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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

PAU DOS FERROS - RIO GRANDE DO NORTE

Pau dos Ferros é um município brasileiro no interior do estado do Rio Grande do Norte, Região Nordeste do país. Com uma área de 260 km², está distante 389 km de Natal, a capital estadual. Emancipado de Portalegre no século XIX, o topônimo é referência a uma árvore, muito provavelmente a oiticica que, pela sua grande dimensão, oferecia sombra e consequentemente um local para repouso dos vaqueiros que por ali passavam e marcavam ferro no tronco dessas árvores, dando origem ao povoamento da região.
Principal cidade da região do Alto Oeste, sua população estimada pelo IBGE para o ano de 2025, era de 32.123 habitantes, sendo o décimo oitavo mais populoso do estado do Rio Grande do Norte, embora, devido à polarização da cidade, cuja área de influência abrange mais de trinta municípios circunvizinhos, passem pela sede municipal cerca de cinquenta mil pessoas diariamente.
O município possui alguns atrativos históricos e culturais, entre os quais o Açude Público Pedro Diógenes Fernandes, manancial que abastece a cidade, e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, construída em 1738, vindo a se tornar matriz de uma freguesia em 1756, além do Obelisco da Praça Monsenhor Caminha, construído em homenagem ao centenário de emancipação política e ao bicentenário da paróquia. Dentre os atrativos culturais estão a Feira Intermunicipal de Educação, Cultura, Turismo e Negócios do Alto Oeste Potiguar (FINECAP), importante exposição cultural e econômica, e as festividades da padroeira Nossa Senhora da Conceição, realizadas no final de novembro e no início de dezembro.
História
Das origens à emancipação

