Lavras da Mangabeira é um município brasileiro do estado do Ceará. A cidade é conhecida por seu ponto turístico (o Boqueirão de Lavras) e por ser a terra de Dona Fideralina Augusto, figura de destaque do coronelismo nordestino. Os seus maiores representantes na área da cultura são os músicos Gilberto Milfont, Francisco Araujo e Nonato Luiz, as artistas plásticas Sinhá d'Amora e Rosa Firmo Beserra Gomes, e os escritores Filgueiras Lima, João Clímaco Bezerra, Joaryvar Macedo, Dimas Macedo, Linhares Filho e Cristina Maria Couto. Conforme estimativas do IBGE para o ano de 2025, a população do município era de 32.163 habitantes. Sua área territorial é de 947,957 km².
O topônimo Lavras da Mangabeira é uma alusão à mineração de ouro em meados do século XVIII, e o nome da árvore abundante na região, a mangabeira (Hancornia speciosa). Sua denominação original era São Vicente Ferrer de Lavras de Mangabeira, depois São Vicente das Lavras, Lavras e, desde 1911, Lavras da Mangabeira.
História
As terras localizadas às margens do Jaguaribe-Mirim ou rio Salgado, eram habitadas pelos índios de diversa etnias tais como os Kariri, os Guariús.
Com a definitiva colonização do território de Ceará no século XVII, passaram a chegar diversas entradas e bandeiras na região dos índios Cariris. Os integrantes das entradas, militares e religiosos, mantiveram os primeiros contatos com os nativos, estudaram as tribos, catequizaram os indígenas e os agruparam em aldeamentos ou missões.
Os resultados destes contatos e descobrimentos desencadearam notícias que na região das Minas de São José dos Cariris Novos (atual município de Missão Velha), tinha ouro em abundância e em seguida desencadeou-se uma verdadeira corrida para os sertões brasileiros, onde famílias oriundas de Portugal, sonhando com as riquezas de terras inexploradas e com a esperança de encontrar o minério, que as levariam a aumentar o seu patrimônio material, além de aumentar o seu prestigio pessoal com a corte portuguesa.
A busca do metal precioso, nas ribanceiras do Rio Salgado, trouxe para a região do Sertão do Cariri, a colonização e com consequência a doação de sesmarias, o que permitiu o surgimento de lugarejos e vilas.
A febre do ouro durou até a segunda metade do século XVII. Várias prospecções se realizaram, porém em vão, uma vez que a extração de referido minério se tornou onerosa às Cortes de Lisboa, que determinaram a sua suspensão, em 2 de setembro de 1758.
Essas aventuras auríferas que se fizeram, entre outros, nos sítios Fortuna, Oiteiro, Barreiros e Morros Dourados e, especialmente, no lugar denominado Boqueirão de Lavras; a criação da capela de São Vicente Férrer, foram as bases que deram início ao centro urbano que hoje chama-se Lavras da Mangabeira.
Com a expansão da Estrada de Ferro de Baturité até a cidade do Crato, em 1917, no município de Lavras da Mangabeira, foram inauguradas três estações de trem (Arrojado, antigo Paino); na cidade de Lavras; e em Iborepi (antigo Riacho Fundo). Esta malha ferroviária representou o impulso para a economia local, principalmente porque a partir da estação de Paino ou Arrojado, o Ceará ficou ligado à Paraíba via o Ramal da Paraíba.
Famílias que vieram a Lavras da Mangabeira em busca do ouro, estabeleceram-se de modo a constituir essa cidade e consolidar sua própria história. Buscando conservar seu sangue, herança genética e seus sobrenomes, mantiveram uniões entre certas famílias e podem ser observados como verdadeiros clãs, que ainda hoje conservam esses padrões e moram ou mantém fortíssimas ligações com a cidade e entre sua família.
Formação Administrativa
Distrito criado com a denominação de São Vicente Ferrer de Lavras de Mangabeira, por Resolução Régia, de 30 de agosto de 1813.
Elevado à categoria de vila com a denominação de São Vicente das Lavras, por Resolução Régia de 20 de maio de 1816, desmembrado de Icó. Sede na povoação de São Vicente Ferrer de Lavras de Mangabeira. Instalado em 08 de janeiro de 1818.
Pelo Ato Provincial de 17de março de 1872, é criado o distrito de São Francisco e anexado a vila de São Vicente das Lavras de Mangabeira.
Elevado à condição de cidade com a denominação São Vicente das Lavras, pela Lei Provincial n.º 2.075, de 20 de agosto de 1884.
Pelo Ato de 27 de julho de 1904, é criado o distrito de São José e anexado ao município de São Vicente Ferrer de Lavras de Mangabeira.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município denomina-se simplesmente Lavras é constituído de 3 distritos: Lavras, São Francisco e São José.
Pelo Decreto Estadual n.º 1.156, de 04 de dezembro de 1933, são criados os distritos de Paiano, Riacho Fundo e anexados ao município de Lavras.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de 5 distritos: Lavras, Paiano, Riacho Fundo, São Francisco e São José.
Pelo Decreto Estadual n.º 135, de 20 de setembro de 1935, o município de Lavras adquiriu o distrito de Ouro Branco do município de Baixio.
Em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, o município é constituído de 6 distritos: Lavras, Ouro Branco, Paiano, Riacho Fundo, São Francisco e São José.
Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 448, de 20 de dezembro de 1938, o distrito de São Francisco passou a denominar-se Rosário, o distrito São José a denominar-se Mangabeiras e Paiano a denominar-se Arrojado.
No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município de Lavras é constituído de 6 distritos: Lavras, Arrojado (ex Paiano), Mangabeiras (ex São José), Ouro Branco, Riacho Fundo, Rosário (ex São Francisco).
Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 1.114, de 30 de dezembro de 1943, o município de Lavras passou a denominar-se Lavras da Mangabeira, o distrito de Riacho Fundo a denominar-se Iborepi, Rosário a denominar-se Quitaiús e Ouro Branco a denominar-se Amaniutuba.
Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1950, o município é constituído de 6 distritos: Lavras da Mangabeira, Amaniutuba (ex Ouro Branco), Arrojado, Iborepi (ex Riacho Fundo), Mangabeira e Quitaius (ex Rosário).
Pela Lei Estadual n.º 6.621, de 26 de setembro de 1963, é desmembrado do município de Lavras da Mangabeira o distrito de Mangabeira. Elevado à categoria de município.
Pela Lei Estadual n.º 6.622, de 26 de setembro de 1963, é desmembrado do município de Lavras da Mangabeira o distrito de Amaniutuba. Elevado à categoria de município.
Pela Lei Estadual n.º 6.962, de 19 de dezembro de 1963, é desmembrado do município de Lavras da Mangabeira o distrito de Arrojado. Elevado à categoria de município.
Pela Lei Estadual n.º 6.969, de 19 de dezembro de 1963, desmembrado do município de Lavras da Mangabeira o distrito de Quitaiús. Elevado à categoria de município.
Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1963, o município é constituído de 2 distritos: Lavras de Mangabeira e Iborepi.
Pela Lei Estadual n.º 8.339, de 14 de dezembro de 1965, o município de Lavras de Mangabeira adquiriu os extintos municípios de Amaniutuba, Arrojado, Mangabeira e Quitaiús como distritos, pois foram criados e não instalados.
Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1968, o município é constituído de 6 distritos: Lavras de Mangabeira, Amaniutuba, Arrojado, Iborepi, Mangabeira e Quitaiús.
Assim permanecendo em divisão territorial datada 2007.
Geografia
Clima
Em Lavras da Mangabeira, a estação com precipitação é quente, abafada e de céu quase encoberto; a estação seca é escaldante, de ventos fortes e de céu parcialmente encoberto. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 20 °C a 38 °C e raramente é inferior a 18 °C ou superior a 39 °C.
A melhor época do ano para visitar Lavras da Mangabeira e realizar atividades de clima quente é do início de junho ao meio de setembro.
A estação quente permanece por 3,5 meses, de 4 de setembro a 18 de dezembro, com temperatura máxima média diária acima de 37 °C. O mês mais quente do ano em Lavras da Mangabeira é novembro, com a máxima de 38 °C e mínima de 24 °C, em média.
A estação fresca permanece por 2,8 meses, de 10 de março a 4 de junho, com temperatura máxima diária em média abaixo de 32 °C. O mês mais frio do ano em Lavras da Mangabeira é abril, com a mínima de 22 °C e máxima de 31 °C, em média.
Em Lavras da Mangabeira, a porcentagem média de céu encoberto por nuvens sofre significativa variação sazonal ao longo do ano.
A época menos encoberta do ano em Lavras da Mangabeira começa por volta de 31 de maio e dura 4,6 meses, terminando em torno de 18 de outubro.
O mês menos encoberto do ano em Lavras da Mangabeira é julho, durante o qual, em média, o céu está sem nuvens, quase sem nuvens ou parcialmente encoberto 73% do tempo.
A época mais encoberta do ano começa por volta de 18 de outubro e dura 7,4 meses, terminando em torno de 31 de maio.
O mês mais encoberto do ano em Lavras da Mangabeira é abril, durante o qual, em média, o céu está encoberto ou quase encoberto 70% do tempo.
Hidrografia e recursos hídricos
As principais fontes de água fazem parte da bacia do rio Salgado, sendo as principais os riachos São Lourenço, do Meio, do Machado, das Pombas, das Pimentas, Unha de Gato e Extremo de Cima, do Mês, do Rosário e outros tantos. Existem 192 açudes, sendo os de grande porte os açude: do Rosário, da Extrema, Pau Amarelo, Três Irmãos.
Relevo e solos
As terras de Lavras da Mangabeira fazem parte da Depressão Sertaneja. As principais elevações possuem altitudes entre 200 e 500 metros acima do nível do mar. Com solos que apresentam rochas do embasamento cristalino pré-cambriano, representadas por gnaisses e migmatitos diversos, xistos, filitos e metacalcários. Sobre esse substrato repousam rochas sedimentares (conglomerados, arenitos, siltitos, folhelhos e calcários) do mesozoico.
Vegetação
A vegetação é bastante diversificada: caatinga arbustiva densa, caatinga arbustiva aberta, floresta caducifólia espinhosa e mata ciliar (floresta mista dicótilo-palmácea) ao longo dos cursos hídricos. Também há uma pequena área de cerrado no alto do Boqueirão do Rio Salgado.
Subdivisão
O município é dividido em seis distritos: Lavras de Mangabeira (sede), Amaniutuba (ex-Ouro Branco), Arrojado, Iborepi, Mangabeira e Quitaiús.
Geologia
Recursos minerais
Entre as cidades de Lavras da Mangabeira e Farias Brito, existem dois garimpos desativados de ouro. No garimpo localizado próximo à Lavras da Mangabeira, a mineralização ocorre como grãos de ouro disseminados em veios de quartzo leitoso com pirita em gnaisses do Complexo Arábia. No garimpo do Sítio Fortuna, a nordeste de Farias Brito, a mineralização de ouro está associada a veios de quartzo piritosos que cortam os xistos da Formação Independência do Grupo Ceará.
Aspectos socioeconômicos
A maior concentração populacional encontra-se na zona rural. A sede do município dispõe de abastecimento de água, fornecimento de energia elétrica, serviço telefônico, agência de correios e telégrafos, serviço bancário, hospitais, hotéis e ensino de 1º e 2º grau.
A partir de Fortaleza, o acesso ao município pode ser feito por via terrestre através da rodovia Fortaleza/Russas/Icó/Ipaumirim (BR 116) e a rodovia Lavras da Mangabeira/Várzea Alegre/Farias Brito/Crato (BR 230, a mesma Transamazônica que começa em Cabedelo e vai até à Amazônia). As demais vilas, lugarejos, sítios e fazendas são acessíveis (com franco acesso durante todo o ano) através de estradas estaduais, sendo elas rodovias asfaltadas ou estradas carroçáveis.
Lavras da Mangabeira é uma pequena cidade que se destaca por apresentar novas oportunidades de negócios e pela alta regularidade das vendas no ano.
A economia local está assim baseada:
- Agricultura: algodão arbóreo e herbáceo, banana, milho, feijão e arroz;
- Pecuária: bovinos, suínos e avícola;
- Indústria: oito indústrias, sendo quatro de produtos alimentares, uma de química, uma de produtos minerais não metálicos, duas de vestuário, calçados e artigos de tecidos, couros e peles.
Em janeiro de 2026, foram registradas 50 admissões formais e 47 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 3 novos trabalhadores. Este desempenho é inferior ao do ano passado, quando o saldo foi de 54.
Até fevereiro de 2026 houve registro de 2 novas empresas em Lavras da Mangabeira, sendo que a maioria delas atua com estabelecimento fixo. Neste último mês, uma nova empresa se instalou na cidade. Este desempenho é igual ao do mês imediatamente anterior (1). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 43 empresas.
Educação
Na área da Educação, Lavras da Mangabeira conta com uma rede municipal e estadual que cobre tanto a sede quanto os distritos. O município tem investido na modernização das escolas e no transporte escolar, superando os desafios das distâncias rurais. A proximidade com centros universitários no Cariri (Juazeiro do Norte e Crato) permite que os jovens busquem o ensino superior, mantendo, porém, o vínculo com a cidade de origem.
Turismo
O turismo também movimenta a cidade devido as suas belezas naturais, com destaque especial ao Boqueirão e a sua gruta, que além de ser um local de imensa beleza, é um objeto de estudo que recebe estudiosos e diversas escolas do interior do estado, para conhecer sua impressionante formação geográfica e histórica, sendo um alvo de lendas que compõe a história da cidade.
O turismo em Lavras da Mangabeira é predominantemente ecológico e histórico.
O Boqueirão do Rio Salgado é o principal cartão-postal. As formações rochosas milenares atraem geólogos, fotógrafos e aventureiros. No período das chuvas, o encontro das águas com as rochas cria um cenário de força bruta da natureza.
A Gruta do Boqueirão é um local cercado de misticismo e lendas locais, muito visitado por turistas que buscam contato direto com as formações naturais.
O centro da cidade ainda preserva casarões e igrejas que remetem ao poder das famílias fundadoras, oferecendo um passeio pela história do Ceará Imperial.
A festa do padroeiro, São Vicente Ferrer, em abril, é o ponto alto do calendário cultural, unindo a fé cristã às tradições festivas do sertão.
Lavras da Mangabeira é a prova de que o sertão cearense guarda segredos monumentais. Entre o eco do Rio Salgado nas pedras do Boqueirão e o doce da fruta mangaba, a cidade segue firme como uma das joias geográficas do Nordeste.
Cultura
Os principais eventos culturais são: a festa do padroeiro, São Vicente Ferrer (5 de abril), e a SEACE (Semana de Arte Cultura e Esportes), comemorada todo ano na semana de aniversário da cidade (20 de agosto). Vale destacar também as festas dos padroeiros dos distritos, como São José em Amanuituba e São Francisco copadroeiro, São Sebastião em Mangabeira, Nossa Senhora do Rosário em Quitaius, Coração de Jesus em Arrojado que também comemora o São Pedro, e Nossa Senhora das Candeias em Iborepi. Alguns nomes da música em Lavras da Mangabeira animam os finais de semanas, como Viquinho e seus teclados, Rosivan, Nailton, Ciço Lifrat, Juscelino, Ivo Teles & Darly, Luis Seresteiro, Forrozão Gata Moral. Poetas como Zé Teles, Manoel de Mundoca, Mundoquinha, Zael de Besouro, Valdir Teles, e o poeta Joca do Arrojado e seu neto Arthur Antunes (o maior compositor de Lavras da Mangabeira) enriquecem a cultura lavrense. Outros saíram de Lavras (Distrito de Mangabeira), mas continuam ligados ao município, como é o caso do acordeonista, cantor e compositor Matheus Ribeiro, que atualmente reside em Fortaleza e tem levado por onde passa o nome de sua cidade natal, compondo até canções onde fala de suas raízes.
Esportes
O esporte, principalmente o futebol é uma das maiores paixões do Lavrense. Tiveram grandes equipes e jogadores ao longo de sua existência. Com destaque para a equipe do Montilla que, desde 1997 vem sendo um ícone do futebol amador da região, conquistando vários títulos ao longo de sua existência.
O Montilla F. C. é atualmente Pentacampeão de Lavras da Mangabeira, sendo o maior também em títulos municipais, como também conquistando os principais títulos nos municípios circunvizinhos, como Várzea Alegre, Cedro, Aurora e no vizinho estado da Paraíba.
Existem outras equipes que rivalizam com o Montilla, como o Cruzeiro (Tri-Campeão Lavrense), ALFA (Leomar Bezerra), o Meia Lua (Campeão) e o Padre Cícero (Campeão). Também vale destacar a força das equipes dos distritos como o Iborepi, Amaniutuba, Mangabeira, Arrojado, Quitaiús, e também da zona rural, como o Nacional das Melancias, o Guarani do Boqueirão, o Botafogo da Carnaúba. Grandes jogadores fizeram história no nosso município, como José Alves, Cabo Bené, Jandismar (João da Bomba), Neném Alves, Audizio, Bim, Danda, Fanca, Dr. Tavinho (ex-prefeito da cidade), Gerácio e Leonardo (Sendo estes dois os primeiros a atuarem como profissionais), Dr. Mirialdo, Vicente de Tereza, Francisco Holanda (Rapaizão), Tatal Zógob, Magela, Gilmar, Zé Nailton, Paulinho, Tim, Basto, Hamilton, Filho, Diassis, Danilé, Geraldino, Dé (Goleiro) entre outros.
O Futsal é uma das bases sociais na infância do Lavrense. Gato Preto e Cipreg foram duas grandes equipes e famosas na região, mas hoje não tem nenhum clube registrado. Atualmente a cidade envia apenas a seleção municipal para jogos representativos.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .
O topônimo Lavras da Mangabeira é uma alusão à mineração de ouro em meados do século XVIII, e o nome da árvore abundante na região, a mangabeira (Hancornia speciosa). Sua denominação original era São Vicente Ferrer de Lavras de Mangabeira, depois São Vicente das Lavras, Lavras e, desde 1911, Lavras da Mangabeira.
História
As terras localizadas às margens do Jaguaribe-Mirim ou rio Salgado, eram habitadas pelos índios de diversa etnias tais como os Kariri, os Guariús.
Com a definitiva colonização do território de Ceará no século XVII, passaram a chegar diversas entradas e bandeiras na região dos índios Cariris. Os integrantes das entradas, militares e religiosos, mantiveram os primeiros contatos com os nativos, estudaram as tribos, catequizaram os indígenas e os agruparam em aldeamentos ou missões.
Os resultados destes contatos e descobrimentos desencadearam notícias que na região das Minas de São José dos Cariris Novos (atual município de Missão Velha), tinha ouro em abundância e em seguida desencadeou-se uma verdadeira corrida para os sertões brasileiros, onde famílias oriundas de Portugal, sonhando com as riquezas de terras inexploradas e com a esperança de encontrar o minério, que as levariam a aumentar o seu patrimônio material, além de aumentar o seu prestigio pessoal com a corte portuguesa.
A busca do metal precioso, nas ribanceiras do Rio Salgado, trouxe para a região do Sertão do Cariri, a colonização e com consequência a doação de sesmarias, o que permitiu o surgimento de lugarejos e vilas.
A febre do ouro durou até a segunda metade do século XVII. Várias prospecções se realizaram, porém em vão, uma vez que a extração de referido minério se tornou onerosa às Cortes de Lisboa, que determinaram a sua suspensão, em 2 de setembro de 1758.
Essas aventuras auríferas que se fizeram, entre outros, nos sítios Fortuna, Oiteiro, Barreiros e Morros Dourados e, especialmente, no lugar denominado Boqueirão de Lavras; a criação da capela de São Vicente Férrer, foram as bases que deram início ao centro urbano que hoje chama-se Lavras da Mangabeira.
Com a expansão da Estrada de Ferro de Baturité até a cidade do Crato, em 1917, no município de Lavras da Mangabeira, foram inauguradas três estações de trem (Arrojado, antigo Paino); na cidade de Lavras; e em Iborepi (antigo Riacho Fundo). Esta malha ferroviária representou o impulso para a economia local, principalmente porque a partir da estação de Paino ou Arrojado, o Ceará ficou ligado à Paraíba via o Ramal da Paraíba.
Famílias que vieram a Lavras da Mangabeira em busca do ouro, estabeleceram-se de modo a constituir essa cidade e consolidar sua própria história. Buscando conservar seu sangue, herança genética e seus sobrenomes, mantiveram uniões entre certas famílias e podem ser observados como verdadeiros clãs, que ainda hoje conservam esses padrões e moram ou mantém fortíssimas ligações com a cidade e entre sua família.
Formação Administrativa
Distrito criado com a denominação de São Vicente Ferrer de Lavras de Mangabeira, por Resolução Régia, de 30 de agosto de 1813.
Elevado à categoria de vila com a denominação de São Vicente das Lavras, por Resolução Régia de 20 de maio de 1816, desmembrado de Icó. Sede na povoação de São Vicente Ferrer de Lavras de Mangabeira. Instalado em 08 de janeiro de 1818.
Pelo Ato Provincial de 17de março de 1872, é criado o distrito de São Francisco e anexado a vila de São Vicente das Lavras de Mangabeira.
Elevado à condição de cidade com a denominação São Vicente das Lavras, pela Lei Provincial n.º 2.075, de 20 de agosto de 1884.
Pelo Ato de 27 de julho de 1904, é criado o distrito de São José e anexado ao município de São Vicente Ferrer de Lavras de Mangabeira.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município denomina-se simplesmente Lavras é constituído de 3 distritos: Lavras, São Francisco e São José.
Pelo Decreto Estadual n.º 1.156, de 04 de dezembro de 1933, são criados os distritos de Paiano, Riacho Fundo e anexados ao município de Lavras.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de 5 distritos: Lavras, Paiano, Riacho Fundo, São Francisco e São José.
Pelo Decreto Estadual n.º 135, de 20 de setembro de 1935, o município de Lavras adquiriu o distrito de Ouro Branco do município de Baixio.
Em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, o município é constituído de 6 distritos: Lavras, Ouro Branco, Paiano, Riacho Fundo, São Francisco e São José.
Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 448, de 20 de dezembro de 1938, o distrito de São Francisco passou a denominar-se Rosário, o distrito São José a denominar-se Mangabeiras e Paiano a denominar-se Arrojado.
No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município de Lavras é constituído de 6 distritos: Lavras, Arrojado (ex Paiano), Mangabeiras (ex São José), Ouro Branco, Riacho Fundo, Rosário (ex São Francisco).
Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 1.114, de 30 de dezembro de 1943, o município de Lavras passou a denominar-se Lavras da Mangabeira, o distrito de Riacho Fundo a denominar-se Iborepi, Rosário a denominar-se Quitaiús e Ouro Branco a denominar-se Amaniutuba.
Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1950, o município é constituído de 6 distritos: Lavras da Mangabeira, Amaniutuba (ex Ouro Branco), Arrojado, Iborepi (ex Riacho Fundo), Mangabeira e Quitaius (ex Rosário).
Pela Lei Estadual n.º 6.621, de 26 de setembro de 1963, é desmembrado do município de Lavras da Mangabeira o distrito de Mangabeira. Elevado à categoria de município.
Pela Lei Estadual n.º 6.622, de 26 de setembro de 1963, é desmembrado do município de Lavras da Mangabeira o distrito de Amaniutuba. Elevado à categoria de município.
Pela Lei Estadual n.º 6.962, de 19 de dezembro de 1963, é desmembrado do município de Lavras da Mangabeira o distrito de Arrojado. Elevado à categoria de município.
Pela Lei Estadual n.º 6.969, de 19 de dezembro de 1963, desmembrado do município de Lavras da Mangabeira o distrito de Quitaiús. Elevado à categoria de município.
Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1963, o município é constituído de 2 distritos: Lavras de Mangabeira e Iborepi.
Pela Lei Estadual n.º 8.339, de 14 de dezembro de 1965, o município de Lavras de Mangabeira adquiriu os extintos municípios de Amaniutuba, Arrojado, Mangabeira e Quitaiús como distritos, pois foram criados e não instalados.
Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1968, o município é constituído de 6 distritos: Lavras de Mangabeira, Amaniutuba, Arrojado, Iborepi, Mangabeira e Quitaiús.
Assim permanecendo em divisão territorial datada 2007.
Geografia
Clima
Em Lavras da Mangabeira, a estação com precipitação é quente, abafada e de céu quase encoberto; a estação seca é escaldante, de ventos fortes e de céu parcialmente encoberto. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 20 °C a 38 °C e raramente é inferior a 18 °C ou superior a 39 °C.
A melhor época do ano para visitar Lavras da Mangabeira e realizar atividades de clima quente é do início de junho ao meio de setembro.
A estação quente permanece por 3,5 meses, de 4 de setembro a 18 de dezembro, com temperatura máxima média diária acima de 37 °C. O mês mais quente do ano em Lavras da Mangabeira é novembro, com a máxima de 38 °C e mínima de 24 °C, em média.
A estação fresca permanece por 2,8 meses, de 10 de março a 4 de junho, com temperatura máxima diária em média abaixo de 32 °C. O mês mais frio do ano em Lavras da Mangabeira é abril, com a mínima de 22 °C e máxima de 31 °C, em média.
Em Lavras da Mangabeira, a porcentagem média de céu encoberto por nuvens sofre significativa variação sazonal ao longo do ano.
A época menos encoberta do ano em Lavras da Mangabeira começa por volta de 31 de maio e dura 4,6 meses, terminando em torno de 18 de outubro.
O mês menos encoberto do ano em Lavras da Mangabeira é julho, durante o qual, em média, o céu está sem nuvens, quase sem nuvens ou parcialmente encoberto 73% do tempo.
A época mais encoberta do ano começa por volta de 18 de outubro e dura 7,4 meses, terminando em torno de 31 de maio.
O mês mais encoberto do ano em Lavras da Mangabeira é abril, durante o qual, em média, o céu está encoberto ou quase encoberto 70% do tempo.
Hidrografia e recursos hídricos
As principais fontes de água fazem parte da bacia do rio Salgado, sendo as principais os riachos São Lourenço, do Meio, do Machado, das Pombas, das Pimentas, Unha de Gato e Extremo de Cima, do Mês, do Rosário e outros tantos. Existem 192 açudes, sendo os de grande porte os açude: do Rosário, da Extrema, Pau Amarelo, Três Irmãos.
Relevo e solos
As terras de Lavras da Mangabeira fazem parte da Depressão Sertaneja. As principais elevações possuem altitudes entre 200 e 500 metros acima do nível do mar. Com solos que apresentam rochas do embasamento cristalino pré-cambriano, representadas por gnaisses e migmatitos diversos, xistos, filitos e metacalcários. Sobre esse substrato repousam rochas sedimentares (conglomerados, arenitos, siltitos, folhelhos e calcários) do mesozoico.
Vegetação
A vegetação é bastante diversificada: caatinga arbustiva densa, caatinga arbustiva aberta, floresta caducifólia espinhosa e mata ciliar (floresta mista dicótilo-palmácea) ao longo dos cursos hídricos. Também há uma pequena área de cerrado no alto do Boqueirão do Rio Salgado.
Subdivisão
O município é dividido em seis distritos: Lavras de Mangabeira (sede), Amaniutuba (ex-Ouro Branco), Arrojado, Iborepi, Mangabeira e Quitaiús.
Geologia
Recursos minerais
Entre as cidades de Lavras da Mangabeira e Farias Brito, existem dois garimpos desativados de ouro. No garimpo localizado próximo à Lavras da Mangabeira, a mineralização ocorre como grãos de ouro disseminados em veios de quartzo leitoso com pirita em gnaisses do Complexo Arábia. No garimpo do Sítio Fortuna, a nordeste de Farias Brito, a mineralização de ouro está associada a veios de quartzo piritosos que cortam os xistos da Formação Independência do Grupo Ceará.
Aspectos socioeconômicos
A maior concentração populacional encontra-se na zona rural. A sede do município dispõe de abastecimento de água, fornecimento de energia elétrica, serviço telefônico, agência de correios e telégrafos, serviço bancário, hospitais, hotéis e ensino de 1º e 2º grau.
A partir de Fortaleza, o acesso ao município pode ser feito por via terrestre através da rodovia Fortaleza/Russas/Icó/Ipaumirim (BR 116) e a rodovia Lavras da Mangabeira/Várzea Alegre/Farias Brito/Crato (BR 230, a mesma Transamazônica que começa em Cabedelo e vai até à Amazônia). As demais vilas, lugarejos, sítios e fazendas são acessíveis (com franco acesso durante todo o ano) através de estradas estaduais, sendo elas rodovias asfaltadas ou estradas carroçáveis.
Lavras da Mangabeira é uma pequena cidade que se destaca por apresentar novas oportunidades de negócios e pela alta regularidade das vendas no ano.
A economia local está assim baseada:
- Agricultura: algodão arbóreo e herbáceo, banana, milho, feijão e arroz;
- Pecuária: bovinos, suínos e avícola;
- Indústria: oito indústrias, sendo quatro de produtos alimentares, uma de química, uma de produtos minerais não metálicos, duas de vestuário, calçados e artigos de tecidos, couros e peles.
Em janeiro de 2026, foram registradas 50 admissões formais e 47 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 3 novos trabalhadores. Este desempenho é inferior ao do ano passado, quando o saldo foi de 54.
Até fevereiro de 2026 houve registro de 2 novas empresas em Lavras da Mangabeira, sendo que a maioria delas atua com estabelecimento fixo. Neste último mês, uma nova empresa se instalou na cidade. Este desempenho é igual ao do mês imediatamente anterior (1). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 43 empresas.
Educação
Na área da Educação, Lavras da Mangabeira conta com uma rede municipal e estadual que cobre tanto a sede quanto os distritos. O município tem investido na modernização das escolas e no transporte escolar, superando os desafios das distâncias rurais. A proximidade com centros universitários no Cariri (Juazeiro do Norte e Crato) permite que os jovens busquem o ensino superior, mantendo, porém, o vínculo com a cidade de origem.
Turismo
O turismo também movimenta a cidade devido as suas belezas naturais, com destaque especial ao Boqueirão e a sua gruta, que além de ser um local de imensa beleza, é um objeto de estudo que recebe estudiosos e diversas escolas do interior do estado, para conhecer sua impressionante formação geográfica e histórica, sendo um alvo de lendas que compõe a história da cidade.
O turismo em Lavras da Mangabeira é predominantemente ecológico e histórico.
O Boqueirão do Rio Salgado é o principal cartão-postal. As formações rochosas milenares atraem geólogos, fotógrafos e aventureiros. No período das chuvas, o encontro das águas com as rochas cria um cenário de força bruta da natureza.
A Gruta do Boqueirão é um local cercado de misticismo e lendas locais, muito visitado por turistas que buscam contato direto com as formações naturais.
O centro da cidade ainda preserva casarões e igrejas que remetem ao poder das famílias fundadoras, oferecendo um passeio pela história do Ceará Imperial.
A festa do padroeiro, São Vicente Ferrer, em abril, é o ponto alto do calendário cultural, unindo a fé cristã às tradições festivas do sertão.
Lavras da Mangabeira é a prova de que o sertão cearense guarda segredos monumentais. Entre o eco do Rio Salgado nas pedras do Boqueirão e o doce da fruta mangaba, a cidade segue firme como uma das joias geográficas do Nordeste.
Cultura
Os principais eventos culturais são: a festa do padroeiro, São Vicente Ferrer (5 de abril), e a SEACE (Semana de Arte Cultura e Esportes), comemorada todo ano na semana de aniversário da cidade (20 de agosto). Vale destacar também as festas dos padroeiros dos distritos, como São José em Amanuituba e São Francisco copadroeiro, São Sebastião em Mangabeira, Nossa Senhora do Rosário em Quitaius, Coração de Jesus em Arrojado que também comemora o São Pedro, e Nossa Senhora das Candeias em Iborepi. Alguns nomes da música em Lavras da Mangabeira animam os finais de semanas, como Viquinho e seus teclados, Rosivan, Nailton, Ciço Lifrat, Juscelino, Ivo Teles & Darly, Luis Seresteiro, Forrozão Gata Moral. Poetas como Zé Teles, Manoel de Mundoca, Mundoquinha, Zael de Besouro, Valdir Teles, e o poeta Joca do Arrojado e seu neto Arthur Antunes (o maior compositor de Lavras da Mangabeira) enriquecem a cultura lavrense. Outros saíram de Lavras (Distrito de Mangabeira), mas continuam ligados ao município, como é o caso do acordeonista, cantor e compositor Matheus Ribeiro, que atualmente reside em Fortaleza e tem levado por onde passa o nome de sua cidade natal, compondo até canções onde fala de suas raízes.
Esportes
O esporte, principalmente o futebol é uma das maiores paixões do Lavrense. Tiveram grandes equipes e jogadores ao longo de sua existência. Com destaque para a equipe do Montilla que, desde 1997 vem sendo um ícone do futebol amador da região, conquistando vários títulos ao longo de sua existência.
O Montilla F. C. é atualmente Pentacampeão de Lavras da Mangabeira, sendo o maior também em títulos municipais, como também conquistando os principais títulos nos municípios circunvizinhos, como Várzea Alegre, Cedro, Aurora e no vizinho estado da Paraíba.
Existem outras equipes que rivalizam com o Montilla, como o Cruzeiro (Tri-Campeão Lavrense), ALFA (Leomar Bezerra), o Meia Lua (Campeão) e o Padre Cícero (Campeão). Também vale destacar a força das equipes dos distritos como o Iborepi, Amaniutuba, Mangabeira, Arrojado, Quitaiús, e também da zona rural, como o Nacional das Melancias, o Guarani do Boqueirão, o Botafogo da Carnaúba. Grandes jogadores fizeram história no nosso município, como José Alves, Cabo Bené, Jandismar (João da Bomba), Neném Alves, Audizio, Bim, Danda, Fanca, Dr. Tavinho (ex-prefeito da cidade), Gerácio e Leonardo (Sendo estes dois os primeiros a atuarem como profissionais), Dr. Mirialdo, Vicente de Tereza, Francisco Holanda (Rapaizão), Tatal Zógob, Magela, Gilmar, Zé Nailton, Paulinho, Tim, Basto, Hamilton, Filho, Diassis, Danilé, Geraldino, Dé (Goleiro) entre outros.
O Futsal é uma das bases sociais na infância do Lavrense. Gato Preto e Cipreg foram duas grandes equipes e famosas na região, mas hoje não tem nenhum clube registrado. Atualmente a cidade envia apenas a seleção municipal para jogos representativos.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .