segunda-feira, 3 de agosto de 2026

RUY BARBOSA - BAHIA

Ruy Barbosa é um município brasileiro do estado da Bahia, localizado na região da Chapada Diamantina, na Microrregião de Itaberaba e na Mesorregião do Centro-Norte Baiano, a uma altitude de 368 metros. A cidade está aos pés da Serra do Orobó (950 m), já utilizada como rampa de asa delta e para a prática do ecoturismo.  Sua população, conforme estimativas do IBGE para o ano de 2025, era de 29.590 habitantes.
Conhecida como a cidade da carne de sol, possui mais de 30 mil habitantes e sua economia está ligada ao polo industrial de calçados existente no município, à mineração (sobretudo de granito) e à agropecuária, com destaque ao gado de corte. Possui uma área de 2.137,27 km².
A história do município remonta ao século XVII, quando a região era alvo de trabalhadores do sertão baiano em busca de ouro. Este legado histórico confere à cidade uma identidade histórica, mantendo vivas as suas tradições e patrimônios culturais. A vila do Orobó foi criada em 1914 e elevada à categoria de cidade em 1922, com o nome atual, em homenagem ao ilustre jurista baiano Ruy Barbosa.
O Conjunto Arquitetônico Ruy Barbosa foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) em 2002, através do Processo n.º 017. O tombamento compreende os logradouros: Rua J.J. Seabra, Praça Aminta Brito, Praça Dr. Claudionor B. Oliveira, Praça Santa Tereza, Praça Adalberto Sampaio, Rua Allan Kadec, Rua Navarro Lefunde e Rua Tiradentes. 
História do município
Primórdios

Os primeiros habitantes da região de Ruy Barbosa foram os indígenas maracás, que, no século XVII, desciam a Serra do Orobó para atacar o Recôncavo Baiano. Isso levou à intervenção dos bandeirantes paulistas, dentre os quais Braz Rodrigues de Arzão, que, chegado a Salvador em agosto de 1671, logo se transferiu para Cachoeira, onde instalou o quartel-general para lutar contra os maracás que atacavam a região do Recôncavo. Derrotados e subjugados, os indígenas se dispersaram pelas matas do sul da capitania. 
Mais tarde, após o extermínio, aprisionamento ou expulsão dos indígenas, a região de Ruy Barbosa foi integrada à Casa da Ponte, de Antônio Guedes de Brito, e foi colonizada por fazendas de criação de gado. 
Em 1769, o conselheiro Joaquim Inácio da Cruz e sua sogra Maria da Encarnação Correia tomaram posse de 12 sesmarias na freguesia de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira e compreendidas entre os rios Capivari e das Piranhas e as serras do Orobó e do Tupim, pertencentes anteriormente aos Guedes de Brito, ganhas em litígio judiciário. Em 1772, Gaspar de Araújo Pinto adquiriu o sítio de Joaquim e Maria e, com a sua morte, com inventário julgado em 1778 em Cachoeira, as terras foram divididas entre a viúva, Dona Inês Maria de Oliveira, e os cinco filhos, sendo cedida a viúva a fazenda “Orobó Grande”. 
Posteriormente, com a edificação de uma capela e com um pouso para os viajantes que se dirigiam à Chapada Diamantina, formou-se a povoação de Orobó Grande, na fazenda de mesmo nome. Posteriormente, a Lei Provincial n.º 2.476, de 26 de agosto de 1884, elevou a povoação à categoria de freguesia, com o nome de Santo Antônio dos Viajantes do Orobó Grande, sendo subordinada a Itaberaba e instalada em 11 de janeiro do ano seguinte, com a posse do primeiro vigário, padre Pedro Ventura Esteves. 
A Fazenda Orobó foi vendida a Antônio Francisco Pamponet, que passou a sisa em Camisão, em 25 de agosto de 1858, e por morte deste e de sua esposa, os filhos a dividiram, vendendo a diversos compradores.
Séculos XX e XXI
Com o gradual desenvolvimento da freguesia, esta foi elevada à categoria de vila, com o nome de Orobó, pela Lei n.º 1.022-A, de 25 de junho de 1914, sendo instalada em 6 de outubro do mesmo ano. Posteriormente, em 28 de agosto de 1922, por meio da Lei n.º 1.601, a vila de Orobó foi elevada à categoria de cidade, com o nome de Ruy Barbosa, em homenagem ao ilustre jurista baiano
Pelo Decreto n.º 7.909, de 31 de dezembro de 1931, foram criados os distritos de Lajedinho e Morro das Flores. Nas divisões administrativas conseguintes, o município é formado pelos distritos de Ruy Barbosa (sede), Lajedinho, Morro das Flores e Paraíso. Em 1º de junho de 1944, o distrito de Paraíso passou a se chamar Tapiraípe. Em 1962, o distrito de Lajedinho foi emancipado e tornou-se município. 
Atualmente o município de Ruy Barbosa compõe-se dos distritos Sede, Santa Clara e Tapiraípe (Paraíso), povoados de Riacho Dantas, Zuca, Morro das Flores, Caldeirão do Morro, Humaitá e Nova Conquista (Colobró). 
No século XX, a cidade era servida por ferrovia que se interligava a São Paulo, via Monte Azul e Belo Horizonte, a Salvador via Iaçu e Cachoeira e a Juazeiro. Trens de passageiros e de carga circularam de 1951, quando foi inaugurada a estação ferroviária de Morro das Flores, até 1978, quando foi extinto o “Trem da Gota”, o último trem de passageiro. O ramal Iaçu/Senhor do Bonfim foi extinto oficialmente em 1994.
Formação Administrativa 
Em 1884, foi essa povoação elevada à freguesia com a denominação de Santo Antônio dos Viajantes do Orobó Grande. Recebeu sua autonomia administrativa em 25 de junho de 1914, tendo comemorado em 1964 o seu meio século de existência. Foi, também, conhecida por Santo Antônio dos Navegantes do Orobó Grande e simplesmente Orobó. Passou a atual denominação, ao ser elevada a sua sede à categoria de cidade, em 1922. 
A Lei Provincial n.º 2.476, de 26 de agosto de 1884 criou o distrito de paz de Orobó Grande. Com sede nesta povoação e território desmembrado do de Itaberaba, foi criado o Município de Orobó, pela Lei Estadual n.º 1.022-A, de 25 de junho de 1914, ocorrendo sua instalação a 6 de outubro do mesmo ano. 
Por efeito da Lei Estadual n.º 1.601 de 28 de agosto de 1922, a sede municipal adquiriu foros de cidade sob o topônimo de Ruy Barbosa que foi estendido ao Município, em virtude da Lei n.º 1.637, de 13 de agosto do ano seguinte, em homenagem ao grande jurista. 
Em 1962, o Município de Ruy Barbosa perdeu o distrito de Lajedinho, para formar o novo Município deste nome. 
Ruy Barbosa compõe-se de 3 distritos: o da sede, Morro das Flores e Tapiraípe. 
O Decreto-Lei Estadual n.º 512, de 19 de junho de 1945, criou a comarca, abrangendo os termos de Ruy Barbosa e Macajuba, desligados, respectivamente, das comarcas de Itaberaba e Mundo Novo. Posteriormente, o termo de Macajuba foi desanexado ficando a comarca de Ruy Barbosa constituída apenas pelo termo de igual nome. É comarca de 2.ª entrância.
Origem do Nome
A mudança do nome original "Orobó" para "Ruy Barbosa" ocorreu no ato de sua emancipação, em 1922. Trata-se de uma homenagem ao jurista, político e diplomata baiano Ruy Barbosa de Oliveira (1849–1923), conhecido como a "Águia de Haia". A escolha do nome refletia o desejo da elite local da época de associar o novo município aos ideais de intelectualidade e justiça defendidos por um dos maiores brasileiros de todos os tempos.
Geografia
Localizada na bacia do rio Paraguaçu, está localizada a 308 km da capital estadual, Salvador. A geografia de Ruy Barbosa é definida pela transição ambiental, o que a torna um laboratório natural de biodiversidade.
Altitude
A altitude média do município é de 368 metros na sede; cumes chegam a quase 900 metros.
Clima
O clima de Ruy Barbosa é do tipo Semiárido (BSh) a Tropical de Altitude nas áreas serranas. Em Ruy Barbosa, o verão é longo, quente, de céu quase encoberto e úmido; o inverno é curto, seco, de céu quase sem nuvens e agradável. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 17 °C a 34 °C e raramente é inferior a 15 °C ou superior a 37 °C.  As melhores épocas do ano para visitar Ruy Barbosa e realizar atividades de clima quente são do fim de abril ao meio de julho e do meio de agosto ao fim de outubro.
A estação quente permanece por 6,0 meses, de 25 de setembro a 24 de março, com temperatura máxima média diária acima de 33 °C. O mês mais quente do ano em Ruy Barbosa é novembro, com a máxima de 34 °C e mínima de 21 °C, em média. 
A estação fresca permanece por 2,3 meses, de 4 de junho a 15 de agosto, com temperatura máxima diária em média abaixo de 30 °C. O mês mais frio do ano em Ruy Barbosa é julho, com a mínima de 17 °C e máxima de 29 °C, em média. 
Em Ruy Barbosa, a porcentagem média de céu encoberto por nuvens sofre significativa variação sazonal ao longo do ano. 
A época menos encoberta do ano em Ruy Barbosa começa por volta de 9 de maio e dura 5,4 meses, terminando em torno de 23 de outubro. 
O mês menos encoberto do ano em Ruy Barbosa é julho, durante o qual, em média, o céu está sem nuvens, quase sem nuvens ou parcialmente encoberto 74% do tempo. 
A época mais encoberta do ano começa por volta de 23 de outubro e dura 6,6 meses, terminando em torno de 9 de maio. 
O mês mais encoberto do ano em Ruy Barbosa é dezembro, durante o qual, em média, o céu está encoberto ou quase encoberto 69% do tempo. 
Relevo
O relevo é acidentado, dominado pela Serra do Orobó (Cadeia do Espinhaço).
Solos
No município encontram-se Latossolos nas baixadas e solos litólicos (rasos e pedregosos) nas encostas.
Vegetação
A vegetação é um dos grandes atrativos. Nas áreas baixas, predomina a Caatinga arbustiva. No entanto, nas encostas e topos da Serra do Orobó, ocorre um fenômeno raro: a presença de Mata Atlântica de altitude (Mata de Encosta), que sobrevive devido à umidade retida pelas montanhas, abrigando orquídeas e fontes de água cristalina.
Economia
Ruy Barbosa é uma pequena cidade que se destaca por apresentar novas oportunidades de negócios e pelo alto crescimento econômico.
A economia de Ruy Barbosa é uma das mais equilibradas do interior baiano, sustentada por um tripé sólido.
O município abriga uma unidade da fábrica de calçados Pegada, que é a maior empregadora da região, gerando milhares de empregos diretos e transformando a dinâmica social da cidade.
A criação de gado de corte e leite é tradicional. Na agricultura, o município destaca-se pela produção de milho, feijão e, recentemente, pelo cultivo de frutas cítricas.
O comércio local é forte e atende não apenas a sede, mas uma vasta zona rural e distritos vizinhos, sendo o principal centro de abastecimento de couro e artigos de sapataria da microrregião.
De janeiro a março de 2026, foram registradas 367 admissões formais e 225 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 142 novos trabalhadores. Este desempenho é inferior ao do ano passado, quando o saldo foi de 336.
Até abril de 2026 houve registro de 1 nova empresa em Ruy Barbosa, sendo que a maioria delas atua com estabelecimento fixo. Neste último mês, não foi identificada nenhuma nova empresa. Este desempenho é igual ao do do mês imediatamente anterior (0). No ano de 2025 inteiro, também não houve novos registros.
Educação
Ruy Barbosa atua como um polo educacional para as cidades vizinhas. O município conta com polos de Educação a Distância (EaD) de grandes instituições, como a UNIFACS e a Estácio, além de parcerias com o governo estadual para cursos técnicos. Muitos estudantes também se deslocam para Itaberaba, que abriga o campus da UNEB (Universidade do Estado da Bahia), fortalecendo a formação acadêmica em áreas de gestão, pedagogia e saúde.
Turismo
Ruy Barbosa é um paraíso para os amantes do ecoturismo e dos esportes de aventura.
Ecoturismo
A Serra do Orobó é o principal cartão-postal. Trilhas que levam ao "Pico do Mirante" oferecem vistas panorâmicas de tirar o fôlego. A área é muito procurada para a observação de aves e para o estudo da flora local.
Cultura
O município preserva tradições centenárias. O São João de Ruy Barbosa é uma das festas mais tradicionais do estado, mantendo o forró "pé de serra" e as quadrilhas. O Carnaval de Ruy Barbosa também possui relevância histórica, sendo um dos mais antigos do interior da Bahia.
Esporte
Esporte de Aventura

Devido ao seu relevo e condições de vento, a cidade é uma referência nacional para a prática de Voo Livre (Parapente e Asa Delta). Além disso, o montanhismo e o ciclismo de trilha (MTB) são atividades constantes que atraem atletas de todo o país para a Serra do Orobó.
Futebol
A paixão local pelo futebol é manifestada no Estádio Municipal Sacramento Neto, onde competições amadoras mobilizam toda a cidade.
A cidade possui uma tradição de times amadores fortes que competem em nível regional, mantendo viva a rivalidade saudável com cidades vizinhas do Vale do Jaguaribe. O ciclismo de aventura também tem ganhado adeptos, aproveitando as trilhas planas dos tabuleiros.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .