Alegre é um município brasileiro no estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Localiza-se no sul capixaba e sua população estimada em 2025, pelo IBGE, era de 30.702 habitantes.
Imigração
Alegre também recebeu um importante contingente de imigrantes, principalmente sírios e libaneses. É nítida a presença da cultura libanesa no comércio da cidade.
História
Em 1820, por determinação do sargento mor Manoel Esteves de Lima, o desbravador João Teixeira da Conceição construiu às margens do riacho Alegre e da estrada de Minas para o porto de Itapemirim, um rancho de apoio às tropas.
O riacho Alegre recebeu esta denominação de João do Monte da Fonseca, militar responsável pela abertura da primeira estrada que de Minas chegava às praias do Espírito Santo. Esta estrada estava concluída desde 1811.
Mais tarde, com o desenvolvimento do comércio do interior para o litoral, o rancho de tropas da fazenda de Conceição tornou-se um ponto de reunião dos tropeiros, para que juntos em comitiva seguissem até o porto. Esse desbravador, vendo surgir um novo negócio, melhorou as pastagens para os animais e ampliou o rancho para receber os tropeiros, fundando o povoado e nele construindo uma capela dedicada à Nossa Senhora da Conceição.
Esse povoado, elevado à categoria de sede do distrito, em 1858, recebeu a denominação de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Alegre, logo depois alterada para Nossa Senhora da Penha do Alegre.
Formação Administrativa
Freguesia criada com a denominação Nossa Senhora da Conceição de Alegre, por Decreto Provincial n.º 22, de 24 de julho de 1858, subordinado ao município de Cachoeiro de Itapemirim.
Elevado à categoria de Vila com denominação de Alegre, pela Lei Provincial n.º 18, de 03 de abril de 1884 e por Decreto Estadual n.º 53, de 11 de novembro de 1890, desmembrado de Cachoeiro de Itapemirim, sede na antiga Freguesia de Alegre. Constituído do distrito sede. Instalado em 06 de janeiro de 1891.
Pela Lei Municipal de 06 de dezembro de 1891 e por Lei Estadual n.º 175, de 05 de dezembro de 1910, é criado o distrito de Café e anexado ao município de Alegre.
Pelo Decreto Provincial n.º 09, de 13 de julho de 1866, é criado o distrito de Veado e anexado ao município de Cachoeiro do Itapemirim.
Pela Lei Municipal n.º 11, de 11 de janeiro de 1895 e por Lei Estadual n.º 715, de 05 de dezembro de 1910, é criado o distrito de Vala de Souza e anexado ao município de Alegre.
Pela Lei Municipal n.º 13, de 07 de junho de 1896, é criado o distrito de Rio Preto e anexado ao município de Alegre.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de 5 distritos: Alegre, Café, Rio Preto, Vala de Souza e Veado.
Pela Lei Estadual n.º 1.093, de 05 de janeiro de 1917, é criado o distrito de Caparaó e anexado ao município de Alegre.
Elevado à categoria de cidade, pela Lei Estadual n.º 1.208, de 22 de dezembro de 1919.
Nos quadros de apuração do Recenseamento Geral de 01 de setembro de 1920, o município é constituído de 6 distritos: Alegre, Café, Caparaó, Rio Preto, Vala de Souza e Veado.
Pela Lei Estadual n.º 1.676 de 09 de novembro de 1928, é criado o distrito de Celina e anexado ao município de Alegre.
Pela Lei Estadual n.º 1.680, de 20 de novembro de 1928, é criado o distrito de Boa Vista e anexado ao município de Alegre.
Pela Lei Estadual n.º 1.688, de 25 de dezembro de 1928, são desmembrados do município de Alegre os distritos de Veado e Rio Preto para formar o município de Veado.
Pela Lei Estadual n.º 803, de 07 de março de 1931, é criado o distrito de Reeve e anexado ao município de Alegre.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de 8 distritos: Alegre, Boa Vista, Café, Caparaó, Celina, Reeve, Santa Angélica e Vala de Souza.
Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, o município é constituído é constituído de 9 distritos: Alegre, Boa Vista, Café, Caparaó, Celina, Reeve, Santa Angélica, Vala de Souza e Lambari.
Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 9.222, de 31 de março de 1938, o distrito de Boa Vista passou a denominar-se Liberdade.
No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de 9 distritos: Alegre, Café, Celina, Caparaó, Lambari, Liberdade (ex Boa Vista), Reeve, Santa Angélica e Vala de Souza.
Pela Lei Estadual n.º 15.177, de 31 de dezembro de 1943, o distrito de Lambari passou a denominar-se Anutiba, o distrito de Caparaó a denominar-se Ibitirama, o distrito de Reeve a denominar-se Rive e o distrito de Liberdade a denominar-se Araraí.
Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1950, o município é constituído de 9 distritos: Alegre, Anutiba, Arararí, Café, Ibitirama, Celina, Rive, Santa Angélica e Vala de Souza.
Pela Lei Estadual n.º 777, de 29 de dezembro de 1953, é desmembrado do município de Alegre o distrito Vala de Souza. Elevado à categoria de município.
Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1955, o município é constituído de 8 distritos: Alegre, Anutiba, Arararí, Café, Celina, Ibitirama, Rive e Santa Angelica.
Por decisão do Supremo tribunal Federal – Acordão de 04 de outubro de 1955 (Representação n.º 224), foi anulada o Ato de criação do município de Vala de Souza. Este voltou a condição de distrito e a pertencer ao município de Alegre.
Pela Lei Estadual n.º 1.416, de 28 de novembro de 1958, é desmembrado do município Alegre o distrito de Vala de Souza. Elevado à categoria de município com a denominação de Jerônimo Monteiro.
Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1960, o município é constituído de 8 distritos: Alegre, Anutiba, Araraí, Café, Celina, Ibitirama, Rive e Santa Angélica.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1963.
Pela Lei Estadual n.º 2.340, de 19 de junho de 1968, é criado o distrito de Santa Maria e anexado ao município de Alegre.
Em divisão territorial datada de 01 de janeiro de 1979, o município é constituído de 9 distritos: Alegre, Anutiba, Ararí, Café, Ibitirama, Rive, Santa Angélica e Santa Marta.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 18 de agosto de 1988.
Pela Lei Estadual n.º 4.161, de 15 de setembro de 1988, são desmembrados do município de Alegre o distrito de Ibitirama e Santa Marta para formar o novo município de Ibititirama.
Em divisão territorial datada de 1995, o município é constituído de 7 distritos: Alegre, Anutiba, Araraí, Café, Celina, Rive e Santa Angélica.
Em divisão territorial datada de 2001, o município é constituído de 8 distritos: Alegre, Anutiba, Araraí, Café, Celina, Rive, Santa Angélica e São João do Norte.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2017.
Origem do Nome
A origem do nome é envolta em lendas e histórias populares. Conta-se que o nome surgiu em decorrência do estado de espírito de viajantes que, ao chegarem a um determinado ponto da região, encontravam água fresca e um ambiente propício para o descanso, exclamando sobre a beleza e o "alegre" aspecto do lugar.
Geografia
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Cachoeiro de Itapemirim e Imediata de Alegre. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Alegre, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Sul Espírito-santense.
A geografia de Alegre é marcada pela imponência do relevo.
Altitude e Relevo
Com uma altitude que varia significativamente, a cidade desfruta de um clima tropical de altitude, garantindo invernos frios e verões amenos, o que favorece tanto a agricultura quanto o bem-estar da população. O relevo é predominantemente acidentado, com vales profundos e picos que compõem uma paisagem de tirar o fôlego.
Solo
O solo, fértil e profundo, sustenta uma vegetação de Mata Atlântica que, embora tenha cedido espaço ao cultivo, ainda se faz presente em áreas de preservação que protegem a biodiversidade e os recursos hídricos. É uma geografia que moldou o destino de Alegre, onde a água cristalina e a terra produtiva são os pilares que sustentam a vida de seu povo.
Clima
Em Alegre, a estação com precipitação é opressiva, quente e de céu quase encoberto; a estação seca é de céu quase sem nuvens e morna. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 15 °C a 32 °C e raramente é inferior a 12 °C ou superior a 35 °C.
A melhor época do ano para visitar Alegre e realizar atividades de clima quente é do início de maio ao meio de setembro.
A estação quente permanece por 2,5 meses, de 2 de janeiro a 18 de março, com temperatura máxima média diária acima de 31 °C. O mês mais quente do ano em Alegre é fevereiro, com a máxima de 32 °C e mínima de 21 °C, em média.
A estação fresca permanece por 3,2 meses, de 9 de maio a 15 de agosto, com temperatura máxima diária em média abaixo de 28 °C. O mês mais frio do ano em Alegre é julho, com a mínima de 15 °C e máxima de 27 °C, em média.
Em Alegre, a porcentagem média de céu encoberto por nuvens sofre extrema variação sazonal ao longo do ano.
A época menos encoberta do ano em Alegre começa por volta de 5 de abril e dura 6,3 meses, terminando em torno de 14 de outubro.
O mês menos encoberto do ano em Alegre é agosto, durante o qual, em média, o céu está sem nuvens, quase sem nuvens ou parcialmente encoberto 76% do tempo.
A época mais encoberta do ano começa por volta de 14 de outubro e dura 5,7 meses, terminando em torno de 5 de abril.
O mês mais encoberto do ano em Alegre é dezembro, durante o qual, em média, o céu está encoberto ou quase encoberto 76% do tempo.
Economia
Alegre é um município de grande relevância na região que se destaca pela alta regularidade das vendas no ano.
A economia, que tradicionalmente dependia da cafeicultura de montanha — produtora de cafés especiais premiados mundialmente —, hoje apresenta-se diversificada. O comércio local, a prestação de serviços e a presença constante de estudantes movimentam a economia e garantem a vitalidade da cidade durante todo o ano.
De janeiro a março de 2026, foram registradas 416 admissões formais e 359 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 57 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de -41.
Até abril de 2026 houve registro de 5 novas empresas em Alegre, sendo que 2 atuam pela internet. Neste último mês, não foi identificada nenhuma nova empresa. Este desempenho é menor que o do mês imediatamente anterior (2). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 75 empresas.
Educação
O município possui um campus da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) com 17 cursos de graduação e um campus do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) com 4 curso técnicos e 4 cursos de graduação superior, conta também com a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras (FAFIA), organizada como autarquia municipal, com 10 cursos superiores.
Campus de Alegre da UFES
Inicialmente o campus abrigava apenas o curso de agronomia. Em 2000, foi instalado o Centro de Ciências Agrárias (CCA-UFES) e foi desencadeado um processo de expansão. Em 2015 o CCA foi desmembrado e o campus passou a abrigar dois centros de ensino denominados Centro de Ciências Agrárias e Engenharias (CCAE) e Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde (CCENS), ofertando, atualmente, 17 cursos de graduação, 6 de mestrado e 3 de doutorado. Os cursos de graduação são: agronomia, ciência da computação, ciências biológicas (bacharelado), ciências biológicas (licenciatura), engenharia de alimentos, engenharia florestal, engenharia madeireira, engenharia química, farmácia, física (licenciatura), Geologia, matemática (licenciatura), medicina veterinária, nutrição, química (licenciatura), sistemas de informação e zootecnia. Na pós-graduação, incluem-se os cursos de mestrado em Agroquímica, Ciências Florestais, Ciências Veterinárias, Ciência e Tecnologia de Alimentos, Educação, Engenharia Química, Genética e Melhoramento e Produção Vegetal e de doutorado em Ciências Florestais, Genética e Melhoramento e Produção Vegetal.
Turismo
Cachoeira da Fumaça
O Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça foi criado através do Decreto n.º 2.791-E (24 de agosto de 1984) e complementado através do Decreto n.º 4.568-E (21 de setembro de 1990), quando o então Governo do Estado, atendendo a uma demanda de moradores dos municípios de Alegre, Guaçuí e Castelo e de outros estados da Federação, desapropriou uma área de 27 hectares, coberta basicamente de pastagem, mas que continha em seu interior a Cachoeira da Fumaça.
A cachoeira tem esse nome devido à neblina que se eleva acima da mesma . Está localizada na divisa com o município de Ibitirama.
Festival de Música de Alegre
O Festival de Alegre surgiu como uma festa universitária em 1980 com os objetivos de divulgar a música popular e revelar novos nomes para o cenário nacional, tanto de compositores como de intérpretes. Na década de 1990, o evento tomou outras proporções com o aumento significativo da divulgação, o que explica o sucesso de inscrições e de público a cada ano.
Em 2005, o Festival emplacou seu recorde ao receber 1.880 músicas para a pré-classificação, 57% a mais que no ano anterior, incluindo inscrições de outros países. Nos últimos 5 anos, mais de 6.000 músicas foram inscritas. A estimativa para este ano é um crescimento de 10% a 15%.
O sucesso no aumento do número de inscrições também é extensivo ao público que circula por Alegre durante o evento. Na década passada, o município recebia 10 mil visitantes durante o Festival. No ano 2000 esse número subiu para 100 mil visitantes, e para 2006 eram esperados 150 mil espectadores. O Festival oferecia uma das maiores premiações do Brasil.
Há alguns anos, o Festival de Alegre deixou de ser um festival de divulgação de música popular, pois não é mais realizado os concursos. O evento passou a ser uma grande festa contando com artistas de grande sucesso nacional.
O festival acontece no Centro de Lazer Geraldo Santos, uma área que possui mais de 30.000 m². O local abriga uma completa infraestrutura de palco, sonorização, iluminação, camarote, praça de alimentação, arquibancadas e banheiros químicos, além de postos de atendimento médico e policial.
Durante do evento, a cidade fica tomada pela festa, como um grande carnaval fora de época. Ruas lotadas de carros de som, muita gente dançando e bebendo pelas calçadas.
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha
A Capela Mor de Alegre começou a ser construída em barro e madeira no ano de 1851, por iniciativa dos primeiros exploradores da região. Oficialmente, as terras do patrimônio de Alegre ficaram sob responsabilidade da Igreja com a condição de que esta doaria as terras à Nossa Senhora da Penha. No ano de 1868, a Capela Mor sofreu reparos e o corpo da Igreja Matriz foi edificado. Novas ampliações desta foram realizadas nos anos de 1914 e 1916 e também entre 1963 e 1968, resultando em um estilo barroco-gótico. A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha possui ainda magníficos vitrais retratando a vida de Cristo e pinturas sacras do artista indiano Diwali.
Cachoeira do Roncador
Localizada no distrito de Celina, possui aproximadamente 87 metros de corredeiras que formam algumas piscinas naturais de águas límpidas e temperatura fria, permitindo uso para banho. É comumente utilizada para a prática de rapel e canionismo.
Pedra do Pombal
Possui uma via grampeada para rapel e escalada com 70 metros de altura, sendo ideal para a prática de trecking. Tem no total, 997 metros de altitude.
Alto da Serra
Mirante localizado à 6 km do Centro de Alegre, estando a 600 metros de altitude, de onde se propicia uma bela vista da cidade. Possui restaurante e área para estacionamento.
Horto Municipal
Possui 27,6 hectares. O local é destinado ao estudo e preservação do meio ambiente, contando com um bosque reflorestado e inúmeras nascentes, apropriado para o lazer e o contato com a natureza. No Horto, ocorrem atividades sobre a produção de mudas de essências nativas e exóticas, educação ambiental e projetos universitários.
Túnel dos Ingleses de Cima
O Túnel dos Ingleses de Cima fazia parte do Ramal Sul do Espírito Santo da antiga Estrada de Ferro Leopoldina. O antigo túnel ferroviário foi construído com pedras sobrepostas e inaugurado em 1915. Possui 180 metros de extensão e 6 metros de altura. Na parte superior interna do túnel, é possível perceber as marcas da fuligem liberadas pelas locomotivas a vapor (popularmente conhecidas como Maria Fumaça) que por ali passavam.
Antiga Estação Ferroviária de Alegre
Construída na época áurea da produção de café e inaugurada no ano de 1912, fazia parte do Ramal Sul do Espírito Santo da Estrada de Ferro Leopoldina. A antiga estação ferroviária era o principal ponto de ligação da cidade com os municípios capixabas de Cachoeiro de Itapemirim, Jerônimo Monteiro e Guaçuí e a cidade mineira de Espera Feliz, sendo desativada após a circulação dos últimos trens de passageiros e de cargas em 1968. Posteriormente, o trecho do ramal que atravessava o município viria a ser erradicado no ano de 1972. Na década de 1990, passou por adaptações em seu espaço interior, especialmente a parte elétrica e hidráulica, para que pudesse abrigar a Biblioteca Municipal. Atualmente abriga o Instituto Histórico e Geográfico de Alegre (IHGA), a Escola de Música Saint Clair Pinheiro e a Casa da Cultura.
Cultura
A cultura é um mosaico: o folclore, as festas religiosas e o calendário de eventos acadêmicos fazem da cidade um lugar vibrante.
Esporte
No esporte, a cidade aproveita sua geografia para o incentivo às práticas ao ar livre. O ciclismo de montanha e as corridas rurais encontram aqui o seu cenário ideal. Nas quadras e campos, o esporte amador fortalece os laços de comunidade, unindo estudantes e moradores em torno da saúde e da integração social.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .
Alegre também recebeu um importante contingente de imigrantes, principalmente sírios e libaneses. É nítida a presença da cultura libanesa no comércio da cidade.
História
Em 1820, por determinação do sargento mor Manoel Esteves de Lima, o desbravador João Teixeira da Conceição construiu às margens do riacho Alegre e da estrada de Minas para o porto de Itapemirim, um rancho de apoio às tropas.
O riacho Alegre recebeu esta denominação de João do Monte da Fonseca, militar responsável pela abertura da primeira estrada que de Minas chegava às praias do Espírito Santo. Esta estrada estava concluída desde 1811.
Mais tarde, com o desenvolvimento do comércio do interior para o litoral, o rancho de tropas da fazenda de Conceição tornou-se um ponto de reunião dos tropeiros, para que juntos em comitiva seguissem até o porto. Esse desbravador, vendo surgir um novo negócio, melhorou as pastagens para os animais e ampliou o rancho para receber os tropeiros, fundando o povoado e nele construindo uma capela dedicada à Nossa Senhora da Conceição.
Esse povoado, elevado à categoria de sede do distrito, em 1858, recebeu a denominação de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Alegre, logo depois alterada para Nossa Senhora da Penha do Alegre.
Formação Administrativa
Freguesia criada com a denominação Nossa Senhora da Conceição de Alegre, por Decreto Provincial n.º 22, de 24 de julho de 1858, subordinado ao município de Cachoeiro de Itapemirim.
Elevado à categoria de Vila com denominação de Alegre, pela Lei Provincial n.º 18, de 03 de abril de 1884 e por Decreto Estadual n.º 53, de 11 de novembro de 1890, desmembrado de Cachoeiro de Itapemirim, sede na antiga Freguesia de Alegre. Constituído do distrito sede. Instalado em 06 de janeiro de 1891.
Pela Lei Municipal de 06 de dezembro de 1891 e por Lei Estadual n.º 175, de 05 de dezembro de 1910, é criado o distrito de Café e anexado ao município de Alegre.
Pelo Decreto Provincial n.º 09, de 13 de julho de 1866, é criado o distrito de Veado e anexado ao município de Cachoeiro do Itapemirim.
Pela Lei Municipal n.º 11, de 11 de janeiro de 1895 e por Lei Estadual n.º 715, de 05 de dezembro de 1910, é criado o distrito de Vala de Souza e anexado ao município de Alegre.
Pela Lei Municipal n.º 13, de 07 de junho de 1896, é criado o distrito de Rio Preto e anexado ao município de Alegre.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de 5 distritos: Alegre, Café, Rio Preto, Vala de Souza e Veado.
Pela Lei Estadual n.º 1.093, de 05 de janeiro de 1917, é criado o distrito de Caparaó e anexado ao município de Alegre.
Elevado à categoria de cidade, pela Lei Estadual n.º 1.208, de 22 de dezembro de 1919.
Nos quadros de apuração do Recenseamento Geral de 01 de setembro de 1920, o município é constituído de 6 distritos: Alegre, Café, Caparaó, Rio Preto, Vala de Souza e Veado.
Pela Lei Estadual n.º 1.676 de 09 de novembro de 1928, é criado o distrito de Celina e anexado ao município de Alegre.
Pela Lei Estadual n.º 1.680, de 20 de novembro de 1928, é criado o distrito de Boa Vista e anexado ao município de Alegre.
Pela Lei Estadual n.º 1.688, de 25 de dezembro de 1928, são desmembrados do município de Alegre os distritos de Veado e Rio Preto para formar o município de Veado.
Pela Lei Estadual n.º 803, de 07 de março de 1931, é criado o distrito de Reeve e anexado ao município de Alegre.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de 8 distritos: Alegre, Boa Vista, Café, Caparaó, Celina, Reeve, Santa Angélica e Vala de Souza.
Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, o município é constituído é constituído de 9 distritos: Alegre, Boa Vista, Café, Caparaó, Celina, Reeve, Santa Angélica, Vala de Souza e Lambari.
Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 9.222, de 31 de março de 1938, o distrito de Boa Vista passou a denominar-se Liberdade.
No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de 9 distritos: Alegre, Café, Celina, Caparaó, Lambari, Liberdade (ex Boa Vista), Reeve, Santa Angélica e Vala de Souza.
Pela Lei Estadual n.º 15.177, de 31 de dezembro de 1943, o distrito de Lambari passou a denominar-se Anutiba, o distrito de Caparaó a denominar-se Ibitirama, o distrito de Reeve a denominar-se Rive e o distrito de Liberdade a denominar-se Araraí.
Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1950, o município é constituído de 9 distritos: Alegre, Anutiba, Arararí, Café, Ibitirama, Celina, Rive, Santa Angélica e Vala de Souza.
Pela Lei Estadual n.º 777, de 29 de dezembro de 1953, é desmembrado do município de Alegre o distrito Vala de Souza. Elevado à categoria de município.
Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1955, o município é constituído de 8 distritos: Alegre, Anutiba, Arararí, Café, Celina, Ibitirama, Rive e Santa Angelica.
Por decisão do Supremo tribunal Federal – Acordão de 04 de outubro de 1955 (Representação n.º 224), foi anulada o Ato de criação do município de Vala de Souza. Este voltou a condição de distrito e a pertencer ao município de Alegre.
Pela Lei Estadual n.º 1.416, de 28 de novembro de 1958, é desmembrado do município Alegre o distrito de Vala de Souza. Elevado à categoria de município com a denominação de Jerônimo Monteiro.
Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1960, o município é constituído de 8 distritos: Alegre, Anutiba, Araraí, Café, Celina, Ibitirama, Rive e Santa Angélica.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1963.
Pela Lei Estadual n.º 2.340, de 19 de junho de 1968, é criado o distrito de Santa Maria e anexado ao município de Alegre.
Em divisão territorial datada de 01 de janeiro de 1979, o município é constituído de 9 distritos: Alegre, Anutiba, Ararí, Café, Ibitirama, Rive, Santa Angélica e Santa Marta.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 18 de agosto de 1988.
Pela Lei Estadual n.º 4.161, de 15 de setembro de 1988, são desmembrados do município de Alegre o distrito de Ibitirama e Santa Marta para formar o novo município de Ibititirama.
Em divisão territorial datada de 1995, o município é constituído de 7 distritos: Alegre, Anutiba, Araraí, Café, Celina, Rive e Santa Angélica.
Em divisão territorial datada de 2001, o município é constituído de 8 distritos: Alegre, Anutiba, Araraí, Café, Celina, Rive, Santa Angélica e São João do Norte.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2017.
Origem do Nome
A origem do nome é envolta em lendas e histórias populares. Conta-se que o nome surgiu em decorrência do estado de espírito de viajantes que, ao chegarem a um determinado ponto da região, encontravam água fresca e um ambiente propício para o descanso, exclamando sobre a beleza e o "alegre" aspecto do lugar.
Geografia
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Cachoeiro de Itapemirim e Imediata de Alegre. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Alegre, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Sul Espírito-santense.
A geografia de Alegre é marcada pela imponência do relevo.
Altitude e Relevo
Com uma altitude que varia significativamente, a cidade desfruta de um clima tropical de altitude, garantindo invernos frios e verões amenos, o que favorece tanto a agricultura quanto o bem-estar da população. O relevo é predominantemente acidentado, com vales profundos e picos que compõem uma paisagem de tirar o fôlego.
Solo
O solo, fértil e profundo, sustenta uma vegetação de Mata Atlântica que, embora tenha cedido espaço ao cultivo, ainda se faz presente em áreas de preservação que protegem a biodiversidade e os recursos hídricos. É uma geografia que moldou o destino de Alegre, onde a água cristalina e a terra produtiva são os pilares que sustentam a vida de seu povo.
Clima
Em Alegre, a estação com precipitação é opressiva, quente e de céu quase encoberto; a estação seca é de céu quase sem nuvens e morna. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 15 °C a 32 °C e raramente é inferior a 12 °C ou superior a 35 °C.
A melhor época do ano para visitar Alegre e realizar atividades de clima quente é do início de maio ao meio de setembro.
A estação quente permanece por 2,5 meses, de 2 de janeiro a 18 de março, com temperatura máxima média diária acima de 31 °C. O mês mais quente do ano em Alegre é fevereiro, com a máxima de 32 °C e mínima de 21 °C, em média.
A estação fresca permanece por 3,2 meses, de 9 de maio a 15 de agosto, com temperatura máxima diária em média abaixo de 28 °C. O mês mais frio do ano em Alegre é julho, com a mínima de 15 °C e máxima de 27 °C, em média.
Em Alegre, a porcentagem média de céu encoberto por nuvens sofre extrema variação sazonal ao longo do ano.
A época menos encoberta do ano em Alegre começa por volta de 5 de abril e dura 6,3 meses, terminando em torno de 14 de outubro.
O mês menos encoberto do ano em Alegre é agosto, durante o qual, em média, o céu está sem nuvens, quase sem nuvens ou parcialmente encoberto 76% do tempo.
A época mais encoberta do ano começa por volta de 14 de outubro e dura 5,7 meses, terminando em torno de 5 de abril.
O mês mais encoberto do ano em Alegre é dezembro, durante o qual, em média, o céu está encoberto ou quase encoberto 76% do tempo.
Economia
Alegre é um município de grande relevância na região que se destaca pela alta regularidade das vendas no ano.
A economia, que tradicionalmente dependia da cafeicultura de montanha — produtora de cafés especiais premiados mundialmente —, hoje apresenta-se diversificada. O comércio local, a prestação de serviços e a presença constante de estudantes movimentam a economia e garantem a vitalidade da cidade durante todo o ano.
De janeiro a março de 2026, foram registradas 416 admissões formais e 359 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 57 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de -41.
Até abril de 2026 houve registro de 5 novas empresas em Alegre, sendo que 2 atuam pela internet. Neste último mês, não foi identificada nenhuma nova empresa. Este desempenho é menor que o do mês imediatamente anterior (2). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 75 empresas.
Educação
O município possui um campus da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) com 17 cursos de graduação e um campus do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) com 4 curso técnicos e 4 cursos de graduação superior, conta também com a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras (FAFIA), organizada como autarquia municipal, com 10 cursos superiores.
Campus de Alegre da UFES
Inicialmente o campus abrigava apenas o curso de agronomia. Em 2000, foi instalado o Centro de Ciências Agrárias (CCA-UFES) e foi desencadeado um processo de expansão. Em 2015 o CCA foi desmembrado e o campus passou a abrigar dois centros de ensino denominados Centro de Ciências Agrárias e Engenharias (CCAE) e Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde (CCENS), ofertando, atualmente, 17 cursos de graduação, 6 de mestrado e 3 de doutorado. Os cursos de graduação são: agronomia, ciência da computação, ciências biológicas (bacharelado), ciências biológicas (licenciatura), engenharia de alimentos, engenharia florestal, engenharia madeireira, engenharia química, farmácia, física (licenciatura), Geologia, matemática (licenciatura), medicina veterinária, nutrição, química (licenciatura), sistemas de informação e zootecnia. Na pós-graduação, incluem-se os cursos de mestrado em Agroquímica, Ciências Florestais, Ciências Veterinárias, Ciência e Tecnologia de Alimentos, Educação, Engenharia Química, Genética e Melhoramento e Produção Vegetal e de doutorado em Ciências Florestais, Genética e Melhoramento e Produção Vegetal.
Turismo
Cachoeira da Fumaça
O Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça foi criado através do Decreto n.º 2.791-E (24 de agosto de 1984) e complementado através do Decreto n.º 4.568-E (21 de setembro de 1990), quando o então Governo do Estado, atendendo a uma demanda de moradores dos municípios de Alegre, Guaçuí e Castelo e de outros estados da Federação, desapropriou uma área de 27 hectares, coberta basicamente de pastagem, mas que continha em seu interior a Cachoeira da Fumaça.
A cachoeira tem esse nome devido à neblina que se eleva acima da mesma . Está localizada na divisa com o município de Ibitirama.
Festival de Música de Alegre
O Festival de Alegre surgiu como uma festa universitária em 1980 com os objetivos de divulgar a música popular e revelar novos nomes para o cenário nacional, tanto de compositores como de intérpretes. Na década de 1990, o evento tomou outras proporções com o aumento significativo da divulgação, o que explica o sucesso de inscrições e de público a cada ano.
Em 2005, o Festival emplacou seu recorde ao receber 1.880 músicas para a pré-classificação, 57% a mais que no ano anterior, incluindo inscrições de outros países. Nos últimos 5 anos, mais de 6.000 músicas foram inscritas. A estimativa para este ano é um crescimento de 10% a 15%.
O sucesso no aumento do número de inscrições também é extensivo ao público que circula por Alegre durante o evento. Na década passada, o município recebia 10 mil visitantes durante o Festival. No ano 2000 esse número subiu para 100 mil visitantes, e para 2006 eram esperados 150 mil espectadores. O Festival oferecia uma das maiores premiações do Brasil.
Há alguns anos, o Festival de Alegre deixou de ser um festival de divulgação de música popular, pois não é mais realizado os concursos. O evento passou a ser uma grande festa contando com artistas de grande sucesso nacional.
O festival acontece no Centro de Lazer Geraldo Santos, uma área que possui mais de 30.000 m². O local abriga uma completa infraestrutura de palco, sonorização, iluminação, camarote, praça de alimentação, arquibancadas e banheiros químicos, além de postos de atendimento médico e policial.
Durante do evento, a cidade fica tomada pela festa, como um grande carnaval fora de época. Ruas lotadas de carros de som, muita gente dançando e bebendo pelas calçadas.
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha
A Capela Mor de Alegre começou a ser construída em barro e madeira no ano de 1851, por iniciativa dos primeiros exploradores da região. Oficialmente, as terras do patrimônio de Alegre ficaram sob responsabilidade da Igreja com a condição de que esta doaria as terras à Nossa Senhora da Penha. No ano de 1868, a Capela Mor sofreu reparos e o corpo da Igreja Matriz foi edificado. Novas ampliações desta foram realizadas nos anos de 1914 e 1916 e também entre 1963 e 1968, resultando em um estilo barroco-gótico. A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha possui ainda magníficos vitrais retratando a vida de Cristo e pinturas sacras do artista indiano Diwali.
Cachoeira do Roncador
Localizada no distrito de Celina, possui aproximadamente 87 metros de corredeiras que formam algumas piscinas naturais de águas límpidas e temperatura fria, permitindo uso para banho. É comumente utilizada para a prática de rapel e canionismo.
Pedra do Pombal
Possui uma via grampeada para rapel e escalada com 70 metros de altura, sendo ideal para a prática de trecking. Tem no total, 997 metros de altitude.
Alto da Serra
Mirante localizado à 6 km do Centro de Alegre, estando a 600 metros de altitude, de onde se propicia uma bela vista da cidade. Possui restaurante e área para estacionamento.
Horto Municipal
Possui 27,6 hectares. O local é destinado ao estudo e preservação do meio ambiente, contando com um bosque reflorestado e inúmeras nascentes, apropriado para o lazer e o contato com a natureza. No Horto, ocorrem atividades sobre a produção de mudas de essências nativas e exóticas, educação ambiental e projetos universitários.
Túnel dos Ingleses de Cima
O Túnel dos Ingleses de Cima fazia parte do Ramal Sul do Espírito Santo da antiga Estrada de Ferro Leopoldina. O antigo túnel ferroviário foi construído com pedras sobrepostas e inaugurado em 1915. Possui 180 metros de extensão e 6 metros de altura. Na parte superior interna do túnel, é possível perceber as marcas da fuligem liberadas pelas locomotivas a vapor (popularmente conhecidas como Maria Fumaça) que por ali passavam.
Antiga Estação Ferroviária de Alegre
Construída na época áurea da produção de café e inaugurada no ano de 1912, fazia parte do Ramal Sul do Espírito Santo da Estrada de Ferro Leopoldina. A antiga estação ferroviária era o principal ponto de ligação da cidade com os municípios capixabas de Cachoeiro de Itapemirim, Jerônimo Monteiro e Guaçuí e a cidade mineira de Espera Feliz, sendo desativada após a circulação dos últimos trens de passageiros e de cargas em 1968. Posteriormente, o trecho do ramal que atravessava o município viria a ser erradicado no ano de 1972. Na década de 1990, passou por adaptações em seu espaço interior, especialmente a parte elétrica e hidráulica, para que pudesse abrigar a Biblioteca Municipal. Atualmente abriga o Instituto Histórico e Geográfico de Alegre (IHGA), a Escola de Música Saint Clair Pinheiro e a Casa da Cultura.
Cultura
A cultura é um mosaico: o folclore, as festas religiosas e o calendário de eventos acadêmicos fazem da cidade um lugar vibrante.
Esporte
No esporte, a cidade aproveita sua geografia para o incentivo às práticas ao ar livre. O ciclismo de montanha e as corridas rurais encontram aqui o seu cenário ideal. Nas quadras e campos, o esporte amador fortalece os laços de comunidade, unindo estudantes e moradores em torno da saúde e da integração social.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .