. A necessidade de suprir de mão de obra das lavouras de café das grandes fazendas, como a do Castelo, provocou o fenômeno. Encontramos, também, em menor número, descendentes de libaneses, espanhóis, ingleses, suíços, além de brasileiros de todas as partes, completando o perfil do povo guaçuiense.
Economia
Guaçuí é uma pequena cidade que se destaca pela alta regularidade das vendas no ano.
A economia de Guaçuí é a mais diversificada de sua microrregião, atuando como um polo prestador de serviços.
Na Cafeicultura, o café arábica é o carro-chefe. O foco atual são os Cafés Especiais, com grãos de alta pontuação exportados mundialmente.
Na Pecuária, o destaque é a pecuária leiteira e a produção de derivados (queijos e laticínios).
A cidade possui um centro comercial robusto que atende municípios vizinhos (Dores do Rio Preto, Divino de São Lourenço).
O Setor de Serviços se apresenta em expansão, com destaque para a saúde e a educação superior.
Não se pode negar a importância da agropecuária para Guaçuí. Afinal, a cafeicultura e a pecuária, notadamente a de leite, são as duas maiores fontes de emprego que o município possui. No entanto, ao se analisar um dado simples, ou seja, o da distribuição da população, — dos 25 492 habitantes, 19 192 encontram-se nas zonas urbanas e 6 030 na zona rural.
Em janeiro de 2026, foram registradas 157 admissões formais e 169 desligamentos, resultando em um saldo negativo de -12 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de -32.
Até fevereiro de 2026 não houve registro de novas empresas em Guaçuí. Neste último mês, não foi identificada nenhuma nova empresa. Este desempenho é igual ao do mês imediatamente anterior (0). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 106 empresas.
Educação
Guaçuí destaca-se como um centro educacional de excelência no sul do Espírito Santo. O grande marco é a presença do IFES (Instituto Federal do Espírito Santo) - Campus Guaçuí, que oferece cursos técnicos e superiores voltados para a realidade regional, como Agropecuária e Engenharia Civil. Além disso, o município conta com polos de universidades privadas e uma rede pública de ensino fundamental e médio que figura entre as melhores da região, atraindo estudantes de todo o Vale do Caparaó.
Turismo
O turismo em Guaçuí é movido pelo clima de montanha e pelo patrimônio histórico e natural:
- Monumento ao Cristo Redentor: uma das maiores estátuas do Cristo no estado, situada no topo de um morro que oferece uma visão panorâmica deslumbrante de toda a cidade e das montanhas do Caparaó.
- Cachoeiras: o município é rico em quedas d'água, com destaque para a Cachoeira do Segredo e a Cachoeira do Treze de Maio, destinos favoritos para o banho e o ecoturismo.
- Culinária Serrana: a gastronomia local é um atrativo à parte, misturando influências mineiras e capixabas, com destaque para pratos à base de truta, broas de milho e, claro, o café premiado.
- Eventos: o Festival de Inverno e a ExpoGuaçuí são eventos que movimentam a rede hoteleira e celebram a cultura local.
Esporte
O esporte em Guaçuí é levado a sério, tanto no asfalto quanto na terra.
No Futebol, a cidade respira a tradição do Guaçuí Futebol Clube. O Estádio Municipal Francisco Lacerda de Aguiar (o "Lacerdinha") é o palco de confrontos históricos e do fortalecimento do esporte amador e de base.
Devido ao relevo acidentado, Guaçuí tornou-se um paraíso para ciclistas. Trilhas de alto nível técnico desafiam atletas de todo o país em competições regionais de cross-country.
A proximidade com as altas serras favorece a prática de esportes de aventura, como o Voo Livre e o Trekking consolidando a cidade como base de apoio para quem explora o Parque Nacional do Caparaó.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .