terça-feira, 21 de julho de 2026

SOMBRIO - SANTA CATARINA

Sombrio é um município brasileiro localizado no extremo sul de Santa Catarina, no litoral, a 7 km do mar. Distante 245 km de Florianópolis e 230 km de Porto Alegre. Distante apenas 30 km da fronteira com o estado do Rio Grande do Sul. Possui uma área de 142,7km² e limita-se ao norte com os municípios de Araranguá e Ermo; ao sul, Santa Rosa do Sul; a oeste e leste, consecutivamente, faz divisa com os municípios de Jacinto Machado e Balneário Gaivota.
Conforme estimativas do IBGE, no ano de 2025, Sombrio tinha 31.722 habitantes.
História
Os primeiros habitantes de Sombrio
:
“Nossa história está ligada aos primeiros e verdadeiros donos da nossa terra, o povo indígena. O litoral catarinense foi habitado pelos índios, conhecido por homem do sambaqui e guarani, estes últimos conhecidos por carijós, conforme estudos realizados pelo padre Alfredo Rohr (...). Migravam procurando sempre o local onde tivesse água potável, próximo ao mar, com mata atlântica para a caça, e onde pudessem plantar, pois além de respeitar eles amavam a natureza” (FARIAS, 2000, p. 91). 
Os primeiros contatos dos índios da região de Sombrio com os brancos de origem europeia, deu-se simultâneo à fixação das Capitanias Hereditárias no Brasil. Estes primeiros europeus a passar por Sombrio, no século XVI eram de origem espanhola, pois toda a região ao sul de Laguna pertencia, pelo Tratado de Tordesilhas, de 1494, a Espanha. 
Dois séculos depois o Tratado de Tordesilhas é desfeito e as terras ao sul de Laguna passam a ser de domínio português e com a criação do Arraial que hoje é conhecido por Laguna, as terras ao sul catarinense passam a ser desbravadas. 
Conforme Farias (2000, p. 36) em 1730 “Concluída a estrada dos Conventos, que unia a foz do rio Araranguá ao Planalto Serrano, por onde transitaram pelos anos seguintes tropas de mulas e gado, que eram conduzidas até São Paulo...”. Nessa época as terras que hoje é Sombrio faziam parte da rota de tropeiros e assim nosso lugar passa a ser conhecido por suas sombras à beira da lagoa e do rio. 
Avançando um século em nossa caminhada histórica, Farias (2000, p. 38) destaca que em 1833 acontecem dois fatos importantes, são eles: “A compra da sesmaria Rodrigues, por Manoel e Luciano Rodrigues da Silva marca a ocupação efetiva da área do município de Sombrio por colonizadores brancos, que se estabelecem na região...” e o primeiro povoador a estabelecer moradia em nossa cidade “João José de Guimarães adquiriu através de compra do Governo da Província, as terras onde hoje se situa a sede do município, tendo a propriedade 1.130 metros de frente e 3.000 metros de fundo, a contar do litoral”. 
Farias (2000, p. 102) destaca que “A comunidade de Sombrio resultou do povoamento luso-açoriano iniciado na primeira metade do século XIX, e manteve um fluxo constante de novos povoadores ao longo do século XX... descendentes de antigos bandeirantes paulistas que fundaram Laguna e principalmente descendentes de casais açorianos que migraram para Santa Catarina e Rio Grande do Sul entre 1748-1756 e que foram localizados ao longo do litoral, desde Desterro (Florianópolis) até a cidade do Rio Grande”. 
Além dos indígenas que foram os primeiros habitantes dos lusos-açorianos que adquiriram terras por aqui, Sombrio também foi o lugar escolhido por outros povos como destaca Farias (2000, p. 121) “... um afluxo constante de ítalo-germânicos e alguns poloneses, que vão se fixando principalmente ao fundo dos vales da região”. 
Duas pessoas foram de muita importância para nossa cidade ser o que é hoje, por meio de suas contribuições 
Pode-se dizer que o primeiro foi João José de Guimarães, no século XIX, ao fixar moradia em nossas terras e assim com sua família povoar as terras do Morro Sombrio, juntamente com outros imigrantes que escolheram essa região para viver com suas famílias e cultivar em seu pedacinho de chão. “A colonização se dava a passos lentos e sacrificantes, com os dias da família de João José dedicados completamente a agricultura, pecuária e a fabricação de farinha e cachaça...” (COELHO, 2003, p. 271). 
Outra figura importante foi o primeiro vigário paroquial o Padre João Adão Reitz que veio para Sombrio em 1938, ele que projetou e organizou a construção da Igreja Matriz Santo Antônio de Pádua e do Hospital Dom Joaquim. Cunha (2001, p. 129) destaca que “... além de se preocupar com a área da educação, cultura e saúde, envolveu-se com o processo de emancipação do município e com a política de desenvolvimento econômico. Padre João atuou na promoção da criação de indústrias, estabelecimentos bancários, clubes de serviços e construção de estradas para o município” 
Os primeiros representantes políticos que contribuíram para os primeiros passos do desenvolvimento político de nossa cidade foram:
Conforme Coelho (2003, p. 274), “Como herdeiro e proprietário de grandes áreas de terra as margens da Lagoa do Sombrio, Luiz Cunha acabou construindo uma forte liderança política na região e representou durante vários anos a localidade de Morro Sombrio no Conselho Municipal de Araranguá, a partir de 1891”. 
Conforme Vignale (2011, p. 9), no dia 2 de outubro de 1952, depois que algumas lideranças passarem a cobrar das autoridades pela emancipação da vila de Sombrio, foi lido um telegrama, por Nátalio Vignale e Mário Sant’Helena, no Serviço de Auto-Falantes que dizia o seguinte: “Apraz-me informar Comissão Constituição e Justiça favorável criação município Liriópolis”. Os moradores ficaram agitados já que sempre tinham chamado sua amada vila de Sombrio e assim permaneceu. 
No ano seguinte no dia 30 de dezembro de 1953 a Mesa da Assembleia Legislativa de Santa Catarina promulga a Lei nº133 e assim cria o município de Sombrio, desmembrando-se de Araranguá. 
O tenente Aminthas Melo foi o primeiro prefeito provisório de Sombrio, em ato realizado dia 2 de abril de 1954. Seu sucessor foi o conhecido político da região sul seu Francisco Lummertz Júnior, que permaneceu na administração da cidade até ser eleito Santelmo Borba que assumiu a gestão do município até 1958. O primeiro presidente da câmara de vereadores foi Fioravante Minatto. 
Primeiras famílias sombrienses e suas contribuições no crescimento da cidade
Conforme Coelho (2003, p. 275) “Os descendentes João José Monteiro de Guimarães se estabeleceram em cinco pontos distintos pelo Morro Sombrio: Primeiro às margens da Lagoa do Sombrio, próximos às Furnas. Em seguida na atual sede do município, próximo ao bairro Rússia e ao longo do antigo traçado da rua João José Monteiro de Guimarães. Depois ás margens do Rio da Laje – em uma localidade que chamaram de Morretinho. O quarto ponto ocupado foi o Morro da Guarita... e por último a localidade de Lagoa de Fora...” 
Alguns filhos de Guimarães foram morar nos campos de cima da serra, os que ficaram por aqui, em sua maioria filhas, casaram com descendentes de família cujos sobrenomes são Oliveira, Coelho e Cunha. Outros sobrenomes foram aparecendo em nossa história por causa da imigração das famílias: Colares, Santos, Castro e Fagundes. 
As primeiras famílias colonizadoras firmaram toda a economia da cidade na pecuária, produção de farinha de mandioca e cachaça. Conforme Cunha (2001, p. 89), “... transportavam de Sombrio mercadorias como açúcar mascavo, cachaça, farinha de mandioca, fumo de corda etc., e traziam na volta, “cargas apartadas” pelos comerciantes da região tais como tecidos, ferragens, louças, calçados, gêneros alimentícios e outros tipos de mercadorias comercializáveis” 
Com o tempo outros produtos foram sendo fabricados ainda de forma artesanal como: tijolos produzidos com barro das encostas de morro, com as palhas do butiazeiro eram feitos chapéus e da pecuária surgiram curtumes e assim calçados simples eram fabricados. “1927- Criada a primeira indústria de Sombrio, de propriedade de Guilherme Tiscoski, junto trabalhava José Tiscoski, produziam tamancos, chinelos e trabalhavam com curtume” (Silva, 2012, p. 79).
O município de Sombrio emancipou-se politicamente pela lei estadual nº 133 de 30 de dezembro de 1953, com território desmembrado de Araranguá.
Sua colonização foi feita principalmente por açorianos, portugueses, italianos e alemães. Faz parte da região do litoral catarinense, anteriormente habitado por nativos conhecidos por "homem do sambaqui" e Guaranis, estes últimos também conhecidos por Carijós. Os primeiros contatos com os europeus foram durante a instalação das Capitanias Hereditárias no Brasil. Os primeiros europeus a passar por Sombrio, no século XVI eram de origem espanhola, visto que a região ao sul de Laguna pertencia, pelo Tratado de Tordesilhas, de 1494, à Espanha. Após o Tratado ser desfeito, as terras ao sul de Laguna passaram a ser de domínio português, com a criação do Arraial que hoje é conhecido por Laguna, e então a região passou a ser desbravada.
Origem do nome
A origem do nome Sombrio está relacionada ao jeito de descrever essas terras pelos viajantes que aqui passavam, em sua maioria tropeiros, que levavam tropas de gado do Rio Grande do Sul para São Paulo, pelo litoral catarinense. 
As belas figueiras que existiam em abundância convidavam os viajantes para um descanso em suas sombras, à beira da lagoa que também leva o mesmo nome da cidade. 
Formação Administrativa
Distrito criado com a denominação de Sombrio, pela Lei Municipal n.º 141, de 02 de janeiro de 1914, subordinado ao município de Passo do Sertão. 
Pela Lei Municipal n.º 225, de 12 de novembro de 1924, o distrito de Sombrio é extinto. 
Pela Lei Municipal n.º 253, de 12 de janeiro de 1926, é criado novamente o distrito de Sombrio, subordinado ao município de Passo do Sertão. 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o distrito denominado Morro do Sombrio figura no município de Araranguá. 
No quadro anexo ao Decreto-Lei Estadual n.º 86, de 31 de março de 1938, o distrito volta a denominar-se Sombrio e continua a pertencer ao município de Araranguá. 
No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o distrito permanece no município de Araranguá. 
Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1950, o distrito de Sombrio permanece no município de Araranguá. 
Elevado à categoria de município com a denominação de Sombrio, pela Lei Estadual n.º 133, de 30 de dezembro de 1953, desmembrado de Araranguá. Sede no antigo distrito de Sombrio. Constituído de 2 distritos: Sombrio e Passo do Sertão. Instalado em 04 de abril de 1954. 
Pela Lei Municipal n.º 1, de 24 de novembro de 1955, é criado o distrito de Santa Rosa e anexado ao município de Sombrio. 
Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1960, o município é constituído de 3 distritos: Sombrio, Passo do Sertão e Santa Rosa. 
Pela Lei Estadual n.º 635, de 23 de dezembro de 1960, é criado o distrito de Vila Conceição e anexado ao município de Sombrio. 
Pela Lei Estadual n.º 801, de 20 de dezembro de 1961, desmembra do município de Sombrio os distritos de São João do Sul (ex Passo do Sertão) e Vila Conceição para formar o novo município de São João do Sul. 
Em divisão territorial datada de 01 de janeiro de 1979, o município de Sombrio é constituído de 2 distritos: Sombrio e Santa Rosa. 
Pela Lei Estadual n.º 1.109, de 04 de janeiro de 1988, é desmembrado do município de sombrio o distrito de Santa Rosa do Sul (ex Santa Rosa). Elevado à categoria de município. 
Em divisão territorial datada de 01 de junho de 1995, o município é constituído de distrito sede. 
Pela Lei n.º 696, de 05 de junho de 1989, é criado o distrito de Nova Guarita e anexado ao município de Sombrio. 
Pela Lei Municipal n.º 770, de 30 agosto de 1990, é criado o distrito de Balneário Gaivota e anexado ao município de Sombrio. Extinto em 31 de dezembro de 1996. 
Em divisão territorial datada de 15 de julho de 1997, o município é constituído de 2 distritos: Sombrio e Nova Guarita. 
Em divisão territorial de 2011, o município é constituído de 3 distritos: Sombrio, Boa Esperança e Nova Guarita. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2020.
Geografia
A geografia de Sombrio é um espetáculo à parte, combinando planícies costeiras com formações rochosas intrigantes.
Altitude
A altitude média é de 10 metros acima do nível do mar.
Relevo
O relevo é predominantemente plano (planície costeira), com presença de morros isolados.
Solo
O solo é variável, com áreas arenosas próximas à costa e solos orgânicos (turfa) perto da lagoa.
Vegetação
A vegetação é composta por remanescentes de Mata Atlântica e vegetação de Restinga. O grande destaque ambiental é a Lagoa do Sombrio, a maior lagoa de água doce de Santa Catarina, com uma superfície de aproximadamente 54 km2. Ela serve como habitat para diversas espécies de peixes e aves migratórias.
Clima
Em Sombrio, o clima é subtropical úmido (Cfa), o verão é morno e opressivo; o inverno é curto e ameno. Durante o ano inteiro, o tempo é com precipitação e de céu parcialmente encoberto. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 12 °C a 28 °C e raramente é inferior a 7 °C ou superior a 32 °C. 
As melhores épocas do ano para visitar Sombrio e realizar atividades de clima quente são do meio de março ao fim de maio e do fim de setembro ao fim de dezembro. 
A estação morna permanece por 3,8 meses, de 6 de dezembro a 30 de março, com temperatura máxima média diária acima de 27 °C. O mês mais quente do ano em Sombrio é fevereiro, com a máxima de 28 °C e mínima de 21 °C, em média. 
A estação fresca permanece por 2,8 meses, de 29 de maio a 23 de agosto, com temperatura máxima diária em média abaixo de 21 °C. O mês mais frio do ano em Sombrio é julho, com a mínima de 12 °C e máxima de 20 °C, em média. 
m Sombrio, a porcentagem média de céu encoberto por nuvens sofre pequena variação sazonal ao longo do ano. 
A época menos encoberta do ano em Sombrio começa por volta de 6 de março e dura 1,9 mês, terminando em torno de 3 de maio. 
O mês menos encoberto do ano em Sombrio é março, durante o qual, em média, o céu está sem nuvens, quase sem nuvens ou parcialmente encoberto 61% do tempo. 
A época mais encoberta do ano começa por volta de 3 de maio e dura 10 meses, terminando em torno de 6 de março. 
O mês mais encoberto do ano em Sombrio é fevereiro, durante o qual, em média, o céu está encoberto ou quase encoberto 46% do tempo. 
Economia
Sombrio é um município de grande relevância na região que se destaca pela alta regularidade das vendas no ano. 
Na agricultura, os principais produtos são o arroz, fumo, banana e maracujá. Na indústria, temos confecções, cerâmica, móveis e calçados, e no comércio, lojas de confecções, materiais de construção civil, lojas de eletrodomésticos, entre outros.
O setor têxtil, especialmente a produção de jeans, e a indústria moveleira são pilares fortes. O comércio varejista ao longo da BR-101 é vibrante, atraindo consumidores de todo o estado.
De janeiro a fevereiro de 2026, foram registradas 1,1 mil admissões formais e 971 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 132 novos trabalhadores. Este desempenho é inferior ao do ano passado, quando o saldo foi de 149.
Até março de 2026 houve registro de 2 novas empresas em Sombrio, sendo que a maioria delas atua com estabelecimento fixo. Neste último mês, uma nova empresa se instalou na cidade. Este desempenho é maior que o do mês imediatamente anterior (0). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 93 empresas.
Educação
Educação Superior

O município deu um salto de qualidade com a instalação do IFC (Instituto Federal Catarinense), Campus Sombrio, que oferece cursos técnicos e superiores voltados às vocações regionais. Além disso, a cidade conta com polos de ensino a distância de grandes universidades como a Unisul e Unopar.
Turismo
Sombrio é um local de grande movimentação de turistas na temporada de verão, especialmente por ser o ponto de acesso para o município litorâneo de Balneário Gaivota, desmembrado de Sombrio em 1995. Também é um importante acesso para a cidade de Jacinto Machado, onde é possível visitar os Cânions por meio de trilhas guiadas pelo Parque Nacional da Serra Geral e Parque Estadual Aparados da Serra. A cidade é conhecida por ser banhada pela Lagoa de Sombrio, maior lagoa de água doce de Santa Catarina. Além da lagoa, alguns pontos turísticos são as Furnas, conjunto de grutas localizadas às margens da BR-101, o Morro da Moça, o Morro da Santa, a Praia de Gaivotas e o Calçadão Cultural, uma espécie de museu a céu aberto.
Suas principais datas festivas são o aniversário da cidade, em 30 de dezembro, Festa do Padroeiro, no dia 13 de junho, e o Arraialfest, uma grande festa realizada a cada dois anos, geralmente no último final de semana de julho.
A algumas pessoas não se agradam do nome da cidade, por ter conotação de tristeza. Mas a referência ao local é devido à palavra sombra, lembrando repouso. Certas figueiras que serviam de lugar onde o caminheiro descansava. Em tempos remotos, esse local fazia parte do Caminho das Tropas até Viamão e, muitos viajantes paravam á sombra das árvores para descansar - daí o nome da cidade. Porém, somente em 1820 surgiu o vilarejo que daria origem à cidade.
Esporte e Lazer
O esporte em Sombrio é levado a sério, com forte incentivo da prefeitura através de campeonatos municipais. O futsal e o futebol de campo são as modalidades mais populares, mobilizando diversas categorias, do infantil ao veterano. O Estádio Municipal e os diversos ginásios comunitários são os palcos onde a paixão esportiva se manifesta. Recentemente, o ciclismo e as corridas de rua também ganharam espaço, aproveitando as belas rotas rurais e as margens da lagoa.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .

segunda-feira, 20 de julho de 2026

TRINDADE - PERNAMBUCO

Trindade é um município brasileiro do estado de Pernambuco. Administrativamente, o município é formado pelo distrito sede Trindade e pelos povoados: Saco Verde, Mangueira, Bonita, e sítios vizinhos. Sua população, conforme estimativas do IBGE para o ano de 2025, era de 32.257 habitantes.
História
A formação deste município iniciou-se em meados do século XIX, quando aqui chegou em fins de 1830, o Capitão Manoel Felix Monteiro, rico senhor que veio da cidade de Monteiro (Paraíba). Depois de residir nas imediações do rio Pajeú na cidade de Flores (Pernambuco), transferiu-se para o Sertão do Araripe, reconhecendo ser terra fértil propícia para pecuária e a agricultura. Comprou terras aos senhores Desidório Ferreira, Manoel Pereira, Antônio Barbosa, Raimundo Pereira e Matias Pereira. Essas terras eram denominadas sítio Baixo e Sítio Patí, sendo que este último se encontra localizado no município de Ouricuri.
O município de Trindade recebeu três nomes antes de ser desmembrado do município de Araripina. O primeiro foi “Feira do Toco”, esse nome foi dado em homenagem a 1ª feira realizada no município em 1948, por haver no terreno brotado há pouco tempo, vários tocos. Algumas pessoas também costumavam chamar de “Feira do Pau”, pois com a alegria da realização da feira houve muita bebedeira e com isso muitas brigas. Nesta parte da terra tinha apenas uma casa de taipa e algumas barracas cobertas de folhas. O segundo nome dado foi “Espírito Santo”, por ser localizada nas proximidades de uma lagoa (existente até hoje) com esse nome. E ainda por causa desta mesma lagoa foi escolhido o Padroeiro desta capela: Divino Espírito Santo. O terceiro nome foi escolhido com a emancipação política, devido ter uma lei que proibia uma cidade ter nome de Estado. A independência política aconteceu aos 20 de dezembro de 1963 e o nome dado ao município foi Trindade, em alusão à Santíssima Trindade. O Padroeiro que era Divino Espírito Santo ficou sendo Sagrada Família. Com a evolução do comércio foram surgindo às primeiras casas e pontos comerciais (bodegas), onde se vendia o básico para a alimentação. Nos anos 60 já contava com uma loja onde vendia tecidos, cobertas, chapéus e outros produtos, pertencente ao Sr. Lauzemiro Aquino, que veio da Barra de São Pedro, quando a mesma foi destruída com a enchente de 1960, fazendo com que várias famílias imigrassem para Trindade.
A gipsita começou a ser comercializada nos anos 50, com a abertura da primeira mina, pertencente ao Grupo Itaú. No início só se comercializava a rocha bruta. Com o passar dos anos foram surgindo outras minas que passaram a exportar a pedra para vários Estados. Na década de 70 implantaram a primeira fábrica de gesso calcinado, depois surgiram outras. Em 1980 a população teve grande crescimento. Com o surgimento das indústrias de gesso, começaram as imigrações, em 1993 a cidade já contava com 18.000 habitantes.
O comércio em grande parte depende direta e indiretamente da comercialização da gipsita, que hoje é exportada para todas as regiões do Brasil, seja como rocha bruta, calcinado, placas ou bloquetes, sendo usado também na fabricação de cimento, fertilizante, na construção civil, na produção de obras de arte, etc. É responsável por 95% da produção nacional de gesso, com uma produção anual de 2,5 milhões de toneladas.
Trindade é muito conhecida por sua produção de gesso e pedra britada. É local de muitas paradas de caminhoneiros de todo o Brasil.
Formação Administrativa
Distrito criado com a denominação de Trindade, pela Lei Municipal n.º 399, de 16 de fevereiro de 1957, desmembrado dos distritos de Morais e Nascente, subordinado ao município de Ararapina. 
Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1960, o distrito de Trindade figura no município de Ararapina. 
Elevado à categoria de município com a denominação de Trindade, pela Lei Estadual n.º 4.957, de 20 de dezembro de 1963, desmembrado do município de Araripina. sede no atual distrito de Trindade (ex povoado). Constituído do distrito sede. Instalado em 30 de maio de 1964. 
Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1968, o município é constituído do distrito sede. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2023.
Geografia
Localização

Localiza-se a uma latitude 07º45'43" sul e a uma longitude 40º16'04" oeste, estando a uma altitude de 518 metros. 
A paisagem de Trindade é dominada pela grandiosidade da Chapada do Araripe, que emoldura o horizonte do município.
Relevo e Altitude
O município de Trindade está inserido na unidade geoambiental da depressão sertaneja, que representa a paisagem típica do semiárido nordestino. O relevo é caracterizado por superfícies planas e suavemente onduladas, típicas das áreas de depressão sertaneja, interrompidas pelas escarpas da Chapada. A altitude média da sede urbana é de 450 metros acima do nível do mar.
Solo e Geologia
O solo de Trindade é o seu maior tesouro. Composto por solos calcários e sedimentares, o subsolo abriga uma das maiores e mais puras reservas de gipsita do mundo. Quimicamente, o mineral é um sulfato de cálcio hidratado
Vegetação
A vegetação predominante é a caatinga Hiperxerófila com trechos de Floresta Caducifólia.
Hidrografia
O município de Trindade encontra-se inserido nos domínios da bacia hidrográfica do Rio Brígida. Os principais tributários são os riachos Pati e São Pedro, de regime intermitente.
Clima
O clima é o Semiárido (BSh). Em Trindade, a estação com precipitação é abafada e de céu encoberto; a estação seca é de ventos fortes e de céu parcialmente encoberto. Durante o ano inteiro, o clima é quente. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 18 °C a 36 °C e raramente é inferior a 17 °C ou superior a 38 °C. 
A melhor época do ano para visitar Trindade e realizar atividades de clima quente é do fim de maio ao meio de outubro. 
A estação quente permanece por 2,8 meses, de 15 de setembro a 10 de dezembro, com temperatura máxima média diária acima de 35 °C. O mês mais quente do ano em Trindade é novembro, com a máxima de 36 °C e mínima de 22 °C, em média. 
A estação fresca permanece por 2,7 meses, de 26 de fevereiro a 16 de maio, com temperatura máxima diária em média abaixo de 31 °C. O mês mais frio do ano em Trindade é julho, com a mínima de 18 °C e máxima de 32 °C, em média. 
Em Trindade, a porcentagem média de céu encoberto por nuvens sofre significativa variação sazonal ao longo do ano. 
A época menos encoberta do ano em Trindade começa por volta de 29 de maio e dura 4,6 meses, terminando em torno de 17 de outubro. 
O mês menos encoberto do ano em Trindade é julho, durante o qual, em média, o céu está sem nuvens, quase sem nuvens ou parcialmente encoberto 74% do tempo. 
A época mais encoberta do ano começa por volta de 17 de outubro e dura 7,4 meses, terminando em torno de 29 de maio. 
O mês mais encoberto do ano em Trindade é março, durante o qual, em média, o céu está encoberto ou quase encoberto 72% do tempo. 
Economia
Trindade é uma pequena cidade que se destaca pela alta regularidade das vendas no ano e por apresentar novas oportunidades de negócios.
A economia de Trindade é, sem exagero, monocultural em torno do gesso. O município faz parte do Polo Gesseiro do Araripe, que é responsável por cerca de 95% da produção nacional de gesso.
Centenas de empresas operam na extração de gipsita e na sua transformação em gesso em pó e gesso acartonado (drywall).
O comércio local é extremamente forte, impulsionado pelo poder de compra dos trabalhadores da indústria e pela demanda de insumos para as minas.
O transporte rodoviário é um pilar econômico; centenas de caminhões partem diariamente de Trindade para abastecer os canteiros de obras de todo o Brasil.
De janeiro a fevereiro de 2026, foram registradas 147 admissões formais e 171 desligamentos, resultando em um saldo negativo de -24 novos trabalhadores. Este desempenho é inferior ao do ano passado, quando o saldo foi de 16.
Até março de 2026 não houve registro de novas empresas em Trindade. Neste último mês, não foi identificada nenhuma nova empresa. Este desempenho é igual ao do mês imediatamente anterior (0). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 36 empresas.
Educação
Ciente da necessidade de qualificar a mão de obra para a indústria, Trindade tem investido na rede de ensino municipal e estadual. Um marco importante é a parceria com instituições como o SENAI e o Instituto Federal do Sertão-PE, que oferecem cursos técnicos voltados para a mineração, segurança do trabalho e manutenção industrial. Isso permite que os jovens locais ocupem cargos de maior valor agregado dentro do polo gesseiro.
Trindade possui inúmeras escolas municipais espalhadas pelos sítios, serras, povoados, distritos e a sede, dentre elas: Governador Paulo Guerra, Alice Lins de Aquino, Osvaldo Cruz, José Azarias e outras.
Religião
A grande parte da população de Trindade é católica (51,6%) mas, vem se notando o crescente número de evangélicos na cidade. A igreja Assembleia de Deus está presente desde 1965 na cidade e já possui grande número de fiéis, cerca de 10,4% da população segue esta doutrina, logo após vem a Congregação Cristã no Brasil (6,8%) e a Igreja Batista (5,1%). Também há adeptos de religiões espíritas, muçulmanos, umbandistas e religiões asiáticas, os sem religião representam 7%.
Cultura
A cultura de Trindade é marcada por diversos eventos, dentre os quais podem ser mencionados: Carnaval de rua, Festejos de São João, ExpoGesso, Festa do Gesso e Novena da Sagrada Família.
Turismo
O turismo em Trindade é predominantemente de negócios e eventos, atraindo empresários e técnicos do setor de construção civil.
A Expogesso é a maior feira do setor gesseiro do Brasil. O evento acontece anualmente e reúne inovação tecnológica, rodadas de negócios e grandes shows musicais, movimentando milhões de reais na economia regional.
A Festa da Santíssima Trindade, em junho, é um momento de forte devoção popular, com missas, procissões e quermesses que unem a comunidade.
Devido à proximidade com a bacia sedimentar do Araripe, a região é riquíssima em fósseis, atraindo o interesse de pesquisadores.
Integração e Lazer
No esporte, o futebol é a paixão que move os bairros. O Estádio Municipal é o palco de campeonatos amadores que possuem grande engajamento das comunidades das zonas urbana e rural. A cidade de Trindade já possuiu clubes no Campeonato Pernambucano de Futebol, o São Jorge Futebol Clube e o Clube Náutico de Trindade. Além disso, o motocross é uma modalidade com muitos adeptos, aproveitando o relevo acidentado das áreas periféricas e de mineração para a prática de trilhas e competições de velocidade.
Trindade tem o melhor time de futsal da região, o Santos Futsal Club. Possui o estádio Joel Lopez de Souza (Chicão).
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .

sexta-feira, 17 de julho de 2026

IGUAPE - SÃO PAULO

Iguape, oficialmente Estância Balneária de Iguape, é um município brasileiro do estado de São Paulo e uma das primeiras cidades do Brasil. Localiza-se no Vale do Ribeira, a uma latitude 24º42'29" sul e a uma longitude 47º33'19" oeste, estando a uma altitude de três metros. Sua população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2025, era de 29.891 habitantes. Com 1.978,795 quilômetros quadrados, é o município com a maior área do estado de São Paulo. 
Uma das cidades mais antigas do país, Iguape preserva em seu território diversos bens patrimoniais e casarões coloniais, sendo berço de tradições caiçaras como o fandango, e reúne o maior conjunto de construções coloniais do estado, consolidando-se como um dos principais polos do turismo histórico e cultural paulista, além de se destacar por seus rios, trilhas, cachoeiras e estações ecológicas. A cidade foi tombada como Patrimônio Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e seu Centro Histórico tornou-se o primeiro conjunto urbano paulista protegido como Paisagem Cultural, inscrito nos Livros do Tombo Histórico e Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, do Iphan. 
Topônimo
A palavra "Iguape" tem origem na língua tupi antiga e significa "na enseada do rio", através da junção dos termos 'y (água, rio), kûá (enseada) e pe (em). 
Estância Balneária
Iguape é um dos 15 municípios paulistas considerados estâncias balneárias pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status garante, a esses municípios, uma verba maior por parte do Estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar, junto a seu nome, o título de "Estância Balneária", expressão pela qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais. 
História
Sambaquis

Os primeiros habitantes da região onde hoje fica Iguape são conhecidos como "Homens do Sambaqui", povos muito primitivos que não conheciam sequer o arco e flecha e que viveram ali antes da chegada de indígenas com culturas mais avançadas. Sambaqui é o nome dado a grandes montes de conchas de ostras e marisco, depositadas ao longo de centenas ou talvez milhares de anos no mesmo lugar, e que eram consideradas como sendo locais mágicos. Mais tarde, após a extinção dos Homens de Sambaqui, os indígenas que viriam a dar origem à tribo Temiminé passaram a enterrar seus mortos nesses sambaquis, dentro de grandes potes de barro chamados igaçabas, juntamente com os pertences dos mortos. Existem vários sambaquis no complexo estuarino-lagunar de Iguape e Cananeia, sendo o de mais fácil acesso o sítio arqueológico "Benedito Fortes", onde está localizada a "Caverna do Ódio", próximo à ponte que dá acesso ao município de Ilha Comprida, a pouco mais de um quilômetro do centro da cidade. Até hoje, encontram-se vestígios de ações destes grupos indígenas, representados através da estratigrafia, que mostra a sobreposição de camadas correspondentes às diversas ocupações humanas, com a presença de manchas de carvão das fogueiras, sambaquis com até 5 000 anos, restos ósseos de peixes e de pequenos animais, e carapaças de moluscos e crustáceos.
Início da colonização europeia
Em 1494, o Tratado de Tordesilhas firmado entre Portugal e Espanha estabelecia a dimensão de suas posses recém-descobertas, inclusive nas terras americanas. O tratado definia, como linha de demarcação, um meridiano 370 léguas a oeste do arquipélago de Cabo Verde, passando sobre o território de Iguape. Possivelmente desde 1510, já vivia, na região, o aventureiro espanhol Ruy Garcia Moschera, a quem é oficialmente atribuída a fundação do município. Moschera vivera anteriormente no Rio da Prata e se instalara ali possivelmente por ser aquela uma região de disputa entre espanhóis e portugueses. Por volta do ano 1502, o degredado português Cosme Fernandes, conhecido como "Bacharel de Cananeia", também tornou-se uma figura poderosa na região, vindo a escravizar diversas pessoas e não prestando obediência à coroa portuguesa.
Guerra de Iguape
Em 1532, pouco depois de chegar ao Brasil, Martim Afonso de Sousa ordenara a desocupação por Moschera e pelo Bacharel do território onde hoje está Iguape, que pertenceria à coroa portuguesa. Não sendo atendido, ordenou uma expedição chefiada por Pero de Góis que deveria executar a desocupação à força. Informados sobre a expedição, Moschera e o Bacharel, apoiados por indígenas flecheiros carijós, capturaram um navio corsário francês e desbarataram a força portuguesa, travando a Guerra de Iguapé, a primeira guerra entre europeus na America do Sul. Entre os anos de 1534 e 1536, as forças de Moschera e do Bacharel destruíram a vila de São Vicente, matando a maior parte da população, libertando os prisioneiros e incendiando o cartório onde estavam os registros oficiais do município, levando inclusive o Livro do Tombo, fonte oficial de informação sobre a região de Iguape e sobre seus fundadores. Após os ataques, Moschera retornou ao rio da Prata.
Fundação
A povoação de Iguape continuou sob o domínio do Bacharel de Cananeia e teve sua primeira igreja, em homenagem a Nossa Senhora das Neves, construída em 1537. A data de fundação de Iguape foi estabelecida em 3 de dezembro de 1538, ano em que Iguape e Cananeia se separaram. Em 1577, o povoado foi elevado à categoria de "Freguesia de Nossa senhora das Neves da Vila de Iguape", ano em que foi aberto o primeiro livro do tombo da Igreja de Nossa Senhora das Neves.
Mudança de local
Existente até o primeiro quartel do século XVII onde hoje está a vila de Icapara, a falta de água potável, a falta de espaço para expansão e eventuais ataques piratas levaram à transferência da freguesia para uma área alguns quilômetros ao sul por ordem do fidalgo português Eleodoro Ébano Pereira. Ainda no século XVI, haviam sido descobertos os primeiros sinais de ouro na região do Vale do Ribeira. Devido à sua abundância, a procura logo se intensificou e, rapidamente, a exploração do ouro de aluvião se tornou a principal atividade econômica do município. Para evitar o contrabando e intensificar a cobrança de impostos pela coroa portuguesa, foi fundada, por volta de 1630, a Casa de Oficina Real de Fundição de Ouro, que é considerada a primeira do gênero no Brasil.
Em 1647, no auge da riqueza proporcionada pelo ouro, Iguape transformou-se em um centro de peregrinação. Na descrição do aparecimento da imagem do Senhor Bom Jesus de Iguape, dois índios que iam a caminho da Vila Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém acharam um vulto desconhecido rolando nas ondas, e levaram-no para a praia, onde cavaram um buraco e o colocaram em pé com o rosto para o nascente. Ao retornar, os índios acharam a imagem no mesmo lugar, mas com o rosto virado para o poente, e acharam estranho não haver vestígio sequer de que alguém o tivesse movido. A notícia se espalhou e a imagem foi levada para um riacho no sopé do Morro do Espia, onde, sobre as pedras, foi banhada para lhe retirar o sal marinho e ser encarnada novamente. Depois de ser decorada, foi entronizada no altar mor da antiga Igreja de Nossa Senhora das Neves. 
Na década de 1780, foi dado início à construção da nova igreja matriz, haja vista a outra estar em precárias condições. Feita de argamassa, óleo de baleia e pedras retiradas da face marítima do morro, todo o trabalho era executado pela população, voluntária e gratuitamente. Em 1798, as obras estavam avançando lentamente, e em 1800, estas pararam, retornando em datas esporádicas. Em 1822, foram contratados, no Rio de Janeiro, um mestre e três canteiros e, em agosto do mesmo ano, recomeçou-se a obra. A igreja foi concluída em julho de 1856, e no dia 8 de agosto do mesmo ano, foram trasladadas as imagens da antiga igreja para a nova Igreja Matriz. Em 3 de abril de 1848, a vila fora elevada à categoria de cidade, com o nome de "Bom Jesus da Ribeira", no ano seguinte modificado para "Bom Jesus de Iguape".
Arroz e o Valo Grande
Com o esgotamento das minas e com o descobrimento de ouro no interior do Brasil, o município rapidamente entrou em declínio, voltando depois a crescer com o desenvolvimento da indústria de navegação e com a plantação de arroz. A partir daí, Iguape iniciou um período de riqueza e atingiu seu ápice de desenvolvimento em meados do século XIX, com a construção dos principais casarões que ainda hoje podem ser vistos no centro histórico, com dois portos movimentados, teatros, quatro jornais diários e o vice consulado português. Iguape havia se tornado uma dos principais do município do sul do Brasil, a ponto de, em 1841, o ainda adolescente imperador Dom Pedro II ter concedido a Antônio da Silva Prado, político e senhor de terras, o título de Barão de Iguape.
Até meados do século XIX, Iguape sempre havia sido uma espécie de península, com o Rio Ribeira de Iguape serpenteando até quase três quilômetros do mar e depois retornando para o interior, só encontrando sua foz muitos quilômetros adiante. As sacas de arroz que vinham da zona rural eram descarregadas no Porto do Ribeira, fluvial, de onde eram transportadas em lombo de burro ou carroças por aproximadamente três quilômetros até o Porto Grande, marítimo, onde eram embarcadas para exportação. O inconveniente de se ter de transportar o arroz por terra em um trecho tão curto levou à ideia e se construir um canal que ligasse o rio ao mar, permitindo assim o transporte direto do arroz até as embarcações de grande porte. Após décadas de debates sobre o melhor local para a construção do canal, decidiu-se pelo trecho mais curto, que era também o mais arenoso e, portanto, mais fácil de ser construído.
O canal foi construído por escravizados por mais de duas décadas e começou a ser utilizado em 1852. Inicialmente um canal estreito, com cerca de quatro metros de largura, o canal rapidamente começou a alargar, não resistindo à imensa corrente de água. Por volta de 1900, com a contenção das margens, controlou-se o controle do fluxo de água no canal, mas O Mar Pequeno ficou assoreado, o que acabou impedindo a entrada de navios grandes no porto. O porto da cidade já não podia ser utilizado por embarcações de maior calado, impedindo assim a saída do arroz e levando à decadência da cultura de arroz da cidade. Além disso, o atalho encontrado pelo rio através do canal acabou influenciando fortemente o ciclo de cheias que inundavam a região periodicamente e que a tornavam tão fértil. O impacto causado pelo Valo Grande, o declínio da cultura de arroz e os problemas políticos levaram à decadência do município no final do século XIX. De um importante centro agroexportador, a cidade foi aos poucos perdendo importância. 
Imigrantes
No final do século XIX e início do século XX, imigrantes vindos principalmente da Itália e do Japão chegaram a Iguape através de colônias implantadas pelo governo federal e estatual. A cidade ganhou assim uma marcante influência desses colonos, especialmente dos japoneses, que hoje respondem por mais de 10% da população da cidade e tem bastante influência na produção agrícola e na indústria pesqueira.
Através do Decreto n.º 6.455, de 19 de abril de 1907, o governo federal criou o Serviço de Povoamento do Solo Nacional, devido à ineficácia alguns estados da federação em não possuir capital para criar e manter núcleos coloniais, ficou então determinado mediante o Decreto n.º 6.479, de 16 de maio de 1907, que a União poderia intervir no estado com relação aos assuntos de imigração e colonização, haja vista, a negativa do governo paulista em ceder terras nesta região, alegando questões econômicas e estratégicas. Houve a substituição por terras devolutas (50.000 hectares.), situadas no Vale do Ribeira, na época comarca de Iguape, cedidas oficialmente no ano de 1912 ao Tokyo Sindicate (Sindicato de Tóquio) representado por Ikutaro Ayoagui e que, um ano depois, veio se transformar na Brazil Takushoku Kaisha (Companhia Colonizadora do Brasil Ltda.), autorizada pelo Decreto n.º 10.248, de 2 de junho de 1913, a exercer suas atividades em solo brasileiro. As terras da região passaram a ser exploradas a partir de 1913, pela Lei n.° 43, de 21 de outubro de 1913, presente no Livro de Registro de Leis da Câmara Municipal de Iguape, a qual autoriza o prefeito, coronel Antônio Jeremias Muniz Junior, a adquirir o sítio Jipovura, para ser doado a Brazil Takushoku Kaisha, a fim de ali ser fundado um núcleo colonial, com objetivo de desenvolver a principal atividade econômica da região, o cultivo do arroz.
Dessa forma, surgiram os núcleos coloniais de Registro, Sete Barras e Katsura (Jipovura) que formavam a Colônia de Iguape. Dentre estes núcleos destacava-se a Colônia de Katsura, criada em 9 de novembro de 1913, no bairro Jipovura, considerada o marco zero da colonização japonesa no Brasil. Inicialmente, a primeira comunidade foi chamada de Katsura Shokuminchi ("Colônia Katsura"), em homenagem ao Primeiro Ministro do Japão na época, Katsura Taro, um dos grandes incentivadores da imigração japonesa para o Brasil.
Após anos de prosperidade, a colônia acumulou infraestrutura invejável para a época, havia escola, ambulatório médico, agência de correio, fábrica de beneficiamento de arroz, estabelecimentos comerciais, alojamentos para hospedar imigrantes, escola mista japonesa e brasileira, inclusive um porto, com viagens regulares dos barcos a vapor da Companhia de Navegação Fluvial Sul Paulista. A maior parte desta estrutura era financiada pelo capital japonês da Brazil Takushoku Kaisha. Por isso, a Lei Federal n.º 11.642, de 11 janeiro de 2008, decretou que o município de Iguape é considerado o "berço da colonização japonesa no Brasil".
Século XX e atualidade
A partir da década de 1930, Iguape conseguiu iniciar um processo de recuperação, com o desenvolvimento da cultura de banana e da pesca, mas a falta de planejamento, associada aos problemas políticos locais que persistem há quase dois séculos, impediram que ela conseguisse retornar à opulência que um dia teve. Hoje, a cidade tem um índice de desenvolvimento humano abaixo da média brasileira e vive da pesca e do turismo.
Gentílico: Igaupense. 
Formação Administrativa 
Freguesia criada com a denominação de Nossa Senhora das Neves de Iguapé em 1635. 
Vila criada anteriormente a 1638, com a denominação de Nossa Senhora das Neves de Iguapé. 
Cidade com a denominação de Bom Jesus da Ribeira, por Lei Provincial n.º 17, de 3 de abril de 1849. 
Foi restabelecida a denominação de Iguapé ou tomou a denominação de Bom Jesus de Iguapé, por Lei Provincial n.º 3, de 3 de maio de 1850. 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o Município de Iguapé se compõe de 4 Distritos: Iguapé, Juquiá, Jacupiringa e Prainha. 
Lei Estadual n.º 2.253, de 29 de dezembro de 1927, desmembra do Município de Iguapé o Distrito de Jacupiranga. 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o Município de Iguapé permanece com 4 Distritos: Iguapé, Alecrim, Juquiá e Prainha. 
Em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, o Município de Iguapé compreende o único termo judiciário da comarca de Iguapé, sendo que em 1936, o Município de Iguapé se compõe de 5 Distritos: os mesmo citados em 1933, e mais o de Registro, e em 1937, o Município se compõe de 5 Distritos: os mesmo de 1936 e mais o de Pedro de Toledo (ex Alecrim). 
No quadro anexo ao Decreto-Lei n.º 9.073, de 31 de março de 1938, o Município de Iguapé compreende 
o único termo judiciário da comarca de Iguapé e se divide em 5 Distritos: Iguapé, Juquiá, Pedro de Toledo, Prainha e Registro. Pelo Decreto Estadual n.º 9.775, de 30 de novembro de 1938, o Município de Iguapé perdeu os Distritos de Prainha, Juquiá e Pedro Toledo para o novo Município de Prainha. Em 1939-1943, o Município de Iguapé é composto dos Distritos de Iguapé e Registro e é termo único da comarca de Iguapé, termo este formado por 3 Municípios: Iguapé, Jacupiranga e Prainha. Decreto-Lei n.º 14.334, de 30 de novembro de 1944, desmembra do Município de Iguapé o Distrito de Registro. 
Em virtude do Decreto-Lei Estadual n.º 14.334, de 30 de novembro de 1944, que fixou o quadro territorial para vigorar em 1945-48, o Município de Iguapé ficou composto de 1 único Distrito, Iguapé e constitui o único termo judiciário da comarca de Iguapé formada pelos Municípios de Iguapé, Jacupiranga e Registro. 
Permanece composto apenas de um Distrito, Iguapé, comarca de Iguapé, nos quadros territoriais fixados pelas Leis Estaduais n.º 233, de 24 de dezembro de 1948 e n.º 2.456, de 30 de dezembro de 1953 para vigorar, respectivamente, nos períodos 1949-1953 e 1954-1958. 
Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1960, o município é constituído do Distrito Sede. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 15 de julho de 1999.
Geografia
Iguape possui uma área de 1.980,916 quilômetros quadrados, sendo assim o maior município do estado de São Paulo em tamanho territorial. Abriga também as Áreas de Relevante Interesse Ecológico Ilha Ameixal, de 400 hectares, localizada no rio Una do Prelado, criada pelo Decreto n.º 91.889, de 5 de novembro de 1985, parte da Zona de Vida Silvestre - Área de Proteção Ambiental de Cananéia-Iguapé-Peruíbe, criada pelo Decreto n.º 90.347, de 23 de outubro de 1984 e complementada pelo Decreto n.º 91.892 de 06 novembro de 1985, e parte da ZVS - APA Ilha Comprida, criada pelo Decreto n.º 26.881, de 11 de março de 1987 e regulamentada pelo Decreto n.º 30.817, de 30 de novembro de 1989.[25]
Oficialmente a única praia de Iguape é a Praia da Jureia.
Relevo e Altitude
A altitude média da sede urbana é de apenas 3 metros acima do nível do mar. O relevo é predominantemente composto por planícies costeiras e áreas de manguezal, mas o município também abrange porções da Serra do Mar, com elevações que protegem a biodiversidade da região.
Solo
O solo é formado por sedimentos quaternários nas planícies (arenosos e salinos) e solos podzólicos nas encostas das serras.
Vegetação e Ecossistema
Iguape é um dos maiores redutos de Mata Atlântica do mundo. A vegetação varia entre a floresta ombrófila densa, a restinga e o manguezal.
Um ponto geográfico crucial é o Valo Grande, um canal artificial aberto no século XIX para facilitar o transporte de arroz, mas que alterou drasticamente o ecossistema local ao misturar a água doce do Rio Ribeira com a água salgada do estuário, um desafio ambiental que a cidade enfrenta até hoje.
Clima
O clima é o Tropical Úmido (Af), caracterizado por temperaturas elevadas e chuvas bem distribuídas ao longo do ano, sem uma estação seca definida. A média anual fica em torno de 22 °C.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1961 a 1988, 1996 a 1997 e desde 2000, a menor temperatura registrada em Iguape foi de 0,2 °C em 21 de julho de 2000 e a maior atingiu 43 °C em 3 de fevereiro de 1933. Esta foi a maior temperatura registrada no estado de São Paulo até o dia 7 de outubro de 2020, quando a cidade de Lins, no interior, registrou máxima de 43,5 °C. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 289,9 milímetros (mm) em 17 de março de 1981. Outros grandes acumulados iguais ou superiores a 200 mm foram 237,1 mm em 15 de fevereiro de 1948, 219,5 mm em 13 de janeiro de 2008 e 208,2 mm em 18 de março de 2017. Desde julho de 2006, a rajada de vento máxima alcançou 24,7 m/s (88,9 km/h) em 3 de novembro de 2018.
Rodovias
A rodovia que atende à cidade é a SP-222
Hidrografia
A hidrografia do município está assim composta: Rio Momuna, Rio Ribeira de Iguape, Rio Una da Aldeia; Oceano Atlântico e Rio Peropava.
Economia
Iguape é uma pequena cidade que se destaca pela alta regularidade das vendas no ano e pelo elevado potencial de consumo.
A economia de Iguape é um equilíbrio entre o setor primário e o setor de serviços.
Pesca e Extrativismo: A pesca artesanal e industrial é o pilar de muitas famílias, com destaque para o camarão e peixes de estuário.
Turismo: O turismo histórico, religioso e ecológico movimenta hotéis, pousadas e restaurantes, sendo a maior fonte de receita para o comércio local.
Agricultura: Embora em menor escala que no passado, o cultivo de banana e a silvicultura possuem relevância na zona rural.
De janeiro a fevereiro de 2026, foram registradas 152 admissões formais e 180 desligamentos, resultando em um saldo negativo de -28 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de -66.
Até março de 2026 houve registro de 6 novas empresas em Iguape, sendo que uma delas atua pela internet. Neste último mês, 3 novas empresas se instalaram. Este desempenho é maior que o do mês imediatamente anterior (2). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 70 empresas.
Educação
Na educação, o município conta com uma rede de ensino fundamental e médio que atende às comunidades urbanas e rurais. A proximidade com Registro facilita o acesso de jovens a centros técnicos e à UNESP, enquanto a própria cidade busca parcerias para cursos técnicos voltados ao turismo e à gestão ambiental.
Turismo
Atualmente, uma das principais atividades econômicas de Iguape é o turismo. O município possui diversas atrações, tendo a vantagem de ser histórico e com ar interiorano, mas com praias.
Fonte do Senhor
A Fonte do Senhor é um pequeno parque turístico pertencente ao Parque Floresta Municipal do Morro do Espia. Possui uma tranquila área de lazer com gramados e árvores da Mata Atlântica, diversas bicas e torneiras com água potável das cachoeiras, uma lagoa com patos e peixes ornamentais e um grande tanque, antes usado para tratamento de água e que atualmente serve de piscina pública. Esse parque foi criado ao redor da capela -mais conhecida como gruta- erguida em 1737, em pedra e cal, sobre a famosa pedra que cresce, onde a imagem do Senhor Bom Jesus de Iguape foi lavada, no ano de 1647, após ser encontrada na Praia do Una, na Jureia. É a lenda da "pedra que cresce", que intrigou até o grande escritor Albert Camus, Prêmio Nobel de Literatura, ao visitar o município de Iguape no mês de agosto do ano de 1949, acompanhado de Oswald de Andrade, Paul Silvestre, adido cultural francês, e Rudá de Andrade, filho de Oswald, além do motorista, cujo nome não foi citado, mas que foi apelidado por Camus de "Augusto Comte", por parecer com o referido filósofo francês. Serviu por muitos anos para lavar roupas e abastecimento de água potável para a população da Vila de Iguape. Na época da festa do Bom Jesus de Iguape e no verão, esse parque fica bastante movimentado por romeiros ou turistas que visitam o município. O parque é um dos pontos de partida para a Trilha Ecológica do Morro do Espia, com extensão de 2,8 quilômetros, dá acesso à Pedra Lisa e ao Mirante do Cristo Redentor.
Mar Pequeno
Iguape é parte do Complexo Estuarino-Lagunar do Mar Pequeno, também conhecido como Lagamar, que engloba os municípios de Iguape, Ilha Comprida, Cananeia e Pariquera-Açu, no Estado de São Paulo, e Paranaguá, no Paraná. É uma área muito rica em manguezais, que serve de berçário para várias espécies marinhas e por isso é considerada um dos cinco maiores criadouros marinhos do mundo. Suas lagunas à beira-mar com vegetação de restingas e Mata Atlântica, possuem uma deslumbrante fauna e flora, entre eles, estão guarás, biguás, garças, golfinhos, dezenas de espécies de aves marinhas, e animais exóticos, como o papagaio-de-cara-roxa, uma das aves que estão sob risco de extinção no planeta. Em toda a sua extensão, existem também inúmeros sítios arqueológicos, onde estão os Sambaqui, deixados por populações nômades e indígenas que habitavam o local há mais de 5 mil anos.
Barra do Ribeira e Costão da Jureia
A cerca de vinte quilômetros do município, está a foz do Rio Ribeira de Iguape, região conhecida como Barra do Ribeira, excelente local para pesca e esportes aquáticos e ecoturismo. Aos poucos, a pequena vila de pescadores, que a cada ano recebia pessoas de todos os lugares, foi crescendo e se desenvolvendo, tornando-se num bairro, de cultura predominantemente caiçara. Um pouco mais para dentro do rio há um serviço de balsa da Dersa que liga a ilha de Iguape às praias da Jureia e do Prelado, pertencentes ao bairro Barra do Ribeira, ambas de acesso livre, totalizando 19 km de extensão e, a partir daí, à Estação Ecológica da Jureia-Itatins, uma unidade de conservação ambiental criada em 1986 e que atualmente é considerada a maior reserva de Mata Atlântica do Brasil, cujo acesso é restrito, somente permitido para fins de pesquisa e atividades de educação ambiental, junto a grupos organizados, acompanhado de monitores credenciados. Ao final do costão da Jureia, está o início da Trilha do Imperador (ou do Telégrafo), construída a mando do imperador D. Pedro I, por onde passava, no século XIX, a linha de telégrafos que ligava o Rio de Janeiro ao Paraná, importante meio de comunicação do litoral do país.
Museu de Arte Sacra
Na Igreja do Rosário, está instalado o Museu da Arte Sacra, inaugurado em 1979, permaneceu por mais de duas décadas funcionando normalmente, enfrentou diversas fases, foi fechado, abandonado, sofreu deterioração e até furto de suas peças. Foi reinaugurado em 2006 e, hoje, possui, em seu acervo permanente, 60 peças de arte sacra dos séculos XVIII e XIX, parte do acervo histórico da Igreja de Nossa Senhora das Neves e da antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Entre as raridades, está um quadro em alto-relevo, que traz a cena da Via-Sacra, de procedência europeia. Há também pratarias, inclusive peças que compõe o Império do Divino Espírito Santo. O acervo todo, que chega a 180 objetos, tem procedência de várias igrejas do município, mas a maioria pertenceu a primeira Igreja Matriz de Iguape, construída em 1614 e demolida em 1858, para a construção da atual Basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape e Nossa Senhora das Neves, padroeiros de Iguape.
Centro histórico
Iguape possui o maior casario colonial preservado do Estado de São Paulo, com diversas casas, casarões e igrejas em vielas estreitas de paralelepípedos. Nessas construções ricas em detalhes, foram utilizadas técnicas como a taipa francesa e a taipa de pilão. As construções datam dos ciclos do ouro e do arroz, entre os séculos XVI e XIX, período em que Iguape viveu seu auge de desenvolvimento econômico. No dia 3 de dezembro de 2009, durante as comemorações dos seus 471 anos de sua fundação, o município recebeu o título de patrimônio nacional, com o tombamento de seu núcleo urbano, ou seja, o centro histórico, o antigo sistema portuário fluvial e marítimo, incluindo o canal do Valo Grande e o Morro da Espia, além de diversas áreas da zona rural relacionadas com a imigração japonesa no Brasil.
Basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape e Nossa Senhora das Neves
Templo católico construído em pedra portuguesa, argamassa e óleo de baleia, entre os séculos XVIII e XIX. Alí é possível observar várias imagens, entre elas as dos padroeiros do município, Nossa Senhora das Neves e Bom Jesus de Iguape. Na basílica, também é possível se visitar a Sala dos Milagres, que possui objetos deixados pelos devotos em agradecimento a graças recebidas.
Morro do Espia
Com mais de cinquenta metros de altitude, em um local privilegiado, o Parque Municipal do Morro do Espia tem esse nome porque era usado por vigias que controlavam a entrada e saída de embarcações no porto e que alertavam a população quando da chegada de piratas através da Barra do Icapara, local onde ocorreu a batalha que ficou conhecida como Entrincheiramento de Iguape. Hoje, esse ponto é muito visitado devido à visão panorâmica única do município e de todo o complexo estuarino-lagunar, bem como da totalidade do Canal do Valo Grande, propiciando, assim, uma melhor compreensão sobre essa obra polêmica. Nesse ponto, exatamente onde havia uma grande cruz de madeira, levantada por José Gonçalves, existe uma réplica do Cristo Redentor do Rio de Janeiro, inaugurada em 10 de dezembro de 1953, obra do escultor José Rosasco.
Fundação S.O.S. Mata Atlântica
Está localizada em um centenário casarão cedido pela Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), localizado no centro histórico de Iguape, que foi restaurado pela própria fundação em 1989, e onde foi criada a Base Urbana de Iguape. Exibe filmes sobre a região, serve de local de exposição do artesanato local e possui maquetes e painéis que exibem a diversidade ambiental do lagamar. A maquete principal permite uma visão geral do lagamar e de todo o relevo da região, incluindo as UCs (Unidades de Conservação) da região, que abrange cerca de 70% do território do Vale do Ribeira. A sede abriga, também, o Centro de Interpretação Ambiental e Informação Turística, que divulga o potencial natural e histórico-cultural da região do lagamar, através de painéis explicativos sobre a Mata Atlântica preservada e seus habitantes. 
Festa do Senhor Bom Jesus de Iguape
A Festa do Senhor Bom Jesus de Iguape é um evento religioso significativo no estado de São Paulo, sendo a segunda maior festa desse tipo na região, atrás apenas do Santuário de Aparecida. Sua origem remonta a 1647, quando índios encontraram uma escultura de madeira retratando Cristo, na praia do Una. Esse achado foi seguido por relatos de milagres, dando início ao culto. 
O ponto central das festividades é a Basílica de Bom Jesus de Iguape, erguida em 1856, onde ocorrem as principais cerimônias religiosas, os peregrinos fazem o percurso, da Praia do Una até Iguape, passando pelo costão da Jureia. Os devotos participam de missas, procissões e momentos de reflexão, todos permeados por uma atmosfera de devoção e fé.
Carnaval
O carnaval de Iguape é considerado um dos melhores carnavais de rua de São Paulo. Com diversos blocos que se apresentam na praça da basílica e nela dão uma volta, seguidos por centenas de foliões. Entre os mais tradicionais estão, o bloco "Zé Pereira", sendo o carro-chefe que abre a folia do carnaval iguapense desde 1846; a "Chaleira", fundado em 8 de janeiro de 1910; "Juritica", em fevereiro de 1960; "Banho da Dorotheia", em 16 de fevereiro de 1972, o "Bloco do Galo", em fevereiro de 1978 e o "Boi Tatá", em março de 1981. Essa festa chega a levar mais de 200 mil visitantes a Iguape durante o período dos festejos populares.
Festa de Agosto
Entre os dias 28 de julho e 6 de agosto, Iguape é tomada por peregrinos, também chamados de romeiros, que lotam a cidade para participar das missas e procissões em louvor aos padroeiros da cidade. A cidade recebe de 150 a 200 mil visitantes que lotam os hotéis e pousadas da região ou que acampam nas suas áreas livres, tomadas por bancas de vendedores ambulantes e de comida, que aproveitam o grande movimento para faturar. Antigamente, essas bancas eram elas próprias uma atração, visto que a cidade ficava muito isolada e vários produtos não chegavam até lá.
Museu Municipal
Este museu está magnificamente restaurado e é o mais antigo edifício fazendário do Brasil. Originalmente onde funcionou a primeira casa de fundição de ouro do Brasil, atualmente ocupado pelo Museu Municipal de Iguape, criado através da Lei Número Doze, de 23 de dezembro de 1906, depois de ter sido usado sucessivamente como cadeia, quartel e Casa da Câmara, podem ser encontrados diversos artefatos indígenas de antes da chegada dos europeus, como o Ídolo de Iguape, um busto de mais de 2 500 anos, as cerâmicas igaçaba encontradas nos sambaquis da região; objetos do período da escravidão no Brasil; prensas tipográficas utilizadas para impressão dos antigos jornais da cidade, insígnias e outros objetos da Revolução Constitucionalista de 1932, utilizados pelos combatentes iguapenses que enfrentaram as forças de Getúlio Vargas instaladas em Cananeia, além do Diploma da Medalha de Campanha, condecoração concedida pela participação na Força Expedicionária Brasileira, nas operações durante a Segunda Guerra Mundial, em 1944 na Itália. Também se pode acompanhar, através de seu acervo, um histórico abrangente do período colonial e imperial brasileiro, entre eles, um Diploma de Honra, o qual premiou o arroz de Iguape como o melhor do mundo em exposição internacional realizada em 29 de abril de 1911, em Turim, na Itália.
Religião
O Cristianismo se faz presente na cidade da seguinte forma: 
Igreja Católica 
A igreja faz parte da Diocese de Registro. 
Igrejas Evangélicas
Entre as igrejas protestantes históricas, pentecostais e neopentecostais, encontram-se na cidade: Assembleia de Deus Ministério do Belém e Congregação Cristã no Brasil.
Esporte
O cenário esportivo de Iguape é moldado por sua geografia.
- Pesca Esportiva: atrai entusiastas de todo o país que buscam os robalos e as caranhas nos canais do Lagamar.
- Canoagem e Stand-up Paddle: as águas calmas do Mar Pequeno são perfeitas para esportes náuticos não motorizados.
- Cicloturismo: a rota que liga Iguape à Ilha Comprida e Jureia é muito procurada por ciclistas de resistência.
- Esportes de Aventura: Trilhas ecológicas e o montanhismo ganham força nas encostas próximas à Serra do Espigão.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Caravela .

