sexta-feira, 17 de julho de 2026

IGUAPE - SÃO PAULO

Iguape, oficialmente Estância Balneária de Iguape, é um município brasileiro do estado de São Paulo e uma das primeiras cidades do Brasil. Localiza-se no Vale do Ribeira, a uma latitude 24º42'29" sul e a uma longitude 47º33'19" oeste, estando a uma altitude de três metros. Sua população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2025, era de 29.891 habitantes. Com 1.978,795 quilômetros quadrados, é o município com a maior área do estado de São Paulo. 
Uma das cidades mais antigas do país, Iguape preserva em seu território diversos bens patrimoniais e casarões coloniais, sendo berço de tradições caiçaras como o fandango, e reúne o maior conjunto de construções coloniais do estado, consolidando-se como um dos principais polos do turismo histórico e cultural paulista, além de se destacar por seus rios, trilhas, cachoeiras e estações ecológicas. A cidade foi tombada como Patrimônio Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e seu Centro Histórico tornou-se o primeiro conjunto urbano paulista protegido como Paisagem Cultural, inscrito nos Livros do Tombo Histórico e Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, do Iphan. 
Topônimo
A palavra "Iguape" tem origem na língua tupi antiga e significa "na enseada do rio", através da junção dos termos 'y (água, rio), kûá (enseada) e pe (em). 
Estância Balneária
Iguape é um dos 15 municípios paulistas considerados estâncias balneárias pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status garante, a esses municípios, uma verba maior por parte do Estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar, junto a seu nome, o título de "Estância Balneária", expressão pela qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais. 
História
Sambaquis

Os primeiros habitantes da região onde hoje fica Iguape são conhecidos como "Homens do Sambaqui", povos muito primitivos que não conheciam sequer o arco e flecha e que viveram ali antes da chegada de indígenas com culturas mais avançadas. Sambaqui é o nome dado a grandes montes de conchas de ostras e marisco, depositadas ao longo de centenas ou talvez milhares de anos no mesmo lugar, e que eram consideradas como sendo locais mágicos. Mais tarde, após a extinção dos Homens de Sambaqui, os indígenas que viriam a dar origem à tribo Temiminé passaram a enterrar seus mortos nesses sambaquis, dentro de grandes potes de barro chamados igaçabas, juntamente com os pertences dos mortos. Existem vários sambaquis no complexo estuarino-lagunar de Iguape e Cananeia, sendo o de mais fácil acesso o sítio arqueológico "Benedito Fortes", onde está localizada a "Caverna do Ódio", próximo à ponte que dá acesso ao município de Ilha Comprida, a pouco mais de um quilômetro do centro da cidade. Até hoje, encontram-se vestígios de ações destes grupos indígenas, representados através da estratigrafia, que mostra a sobreposição de camadas correspondentes às diversas ocupações humanas, com a presença de manchas de carvão das fogueiras, sambaquis com até 5 000 anos, restos ósseos de peixes e de pequenos animais, e carapaças de moluscos e crustáceos.
Início da colonização europeia
Em 1494, o Tratado de Tordesilhas firmado entre Portugal e Espanha estabelecia a dimensão de suas posses recém-descobertas, inclusive nas terras americanas. O tratado definia, como linha de demarcação, um meridiano 370 léguas a oeste do arquipélago de Cabo Verde, passando sobre o território de Iguape. Possivelmente desde 1510, já vivia, na região, o aventureiro espanhol Ruy Garcia Moschera, a quem é oficialmente atribuída a fundação do município. Moschera vivera anteriormente no Rio da Prata e se instalara ali possivelmente por ser aquela uma região de disputa entre espanhóis e portugueses. Por volta do ano 1502, o degredado português Cosme Fernandes, conhecido como "Bacharel de Cananeia", também tornou-se uma figura poderosa na região, vindo a escravizar diversas pessoas e não prestando obediência à coroa portuguesa.
Guerra de Iguape
Em 1532, pouco depois de chegar ao Brasil, Martim Afonso de Sousa ordenara a desocupação por Moschera e pelo Bacharel do território onde hoje está Iguape, que pertenceria à coroa portuguesa. Não sendo atendido, ordenou uma expedição chefiada por Pero de Góis que deveria executar a desocupação à força. Informados sobre a expedição, Moschera e o Bacharel, apoiados por indígenas flecheiros carijós, capturaram um navio corsário francês e desbarataram a força portuguesa, travando a Guerra de Iguapé, a primeira guerra entre europeus na America do Sul. Entre os anos de 1534 e 1536, as forças de Moschera e do Bacharel destruíram a vila de São Vicente, matando a maior parte da população, libertando os prisioneiros e incendiando o cartório onde estavam os registros oficiais do município, levando inclusive o Livro do Tombo, fonte oficial de informação sobre a região de Iguape e sobre seus fundadores. Após os ataques, Moschera retornou ao rio da Prata.
Fundação
A povoação de Iguape continuou sob o domínio do Bacharel de Cananeia e teve sua primeira igreja, em homenagem a Nossa Senhora das Neves, construída em 1537. A data de fundação de Iguape foi estabelecida em 3 de dezembro de 1538, ano em que Iguape e Cananeia se separaram. Em 1577, o povoado foi elevado à categoria de "Freguesia de Nossa senhora das Neves da Vila de Iguape", ano em que foi aberto o primeiro livro do tombo da Igreja de Nossa Senhora das Neves.
Mudança de local
Existente até o primeiro quartel do século XVII onde hoje está a vila de Icapara, a falta de água potável, a falta de espaço para expansão e eventuais ataques piratas levaram à transferência da freguesia para uma área alguns quilômetros ao sul por ordem do fidalgo português Eleodoro Ébano Pereira. Ainda no século XVI, haviam sido descobertos os primeiros sinais de ouro na região do Vale do Ribeira. Devido à sua abundância, a procura logo se intensificou e, rapidamente, a exploração do ouro de aluvião se tornou a principal atividade econômica do município. Para evitar o contrabando e intensificar a cobrança de impostos pela coroa portuguesa, foi fundada, por volta de 1630, a Casa de Oficina Real de Fundição de Ouro, que é considerada a primeira do gênero no Brasil.
Em 1647, no auge da riqueza proporcionada pelo ouro, Iguape transformou-se em um centro de peregrinação. Na descrição do aparecimento da imagem do Senhor Bom Jesus de Iguape, dois índios que iam a caminho da Vila Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém acharam um vulto desconhecido rolando nas ondas, e levaram-no para a praia, onde cavaram um buraco e o colocaram em pé com o rosto para o nascente. Ao retornar, os índios acharam a imagem no mesmo lugar, mas com o rosto virado para o poente, e acharam estranho não haver vestígio sequer de que alguém o tivesse movido. A notícia se espalhou e a imagem foi levada para um riacho no sopé do Morro do Espia, onde, sobre as pedras, foi banhada para lhe retirar o sal marinho e ser encarnada novamente. Depois de ser decorada, foi entronizada no altar mor da antiga Igreja de Nossa Senhora das Neves. 
Na década de 1780, foi dado início à construção da nova igreja matriz, haja vista a outra estar em precárias condições. Feita de argamassa, óleo de baleia e pedras retiradas da face marítima do morro, todo o trabalho era executado pela população, voluntária e gratuitamente. Em 1798, as obras estavam avançando lentamente, e em 1800, estas pararam, retornando em datas esporádicas. Em 1822, foram contratados, no Rio de Janeiro, um mestre e três canteiros e, em agosto do mesmo ano, recomeçou-se a obra. A igreja foi concluída em julho de 1856, e no dia 8 de agosto do mesmo ano, foram trasladadas as imagens da antiga igreja para a nova Igreja Matriz. Em 3 de abril de 1848, a vila fora elevada à categoria de cidade, com o nome de "Bom Jesus da Ribeira", no ano seguinte modificado para "Bom Jesus de Iguape".
Arroz e o Valo Grande
Com o esgotamento das minas e com o descobrimento de ouro no interior do Brasil, o município rapidamente entrou em declínio, voltando depois a crescer com o desenvolvimento da indústria de navegação e com a plantação de arroz. A partir daí, Iguape iniciou um período de riqueza e atingiu seu ápice de desenvolvimento em meados do século XIX, com a construção dos principais casarões que ainda hoje podem ser vistos no centro histórico, com dois portos movimentados, teatros, quatro jornais diários e o vice consulado português. Iguape havia se tornado uma dos principais do município do sul do Brasil, a ponto de, em 1841, o ainda adolescente imperador Dom Pedro II ter concedido a Antônio da Silva Prado, político e senhor de terras, o título de Barão de Iguape.
Até meados do século XIX, Iguape sempre havia sido uma espécie de península, com o Rio Ribeira de Iguape serpenteando até quase três quilômetros do mar e depois retornando para o interior, só encontrando sua foz muitos quilômetros adiante. As sacas de arroz que vinham da zona rural eram descarregadas no Porto do Ribeira, fluvial, de onde eram transportadas em lombo de burro ou carroças por aproximadamente três quilômetros até o Porto Grande, marítimo, onde eram embarcadas para exportação. O inconveniente de se ter de transportar o arroz por terra em um trecho tão curto levou à ideia e se construir um canal que ligasse o rio ao mar, permitindo assim o transporte direto do arroz até as embarcações de grande porte. Após décadas de debates sobre o melhor local para a construção do canal, decidiu-se pelo trecho mais curto, que era também o mais arenoso e, portanto, mais fácil de ser construído.
O canal foi construído por escravizados por mais de duas décadas e começou a ser utilizado em 1852. Inicialmente um canal estreito, com cerca de quatro metros de largura, o canal rapidamente começou a alargar, não resistindo à imensa corrente de água. Por volta de 1900, com a contenção das margens, controlou-se o controle do fluxo de água no canal, mas O Mar Pequeno ficou assoreado, o que acabou impedindo a entrada de navios grandes no porto. O porto da cidade já não podia ser utilizado por embarcações de maior calado, impedindo assim a saída do arroz e levando à decadência da cultura de arroz da cidade. Além disso, o atalho encontrado pelo rio através do canal acabou influenciando fortemente o ciclo de cheias que inundavam a região periodicamente e que a tornavam tão fértil. O impacto causado pelo Valo Grande, o declínio da cultura de arroz e os problemas políticos levaram à decadência do município no final do século XIX. De um importante centro agroexportador, a cidade foi aos poucos perdendo importância. 
Imigrantes
No final do século XIX e início do século XX, imigrantes vindos principalmente da Itália e do Japão chegaram a Iguape através de colônias implantadas pelo governo federal e estatual. A cidade ganhou assim uma marcante influência desses colonos, especialmente dos japoneses, que hoje respondem por mais de 10% da população da cidade e tem bastante influência na produção agrícola e na indústria pesqueira.
Através do Decreto n.º 6.455, de 19 de abril de 1907, o governo federal criou o Serviço de Povoamento do Solo Nacional, devido à ineficácia alguns estados da federação em não possuir capital para criar e manter núcleos coloniais, ficou então determinado mediante o Decreto n.º 6.479, de 16 de maio de 1907, que a União poderia intervir no estado com relação aos assuntos de imigração e colonização, haja vista, a negativa do governo paulista em ceder terras nesta região, alegando questões econômicas e estratégicas. Houve a substituição por terras devolutas (50.000 hectares.), situadas no Vale do Ribeira, na época comarca de Iguape, cedidas oficialmente no ano de 1912 ao Tokyo Sindicate (Sindicato de Tóquio) representado por Ikutaro Ayoagui e que, um ano depois, veio se transformar na Brazil Takushoku Kaisha (Companhia Colonizadora do Brasil Ltda.), autorizada pelo Decreto n.º 10.248, de 2 de junho de 1913, a exercer suas atividades em solo brasileiro. As terras da região passaram a ser exploradas a partir de 1913, pela Lei n.° 43, de 21 de outubro de 1913, presente no Livro de Registro de Leis da Câmara Municipal de Iguape, a qual autoriza o prefeito, coronel Antônio Jeremias Muniz Junior, a adquirir o sítio Jipovura, para ser doado a Brazil Takushoku Kaisha, a fim de ali ser fundado um núcleo colonial, com objetivo de desenvolver a principal atividade econômica da região, o cultivo do arroz.
Dessa forma, surgiram os núcleos coloniais de Registro, Sete Barras e Katsura (Jipovura) que formavam a Colônia de Iguape. Dentre estes núcleos destacava-se a Colônia de Katsura, criada em 9 de novembro de 1913, no bairro Jipovura, considerada o marco zero da colonização japonesa no Brasil. Inicialmente, a primeira comunidade foi chamada de Katsura Shokuminchi ("Colônia Katsura"), em homenagem ao Primeiro Ministro do Japão na época, Katsura Taro, um dos grandes incentivadores da imigração japonesa para o Brasil.
Após anos de prosperidade, a colônia acumulou infraestrutura invejável para a época, havia escola, ambulatório médico, agência de correio, fábrica de beneficiamento de arroz, estabelecimentos comerciais, alojamentos para hospedar imigrantes, escola mista japonesa e brasileira, inclusive um porto, com viagens regulares dos barcos a vapor da Companhia de Navegação Fluvial Sul Paulista. A maior parte desta estrutura era financiada pelo capital japonês da Brazil Takushoku Kaisha. Por isso, a Lei Federal n.º 11.642, de 11 janeiro de 2008, decretou que o município de Iguape é considerado o "berço da colonização japonesa no Brasil".
Século XX e atualidade
A partir da década de 1930, Iguape conseguiu iniciar um processo de recuperação, com o desenvolvimento da cultura de banana e da pesca, mas a falta de planejamento, associada aos problemas políticos locais que persistem há quase dois séculos, impediram que ela conseguisse retornar à opulência que um dia teve. Hoje, a cidade tem um índice de desenvolvimento humano abaixo da média brasileira e vive da pesca e do turismo.
Gentílico: Igaupense. 
Formação Administrativa 
Freguesia criada com a denominação de Nossa Senhora das Neves de Iguapé em 1635. 
Vila criada anteriormente a 1638, com a denominação de Nossa Senhora das Neves de Iguapé. 
Cidade com a denominação de Bom Jesus da Ribeira, por Lei Provincial n.º 17, de 3 de abril de 1849. 
Foi restabelecida a denominação de Iguapé ou tomou a denominação de Bom Jesus de Iguapé, por Lei Provincial n.º 3, de 3 de maio de 1850. 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o Município de Iguapé se compõe de 4 Distritos: Iguapé, Juquiá, Jacupiringa e Prainha. 
Lei Estadual n.º 2.253, de 29 de dezembro de 1927, desmembra do Município de Iguapé o Distrito de Jacupiranga. 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o Município de Iguapé permanece com 4 Distritos: Iguapé, Alecrim, Juquiá e Prainha. 
Em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, o Município de Iguapé compreende o único termo judiciário da comarca de Iguapé, sendo que em 1936, o Município de Iguapé se compõe de 5 Distritos: os mesmo citados em 1933, e mais o de Registro, e em 1937, o Município se compõe de 5 Distritos: os mesmo de 1936 e mais o de Pedro de Toledo (ex Alecrim). 
No quadro anexo ao Decreto-Lei n.º 9.073, de 31 de março de 1938, o Município de Iguapé compreende 
o único termo judiciário da comarca de Iguapé e se divide em 5 Distritos: Iguapé, Juquiá, Pedro de Toledo, Prainha e Registro. Pelo Decreto Estadual n.º 9.775, de 30 de novembro de 1938, o Município de Iguapé perdeu os Distritos de Prainha, Juquiá e Pedro Toledo para o novo Município de Prainha. Em 1939-1943, o Município de Iguapé é composto dos Distritos de Iguapé e Registro e é termo único da comarca de Iguapé, termo este formado por 3 Municípios: Iguapé, Jacupiranga e Prainha. Decreto-Lei n.º 14.334, de 30 de novembro de 1944, desmembra do Município de Iguapé o Distrito de Registro. 
Em virtude do Decreto-Lei Estadual n.º 14.334, de 30 de novembro de 1944, que fixou o quadro territorial para vigorar em 1945-48, o Município de Iguapé ficou composto de 1 único Distrito, Iguapé e constitui o único termo judiciário da comarca de Iguapé formada pelos Municípios de Iguapé, Jacupiranga e Registro. 
Permanece composto apenas de um Distrito, Iguapé, comarca de Iguapé, nos quadros territoriais fixados pelas Leis Estaduais n.º 233, de 24 de dezembro de 1948 e n.º 2.456, de 30 de dezembro de 1953 para vigorar, respectivamente, nos períodos 1949-1953 e 1954-1958. 
Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1960, o município é constituído do Distrito Sede. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 15 de julho de 1999.
Geografia
Iguape possui uma área de 1.980,916 quilômetros quadrados, sendo assim o maior município do estado de São Paulo em tamanho territorial. Abriga também as Áreas de Relevante Interesse Ecológico Ilha Ameixal, de 400 hectares, localizada no rio Una do Prelado, criada pelo Decreto n.º 91.889, de 5 de novembro de 1985, parte da Zona de Vida Silvestre - Área de Proteção Ambiental de Cananéia-Iguapé-Peruíbe, criada pelo Decreto n.º 90.347, de 23 de outubro de 1984 e complementada pelo Decreto n.º 91.892 de 06 novembro de 1985, e parte da ZVS - APA Ilha Comprida, criada pelo Decreto n.º 26.881, de 11 de março de 1987 e regulamentada pelo Decreto n.º 30.817, de 30 de novembro de 1989.[25]
Oficialmente a única praia de Iguape é a Praia da Jureia.
Relevo e Altitude
A altitude média da sede urbana é de apenas 3 metros acima do nível do mar. O relevo é predominantemente composto por planícies costeiras e áreas de manguezal, mas o município também abrange porções da Serra do Mar, com elevações que protegem a biodiversidade da região.
Solo
O solo é formado por sedimentos quaternários nas planícies (arenosos e salinos) e solos podzólicos nas encostas das serras.
Vegetação e Ecossistema
Iguape é um dos maiores redutos de Mata Atlântica do mundo. A vegetação varia entre a floresta ombrófila densa, a restinga e o manguezal.
Um ponto geográfico crucial é o Valo Grande, um canal artificial aberto no século XIX para facilitar o transporte de arroz, mas que alterou drasticamente o ecossistema local ao misturar a água doce do Rio Ribeira com a água salgada do estuário, um desafio ambiental que a cidade enfrenta até hoje.
Clima
O clima é o Tropical Úmido (Af), caracterizado por temperaturas elevadas e chuvas bem distribuídas ao longo do ano, sem uma estação seca definida. A média anual fica em torno de 22 °C.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1961 a 1988, 1996 a 1997 e desde 2000, a menor temperatura registrada em Iguape foi de 0,2 °C em 21 de julho de 2000 e a maior atingiu 43 °C em 3 de fevereiro de 1933. Esta foi a maior temperatura registrada no estado de São Paulo até o dia 7 de outubro de 2020, quando a cidade de Lins, no interior, registrou máxima de 43,5 °C. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 289,9 milímetros (mm) em 17 de março de 1981. Outros grandes acumulados iguais ou superiores a 200 mm foram 237,1 mm em 15 de fevereiro de 1948, 219,5 mm em 13 de janeiro de 2008 e 208,2 mm em 18 de março de 2017. Desde julho de 2006, a rajada de vento máxima alcançou 24,7 m/s (88,9 km/h) em 3 de novembro de 2018.
Rodovias
A rodovia que atende à cidade é a SP-222
Hidrografia
A hidrografia do município está assim composta: Rio Momuna, Rio Ribeira de Iguape, Rio Una da Aldeia; Oceano Atlântico e Rio Peropava.
Economia
Iguape é uma pequena cidade que se destaca pela alta regularidade das vendas no ano e pelo elevado potencial de consumo.
A economia de Iguape é um equilíbrio entre o setor primário e o setor de serviços.
Pesca e Extrativismo: A pesca artesanal e industrial é o pilar de muitas famílias, com destaque para o camarão e peixes de estuário.
Turismo: O turismo histórico, religioso e ecológico movimenta hotéis, pousadas e restaurantes, sendo a maior fonte de receita para o comércio local.
Agricultura: Embora em menor escala que no passado, o cultivo de banana e a silvicultura possuem relevância na zona rural.
De janeiro a fevereiro de 2026, foram registradas 152 admissões formais e 180 desligamentos, resultando em um saldo negativo de -28 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de -66.
Até março de 2026 houve registro de 6 novas empresas em Iguape, sendo que uma delas atua pela internet. Neste último mês, 3 novas empresas se instalaram. Este desempenho é maior que o do mês imediatamente anterior (2). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 70 empresas.
Educação
Na educação, o município conta com uma rede de ensino fundamental e médio que atende às comunidades urbanas e rurais. A proximidade com Registro facilita o acesso de jovens a centros técnicos e à UNESP, enquanto a própria cidade busca parcerias para cursos técnicos voltados ao turismo e à gestão ambiental.
Turismo
Atualmente, uma das principais atividades econômicas de Iguape é o turismo. O município possui diversas atrações, tendo a vantagem de ser histórico e com ar interiorano, mas com praias.
Fonte do Senhor
A Fonte do Senhor é um pequeno parque turístico pertencente ao Parque Floresta Municipal do Morro do Espia. Possui uma tranquila área de lazer com gramados e árvores da Mata Atlântica, diversas bicas e torneiras com água potável das cachoeiras, uma lagoa com patos e peixes ornamentais e um grande tanque, antes usado para tratamento de água e que atualmente serve de piscina pública. Esse parque foi criado ao redor da capela -mais conhecida como gruta- erguida em 1737, em pedra e cal, sobre a famosa pedra que cresce, onde a imagem do Senhor Bom Jesus de Iguape foi lavada, no ano de 1647, após ser encontrada na Praia do Una, na Jureia. É a lenda da "pedra que cresce", que intrigou até o grande escritor Albert Camus, Prêmio Nobel de Literatura, ao visitar o município de Iguape no mês de agosto do ano de 1949, acompanhado de Oswald de Andrade, Paul Silvestre, adido cultural francês, e Rudá de Andrade, filho de Oswald, além do motorista, cujo nome não foi citado, mas que foi apelidado por Camus de "Augusto Comte", por parecer com o referido filósofo francês. Serviu por muitos anos para lavar roupas e abastecimento de água potável para a população da Vila de Iguape. Na época da festa do Bom Jesus de Iguape e no verão, esse parque fica bastante movimentado por romeiros ou turistas que visitam o município. O parque é um dos pontos de partida para a Trilha Ecológica do Morro do Espia, com extensão de 2,8 quilômetros, dá acesso à Pedra Lisa e ao Mirante do Cristo Redentor.
Mar Pequeno
Iguape é parte do Complexo Estuarino-Lagunar do Mar Pequeno, também conhecido como Lagamar, que engloba os municípios de Iguape, Ilha Comprida, Cananeia e Pariquera-Açu, no Estado de São Paulo, e Paranaguá, no Paraná. É uma área muito rica em manguezais, que serve de berçário para várias espécies marinhas e por isso é considerada um dos cinco maiores criadouros marinhos do mundo. Suas lagunas à beira-mar com vegetação de restingas e Mata Atlântica, possuem uma deslumbrante fauna e flora, entre eles, estão guarás, biguás, garças, golfinhos, dezenas de espécies de aves marinhas, e animais exóticos, como o papagaio-de-cara-roxa, uma das aves que estão sob risco de extinção no planeta. Em toda a sua extensão, existem também inúmeros sítios arqueológicos, onde estão os Sambaqui, deixados por populações nômades e indígenas que habitavam o local há mais de 5 mil anos.
Barra do Ribeira e Costão da Jureia
A cerca de vinte quilômetros do município, está a foz do Rio Ribeira de Iguape, região conhecida como Barra do Ribeira, excelente local para pesca e esportes aquáticos e ecoturismo. Aos poucos, a pequena vila de pescadores, que a cada ano recebia pessoas de todos os lugares, foi crescendo e se desenvolvendo, tornando-se num bairro, de cultura predominantemente caiçara. Um pouco mais para dentro do rio há um serviço de balsa da Dersa que liga a ilha de Iguape às praias da Jureia e do Prelado, pertencentes ao bairro Barra do Ribeira, ambas de acesso livre, totalizando 19 km de extensão e, a partir daí, à Estação Ecológica da Jureia-Itatins, uma unidade de conservação ambiental criada em 1986 e que atualmente é considerada a maior reserva de Mata Atlântica do Brasil, cujo acesso é restrito, somente permitido para fins de pesquisa e atividades de educação ambiental, junto a grupos organizados, acompanhado de monitores credenciados. Ao final do costão da Jureia, está o início da Trilha do Imperador (ou do Telégrafo), construída a mando do imperador D. Pedro I, por onde passava, no século XIX, a linha de telégrafos que ligava o Rio de Janeiro ao Paraná, importante meio de comunicação do litoral do país.
Museu de Arte Sacra
Na Igreja do Rosário, está instalado o Museu da Arte Sacra, inaugurado em 1979, permaneceu por mais de duas décadas funcionando normalmente, enfrentou diversas fases, foi fechado, abandonado, sofreu deterioração e até furto de suas peças. Foi reinaugurado em 2006 e, hoje, possui, em seu acervo permanente, 60 peças de arte sacra dos séculos XVIII e XIX, parte do acervo histórico da Igreja de Nossa Senhora das Neves e da antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Entre as raridades, está um quadro em alto-relevo, que traz a cena da Via-Sacra, de procedência europeia. Há também pratarias, inclusive peças que compõe o Império do Divino Espírito Santo. O acervo todo, que chega a 180 objetos, tem procedência de várias igrejas do município, mas a maioria pertenceu a primeira Igreja Matriz de Iguape, construída em 1614 e demolida em 1858, para a construção da atual Basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape e Nossa Senhora das Neves, padroeiros de Iguape.
Centro histórico
Iguape possui o maior casario colonial preservado do Estado de São Paulo, com diversas casas, casarões e igrejas em vielas estreitas de paralelepípedos. Nessas construções ricas em detalhes, foram utilizadas técnicas como a taipa francesa e a taipa de pilão. As construções datam dos ciclos do ouro e do arroz, entre os séculos XVI e XIX, período em que Iguape viveu seu auge de desenvolvimento econômico. No dia 3 de dezembro de 2009, durante as comemorações dos seus 471 anos de sua fundação, o município recebeu o título de patrimônio nacional, com o tombamento de seu núcleo urbano, ou seja, o centro histórico, o antigo sistema portuário fluvial e marítimo, incluindo o canal do Valo Grande e o Morro da Espia, além de diversas áreas da zona rural relacionadas com a imigração japonesa no Brasil.
Basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape e Nossa Senhora das Neves
Templo católico construído em pedra portuguesa, argamassa e óleo de baleia, entre os séculos XVIII e XIX. Alí é possível observar várias imagens, entre elas as dos padroeiros do município, Nossa Senhora das Neves e Bom Jesus de Iguape. Na basílica, também é possível se visitar a Sala dos Milagres, que possui objetos deixados pelos devotos em agradecimento a graças recebidas.
Morro do Espia
Com mais de cinquenta metros de altitude, em um local privilegiado, o Parque Municipal do Morro do Espia tem esse nome porque era usado por vigias que controlavam a entrada e saída de embarcações no porto e que alertavam a população quando da chegada de piratas através da Barra do Icapara, local onde ocorreu a batalha que ficou conhecida como Entrincheiramento de Iguape. Hoje, esse ponto é muito visitado devido à visão panorâmica única do município e de todo o complexo estuarino-lagunar, bem como da totalidade do Canal do Valo Grande, propiciando, assim, uma melhor compreensão sobre essa obra polêmica. Nesse ponto, exatamente onde havia uma grande cruz de madeira, levantada por José Gonçalves, existe uma réplica do Cristo Redentor do Rio de Janeiro, inaugurada em 10 de dezembro de 1953, obra do escultor José Rosasco.
Fundação S.O.S. Mata Atlântica
Está localizada em um centenário casarão cedido pela Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), localizado no centro histórico de Iguape, que foi restaurado pela própria fundação em 1989, e onde foi criada a Base Urbana de Iguape. Exibe filmes sobre a região, serve de local de exposição do artesanato local e possui maquetes e painéis que exibem a diversidade ambiental do lagamar. A maquete principal permite uma visão geral do lagamar e de todo o relevo da região, incluindo as UCs (Unidades de Conservação) da região, que abrange cerca de 70% do território do Vale do Ribeira. A sede abriga, também, o Centro de Interpretação Ambiental e Informação Turística, que divulga o potencial natural e histórico-cultural da região do lagamar, através de painéis explicativos sobre a Mata Atlântica preservada e seus habitantes. 
Festa do Senhor Bom Jesus de Iguape
A Festa do Senhor Bom Jesus de Iguape é um evento religioso significativo no estado de São Paulo, sendo a segunda maior festa desse tipo na região, atrás apenas do Santuário de Aparecida. Sua origem remonta a 1647, quando índios encontraram uma escultura de madeira retratando Cristo, na praia do Una. Esse achado foi seguido por relatos de milagres, dando início ao culto. 
O ponto central das festividades é a Basílica de Bom Jesus de Iguape, erguida em 1856, onde ocorrem as principais cerimônias religiosas, os peregrinos fazem o percurso, da Praia do Una até Iguape, passando pelo costão da Jureia. Os devotos participam de missas, procissões e momentos de reflexão, todos permeados por uma atmosfera de devoção e fé.
Carnaval
O carnaval de Iguape é considerado um dos melhores carnavais de rua de São Paulo. Com diversos blocos que se apresentam na praça da basílica e nela dão uma volta, seguidos por centenas de foliões. Entre os mais tradicionais estão, o bloco "Zé Pereira", sendo o carro-chefe que abre a folia do carnaval iguapense desde 1846; a "Chaleira", fundado em 8 de janeiro de 1910; "Juritica", em fevereiro de 1960; "Banho da Dorotheia", em 16 de fevereiro de 1972, o "Bloco do Galo", em fevereiro de 1978 e o "Boi Tatá", em março de 1981. Essa festa chega a levar mais de 200 mil visitantes a Iguape durante o período dos festejos populares.
Festa de Agosto
Entre os dias 28 de julho e 6 de agosto, Iguape é tomada por peregrinos, também chamados de romeiros, que lotam a cidade para participar das missas e procissões em louvor aos padroeiros da cidade. A cidade recebe de 150 a 200 mil visitantes que lotam os hotéis e pousadas da região ou que acampam nas suas áreas livres, tomadas por bancas de vendedores ambulantes e de comida, que aproveitam o grande movimento para faturar. Antigamente, essas bancas eram elas próprias uma atração, visto que a cidade ficava muito isolada e vários produtos não chegavam até lá.
Museu Municipal
Este museu está magnificamente restaurado e é o mais antigo edifício fazendário do Brasil. Originalmente onde funcionou a primeira casa de fundição de ouro do Brasil, atualmente ocupado pelo Museu Municipal de Iguape, criado através da Lei Número Doze, de 23 de dezembro de 1906, depois de ter sido usado sucessivamente como cadeia, quartel e Casa da Câmara, podem ser encontrados diversos artefatos indígenas de antes da chegada dos europeus, como o Ídolo de Iguape, um busto de mais de 2 500 anos, as cerâmicas igaçaba encontradas nos sambaquis da região; objetos do período da escravidão no Brasil; prensas tipográficas utilizadas para impressão dos antigos jornais da cidade, insígnias e outros objetos da Revolução Constitucionalista de 1932, utilizados pelos combatentes iguapenses que enfrentaram as forças de Getúlio Vargas instaladas em Cananeia, além do Diploma da Medalha de Campanha, condecoração concedida pela participação na Força Expedicionária Brasileira, nas operações durante a Segunda Guerra Mundial, em 1944 na Itália. Também se pode acompanhar, através de seu acervo, um histórico abrangente do período colonial e imperial brasileiro, entre eles, um Diploma de Honra, o qual premiou o arroz de Iguape como o melhor do mundo em exposição internacional realizada em 29 de abril de 1911, em Turim, na Itália.
Religião
O Cristianismo se faz presente na cidade da seguinte forma: 
Igreja Católica 
A igreja faz parte da Diocese de Registro. 
Igrejas Evangélicas
Entre as igrejas protestantes históricas, pentecostais e neopentecostais, encontram-se na cidade: Assembleia de Deus Ministério do Belém e Congregação Cristã no Brasil.
Esporte
O cenário esportivo de Iguape é moldado por sua geografia.
- Pesca Esportiva: atrai entusiastas de todo o país que buscam os robalos e as caranhas nos canais do Lagamar.
- Canoagem e Stand-up Paddle: as águas calmas do Mar Pequeno são perfeitas para esportes náuticos não motorizados.
- Cicloturismo: a rota que liga Iguape à Ilha Comprida e Jureia é muito procurada por ciclistas de resistência.
- Esportes de Aventura: Trilhas ecológicas e o montanhismo ganham força nas encostas próximas à Serra do Espigão.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Caravela .

quinta-feira, 16 de julho de 2026

RIO PARDO DE MINAS - MINAS GERAIS

Rio Pardo de Minas é um município brasileiro do estado de Minas Gerais, localizado no norte da unidade federativa. Sua população conforme estimativas do IBGE em 2025, era de 29.103 habitantes. Compõe com outros municípios da região o Alto Rio Pardo.
É um dos municípios mais antigos do norte de Minas Gerais. 
História
A região de Rio Pardo de Minas começou a ser povoada no final do século XVII, com a chegada de vaqueiros vindos da Bahia, associados ao grande latifúndio da Casa da Ponte, dos Guedes de Brito. Nesse período, por volta de 1698, o fazendeiro baiano Antônio Luís dos Passos estabeleceu uma fazenda de gado na área e fundou a povoação de Rio Pardo, na confluência do rio homônimo com o rio Preto. 
A descoberta de jazidas de ouro na região acelerou o seu povoamento, junto com o comércio realizado com a cidade de Salvador e as regiões de Feira de Santana e do Alto Sertão da Bahia. Em 1740, o arraial de Rio Pardo foi elevado à categoria de paróquia e freguesia da vila de Minas Novas. Em 1757, como consequência das descobertas de diamantes em Tijuco (atual Diamantina), o Vale do Jequitinhonha e grande parte do Norte de Minas (o que inclui o território de Rio Pardo de Minas) foram transferidos da Capitania da Bahia para a de Minas Gerais. 
Em 13 de outubro de 1831, graças a Francisco Jê Acaiaba de Montezuma, a freguesia de Rio Pardo foi elevada à categoria de vila, desmembrada de Minas Novas, sendo instalada a 26 de agosto de 1833, presidente da Câmara Municipal de Minas Novas, o padre Carlos Pereira Freire de Moura. Essa vila possuía um território original de 30 mil quilômetros quadrados. 
A Lei Provincial n.º 1.887, de 5 de julho de 1872, concedeu à vila o título de cidade. Entre 1883 e 1887, Rio Pardo perdeu territórios para a criação das vilas de Tremedal (atual Monte Azul) e Salinas. 
Em 1911, o município de Rio Pardo era constituído dos distritos de Rio Pardo (sede), São João do Paraíso, Serra Nova, Água Quente, Veredinha e Taiobeiras, este último incorporado a Salinas em 1923. Pelo Decreto-Lei n.º 1.058, de 31 de dezembro de 1943, a municipalidade teve seu nome alterado para Rio Pardo de Minas e perdeu o distrito de São João do Paraíso, elevado à categoria de município. Em 1958, pela Lei Provincial n.º 946, de 6 de junho, foi criada a Comarca de Rio Pardo de Minas, sendo suprimida por força da Lei Provincial n.º 1507, de 30 de julho de 1969 e restaurada em definitivo no mesmo ano pela Lei Provincial n.º 1620, de 3 de novembro. 
Nos anos 1990, Rio Pardo de Minas sofreu mais perda de território, com a criação dos municípios de Indaiabira, Montezuma, Santo Antônio do Retiro e Vargem Grande do Rio Pardo.
Formação Administrativa
A vila de Rio Pardo foi criada em 13 de outubro de 1831, com território desmembrado do município de Minas Novas. Sua Instalação verificou-se em 26 de agosto de 1933. 
Em virtude da Lei Provincial n.º 1.887, de 15 de julho de 1872, foi a sede municipal elevada a categoria de cidade. Segundo a divisão a administrativa de 1911, o município era constituído pelos seguintes distritos: Rio Pardo, São João do Paraíso, Serra Nova, Água Quente, veredinha e Taiobeiras. Por força da Lei Estadual n.º 843, de 7 de setembro de 1923, perdeu o município o distrito de Taiobeiras que passou a integrar o de Salinas. Por esta mesma divisão administrativa, Rio Pardo passou a figurar com apenas 5 distritos: Rio Pardo, Serra Nova (ex Nossa Senhora do Patrocínio de Serra Nova), São João do Paraíso, Água Quente (ex Santana da Água Quente) e Veredinha (antiga Nossa Senhora da Veredinha). Nas publicações datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, bem como no quadro anexo ao Decreto-Lei n.º 88, de 30 março de 1938, o município de Rio Pardo compõe-se de quatro distritos: o da sede, Água Quente, São João do Paraíso e Serra Nova. Pelo Decreto n.º 148, de 17 de dezembro de 1938, o distrito de Serra Nova foi extinto e seu território passou a constituir o novo distrito de coqueiros, atual Indaiabira no mesmo município de Rio Pardo. Por força do Decreto-Lei n.º 1.058, de 31 de dezembro de 1943, perdeu o município o distrito de São João do Paraíso, elevado a categoria de município, e teve seu topônimo alterado para Rio Pardo de Minas. Era a seguinte a composição distrital em face do citado Decreto-lei: Rio Pardo de Minas, Indaiabira, (ex Coqueiro) e Montezuma (ex Água Quente). Em face da divisão judiciária e administrativa a vigorar no quinquenio 1954-1958, baixada pela Lei n.º 1.039, de 12 de dezembro de 1953, integram o município os seguintes distritos: Rio Pardo de Minas, Indaiabira, Montezuma e Serra Nova, este último criado pela Lei n.º 336, de 27 de dezembro de 1948. A Comarca foi criada pela Lei Provincial n.º 946. de 06 de junho de 1958, tendo sido suprimida dez anos após, por força da Lei Provincial n.º 1507, de 30 de julho de 1869. Restaurada sua criação em 03 de novembro de 1869, pela Lei Provincial n.º 1.620, desde aquela data não sofreu solução de continuidade. A Comarca de rio Pardo está subordinado o município de São João do Paraíso. 
Geografia
Situado no norte de Minas Gerais, Rio Pardo de Minas está a uma altitude de 775 m acima do nível do mar, em um território majoritariamente montanhoso, na Serra Geral. Faz divisas com municípios como Fruta de Leite, Indaiabira, Mato Verde, Montezuma, Novorizonte, Salinas, Serranópolis de Minas, Taiobeiras e Vargem Grande do Rio Pardo.
Relevo e Altitude
O município está inserido no complexo da Serra do Espinhaço. O relevo é predominantemente montanhoso e acidentado, com extensos chapadões. A sede urbana repousa a uma altitude de 800 metros, mas em áreas como a Serra do Gramado, as elevações ultrapassam facilmente os 1.000 metros, oferecendo um clima mais fresco nas partes altas.
Clima
O clima é o Tropical Semiárido (BSh), porém temperado pela altitude. As chuvas são escassas e concentradas entre os meses de novembro e janeiro. No verão, as temperaturas são elevadas durante o dia, mas, devido à altitude, as noites costumam ser frescas. No inverno, o "frio de serra" se faz presente, com mínimas que podem cair abaixo dos 12°C.
Em Rio Pardo de Minas, a estação com precipitação é quente, úmida e de céu quase encoberto; a estação seca é morna, de ventos fortes e de céu quase sem nuvens. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 14 °C a 32 °C e raramente é inferior a 12 °C ou superior a 35 °C. 
A melhor época do ano para visitar Rio Pardo de Minas e realizar atividades de clima quente é do meio de maio ao meio de setembro. 
A estação quente permanece por 1,6 mês, de 9 de setembro a 29 de outubro, com temperatura máxima média diária acima de 31 °C. O mês mais quente do ano em Rio Pardo de Minas é outubro, com a máxima de 31 °C e mínima de 18 °C, em média. 
A estação fresca permanece por 2,3 meses, de 1 de junho a 10 de agosto, com temperatura máxima diária em média abaixo de 28 °C. O mês mais frio do ano em Rio Pardo de Minas é julho, com a mínima de 14 °C e máxima de 28 °C, em média. 
Em Rio Pardo de Minas, a porcentagem média de céu encoberto por nuvens sofre extrema variação sazonal ao longo do ano. 
A época menos encoberta do ano em Rio Pardo de Minas começa por volta de 12 de abril e dura 6,1 meses, terminando em torno de 17 de outubro. 
O mês menos encoberto do ano em Rio Pardo de Minas é agosto, durante o qual, em média, o céu está sem nuvens, quase sem nuvens ou parcialmente encoberto 76% do tempo. 
A época mais encoberta do ano começa por volta de 17 de outubro e dura 5,9 meses, terminando em torno de 12 de abril. 
O mês mais encoberto do ano em Rio Pardo de Minas é dezembro, durante o qual, em média, o céu está encoberto ou quase encoberto 78% do tempo. 
Solo e Vegetação
Os solos são variados, com predominância de Latossolos nos chapadões (fáceis de mecanizar) e solos pedregosos nas encostas. A vegetação é uma fascinante área de transição: o Cerrado domina as partes mais altas e planas, enquanto a Caatinga (Mata Seca) aparece nas áreas mais baixas e quentes. Nas margens dos rios, ainda resistem matas ciliares que guardam a biodiversidade local.
Economia
Rio Pardo de Minas é uma pequena cidade que se destaca por apresentar novas oportunidades de negócios e pelo alto crescimento econômico.
A economia de Rio Pardo de Minas é dinâmica e baseada na exploração racional de seus vastos recursos naturais.
- Silvicultura (Eucalipto): é uma das maiores potências do estado no plantio de eucalipto para a produção de carvão vegetal, destinado às siderúrgicas de Minas Gerais.
- Cafeicultura: nas áreas mais altas, o café de montanha (tipo Arábica) ganha destaque pela qualidade, aproveitando o clima de altitude.
Agricultura e Pecuária: Produção de feijão, milho e mandioca, além da pecuária de corte e leiteira que abastece a região.
- Mineração: o município possui jazidas de minério de ferro e quartzo, que contribuem significativamente para o PIB municipal.
De janeiro a fevereiro de 2026, foram registradas 49 admissões formais e 64 desligamentos, resultando em um saldo negativo de -15 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de -66.
Até março de 2026 houve registro de 1 nova empresa em Rio Pardo de Minas, sendo que a maioria delas atua com estabelecimento fixo. Neste último mês, uma nova empresa se instalou na cidade. Este desempenho é maior que o do mês imediatamente anterior (0). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 35 empresas.
Educação
O município conta com uma rede educacional robusta que atende tanto à sede quanto à zona rural (um desafio constante dado a extensão territorial). Rio Pardo dispõe de escolas estaduais e municipais bem avaliadas e serve como polo para polos de Educação a Distância (EAD) de universidades renomadas, facilitando o acesso ao ensino superior para a juventude local que busca formação em agronomia, pedagogia e gestão pública.
Turismo
O potencial turístico de Rio Pardo é imenso, focado no ecoturismo e na cultura religiosa.
- Serra do Gramado: o ponto mais alto e icônico, ideal para trilhas, mountain bike e contemplação do pôr do sol.
- Cachoeiras e Rios: embora seja uma região seca, o município esconde quedas d'água refrescantes e o próprio Rio Pardo, que dá nome à cidade.
- Festa de Agosto: a principal celebração religiosa e cultural da cidade, em honra a Nossa Senhora do Amparo. É o momento em que os filhos da terra retornam, enchendo as ruas de música, fé e tradição.
Esporte
O esporte em Rio Pardo de Minas é movido pela paixão pelo Futebol Amador. O Estádio Municipal é o palco de torneios regionais que mobilizam toda a microrregião. Nos últimos anos, o Ciclismo (MTB) explodiu em popularidade; as estradas de terra e as trilhas da Serra do Espinhaço transformaram o município em um destino preferencial para ciclistas de aventura que buscam desafios de altimetria e paisagens cinematográficas.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .

terça-feira, 14 de julho de 2026

BAIXO GUANDU - ESPÍRITO SANTO

Baixo Guandu é um município brasileiro no interior do estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Localiza-se no noroeste capixaba, estando situado a cerca de 180 km da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 910 km², sendo que 7 km² estão em área urbana, e sua população foi estimada pelo IBGE, em 32.829 habitantes em 2025.
A cidade se encontra nas margens da foz do rio Guandu no rio Doce. A sede tem uma temperatura média anual de 25 °C e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 77% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com 20 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,702, considerando-se como alto em relação ao estado.
Baixo Guandu tem o comércio e a mineração de pedras ornamentais como principais fontes de renda. Anualmente é palco de eventos com relevância regional, tais como o aniversário do município, a Festa de São Pedro e a ExpoGuandu, sendo que as cachoeiras, situadas na zona rural, e as formações rochosas, propícias a escaladas e saltos, são seus principais atrativos turísticos.
História
A região começou a ser desbravada no final do século XVIII, porém foi somente na segunda metade do século XIX que ocorreu de fato o povoamento do lugar, em decorrência dos constantes conflitos com os botocudos. Na década de 1870, sob incentivo de José Vieira de Carvalho, vieram para as terras guanduenses fluminenses do município de Cantagalo, que fundaram colônias onde cultivavam cereais, cana de açúcar e o café. Pouco tempo depois vieram imigrantes, em sua maioria italianos, que também colaboraram no desenvolvimento das culturas agrícolas. Em decorrência do crescimento econômico e social, em 1915 foi criado o distrito de Baixo Guandu, subordinado a Colatina, que veio a ser emancipado em 1935.
Origens e pioneirismo
A colonização da região do atual município de Baixo Guandu teve início entre o final do século XVIII e começo do século XIX, período marcado pelas bandeiras que adentravam o interior brasileiro. O lugar era um importante ponto de parada para os bandeirantes, oferecendo ótimos resultados de caça e, no leito do rio Doce, pescado e água. Conflitos entre os viajantes (muitos oriundos do Rio de Janeiro) e os botocudos, habitantes originais da região, eram constantes e para evitá-los criaram-se, no ano de 1800, os chamados "quartéis". Foram estes conflitos que fizeram com que fracassassem todas as tentativas governamentais de povoamento até meados da década de 1860. 
Em 1859, criou-se a mando de Dom Pedro II o chamado Aldeamento do Mutum, situado na foz do rio Mutum Preto, cujo objetivo era catequizar os indígenas, que pouco tempo mais tarde foi desativado devido à precariedade e a ataques dos próprios povos originários. Apesar disso, aos poucos os nativos passaram a se familiarizar com os forasteiros. 
Na década de 1870 o lugar passou a ser ocupado por fluminenses de Cantagalo sob incentivo de José Vieira de Carvalho, que apostava nas riquezas naturais da região do rio Doce e necessitava de terras novas onde aplicar sua atividade. Os fluminenses foram responsáveis pela criação de diversas colônias, onde floresciam culturas de cereais, cana de açúcar e, nas terras mais altas, o café. Outro fator que favoreceu o desenvolvimento do lugar foi o fato de estar localizado no meio de uma das principais vias (por terra e por rio) que ligava o interior mineiro aos portos do litoral capixaba, sendo que em 1907 chega à localidade os trilhos da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). Também nesta época chegam os primeiros imigrantes, a grande maioria italianos. O chamado Núcleo Colonial "Afonso Pena" foi repartido em lotes que foram vendidos aos italianos, franceses e espanhóis.[10]
Formação administrativa
Dado o crescimento populacional e econômico constante da localidade, foi criado, pela Lei Estadual n.º 1.045, de 9 de dezembro de 1915, o distrito de Baixo Guandu, subordinado ao município de Colatina. O distrito foi elevado à categoria de município pela Lei Estadual nº 6.152, de 10 de abril de 1935, sendo oficialmente instalado em 8 de junho do mesmo ano. Desde a criação do distrito muitos movimentos separatistas atuaram em prol da elevação de Baixo Guandu à categoria de cidade. 
Quando emancipado Baixo Guandu era composto apenas pelo distrito-sede. Os primeiros distritos a fazerem parte do município foram Ibituba (antigo Afonso Pena) e Quilômetro 14 do Mutum (também conhecido por Mascarenhas, seu nome original), adquiridos do território de Colatina pelo Decreto-Lei Estadual n.º 9.222, de 31 de março de 1938. Pela lei estadual n.º 752, de 30 de novembro de 1953, criou-se o distrito de Alto Mutum Preto, com território desmembrado do distrito de Quilômetro 14 do Mutum, e mediante a Lei Estadual n.º 1.952, de 13 de janeiro de 1964, foi criado o distrito de Vila Nova do Bananal. A partir de então restaram cinco distritos, sendo eles Alto Mutum Preto, Ibituba, Quilômetro 14 do Mutum e Vila Nova do Bananal, além do distrito sede. 
Após a emancipação
Baixo Guandu foi a primeira cidade brasileira a receber água tratada com flúor em 1953, com o intuito de diminuir a incidência de cáries, principalmente entre as crianças. O benefício foi alcançado pela administração guanduense que tentava alcançar o feito desde a década de 1940, quando foi iniciado o tratamento de água potável no Espírito Santo por meio do Serviço Especial de Saúde Pública. 
Desde 1926 Baixo Guandu possuía uma usina hidrelétrica, a Usina Hidrelétrica Von Luztow, construída por Belarmino Pinto. Esta foi expandida na década de 50, cujas obras foram executadas pela Lutzow S.A.; concluídas com auxílio da Cia. Vale do Rio Doce (atual Vale S.A.) após uma crise. Com a expansão, a UHE passou a alimentar, além de Baixo Guandu, o município de Resplendor.
Baixo Guandu contou com dois marcos culturais em sua história. O Cine Alba foi construído pelas famílias Holz e Kunkel e inaugurado em 1954, sendo então considerado a melhor casa do gênero no estado; havia 800 cadeiras estofadas com modernos sistemas de som, iluminação e ventilação. Além das atrações cinematográficas, também era um dos principais palcos de shows com artistas regionais ou nacionalmente conhecidos, porém veio a ser fechado na década de 1990. O outro marco continua em funcionamento e é o Canaã Social Clube, inaugurado em 10 de abril de 1953. Inicialmente era frequentado exclusivamente pela elite social, porém com o passar do tempo se tornou uma das principais áreas de recreação, integração e lazer do município. Em 2000 passou por reformas e ampliações, porém mantendo sua arquitetura e modelo original. 
Geografia
A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 909,039 km², sendo que 6,9 km² constituem a zona urbana. Situa-se a 19°31'07" de latitude sul e 41°57'00" de longitude oeste e está a uma distância de 181 quilômetros a noroeste da capital capixaba. e está a uma distância de 186 quilômetros a oeste da Vitória. Seus municípios limítrofes são Pancas, a norte; Resplendor, a noroeste; Aimorés e Itueta, a oeste; Laranja da Terra, a sul; e Colatina e Itaguaçu, a leste. 
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Colatina.[15] Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Colatina, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Noroeste Espírito-Santense. 
Relevo
O relevo do município de Baixo Guandu é predominantemente ondulado. Aproximadamente 50 % do território guanduense é coberto por áreas onduladas, 33 % são mares de morros ou acidentados, 12 % são terras planas e 5 % zonas escarpadas. 
Altitude
A altitude máxima chega aos 900 metros, enquanto que a altitude da sede é de 77 metros. 
Solo
O solo é do tipo latossolo vermelho-amarelo, distrófico, com fertilidade média e acidez moderada, sendo o pH em torno de 5. 
Hidrografia
Influenciado pelas condições geológicas, geomorfológicas e pedológicas, o município conta com uma considerável variedade de rios e riachos de pequeno ou médio porte, com leitos bem encaixados e muitos nascendo dentro do próprio território. Grande parte desses mananciais menores são importantes para a agricultura, uma vez que as águas são usadas para irrigação. Porém alguns deles estão sujeitos à diminuição da capacidade em decorrência de períodos de estiagem prolongados. Os principais cursos d’água que compõem a rede de drenagem guanduense são os rios Doce, Guandu, Laje e Mutum. 
Vegetação
A vegetação original do território do município é a Mata Atlântica em transição com cerrado. No entanto, a região de Baixo Guandu vem observando, há décadas, profundas transformações ambientais oriundas, principalmente, de um intenso processo de atividades extrativas minerais e do desmatamento objetivando a expansão agropecuária. Isso gerou e segue favorecendo uma grande mudança paisagística, reduzindo áreas verdes de vegetação nativa em pequenos fragmentos em meio a áreas abertas de pastagem. A grande maioria dessas áreas fragmentadas encontra-se protegida por meio de unidades de conservação públicas ou particulares, por intermédio de regras exigidas pelo poder público quanto ao licenciamento ambiental. Também foram criados programas de reflorestamento e houve a elaboração de cinturões verdes. 
Clima
O clima guanduense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual em torno dos 25 °C, tendo invernos amenos e verões úmidos com temperaturas altas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de 28 °C, enquanto que o mês mais frio, julho, possui média de 22 °C. Outono e primavera são estações de transição. O índice pluviométrico anual é de aproximadamente 900 mm, sendo julho o mês mais seco e dezembro o mais chuvoso. 
Apesar das temperaturas elevadas na maior parte do ano, as mínimas nos dias mais frios podem atingir marcas próximas ou mesmo abaixo dos 10 °C de forma pontual. Em localidades rurais, como Alto Mutum Preto, Mutum Claro e Alto Lage, podem até mesmo chegar aos 5 °C em eventos pontuais. As precipitações caem principalmente sob a forma de chuva e, esporadicamente, de granizo, com registro desse fenômeno nos dias 20 de outubro de 2014 e 4 de outubro de 2022, provocando danos em casas e estabelecimentos e falta de energia elétrica. 
Na década de 2010, a cidade enfrentou extremos climáticos envolvendo tempestades severas e seca. Durante o ano de 2013, choveu 1.478 mm em Baixo Guandu segundo uma medição do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). Em dezembro daquele ano, a cidade foi atingida por enchentes de grandes proporções provocadas pelas chuvas intensas e contínuas, ocasionando mortes e prejuízos econômicos. Contudo, de 2014 a 2019, o município foi afetado por uma sequência de anos seguidos de chuvas irregulares, prejudicando principalmente a agricultura e a pecuária. Durante esse período foi observado um déficit de chuvas de 1.200 mm. 
De acordo com a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), com dados coletados na estação pluviométrica Baixo Guandu de 1941 a 2022, o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas foi de 136,6 mm no dia 14 de abril de 1980. Outros grandes acumulados foram de 133,3 mm em 24 de dezembro de 2013, 117,8 mm em 3 de fevereiro de 2002 e 111,4 mm em 3 de fevereiro de 1980. Na estação Ibituba, de 1967 a 2022, o maior acumulado foi de 107,4 mm em 25 de outubro de 1990. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Baixo Guandu é o 57º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado do Espírito Santo, com uma média anual de 1,5301 raios por quilômetro quadrado.
Etnia
A composição étnica do município foi bastante influenciada pela chegada de imigrantes oriundos de vários países da Europa entre os séculos XIX e XX, em especial italianos. Em 2010, segundo dados do censo do IBGE daquele ano, a população guanduense era composta por 11 827 brancos (40,67%); 1 970 negros (6,77%); 107 amarelos (0,37%); 15 148 pardos (52,09%); 25 indígenas (0,09%); e quatro sem declaração. Considerando-se a região de nascimento, 28 457 eram nascidos na Região Sudeste (97,85%), 318 na Região Nordeste (1,09%), 69 no Norte (0,24%), 31 no Centro-Oeste (0,11%) e 22 no Sul (0,08%). 22 425 habitantes eram naturais do estado de Espírito Santo (77,21%) e, desse total, 16 639 eram nascidos em Baixo Guandu (57,22%). Entre os 6 656 naturais de outras unidades da federação, Minas Gerais era o estado com maior presença, com 5 776 pessoas (19,86%), seguido pelo Rio de Janeiro, com 211 residentes (0,73%), e pela Bahia, com 188 habitantes residentes no município (0,65%).
Subdivisões
Administrativamente, o município é subdividido em quatro distritos, além da sede, sendo eles Alto Mutum Preto, Ibituba, Quilômetro 14 do Mutum e Vila Nova do Bananal. O distrito-sede era o mais populoso, reunindo 25.362 habitantes no ano de 2022, segundo o IBGE, seguido por Ibituba, com 1.702 pessoas.[4] A cidade também se divide em 15 bairros oficiais, segundo a prefeitura em 2013, sendo eles: Alto Guandu, Centro, Industrial, Mauá, Operário, Residencial Ricardo Holz, Rosário I, Rosário II, Santa Mônica, São José, São Pedro, São Vicente, Sapucaia, Val Paraíso e Vila Kennedy.
Economia
Setor primário

Baixo Guandu é uma pequena cidade que se destaca pela alta regularidade das vendas no ano.
A pecuária e a agricultura representam o setor menos relevante na economia de Baixo Guandu.
Na lavoura temporária são produzidos principalmente a cana-de-açúcar, o milho e a mandioca, além do tomate, arroz e feijão. Já na lavoura permanente destacam-se o café, o coco e a banana, sendo cultivados ainda cacau, goiaba, laranja e manga. 
Setores secundário e terciário
As principais indústrias guanduenses estão relacionadas ao açúcar, café, embalagens de material plástico, segmentos de temperos e condimentos, calcário e mármore. 
O comércio sempre foi uma das principais fontes de renda da cidade e se vê fortalecido desde a época da chegada da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), sendo que, juntamente com o setor de prestação de serviços, foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento social e econômico observado nos últimos anos. Há uma considerável presença de micro e pequenas empresas. 
De janeiro a fevereiro de 2026, foram registradas 400 admissões formais e 418 desligamentos, resultando em um saldo negativo de -18 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de -76.
Até março de 2026 houve registro de 3 novas empresas em Baixo Guandu, sendo que uma delas atua pela internet. Neste último mês, uma nova empresa se instalou na cidade. Este desempenho é maior que o do mês imediatamente anterior (0). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 134 empresas.
Infraestrutura
Educação

Na área da educação, o município tem investido na modernização de suas escolas municipais e estaduais. Um destaque é a proximidade e parceria com o IFES (Instituto Federal do Espírito Santo) de cidades vizinhas, que permite a qualificação técnica dos jovens locais. Baixo Guandu também conta com polos de educação à distância que democratizaram o acesso ao ensino superior, focando em áreas como pedagogia e administração rural.
Com o desenvolvimento industrial, o governo municipal, em parceria com o Governo Federal e a Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), oferece cursos de qualificação e capacitação técnica, auxiliando na formação de mão de obra especializada. Também vem sendo estudada a implantação de uma unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) no município. 
Transportes
Desde o começo do século XX, Baixo Guandu conta com transporte ferroviário da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), tendo saídas diárias ligando Belo Horizonte a Vitória. A estação ferroviária da cidade foi inaugurada em 1º de junho de 1910, sendo que hoje a EFVM é a via de viagem mais barata e segura possível para as cidades que contam com estações.
Duas rodovias passam por Baixo Guandu, sendo elas a BR-474 (que interliga o Espírito Santo, a região do Vale do Rio Doce, a Região Metropolitana do Vale do Aço e a Zona da Mata Mineira); a Rodovia Desembargador Lourival de Almeida (liga Baixo Guandu a Laranja da Terra); a ES-446 (liga Baixo Guandu à Rodovia Isidoro Binda e, posteriormente, a Itaguaçu, Colatina e ao litoral); e a Rodovia Pedro Nolasco (principal ligação de Baixo Guandu a Colatina, à BR-101 e ao litoral). 
Também possui um pequeno aeródromo, o Aeroporto de Baixo Guandu/Aimorés, que situa-se em Baixo Guandu, próximo à divisa com Aimorés, mas é administrado pela prefeitura das duas cidades. Foi construído entre 1967 e 1968 e está restrito para operação de aeronaves de pequeno porte e em voo livre, mas especula-se uma reforma no aeroporto, que deverá contar com pátio com gates e parkim para aviões de pequeno e médio porte. 
Cultura
Manifestações culturais

Para estimular o desenvolvimento socioeconômico local, a prefeitura de Baixo Guandu, juntamente ou não com instituições locais, passou a investir mais no segmento de festas e eventos. Os principais eventos são as comemorações do aniversário da cidade, em abril (com a realização de shows, exposições, espetáculos culturais, campeonatos esportivos e sorteios); o Rodeio de Baixo Guandu, em junho (organizado desde 2002, com a realização de shows e exposições); a festa de São Pedro, padroeiro municipal, em junho; as festas juninas, em junho ou julho; a ExpoGuandu, em setembro ou outubro (com shows, feiras de artesanato, concursos e expositores de animais e produtos agrícolas); as comemorações do dia das crianças, em 12 de outubro; e as celebrações de Natal e Reveillon, em dezembro. 
O artesanato também é uma das formas mais espontâneas da expressão cultural guanduense. Há associações que reúnem artesãos da região, disponibilizando espaço para confecção, exposição e venda dos produtos artesanais. Normalmente essas peças são vendidas em feiras, exposições ou lojas de artesanato, sendo que por vezes o artesanato municipal é destaque em feiras e exposições com relevância nacional. Segundo o IBGE, as principais atividades artesanais desenvolvidas em Baixo Guandu eram o bordado, trabalhos com argila e construção de produtos envolvendo material reciclável. 
Instituições e atrativos
Dentre os espaços culturais, destaca-se a existência de uma biblioteca pública e dois estádios ou ginásios poliesportivos, segundo o IBGE em 2005. Também há presença de bandas e grupos de capoeira. No ano de 2006, a cidade tombou o Edifício Madame Albertina Holz, importante edifício do início do século XX, localizado no município de estilo eclético com elementos de neoclássico. Apesar do tombamento, que pretendia a conversação do imóvel e a conversão do mesmo em um museu com biblioteca, o local permaneceu abandonado por um tempo, sendo um importante pedaço da história da cidade e de seu desenvolvimento. Em julho de 2024, o local foi reinaugurado após passar por restauro e aberto como museu. 
Baixo Guandu faz parte da Região Turística Doce Pontões Capixaba, que foi criada em 2009 pela Secretaria de Turismo do Espírito Santo com o objetivo de estimular as manifestações culturais e o turismo ecológico na região das cidades integrantes. Os principais atrativos naturais guanduenses são as cachoeiras, situadas na zona rural, e as formações rochosas, cujo relevo favorece escaladas e saltos. Além disso, em 8 de novembro de 2020, foi inaugurado o Parque Municipal da Lagoa, uma área verde de cerca de 124 mil m² equipada com pistas de caminhada, parques infantis, quiosques, restaurante e uma lagoa com pedalinhos e plataforma de madeira. 
Feriados
Em Baixo Guandu há três feriados municipais e oito feriados nacionais, além dos pontos facultativos. Os feriados são o dia do aniversário da cidade, comemorado em 10 de abril; o dia de Corpus Christi, celebrado em data móvel em maio ou junho; e o dia de São Pedro, padroeiro municipal, em 29 de junho. De acordo com a Lei Federal n.º 9.093, aprovada em 12 de setembro de 1995, os municípios podem ter no máximo quatro feriados municipais com âmbito religioso, já incluída a Sexta-feira Santa.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Caravela .

sexta-feira, 10 de julho de 2026

IPIXUNA - AMAZONAS

Ipixuna é um município brasileiro no interior do estado do Amazonas, Região Norte do país. Pertencente à mesorregião do Sudoeste Amazonense e microrregião de Juruá, seu nome provém do rio Ipixuna, um dos principais afluentes do rio Juruá, com a extensão de cerca de 300 quilômetros.
Sua população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) era de 25.629 habitantes em 2025.
História
Em meados do século XIX dá-se a fixação de estrangeiros no território atual do município. 
Em 1857, João da Cunha sobe o grande rio até a foz do Juruá-Mirim. Em 1877, têm-se notícias fixação de cearenses no rio Juruá. Em 1883, ocorre o povoamento de Riozinho (localizado no centro do atual município) por Arthur Marques de Menezes. 
Origem do Nome
O significado do nome do município veio do rio Ipixuna, um dos principais afluentes do Juruá. Ipixuna, em língua indígena, significa água escura, denominação que lhe foi dada pelos índios Catuquinas, Curinas e Canamaus.
Formação Administrativa
Elevado à categoria de município com a denominação de Ipixuna, pela Lei Estadual n.º 96, de 19 de dezembro de 1955, desmembrado do município de Eirunepé. Sede no atual distrito de Ipixuna (ex povoado de Guarujá). Constituído do distrito sede. Instalado em 18 de fevereiro de 1956. 
Em divisão territorial datada 01 de julho de 1960, o município é constituído do distrito sede. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2023.
Topônimo
"Ipixuna", em língua tupi, significa "água escura", denominação dada pelos índios catuquinas, culinas e canamaus ao rio Ipixuna.
Geografia
Localiza-se a uma latitude 07º03’03” sul e a uma longitude 71º41’42” oeste. O município tem 25 362 e possui uma área de 13,630 km² aproximadamente e está localizado no Estado do Amazonas, a margem esquerda do rio Juruá, pertencendo a 4ª sub-região denominada Região do Juruá. Limita-se com 5 municípios do Estado do Amazonas e um do Acre: ao norte – Atalaia do Norte e Benjamim Constant, ao Sul – Tarauacá- AC, a Leste – Eirunepé e a Oeste – Guajará. 
Relevo e Altitude
Quanto aos aspectos físicos, Ipixuna é caracterizado com relevo constituído por terras de várzeas e terras firmes. As várzeas com suas terras mais baixas alagam durante as enchentes dos rios. As terras firmes ocupam a maior parte do relevo e apresentam terrenos com oscilações. O relevo de Ipixuna é caracterizado pela Planície Amazônica, apresentando baixas altitudes que variam entre 150 e 200 metros acima do nível do mar. O terreno é marcado por áreas de várzea (inundáveis) e terra firme. A dinâmica fluvial é o principal agente moldador da paisagem, criando lagos em ferradura (meandros abandonados) e novos canais a cada ciclo de cheia.
Clima
O clima é o Equatorial Úmido (Af/Am). Prepare-se para o calor intenso e a umidade que beira os $90\%$. As temperaturas médias anuais ficam em torno de 26º C, mas a sensação térmica frequentemente ultrapassa os 35º C. O regime de chuvas é abundante, com o período do "inverno amazônico" ocorrendo entre dezembro e maio, quando as chuvas torrenciais elevam o nível do Rio Juruá em vários metros. O período de novembro e março é o mais chuvoso.
Solo e Vegetação
Os solos são predominantemente Gleissolos e Cambissolos nas várzeas (ricos em nutrientes trazidos pelos rios, mas sujeitos à inundação) e Latossolos nas áreas de terra firme (ácidos e pobres em minerais). A vegetação é a Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical de Terra Firme) e as Florestas de Várzea. É uma região de biodiversidade colossal, abrigando espécies de madeira nobre como a seringueira, o mogno e a sumaúma.
Hidrografia
O município é banhado pelo rio Juruá que é um afluente da margem direita do rio Solimões, que ao encontrar com o afluente de nome rio Negro recebe o nome de Amazonas. O rio Juruá nasce nas cordilheiras dos Andes , constitui uma via natural de transporte , ligando a sede do município as suas localidades e ao vizinho Estado do Acre(Cruzeiro do Sul), aos municípios de Guajará, Eirunepé, Itamarati, Carauari, Juruá e a capital do Estado através do rio Solimões. Os principais afluentes do rio Juruá na área do Município de Ipixuna são: Campinas, Liberdade, Gregório, Riozinho do Penedo, Curu (Mesquita), Porto Rico, (limão), Salva Vida, Santa Rosa, Uanamani, Rio Douro.
Economia
Ipixuna é uma pequena cidade que se destaca por apresentar novas oportunidades de negócios e pelo alto crescimento econômico.
A economia ipixunense é fundamentada no setor primário, com um toque de resistência e tradição.
Na agricultura, Ipixuna é famosa pela qualidade de sua farinha de mandioca, considerada uma das melhores da calha do Juruá. Além disso, produz-se milho, arroz, feijão e banana para o mercado regional.
A pesca artesanal é vital para a segurança alimentar e para o comércio local (com destaque para o pirarucu e o tambaqui). O extrativismo de açaí, cacau silvestre e óleos vegetais (como andiroba) também complementa a renda das famílias ribeirinhas.
Como em muitos municípios isolados da Amazônia, a administração pública é a principal empregadora direta, movimentando o comércio local através do funcionalismo e das transferências sociais.
De janeiro a fevereiro de 2026, foram registradas 1 admissões formais e 2 desligamentos, resultando em um saldo negativo de -1 novos trabalhadores. Este desempenho é inferior ao do ano passado, quando o saldo foi de 1.
Até março de 2026 não houve registro de novas empresas em Ipixuna. Neste último mês, não foi identificada nenhuma nova empresa. Este desempenho é igual ao do mês imediatamente anterior (0). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 10 empresas.
Infraestrutura
Saúde

O município de Ipixuna possuía, em 2009, 6 estabelecimentos de saúde, sendo todos estes públicos municipais ou estaduais, entre hospitais, pronto-socorro, postos de saúde e serviços odontológicos. Neles havia 5 leitos para internação. O município possuía, em 2009, apenas um estabelecimento de saúde especializado em neurocirurgia, obstetrícia, pediatria, psiquiatria e traumato-ortopedia. Dos 6 estabelecimentos de saúde, 5 deles eram sem internação e 1 deles com internação.
Educação
A educação em Ipixuna enfrenta o desafio logístico de levar conhecimento às comunidades rurais distantes. Na sede, o município conta com escolas de ensino fundamental e médio bem estruturadas. O grande avanço nas últimas décadas foi a interiorização do ensino superior através de programas da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), que oferece cursos em regime modular, permitindo que os jovens se qualifiquem sem precisar de uma mudança definitiva para Manaus.
Turismo e Cultura
O turismo em Ipixuna é voltado para quem busca a Amazônia autêntica, longe das rotas comerciais de Manaus:
O Festival de Verão é o principal evento turístico acontece entre agosto e setembro, durante a vazante do rio. Belas praias de areia branca surgem nas margens do Juruá, servindo de palco para festivais de música, competições de beleza e feiras gastronômicas.
O potencial para a observação de botos, jacarés e aves é imenso. A pesca esportiva também atrai aventureiros em busca dos gigantes dos rios amazônicos.
Esporte
Em Ipixuna, o esporte é sinônimo de integração social. O Futebol de Campo é a paixão absoluta, praticado tanto no estádio municipal quanto nos campinhos improvisados das comunidades ribeirinhas (conhecidos como "beadões"). O futsal também possui grande força, com campeonatos locais que lotam o ginásio da cidade. Além disso, as competições de canoagem e natação no rio são esportes tradicionais que celebram a habilidade do caboclo com a água.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Caravela ; Portal do Amazonas .

quinta-feira, 9 de julho de 2026

JARINU - SÃO PAULO

Jarinu é um município brasileiro do estado de São Paulo, com uma população estimada em 40.007 habitantes, conforme dados do IBGE de 2025. Pertence à Região Metropolitana de Jundiaí.
Toponímia
Conforme o Dicionário de Tupi Antigo, o nome viria de jarina, nome da língua geral meridional (um desenvolvimento do tupi antigo) que designa uma palmeira, e 'y, rio: rio das jarinas. 
História
Segundo alguns historiadores, o bandeirante Garcia Rodrigues Velho Filho foi o responsável por realizar as expedições conquistadoras que desbravaram as terras da sesmaria de Cahajossara no ano de 1637-1639. A partir dos documentos testamentários (1652) do bandeirante Antônio Pedroso de Barros deparamo-nos com o primeiro registro do estabelecimento colonizador português na região. Atualmente a localidade da terra de Cahajossara corresponde a muitos bairros do município de Atibaia e a totalidade do município de Jarinu.
De acordo com a História oral presente entre a população do bairro do Maracanã (Jarinu), os bandeirantes teriam batizado um grupo étnico cultural indígena justamente com o nome de Maracanã, devido à grande abundância da ave Primolius maracana na região.
Família Alvarenga
A história da família Alvarenga é rica em tradições e legados, sendo uma das fundadoras da cidade. Os Alvarenga têm raízes indígenas e iniciaram sua descendência por volta do século XVII com os familiares do indio Inácio Antônio de Alvarenga e Maria Ferreira, ele tupi-guarani e ela tupinambá, eram donos de terras e possuíam uma fazenda com 484 hectares de extensão que fazia divisa com alguns bairros e outras fazendas da região, Jarinu ainda era Campo Largo de Atibaia nessa época e a família acompanhou a emancipação política da cidade auxiliando assim no desenvolvimento econômico e cultural da cidade, o casal teve o herdeiro de toda a riqueza, João Antônio de Alvarenga que desde menino começou a cuidar das terras com seu pai, João cresceu e casou-se com Elidia Francisca de Jesus ambos tiveram três filhos: José de Alvarenga, Rosário de Alvarenga e Jacinta de Alvarenga, João negociou muita terra e isso diminuiu a fazenda da família ele faleceu novo com apenas 45 anos já Elidia tempos depois.
Apenas Rosário seguiu com a descendência casando-se com a Italiana Maria Vitalina Candeu e sendo pai de doze filhos sete ainda vivos, Rosário herdou não só terras, mas todo o conhecimento obtido por seus antepassados, muitas famílias tradicionais de Jarinu seguiram pelo ramo agrário contribuindo para a agricultura local, a família Alvarenga não é exceção. Ao longo das gerações, eles se envolveram na agricultura, ajudando a moldar a cultura local e contribuindo para a economia, Rosário e família eram produtores de uva e hortaliças, as uvas eram vendidas para o Sr. Alcides Biasini que fazia parte de outra família tradicional jarinuense. os filhos do casal foram crescendo em meio a lavoura adquirindo o conhecimento dos pais depois de grandes casaram-se e tiveram muitos filhos que ainda residem em Jarinu. Algumas pessoas dessa família se destacaram na cidade e receberam nomeação em algumas ruas como por exemplo a rua Rosário De Alvarenga, Maria vitalina de Alvarenga e José de Alvarenga sobrinho.
Em 1786, o alferes Lourenço Franco da Rocha (segundo filho de Francisco da Silveira Franco, o segundo capitão mor de Atibaia) é denominado capitão do bairro de Campo Largo da vila de São João Batista de Atibaia. Não temos uma documentação precisa sobre a criação do bairro de Campo Largo (Jarinu), mas no censo realizado na freguesia de São João Batista de Atibaia, no ano de 1765, podemos encontrar uma menção ao bairro em questão.
Depois de 20 anos residindo no bairro de Campo Largo, Rita de Cássia de Morais (filha do abastado burguês Francisco Lourenço Cintra) convence o seu marido, Lourenço Franco da Rocha, a desmembrar parte de sua propriedade em detrimento da construção da ermida de Nossa Senhora do Carmo do Campo Largo, no dia 7 de janeiro de 1807. Devido à doação das terras, Lourenço Franco da Rocha e Rita de Cássia de Morais são considerados os fundadores oficiais do município de Jarinu.
No dia 12 de outubro de 1830, o povoado em torno da ermida de Nossa Senhora do Carmo do Campo Largo, que até então contava com 1.398 almas (habitantes) e 257 fogos (habitações), é elevado à categoria de Capela Curada por força do Bispado de São Paulo. Sob a administração do primeiro vigário, o capelão curado Estanislao José Soares, a antiga igreja construída através das técnicas de taipa começa a ganhar características arquitetônicas das igrejas paulistas do estilo Rococó (estilo de transição entre o Barroco e o Neoclássico, que conserva até hoje).
Em 1842, a capela curada de Nossa Senhora do Carmo do Campo Largo passa à categoria de Freguesia através da Lei n.º 3, de 5 de fevereiro. 
Em 1844, a freguesia de Nossa Senhora do Carmo do Campo Largo passa a pertencer por força da Lei Provincial n.º 251, de 15 de março, à administração da vila de Jundiaí; incorporação de brevíssima duração. A mudança ocorreu devido a Revolução Liberal de 1842, da qual o líder do Partido Liberal e presidente da Câmara Municipal da vila de São João Batista de Atibaia, o alferes José Jacinto de Araújo Cintra, declara apoio ao presidente aclamado Rafael Tobias de Aguiar e a nova capital provisória da Província de São Paulo, levando os súditos atibaianos - consequentemente os súditos campolarguenses - para a guerra contra as forças imperiais do barão de Caxias. A partir de 1846, com a anistia concedida aos envolvidos, por meio da Lei Provincial n.º 282, de 19 de fevereiro, a freguesia de Nossa Senhora do Carmo do Campo Largo volta a pertencer à administração da vila de São João Batista de Atibaia.
De acordo com os números levantados durante a pesquisa para o projeto Jarinu tem Memória, o censo demográfico da freguesia de Nossa Senhora do Carmo do Campo Largo no ano de 1876, era de 1.532 habitantes, dos quais 158 eram escravizados. A título de comparação, o censo demográfico de 1872 do município de São João Batista de Atibaia, registrava o número de 5.080 habitantes livres e 1.066 escravizados.
Através de pesquisas realizadas na Europa em meados de 1878-1885, o Dr. Antônio de Queirós Telles, futuro Conde do Parnaíba, identifica no camponês italiano do norte da Itália, o elemento humano para colonizar as terras agrícolas do interior do Estado de São Paulo; os seus estudos estavam enraizados nos pensamentos de Joseph Arthur de Gobineau, autor do livro Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas. Os primeiros imigrantes italianos chegaram no distrito de paz de Campo Largo (Jarinu), por volta do ano de 1890, muitos sob a tutela da Sociedade Promotora da Imigração. Entre as primeiras famílias italianas no distrito de paz estão: os Beasin, os Bego, os Bernucci, os Bonança, os Bulgarelli, os Brollo, os Candeu, os Casarim, os Cavallaro, os Censi, os Comim, os Contesini, os Doratioto, os Farinelli, os Ferrara, os Ferrarezi, os Formosinho, os Gastaldi, os Lorencini, os Manara, os Marani, os Marim, os Malerba, os Meneghim, os Musselli, os Parise, os Pauletto, os Paulini, os Perini, os Perobelli, os Rosa, os Salessi, os Scarelli, os Soranz, os Spinassi, os Squizatto, os Tafarello, os Tofanin, os Uvinha, os Vincenzi, os Zambotto e os Zanoni; mas de acordo com Angelo Zani no livro Travessias memórias do povoamento e da imigração de uma cidade paulista: Jarinu, "um total de 50 famílias de imigrantes italianos contribuiu para a formação do universo populacional de Jarinu".
Em 1895, o coronel comandante da Guarda Nacional do município de São João Batista de Atibaia, José Ignácio da Silveira, provocou críticas na imprensa paulista ao encaminhar o primeiro projeto de emancipação política administrativa do distrito de paz de Campo Largo. A apresentação oficial ficou a cargo dos Deputados Estaduais José Cardoso de Almeida (PRP) e José da Costa Rangel Júnior (PRP), mas foi rejeitada pelo Congresso do Estado de São Paulo depois de averiguar as demandas políticas da Câmara Municipal de Atibaia.
Por meio da Lei Estadual n.º 1.257, de 29 de setembro de 1911, o distrito de paz de Campo Largo passa a ser denominado como distrito de paz de Jarinu. A mudança de nome ocorreu devido a confusões e extravios de correspondência para outras localidades, que também eram conhecidas como Campo Largo no Estado de São Paulo. Ao propor o nome Jarinu, uma tradução literária foi utilizada para transcrever a expressão Campo Largo para a língua guarani, através do dicionário de Montoya, um padre espanhol do século XVII. 
Em 1929, o fazendeiro italiano Aurélio Bulgarelli registrou a maior colheita de café da região, 60 mil pés de café, ou aproximadamente 150 toneladas do grão.
A partir de agosto de 1948, com o aumento da receita e da população, o distrito de Jarinu ficaria conhecido como município de Jarinu. Um plebiscito, em outubro, endossa a mudança que é finalmente decretada em 24 de dezembro de 1948. No dia 17 de abril de 1949, o município de Jarinu ganha sua emancipação política administrativa, desprendendo-se em definitivo do município de Atibaia.
Formação Administrativa
Distrito criado com a denominação de Campo Largo, pela Lei Provincial n.º 3, de 05 de fevereiro de 1842, subordinado ao município de Atibaia. 
Pela Lei Estadual n.º 1.257, de 29 de setembro de 1911, o distrito de Campo Largo tomou a denominação de Jarinu. 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o distrito Jarinu (ex Campo Largo) figura no município de Atibaia. 
Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937. 
Elevado à categoria de município com a denominação de Jarinu, pela Lei n.º 233, de 24 de dezembro de 1948, desmembrado do município de Atibaia. Constituído do distrito sede. Instalado em 19 de abril de 1949. 
Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1960, o município é constituído do distrito sede. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2023.
Geografia
Localiza-se numa região com vales e montanhas, rios e lagos que permanecem como nos tempos de sua fundação, há quase 200 anos, mesmo com o grande crescimento da infraestrutura do município. Possui uma área de 207,67 km².
Relevo e Altitude
O relevo de Jarinu é tipicamente ondulado, caracterizado pelo domínio dos "Mares de Morros" do Planalto Atlântico. A sede do município encontra-se a uma altitude média de 755 metros, o que lhe confere uma vista privilegiada das serras vizinhas, como a Serra da Cantareira e a Serra da Mantiqueira.
Solo e Vegetação
O solo é predominantemente de Terra Roxa e Latossolos, extremamente férteis e propícios para a fruticultura. A vegetação original, composta por fragmentos da Mata Atlântica, ainda é preservada em diversas áreas de proteção ambiental e propriedades rurais, onde é possível encontrar espécies como o ipê, a aroeira e a araucária nas partes mais altas.
Clima
Clima tropical de altitude tipo Cwb segundo a classificação internacional de Köppen, para o clima do município (Com invernos frios e secos e verões amenos e chuvosos com média máxima no verão menor ou igual a 22 °C). O clima tropical de altitude é semelhante ao subtropical, porém, ele predomina acima do Trópico de Capricórnio e tem verões mais amenos e mais chuvosos, como ocorre no município.
A média anual de Jarinu, gira em torno dos 19 °C; no inverno a média é de 10 °C, e no verão é de 25 °C.
Em Jarinu, o verão é longo, morno, abafado, com precipitação e de céu quase encoberto; o inverno é curto, ameno e de céu quase sem nuvens. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 12 °C a 28 °C e raramente é inferior a 9 °C ou superior a 32 °C. 
As melhores épocas do ano para visitar Jarinu e realizar atividades de clima quente são do início de abril ao início de julho e do meio de julho ao fim de setembro. 
A estação morna permanece por 4,2 meses, de 20 de novembro a 26 de março, com temperatura máxima média diária acima de 27 °C. O mês mais quente do ano em Jarinu é fevereiro, com a máxima de 28 °C e mínima de 19 °C, em média. 
A estação fresca permanece por 2,7 meses, de 13 de maio a 3 de agosto, com temperatura máxima diária em média abaixo de 24 °C. O mês mais frio do ano em Jarinu é julho, com a mínima de 12 °C e máxima de 23 °C, em média. 
Em Jarinu, a porcentagem média de céu encoberto por nuvens sofre significativa variação sazonal ao longo do ano. 
A época menos encoberta do ano em Jarinu começa por volta de 1 de abril e dura 6,4 meses, terminando em torno de 13 de outubro. 
O mês menos encoberto do ano em Jarinu é agosto, durante o qual, em média, o céu está sem nuvens, quase sem nuvens ou parcialmente encoberto 70% do tempo. 
A época mais encoberta do ano começa por volta de 13 de outubro e dura 5,6 meses, terminando em torno de 01 de abril. 
O mês mais encoberto do ano em Jarinu é janeiro, durante o qual, em média, o céu está encoberto ou quase encoberto 72% do tempo. 
Composição étnica
Em 2022, segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população do município era composta por 20.502 brancos (54,62%), 14.682 pardos (39,12%), 2.103 pretos (5,6%), 213 amarelos (0,57%) e 35 indígenas (0,09%).
Economia
Jarinu é uma pequena cidade que se destaca pela alta regularidade das vendas no ano e pelo elevado potencial de consumo
Jarinu faz parte do Polo Turístico do Circuito das Frutas juntamente com mais oito municípios: Indaiatuba, Itatiba, Itupeva, Jundiaí, Louveira, Morungaba, Valinhos e Vinhedo.
Na cidade, encontra-se a fábrica de automóveis fora de série Chamonix, que produz réplicas de modelos antigos da marca alemã Porsche.
- Produção: morangos, poncãs, laranjas, pêssegos, ameixas e uvas, além de vinho e cachaça artesanais.
A economia de Jarinu é um motor híbrido que combina tradição agrícola com modernização industrial.
- Agricultura: Jarinu é um dos pilares do Circuito das Frutas. É uma das maiores produtoras de morango do estado de São Paulo, além de se destacar no cultivo de uvas, pêssegos, ameixas e nectarinas. A produção de vinhos artesanais e cachaças também possui relevância histórica e econômica.
- Indústria e Logística: Devido à sua localização estratégica próxima às rodovias Dom Pedro I e Fernão Dias, o município atraiu um Polo Industrial diversificado, com empresas nos setores de cosméticos, plásticos e logística, gerando empregos e aumentando a arrecadação municipal.
- Mercado Imobiliário: O setor de serviços é impulsionado pelo turismo e pela manutenção de condomínios, que se tornaram uma fonte de receita vital para a cidade.
De janeiro a fevereiro de 2026, foram registradas 1,1 mil admissões formais e 1,2 mil desligamentos, resultando em um saldo negativo de -181 novos trabalhadores. Este desempenho é inferior ao do ano passado, quando o saldo foi de 283.
Até março de 2026 houve registro de 4 novas empresas em Jarinu, sendo que a maioria delas atua com estabelecimento fixo. Neste último mês, uma nova empresa se instalou na cidade. Este desempenho é igual ao do do mês imediatamente anterior (1). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 138 empresas.
Cultura e lazer
Grupos culturais

Destaca-se pela representatividade cultural em diversos segmentos artísticos, tais como o Grupo Folkloristico " Stella Bianka" que representa a cidade pelo Brasil e o mundo. Conta, também, com a "Banda Filarmónica 17 de Abril", tradicional orquestra que engradece e enaltece a cidade de Jarinu pela sua representatividade. O grupo teatral "Brasil em Cena", que leva o teatro para os jarinuenses e representa a cidade pela região, encantando o público com suas produções.
Religião
De acordo com o Censo 2022 (IBGE), 86,25% da população do município é cristã, sendo 61,06% católicos e 25,19% evangélicos. Outras religiões representam 8,33% da população total.
O Cristianismo se faz presente na cidade da seguinte forma:
- Igreja Católica: a igreja faz parte da Diocese de Bragança Paulista.
- Igrejas Evangélicas: entre as igrejas protestantes históricas, pentecostais e neopentecostais, encontram-se na cidade: Assembleia de Deus Ministério do Belém e Congregação Cristã no Brasil.
Educação
O município tem investido na modernização de sua rede de ensino municipal, focando na alfabetização na idade certa e na integração tecnológica nas salas de aula. Jarinu conta com escolas estaduais e uma rede privada em crescimento. Para o ensino superior e técnico, os estudantes geralmente recorrem aos centros universitários de Jundiaí, Bragança Paulista e Itatiba, que ficam a poucos minutos de distância, garantindo uma formação qualificada para os jovens jarinuenses.
Turismo
Jarinu é conhecida como cidade hospitaleira e aconchegante, refúgio para aqueles que amam belezas naturais exuberantes, aromas e sabores, adrenalina sob duas rodas ou tranquilidade no ar puro do campo: o perfeito clima de interior.
A cidade já foi eleita segundo melhor clima do mundo, atestado pela Unesco.
A produção rural em Jarinu é majoritariamente baseada em frutas, com destaque para o morango, tema anual da festa mais tradicional da cidade. Menção importante também dos cultivos de uva, pêssego, pitaia e atemoias, que são exportadas para vários países.
Os vinhos, licores, cachaças e cervejas de produção artesanal de Jarinu são referência na região.
Jarinu também é conhecida como Polo de Duas Rodas no meio esportivo, sendo destino obrigatório para apaixonados por Motocross, Bicicross e Mountain bike.
Inclusive, as novas trilhas do Parque Orestes Lorencini podem ser feitas pedalando ou caminhando. A dica é fazer uma parada no ponto mais alto para contemplar o horizonte.
A riqueza histórica e arquitetônica de Jarinu está presente na Estação do Campo Largo, no Casarão da Rua José Inácio, no Centro Histórico e Cultural Divanir Vitório Contesini, prédio da primeira sede da Prefeitura e na Igreja da Matriz.
Jarinu faz parte do Circuito das Frutas, ao lado dos municípios de Atibaia, Indaiatuba, Itatiba, Itupeva, Jundiaí, Louveira, Morungaba, Valinhos e Vinhedo.
O turismo em Jarinu é focado na experiência sensorial e no contato com a natureza.
- Festa do Morango: realizada anualmente entre junho e julho, em conjunto com Atibaia, é o maior evento da região, celebrando a colheita com gastronomia típica e shows culturais.
- Rotas do Vinho: diversas vinícolas familiares abrem suas portas para visitação, permitindo que o turista acompanhe o processo de produção e deguste vinhos e sucos produzidos nas encostas da cidade.
- Casarão da Cultura: um marco histórico localizado no centro, que preserva a memória dos fundadores e a arquitetura do período colonial.
Esporte
No esporte, Jarinu destaca-se pelo Mountain Bike (MTB). O relevo acidentado e as estradas de terra que cortam as fazendas de morango formam um cenário perfeito para ciclistas de todo o estado. O município frequentemente sedia etapas de campeonatos regionais de ciclismo e corridas de montanha. O futebol amador também é uma paixão local, com clubes tradicionais que mantêm viva a integração entre os bairros.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .

quarta-feira, 8 de julho de 2026

SOORETAMA - ESPÍRITO SANTO

Sooretama é um município brasileiro no estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Localiza-se no norte capixaba, estando situado a cerca de 160 km da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 590 km², sendo que 5 km² estão em área urbana, e sua população foi estimada, pelo IBGE, em 28.668 habitantes em 2025.
A área que corresponde à atual cidade começou a ser povoada na década de 1940, vindo a se tornar um distrito pertencente a Linhares posteriormente. Sua emancipação ocorreu em 1994, mediante um plebiscito cujo resultado mostrou que a população era favorável ao novo município. As principais fontes de renda são a cafeicultura, presente em 90% das propriedades rurais, a pecuária, a indústria e a prestação de serviços.
O município leva o nome da Reserva Biológica de Sooretama, que ocupa cerca de metade de seu território e é reconhecida como reserva da biosfera pela UNESCO. Trata-se da principal reserva de Mata Atlântica do Espírito Santo. Outro atrativo natural de Sooretama, na divisa com Linhares, é a Lagoa Juparanã, que é uma das maiores lagoas do Brasil em quantidade de água doce.
Topônimo
O nome recebido pelo município, "Sooretama", é uma homenagem à reserva biológica homônima e provém da língua tupi, significando refúgio de animais silvestres.
História
O povoamento que corresponde à atual cidade começou a surgir na década de 1940, quando era conhecido como "Córrego Manoel Alves", em referência a um manancial que existia na localidade. Posteriormente, passou a ser chamado de "Córrego-d'Água", por ter sido um dos únicos córregos que não secaram durante uma seca ocorrida na década de 50. Esse povoado veio a se tornar um distrito subordinado a Linhares.
Os movimentos a favor da emancipação do então distrito tiveram início na década de 1980, culminando em dois plebiscitos para consultar a população se desejavam ou não o desmembramento, em 1990. As duas votações foram invalidadas devido ao número insuficiente de participantes, porém foi realizada uma terceira consulta em 13 de março de 1994. Dessa vez, foi definido que o resultado seria validado independentemente da quantidade de votantes. Assim, a maioria dos que participaram foram a favor da criação do novo município, o que foi oficializado pela lei nº 4.593 de 30 de março daquele mesmo ano. O aniversário da cidade passou a ser comemorado em 31 de março.
Formação administrativa
Distrito criado com a denominação de Córrego D’Água, pela Lei Estadual n.º 3.585, de 10 de novembro de 1983, subordinado ao município de Linhares.
Em divisão territorial datada de 1988, o distrito Córrego D’Água figura no município de Linhares.
Elevado à categoria de município com a denominação de Sooretama, pela Lei Estadual n.º 1.093, de 30 de março de 1994, desmembrado do município de Linhares. Sede no atual distrito de Sooretama (ex Córrego D’Água). Constituído do distrito sede. Instalado em 01 de janeiro de 1997.
Em divisão territorial datada de 2001, o município é constituído do distrito sede.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2024.
Geografia
A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 587,036 km², sendo que 5,2 km² constituem a zona urbana. Situa-se a 19°11'49" de latitude sul e 40°05'52" de longitude oeste e está a uma distância de 157 quilômetros a noroeste da capital capixaba. Seus municípios limítrofes são Jaguaré, Linhares, Rio Bananal e Vila Valério.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de São Mateus e Imediata de Linhares. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Linhares, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Litoral Norte Espírito-Santense.
Relevo e meio ambiente
O relevo de Sooretama é consideravelmente dominado por planícies, com a cidade localizada a uma altitude de 30 metros acima do nível do mar. A cobertura de Mata Atlântica nativa abrangia 45,4% do território municipal em 2013, porcentagem superior à de outras formas de usos do solo. No mesmo ano, as plantações de café ocupavam 17% do total, as pastagens 13,1%, a monocultura de eucalipto 6,5% e matas nativas em estágio de recuperação 3,2%.
A maior parte dos remanescentes de Mata Atlântica de Sooretama são representados pela Reserva Biológica de Sooretama, que é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e reconhecida como reserva da biosfera pela UNESCO. A unidade de conservação foi criada em 1941, sendo instituída como reserva biológica em 1982, e abrange cerca de metade do território do município[20] em sua faixa norte. A área de administração da unidade de conservação é de 28 mil hectares, porém faz parte de uma área preservada contínua de cerca de 50 mil hectares que também abrange a Reserva Natural de Linhares e outras duas reservas particulares do patrimônio natural (RPPNs). Em conjunto constituem a principal reserva de Mata Atlântica do Espírito Santo.
Em 2017, 18,8% das propriedades rurais também contavam com florestas destinadas à preservação permanente ou reservas e mais de 10,5% possuíam florestas plantadas em 2017. 
Hidrografia
Sooretama integra a "bacia hidrográfica do rio Barra Seca e foz do rio Doce", que por sua vez faz parte da bacia do rio Doce. Os principais mananciais em seu território são os rios Barra Seca e São José e os córregos Cupido, Chumbado, Calçado e Juerana. Outro corpo de água representativo é a Lagoa Juparanã, na divisa com Linhares, que é uma das maiores lagoas do Brasil em quantidade de água doce.
Clima
O clima sooretamense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente úmido[6] (tipo Aw segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual em torno dos 24 °C, tendo invernos amenos e verões chuvosos com temperaturas altas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de 27 °C, enquanto que o mês mais frio, julho, possui média de 21,6 °C. Outono e primavera são estações de transição. O índice pluviométrico anual é de aproximadamente 1 260 mm, sendo junho o mês mais seco e novembro o mais chuvoso. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Sooretama é o 69º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado do Espírito Santo, ou seja, o décimo menor lugar, com uma média anual de 1,1978 raios por quilômetro quadrado
Economia
Sooretama é uma pequena cidade que se destaca pelo elevado potencial de consumo e por apresentar novas oportunidades de negócios.
A pecuária e a agricultura acrescentavam 54.712,24 mil reais na economia de Sooretama em 2019, ao mesmo tempo de representarem o segundo setor que mais emprega no município, atrás apenas da administração pública. A renda do setor primário se deve sobretudo ao café, que está presente em cerca de 90% das propriedades rurais. A maior parte da produção cafeeira é comercializada em Linhares em grãos beneficiados. Outros cultivos permanentes que se sobressaem são a pimenta do reino, o maracujá, o mamão, a banana, o coco e a seringueira para produção de borracha. Os cultivos temporários mais representativos, por sua vez, são a mandioca e o milho, porém ambos são destinados principalmente para a subsistência. Com relação à pecuária, destaca-se a bovinocultura de corte e a avicultura de abate e postura.
A monocultura do eucalipto ocorre em Sooretama sobretudo para abastecer fábricas de celulose, ao que se destina cerca de 80% da quantidade de madeira em toras produzida. Enquanto isso, a indústria acrescentava 115.576,19 mil reais do PIB municipal em 2019. A maior parte dos trabalhadores do setor industrial estão empregados na indústria de transformação, sendo expressiva a presença de indústrias de couro, borracha natural e móveis. Há de se destacar a filial da Itatiaia Móveis, que possui no município uma fábrica de eletrodomésticos responsável por centenas de empregos diretos e indiretos.
O fluxo comercial é expresso na presença de estabelecimentos de gêneros variados, como supermercados, açougues, farmácias, papelarias, bares, padarias, restaurantes, lanchonetes, postos de combustíveis, sapatarias e confecções. Embora o turismo não esteja entre as principais fontes de renda, a presença de bens naturais de interesse atrai visitantes, em especial a Reserva Biológica de Sooretama e a Lagoa Juparanã.
De janeiro a fevereiro de 2026, foram registradas 582 admissões formais e 497 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 85 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de 73.
Até março de 2026 houve registro de 1 nova empresa em Sooretama, sendo que uma delas atua pela internet. Neste último mês, não foi identificada nenhuma nova empresa. Este desempenho é menor que o do mês imediatamente anterior (1). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 56 empresas.
Infraestrutura
Saúde e educação
A rede de saúde de Sooretama inclui cinco postos de saúde, segundo informações de 2018. 
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Caravela .