quinta-feira, 16 de julho de 2026

RIO PARDO DE MINAS - MINAS GERAIS

Rio Pardo de Minas é um município brasileiro do estado de Minas Gerais, localizado no norte da unidade federativa. Sua população conforme estimativas do IBGE em 2025, era de 29.103 habitantes. Compõe com outros municípios da região o Alto Rio Pardo.
É um dos municípios mais antigos do norte de Minas Gerais. 
História
A região de Rio Pardo de Minas começou a ser povoada no final do século XVII, com a chegada de vaqueiros vindos da Bahia, associados ao grande latifúndio da Casa da Ponte, dos Guedes de Brito. Nesse período, por volta de 1698, o fazendeiro baiano Antônio Luís dos Passos estabeleceu uma fazenda de gado na área e fundou a povoação de Rio Pardo, na confluência do rio homônimo com o rio Preto. 
A descoberta de jazidas de ouro na região acelerou o seu povoamento, junto com o comércio realizado com a cidade de Salvador e as regiões de Feira de Santana e do Alto Sertão da Bahia. Em 1740, o arraial de Rio Pardo foi elevado à categoria de paróquia e freguesia da vila de Minas Novas. Em 1757, como consequência das descobertas de diamantes em Tijuco (atual Diamantina), o Vale do Jequitinhonha e grande parte do Norte de Minas (o que inclui o território de Rio Pardo de Minas) foram transferidos da Capitania da Bahia para a de Minas Gerais. 
Em 13 de outubro de 1831, graças a Francisco Jê Acaiaba de Montezuma, a freguesia de Rio Pardo foi elevada à categoria de vila, desmembrada de Minas Novas, sendo instalada a 26 de agosto de 1833, presidente da Câmara Municipal de Minas Novas, o padre Carlos Pereira Freire de Moura. Essa vila possuía um território original de 30 mil quilômetros quadrados. 
A Lei Provincial n.º 1.887, de 5 de julho de 1872, concedeu à vila o título de cidade. Entre 1883 e 1887, Rio Pardo perdeu territórios para a criação das vilas de Tremedal (atual Monte Azul) e Salinas. 
Em 1911, o município de Rio Pardo era constituído dos distritos de Rio Pardo (sede), São João do Paraíso, Serra Nova, Água Quente, Veredinha e Taiobeiras, este último incorporado a Salinas em 1923. Pelo Decreto-Lei n.º 1.058, de 31 de dezembro de 1943, a municipalidade teve seu nome alterado para Rio Pardo de Minas e perdeu o distrito de São João do Paraíso, elevado à categoria de município. Em 1958, pela Lei Provincial n.º 946, de 6 de junho, foi criada a Comarca de Rio Pardo de Minas, sendo suprimida por força da Lei Provincial n.º 1507, de 30 de julho de 1969 e restaurada em definitivo no mesmo ano pela Lei Provincial n.º 1620, de 3 de novembro. 
Nos anos 1990, Rio Pardo de Minas sofreu mais perda de território, com a criação dos municípios de Indaiabira, Montezuma, Santo Antônio do Retiro e Vargem Grande do Rio Pardo.
Formação Administrativa
A vila de Rio Pardo foi criada em 13 de outubro de 1831, com território desmembrado do município de Minas Novas. Sua Instalação verificou-se em 26 de agosto de 1933. 
Em virtude da Lei Provincial n.º 1.887, de 15 de julho de 1872, foi a sede municipal elevada a categoria de cidade. Segundo a divisão a administrativa de 1911, o município era constituído pelos seguintes distritos: Rio Pardo, São João do Paraíso, Serra Nova, Água Quente, veredinha e Taiobeiras. Por força da Lei Estadual n.º 843, de 7 de setembro de 1923, perdeu o município o distrito de Taiobeiras que passou a integrar o de Salinas. Por esta mesma divisão administrativa, Rio Pardo passou a figurar com apenas 5 distritos: Rio Pardo, Serra Nova (ex Nossa Senhora do Patrocínio de Serra Nova), São João do Paraíso, Água Quente (ex Santana da Água Quente) e Veredinha (antiga Nossa Senhora da Veredinha). Nas publicações datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, bem como no quadro anexo ao Decreto-Lei n.º 88, de 30 março de 1938, o município de Rio Pardo compõe-se de quatro distritos: o da sede, Água Quente, São João do Paraíso e Serra Nova. Pelo Decreto n.º 148, de 17 de dezembro de 1938, o distrito de Serra Nova foi extinto e seu território passou a constituir o novo distrito de coqueiros, atual Indaiabira no mesmo município de Rio Pardo. Por força do Decreto-Lei n.º 1.058, de 31 de dezembro de 1943, perdeu o município o distrito de São João do Paraíso, elevado a categoria de município, e teve seu topônimo alterado para Rio Pardo de Minas. Era a seguinte a composição distrital em face do citado Decreto-lei: Rio Pardo de Minas, Indaiabira, (ex Coqueiro) e Montezuma (ex Água Quente). Em face da divisão judiciária e administrativa a vigorar no quinquenio 1954-1958, baixada pela Lei n.º 1.039, de 12 de dezembro de 1953, integram o município os seguintes distritos: Rio Pardo de Minas, Indaiabira, Montezuma e Serra Nova, este último criado pela Lei n.º 336, de 27 de dezembro de 1948. A Comarca foi criada pela Lei Provincial n.º 946. de 06 de junho de 1958, tendo sido suprimida dez anos após, por força da Lei Provincial n.º 1507, de 30 de julho de 1869. Restaurada sua criação em 03 de novembro de 1869, pela Lei Provincial n.º 1.620, desde aquela data não sofreu solução de continuidade. A Comarca de rio Pardo está subordinado o município de São João do Paraíso. 
Geografia
Situado no norte de Minas Gerais, Rio Pardo de Minas está a uma altitude de 775 m acima do nível do mar, em um território majoritariamente montanhoso, na Serra Geral. Faz divisas com municípios como Fruta de Leite, Indaiabira, Mato Verde, Montezuma, Novorizonte, Salinas, Serranópolis de Minas, Taiobeiras e Vargem Grande do Rio Pardo.
Relevo e Altitude
O município está inserido no complexo da Serra do Espinhaço. O relevo é predominantemente montanhoso e acidentado, com extensos chapadões. A sede urbana repousa a uma altitude de 800 metros, mas em áreas como a Serra do Gramado, as elevações ultrapassam facilmente os 1.000 metros, oferecendo um clima mais fresco nas partes altas.
Clima
O clima é o Tropical Semiárido (BSh), porém temperado pela altitude. As chuvas são escassas e concentradas entre os meses de novembro e janeiro. No verão, as temperaturas são elevadas durante o dia, mas, devido à altitude, as noites costumam ser frescas. No inverno, o "frio de serra" se faz presente, com mínimas que podem cair abaixo dos 12°C.
Em Rio Pardo de Minas, a estação com precipitação é quente, úmida e de céu quase encoberto; a estação seca é morna, de ventos fortes e de céu quase sem nuvens. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 14 °C a 32 °C e raramente é inferior a 12 °C ou superior a 35 °C. 
A melhor época do ano para visitar Rio Pardo de Minas e realizar atividades de clima quente é do meio de maio ao meio de setembro. 
A estação quente permanece por 1,6 mês, de 9 de setembro a 29 de outubro, com temperatura máxima média diária acima de 31 °C. O mês mais quente do ano em Rio Pardo de Minas é outubro, com a máxima de 31 °C e mínima de 18 °C, em média. 
A estação fresca permanece por 2,3 meses, de 1 de junho a 10 de agosto, com temperatura máxima diária em média abaixo de 28 °C. O mês mais frio do ano em Rio Pardo de Minas é julho, com a mínima de 14 °C e máxima de 28 °C, em média. 
Em Rio Pardo de Minas, a porcentagem média de céu encoberto por nuvens sofre extrema variação sazonal ao longo do ano. 
A época menos encoberta do ano em Rio Pardo de Minas começa por volta de 12 de abril e dura 6,1 meses, terminando em torno de 17 de outubro. 
O mês menos encoberto do ano em Rio Pardo de Minas é agosto, durante o qual, em média, o céu está sem nuvens, quase sem nuvens ou parcialmente encoberto 76% do tempo. 
A época mais encoberta do ano começa por volta de 17 de outubro e dura 5,9 meses, terminando em torno de 12 de abril. 
O mês mais encoberto do ano em Rio Pardo de Minas é dezembro, durante o qual, em média, o céu está encoberto ou quase encoberto 78% do tempo. 
Solo e Vegetação
Os solos são variados, com predominância de Latossolos nos chapadões (fáceis de mecanizar) e solos pedregosos nas encostas. A vegetação é uma fascinante área de transição: o Cerrado domina as partes mais altas e planas, enquanto a Caatinga (Mata Seca) aparece nas áreas mais baixas e quentes. Nas margens dos rios, ainda resistem matas ciliares que guardam a biodiversidade local.
Economia
Rio Pardo de Minas é uma pequena cidade que se destaca por apresentar novas oportunidades de negócios e pelo alto crescimento econômico.
A economia de Rio Pardo de Minas é dinâmica e baseada na exploração racional de seus vastos recursos naturais.
- Silvicultura (Eucalipto): é uma das maiores potências do estado no plantio de eucalipto para a produção de carvão vegetal, destinado às siderúrgicas de Minas Gerais.
- Cafeicultura: nas áreas mais altas, o café de montanha (tipo Arábica) ganha destaque pela qualidade, aproveitando o clima de altitude.
Agricultura e Pecuária: Produção de feijão, milho e mandioca, além da pecuária de corte e leiteira que abastece a região.
- Mineração: o município possui jazidas de minério de ferro e quartzo, que contribuem significativamente para o PIB municipal.
De janeiro a fevereiro de 2026, foram registradas 49 admissões formais e 64 desligamentos, resultando em um saldo negativo de -15 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de -66.
Até março de 2026 houve registro de 1 nova empresa em Rio Pardo de Minas, sendo que a maioria delas atua com estabelecimento fixo. Neste último mês, uma nova empresa se instalou na cidade. Este desempenho é maior que o do mês imediatamente anterior (0). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 35 empresas.
Educação
O município conta com uma rede educacional robusta que atende tanto à sede quanto à zona rural (um desafio constante dado a extensão territorial). Rio Pardo dispõe de escolas estaduais e municipais bem avaliadas e serve como polo para polos de Educação a Distância (EAD) de universidades renomadas, facilitando o acesso ao ensino superior para a juventude local que busca formação em agronomia, pedagogia e gestão pública.
Turismo
O potencial turístico de Rio Pardo é imenso, focado no ecoturismo e na cultura religiosa.
- Serra do Gramado: o ponto mais alto e icônico, ideal para trilhas, mountain bike e contemplação do pôr do sol.
- Cachoeiras e Rios: embora seja uma região seca, o município esconde quedas d'água refrescantes e o próprio Rio Pardo, que dá nome à cidade.
- Festa de Agosto: a principal celebração religiosa e cultural da cidade, em honra a Nossa Senhora do Amparo. É o momento em que os filhos da terra retornam, enchendo as ruas de música, fé e tradição.
Esporte
O esporte em Rio Pardo de Minas é movido pela paixão pelo Futebol Amador. O Estádio Municipal é o palco de torneios regionais que mobilizam toda a microrregião. Nos últimos anos, o Ciclismo (MTB) explodiu em popularidade; as estradas de terra e as trilhas da Serra do Espinhaço transformaram o município em um destino preferencial para ciclistas de aventura que buscam desafios de altimetria e paisagens cinematográficas.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .

terça-feira, 14 de julho de 2026

BAIXO GUANDU - ESPÍRITO SANTO

Baixo Guandu é um município brasileiro no interior do estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Localiza-se no noroeste capixaba, estando situado a cerca de 180 km da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 910 km², sendo que 7 km² estão em área urbana, e sua população foi estimada pelo IBGE, em 32.829 habitantes em 2025.
A cidade se encontra nas margens da foz do rio Guandu no rio Doce. A sede tem uma temperatura média anual de 25 °C e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 77% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com 20 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,702, considerando-se como alto em relação ao estado.
Baixo Guandu tem o comércio e a mineração de pedras ornamentais como principais fontes de renda. Anualmente é palco de eventos com relevância regional, tais como o aniversário do município, a Festa de São Pedro e a ExpoGuandu, sendo que as cachoeiras, situadas na zona rural, e as formações rochosas, propícias a escaladas e saltos, são seus principais atrativos turísticos.
História
A região começou a ser desbravada no final do século XVIII, porém foi somente na segunda metade do século XIX que ocorreu de fato o povoamento do lugar, em decorrência dos constantes conflitos com os botocudos. Na década de 1870, sob incentivo de José Vieira de Carvalho, vieram para as terras guanduenses fluminenses do município de Cantagalo, que fundaram colônias onde cultivavam cereais, cana de açúcar e o café. Pouco tempo depois vieram imigrantes, em sua maioria italianos, que também colaboraram no desenvolvimento das culturas agrícolas. Em decorrência do crescimento econômico e social, em 1915 foi criado o distrito de Baixo Guandu, subordinado a Colatina, que veio a ser emancipado em 1935.
Origens e pioneirismo
A colonização da região do atual município de Baixo Guandu teve início entre o final do século XVIII e começo do século XIX, período marcado pelas bandeiras que adentravam o interior brasileiro. O lugar era um importante ponto de parada para os bandeirantes, oferecendo ótimos resultados de caça e, no leito do rio Doce, pescado e água. Conflitos entre os viajantes (muitos oriundos do Rio de Janeiro) e os botocudos, habitantes originais da região, eram constantes e para evitá-los criaram-se, no ano de 1800, os chamados "quartéis". Foram estes conflitos que fizeram com que fracassassem todas as tentativas governamentais de povoamento até meados da década de 1860. 
Em 1859, criou-se a mando de Dom Pedro II o chamado Aldeamento do Mutum, situado na foz do rio Mutum Preto, cujo objetivo era catequizar os indígenas, que pouco tempo mais tarde foi desativado devido à precariedade e a ataques dos próprios povos originários. Apesar disso, aos poucos os nativos passaram a se familiarizar com os forasteiros. 
Na década de 1870 o lugar passou a ser ocupado por fluminenses de Cantagalo sob incentivo de José Vieira de Carvalho, que apostava nas riquezas naturais da região do rio Doce e necessitava de terras novas onde aplicar sua atividade. Os fluminenses foram responsáveis pela criação de diversas colônias, onde floresciam culturas de cereais, cana de açúcar e, nas terras mais altas, o café. Outro fator que favoreceu o desenvolvimento do lugar foi o fato de estar localizado no meio de uma das principais vias (por terra e por rio) que ligava o interior mineiro aos portos do litoral capixaba, sendo que em 1907 chega à localidade os trilhos da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). Também nesta época chegam os primeiros imigrantes, a grande maioria italianos. O chamado Núcleo Colonial "Afonso Pena" foi repartido em lotes que foram vendidos aos italianos, franceses e espanhóis.[10]
Formação administrativa
Dado o crescimento populacional e econômico constante da localidade, foi criado, pela Lei Estadual n.º 1.045, de 9 de dezembro de 1915, o distrito de Baixo Guandu, subordinado ao município de Colatina. O distrito foi elevado à categoria de município pela Lei Estadual nº 6.152, de 10 de abril de 1935, sendo oficialmente instalado em 8 de junho do mesmo ano. Desde a criação do distrito muitos movimentos separatistas atuaram em prol da elevação de Baixo Guandu à categoria de cidade. 
Quando emancipado Baixo Guandu era composto apenas pelo distrito-sede. Os primeiros distritos a fazerem parte do município foram Ibituba (antigo Afonso Pena) e Quilômetro 14 do Mutum (também conhecido por Mascarenhas, seu nome original), adquiridos do território de Colatina pelo Decreto-Lei Estadual n.º 9.222, de 31 de março de 1938. Pela lei estadual n.º 752, de 30 de novembro de 1953, criou-se o distrito de Alto Mutum Preto, com território desmembrado do distrito de Quilômetro 14 do Mutum, e mediante a Lei Estadual n.º 1.952, de 13 de janeiro de 1964, foi criado o distrito de Vila Nova do Bananal. A partir de então restaram cinco distritos, sendo eles Alto Mutum Preto, Ibituba, Quilômetro 14 do Mutum e Vila Nova do Bananal, além do distrito sede. 
Após a emancipação
Baixo Guandu foi a primeira cidade brasileira a receber água tratada com flúor em 1953, com o intuito de diminuir a incidência de cáries, principalmente entre as crianças. O benefício foi alcançado pela administração guanduense que tentava alcançar o feito desde a década de 1940, quando foi iniciado o tratamento de água potável no Espírito Santo por meio do Serviço Especial de Saúde Pública. 
Desde 1926 Baixo Guandu possuía uma usina hidrelétrica, a Usina Hidrelétrica Von Luztow, construída por Belarmino Pinto. Esta foi expandida na década de 50, cujas obras foram executadas pela Lutzow S.A.; concluídas com auxílio da Cia. Vale do Rio Doce (atual Vale S.A.) após uma crise. Com a expansão, a UHE passou a alimentar, além de Baixo Guandu, o município de Resplendor.
Baixo Guandu contou com dois marcos culturais em sua história. O Cine Alba foi construído pelas famílias Holz e Kunkel e inaugurado em 1954, sendo então considerado a melhor casa do gênero no estado; havia 800 cadeiras estofadas com modernos sistemas de som, iluminação e ventilação. Além das atrações cinematográficas, também era um dos principais palcos de shows com artistas regionais ou nacionalmente conhecidos, porém veio a ser fechado na década de 1990. O outro marco continua em funcionamento e é o Canaã Social Clube, inaugurado em 10 de abril de 1953. Inicialmente era frequentado exclusivamente pela elite social, porém com o passar do tempo se tornou uma das principais áreas de recreação, integração e lazer do município. Em 2000 passou por reformas e ampliações, porém mantendo sua arquitetura e modelo original. 
Geografia
A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 909,039 km², sendo que 6,9 km² constituem a zona urbana. Situa-se a 19°31'07" de latitude sul e 41°57'00" de longitude oeste e está a uma distância de 181 quilômetros a noroeste da capital capixaba. e está a uma distância de 186 quilômetros a oeste da Vitória. Seus municípios limítrofes são Pancas, a norte; Resplendor, a noroeste; Aimorés e Itueta, a oeste; Laranja da Terra, a sul; e Colatina e Itaguaçu, a leste. 
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Colatina.[15] Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Colatina, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Noroeste Espírito-Santense. 
Relevo
O relevo do município de Baixo Guandu é predominantemente ondulado. Aproximadamente 50 % do território guanduense é coberto por áreas onduladas, 33 % são mares de morros ou acidentados, 12 % são terras planas e 5 % zonas escarpadas. 
Altitude
A altitude máxima chega aos 900 metros, enquanto que a altitude da sede é de 77 metros. 
Solo
O solo é do tipo latossolo vermelho-amarelo, distrófico, com fertilidade média e acidez moderada, sendo o pH em torno de 5. 
Hidrografia
Influenciado pelas condições geológicas, geomorfológicas e pedológicas, o município conta com uma considerável variedade de rios e riachos de pequeno ou médio porte, com leitos bem encaixados e muitos nascendo dentro do próprio território. Grande parte desses mananciais menores são importantes para a agricultura, uma vez que as águas são usadas para irrigação. Porém alguns deles estão sujeitos à diminuição da capacidade em decorrência de períodos de estiagem prolongados. Os principais cursos d’água que compõem a rede de drenagem guanduense são os rios Doce, Guandu, Laje e Mutum. 
Vegetação
A vegetação original do território do município é a Mata Atlântica em transição com cerrado. No entanto, a região de Baixo Guandu vem observando, há décadas, profundas transformações ambientais oriundas, principalmente, de um intenso processo de atividades extrativas minerais e do desmatamento objetivando a expansão agropecuária. Isso gerou e segue favorecendo uma grande mudança paisagística, reduzindo áreas verdes de vegetação nativa em pequenos fragmentos em meio a áreas abertas de pastagem. A grande maioria dessas áreas fragmentadas encontra-se protegida por meio de unidades de conservação públicas ou particulares, por intermédio de regras exigidas pelo poder público quanto ao licenciamento ambiental. Também foram criados programas de reflorestamento e houve a elaboração de cinturões verdes. 
Clima
O clima guanduense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual em torno dos 25 °C, tendo invernos amenos e verões úmidos com temperaturas altas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de 28 °C, enquanto que o mês mais frio, julho, possui média de 22 °C. Outono e primavera são estações de transição. O índice pluviométrico anual é de aproximadamente 900 mm, sendo julho o mês mais seco e dezembro o mais chuvoso. 
Apesar das temperaturas elevadas na maior parte do ano, as mínimas nos dias mais frios podem atingir marcas próximas ou mesmo abaixo dos 10 °C de forma pontual. Em localidades rurais, como Alto Mutum Preto, Mutum Claro e Alto Lage, podem até mesmo chegar aos 5 °C em eventos pontuais. As precipitações caem principalmente sob a forma de chuva e, esporadicamente, de granizo, com registro desse fenômeno nos dias 20 de outubro de 2014 e 4 de outubro de 2022, provocando danos em casas e estabelecimentos e falta de energia elétrica. 
Na década de 2010, a cidade enfrentou extremos climáticos envolvendo tempestades severas e seca. Durante o ano de 2013, choveu 1.478 mm em Baixo Guandu segundo uma medição do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). Em dezembro daquele ano, a cidade foi atingida por enchentes de grandes proporções provocadas pelas chuvas intensas e contínuas, ocasionando mortes e prejuízos econômicos. Contudo, de 2014 a 2019, o município foi afetado por uma sequência de anos seguidos de chuvas irregulares, prejudicando principalmente a agricultura e a pecuária. Durante esse período foi observado um déficit de chuvas de 1.200 mm. 
De acordo com a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), com dados coletados na estação pluviométrica Baixo Guandu de 1941 a 2022, o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas foi de 136,6 mm no dia 14 de abril de 1980. Outros grandes acumulados foram de 133,3 mm em 24 de dezembro de 2013, 117,8 mm em 3 de fevereiro de 2002 e 111,4 mm em 3 de fevereiro de 1980. Na estação Ibituba, de 1967 a 2022, o maior acumulado foi de 107,4 mm em 25 de outubro de 1990. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Baixo Guandu é o 57º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado do Espírito Santo, com uma média anual de 1,5301 raios por quilômetro quadrado.
Etnia
A composição étnica do município foi bastante influenciada pela chegada de imigrantes oriundos de vários países da Europa entre os séculos XIX e XX, em especial italianos. Em 2010, segundo dados do censo do IBGE daquele ano, a população guanduense era composta por 11 827 brancos (40,67%); 1 970 negros (6,77%); 107 amarelos (0,37%); 15 148 pardos (52,09%); 25 indígenas (0,09%); e quatro sem declaração. Considerando-se a região de nascimento, 28 457 eram nascidos na Região Sudeste (97,85%), 318 na Região Nordeste (1,09%), 69 no Norte (0,24%), 31 no Centro-Oeste (0,11%) e 22 no Sul (0,08%). 22 425 habitantes eram naturais do estado de Espírito Santo (77,21%) e, desse total, 16 639 eram nascidos em Baixo Guandu (57,22%). Entre os 6 656 naturais de outras unidades da federação, Minas Gerais era o estado com maior presença, com 5 776 pessoas (19,86%), seguido pelo Rio de Janeiro, com 211 residentes (0,73%), e pela Bahia, com 188 habitantes residentes no município (0,65%).
Subdivisões
Administrativamente, o município é subdividido em quatro distritos, além da sede, sendo eles Alto Mutum Preto, Ibituba, Quilômetro 14 do Mutum e Vila Nova do Bananal. O distrito-sede era o mais populoso, reunindo 25.362 habitantes no ano de 2022, segundo o IBGE, seguido por Ibituba, com 1.702 pessoas.[4] A cidade também se divide em 15 bairros oficiais, segundo a prefeitura em 2013, sendo eles: Alto Guandu, Centro, Industrial, Mauá, Operário, Residencial Ricardo Holz, Rosário I, Rosário II, Santa Mônica, São José, São Pedro, São Vicente, Sapucaia, Val Paraíso e Vila Kennedy.
Economia
Setor primário

Baixo Guandu é uma pequena cidade que se destaca pela alta regularidade das vendas no ano.
A pecuária e a agricultura representam o setor menos relevante na economia de Baixo Guandu.
Na lavoura temporária são produzidos principalmente a cana-de-açúcar, o milho e a mandioca, além do tomate, arroz e feijão. Já na lavoura permanente destacam-se o café, o coco e a banana, sendo cultivados ainda cacau, goiaba, laranja e manga. 
Setores secundário e terciário
As principais indústrias guanduenses estão relacionadas ao açúcar, café, embalagens de material plástico, segmentos de temperos e condimentos, calcário e mármore. 
O comércio sempre foi uma das principais fontes de renda da cidade e se vê fortalecido desde a época da chegada da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), sendo que, juntamente com o setor de prestação de serviços, foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento social e econômico observado nos últimos anos. Há uma considerável presença de micro e pequenas empresas. 
De janeiro a fevereiro de 2026, foram registradas 400 admissões formais e 418 desligamentos, resultando em um saldo negativo de -18 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de -76.
Até março de 2026 houve registro de 3 novas empresas em Baixo Guandu, sendo que uma delas atua pela internet. Neste último mês, uma nova empresa se instalou na cidade. Este desempenho é maior que o do mês imediatamente anterior (0). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 134 empresas.
Infraestrutura
Educação

Na área da educação, o município tem investido na modernização de suas escolas municipais e estaduais. Um destaque é a proximidade e parceria com o IFES (Instituto Federal do Espírito Santo) de cidades vizinhas, que permite a qualificação técnica dos jovens locais. Baixo Guandu também conta com polos de educação à distância que democratizaram o acesso ao ensino superior, focando em áreas como pedagogia e administração rural.
Com o desenvolvimento industrial, o governo municipal, em parceria com o Governo Federal e a Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), oferece cursos de qualificação e capacitação técnica, auxiliando na formação de mão de obra especializada. Também vem sendo estudada a implantação de uma unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) no município. 
Transportes
Desde o começo do século XX, Baixo Guandu conta com transporte ferroviário da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), tendo saídas diárias ligando Belo Horizonte a Vitória. A estação ferroviária da cidade foi inaugurada em 1º de junho de 1910, sendo que hoje a EFVM é a via de viagem mais barata e segura possível para as cidades que contam com estações.
Duas rodovias passam por Baixo Guandu, sendo elas a BR-474 (que interliga o Espírito Santo, a região do Vale do Rio Doce, a Região Metropolitana do Vale do Aço e a Zona da Mata Mineira); a Rodovia Desembargador Lourival de Almeida (liga Baixo Guandu a Laranja da Terra); a ES-446 (liga Baixo Guandu à Rodovia Isidoro Binda e, posteriormente, a Itaguaçu, Colatina e ao litoral); e a Rodovia Pedro Nolasco (principal ligação de Baixo Guandu a Colatina, à BR-101 e ao litoral). 
Também possui um pequeno aeródromo, o Aeroporto de Baixo Guandu/Aimorés, que situa-se em Baixo Guandu, próximo à divisa com Aimorés, mas é administrado pela prefeitura das duas cidades. Foi construído entre 1967 e 1968 e está restrito para operação de aeronaves de pequeno porte e em voo livre, mas especula-se uma reforma no aeroporto, que deverá contar com pátio com gates e parkim para aviões de pequeno e médio porte. 
Cultura
Manifestações culturais

Para estimular o desenvolvimento socioeconômico local, a prefeitura de Baixo Guandu, juntamente ou não com instituições locais, passou a investir mais no segmento de festas e eventos. Os principais eventos são as comemorações do aniversário da cidade, em abril (com a realização de shows, exposições, espetáculos culturais, campeonatos esportivos e sorteios); o Rodeio de Baixo Guandu, em junho (organizado desde 2002, com a realização de shows e exposições); a festa de São Pedro, padroeiro municipal, em junho; as festas juninas, em junho ou julho; a ExpoGuandu, em setembro ou outubro (com shows, feiras de artesanato, concursos e expositores de animais e produtos agrícolas); as comemorações do dia das crianças, em 12 de outubro; e as celebrações de Natal e Reveillon, em dezembro. 
O artesanato também é uma das formas mais espontâneas da expressão cultural guanduense. Há associações que reúnem artesãos da região, disponibilizando espaço para confecção, exposição e venda dos produtos artesanais. Normalmente essas peças são vendidas em feiras, exposições ou lojas de artesanato, sendo que por vezes o artesanato municipal é destaque em feiras e exposições com relevância nacional. Segundo o IBGE, as principais atividades artesanais desenvolvidas em Baixo Guandu eram o bordado, trabalhos com argila e construção de produtos envolvendo material reciclável. 
Instituições e atrativos
Dentre os espaços culturais, destaca-se a existência de uma biblioteca pública e dois estádios ou ginásios poliesportivos, segundo o IBGE em 2005. Também há presença de bandas e grupos de capoeira. No ano de 2006, a cidade tombou o Edifício Madame Albertina Holz, importante edifício do início do século XX, localizado no município de estilo eclético com elementos de neoclássico. Apesar do tombamento, que pretendia a conversação do imóvel e a conversão do mesmo em um museu com biblioteca, o local permaneceu abandonado por um tempo, sendo um importante pedaço da história da cidade e de seu desenvolvimento. Em julho de 2024, o local foi reinaugurado após passar por restauro e aberto como museu. 
Baixo Guandu faz parte da Região Turística Doce Pontões Capixaba, que foi criada em 2009 pela Secretaria de Turismo do Espírito Santo com o objetivo de estimular as manifestações culturais e o turismo ecológico na região das cidades integrantes. Os principais atrativos naturais guanduenses são as cachoeiras, situadas na zona rural, e as formações rochosas, cujo relevo favorece escaladas e saltos. Além disso, em 8 de novembro de 2020, foi inaugurado o Parque Municipal da Lagoa, uma área verde de cerca de 124 mil m² equipada com pistas de caminhada, parques infantis, quiosques, restaurante e uma lagoa com pedalinhos e plataforma de madeira. 
Feriados
Em Baixo Guandu há três feriados municipais e oito feriados nacionais, além dos pontos facultativos. Os feriados são o dia do aniversário da cidade, comemorado em 10 de abril; o dia de Corpus Christi, celebrado em data móvel em maio ou junho; e o dia de São Pedro, padroeiro municipal, em 29 de junho. De acordo com a Lei Federal n.º 9.093, aprovada em 12 de setembro de 1995, os municípios podem ter no máximo quatro feriados municipais com âmbito religioso, já incluída a Sexta-feira Santa.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Caravela .