Durante muito tempo, a região do atual município de Pau dos Ferros foi habitada pelos índios panatis até que, entre finais do século XVII e início do século XVIII, vaqueiros e viajantes que cruzavam o sertão descobriram um curso de água, mais tarde batizado de Rio Apodi, cercado por grandes árvores frondosas, que logo passaram a servir de descanso em meio a longas e cansativas viagens. Ao longo deste curso, também foram organizados pontos de comércio, com a venda e marcação de gados nos troncos dessas árvores
Em 1717, na época do Brasil Colônia, o senhor Manoel Negrão se tornou o primeiro donatário de uma sesmaria, que foi posteriormente doada ao coronel baiano Antônio da Rocha Pita, proprietário de grandes terras localizadas nas províncias do Ceará e Rio Grande do Norte. Com a sua morte, em 1733, essa sesmaria, denominada "Pau dos Ferros", foi herdada por seus filhos Francisco da Rocha Pita, Luiz da Rocha Pita Deusdará, Simão da Fonseca e Maria Joana, sendo todos esses pioneiros que contribuíram para o estabelecimento de um pequeno povoado, com muitas casas de taipas ao redor dessa sesmaria. Mas o grande pioneiro da história do município foi o fazendeiro Francisco Marçal, que fundou uma fazenda destinada à criação de gado e, com grande mobilização, também foi o responsável pela construção de uma capela, em 1738, vindo a se tornar matriz de uma grande freguesia em 19 de dezembro de 1756, com a criação de uma paróquia, que teve como padroeira Nossa Senhora da Conceição. 
Em 1761, o povoado foi integrado à vila de Portalegre que, por se localizar em serra, distante 33 quilômetros do povoado de Pau dos Ferros, trazia prejuízos ao comércio local e dificultava o acesso das pessoas. Em toda a zona oeste do Rio Grande do Norte só existiam três povoados, Apodi, Portalegre e Pau dos Ferros, sendo que apenas o último, devido à sua localização estratégica e privilegiada entre duas grandes serras, tinha um crescimento regular. Ao mesmo tempo, outros dois povoados, situados em serra, começavam a ter destaque: Luís Gomes e São Miguel. 
No século XIX, a partir de 1841, moradores do povoado realizaram um abaixo-assinado, que totalizou 492 assinaturas, reivindicando a elevação do povoado de Pau dos Ferros à categoria de vila. O projeto foi encaminhado à assembleia provincial e aprovado na Comissão de Estatística e Justiça, mas não foi aprovado em plenário. A segunda tentativa, novamente rejeitada, ocorreu em 1847 quando, em 21 de outubro, o deputado provincial João Inácio de Loiola Barros apresentou um segundo projeto, desta vez pretendendo transferir a sede da vila de Portalegre para Pau dos Ferros. Em 12 de abril de 1853, os deputados provinciais Luiz Antônio de Brito Guerra (Barão do Assu) e Elias Antônio Cavalcanti de Albuquerque apresentaram um novo projeto de criação da vila, desta vez com a denominação Vila Cristina, mas a tentativa não obteve sucesso e o projeto foi reprovado. 
Finalmente, em 23 de agosto de 1856, um novo projeto foi apresentado pelo deputado provincial Bevenuto Vicente Fialho na Assembleia Provincial em Natal. Este projeto foi aprovado e se transformou na Lei Provincial n.º 344, sancionada em 4 de setembro daquele ano pelo governador Antônio Bernardo Passos, elevando o povoado à categoria de vila, desmembrando-a de Portalegre, quase cem anos após a criação da freguesia de Nossa Senhora da Conceição. O nome "Pau dos Ferros" vem de uma árvore, mais precisamente de marcas fixadas com ferro em brasa numa oiticica muito frondosa que, pela sua grande dimensão, oferecia uma farta sombra e servia de local para o repouso dos vaqueiros, que chegavam cansados de longas caminhadas. 
Da emancipação ao centenário
Em 19 de janeiro de 1857, o município fora oficialmente instalado, em sessão solene na câmara municipal, que teve como primeiro presidente Manoel Silvestre Ferreira. Em 01 de dezembro de 1859, era criada a feira livre da cidade, que durou pouco tempo, porém foi restaurada em 1868 e desde então é realizada semanalmente aos sábados. Em 1872, quando foi realizado o primeiro censo demográfico nacional, Pau dos Ferros era o terceiro município mais populoso da província, com 18.637 habitantes, sendo superado apenas por Nova Cruz (20.466) e Natal (19.126). Em 8 de agosto de 1873, a Lei Provincial n.º 683 criou a comarca de Pau dos Ferros, desmembrada da comarca de Imperatriz, hoje Martins.
Após uma grande epidemia de cólera em 1862, que, segundo registros oficiais, matou 199 pessoas, Pau dos Ferros foi afetado por uma grande seca em 1877, que viria a durar três anos, a mais grave já registrada no Brasil e, em seguida, por surtos de sarampo, varíola e disenteria, que também dizimaram parte da população pau-ferrense, visto que ainda não havia hospitais e outros estabelecimentos de saúde. Antes, em 1876, Pau dos Ferros perderia território com a emancipação da vila de São Miguel, que se tornou município. Em 1890, seria a vez de Luís Gomes. 
A partir de 1889, ano da Proclamação da República, deu-se início à construção de um reservatório, que foi inaugurado em 25 de março de 1897, recebendo, por isso, a denominação "25 de Março". Esse açude foi idealizado em 1888 pelo intendente municipal Joaquim José Correia e, durante muitas décadas, serviu de abastecimento à população local. Mais tarde, também foi construído o Açude Gangorra, hoje localizado em terras do município de Rafael Fernandes. No início do século XX, mais especificamente em 1908, Joaquim Correia também deu início à construção de um grupo escolar, que logo levou seu nome e foi inaugurado em 1911, que teve Orlando Correia como seu primeiro diretor e as senhoras Idalina Gurjão e Maria Luíza como suas primeiras professoras, que exerceram atividade durante muitos anos. 
No final dos anos 1910, ocorreu um dos episódios mais sangrentos da história de Pau dos Ferros, a "hecatombe de 1919", que resultou de um grupo musical local, a Banda Filarmônica Dr. Guilherme Lins, integrada por facções políticas opostas. Esta chacina aconteceu no dia 3 de abril de 1919 quando, durante a realização de uma reunião na residência do senhor José Ayres Afonso, ocorreram desavenças e desentendimentos entre os participantes, gerando um verdadeiro tumulto. A situação piorou com a chegada da polícia, havendo muitas trocas de tiros de fuzil. No final, alguns dos participantes da reunião acabaram mortos, enquanto outros ficaram feridos. Por esse fato, o coronel Joaquim Correia deixou Pau dos Ferros, estabelecendo residência em Natal. Por fim, no dia 2 de dezembro de 1924, a vila de Pau dos Ferros fora elevada à categoria de cidade, pela Lei Estadual n.º 593, sancionada pelo então governador José Augusto Bezerra de Medeiros.
Em 1926, o cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, junto com seu bando, adentrou em terras pau-ferrenses, praticando diversos crimes de furto, já que, naquela época, só havia um policial civil na cidade. Em 1929, o picuiense Francisco Dantas de Araújo tornou-se o primeiro prefeito de Pau dos Ferros, sendo o responsável pela construção da atual sede da prefeitura municipal, em 1930, localizada na Avenida Getúlio Vargas. Naquele mesmo ano, com o advento do Movimento Revolucionário de 24 de Outubro, ele foi deposto do cargo, assumindo, em seu lugar, o senhor João Escolástico Bezerra de Medeiros, que durante sua gestão trouxe pela primeira vez energia elétrica para Pau dos Ferros, com a construção de uma usina, que gerava energia por meio de ferro e brasa. Outro fato histórico durante a década de 1930 foi a eleição, pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, do pau-ferrense Rafael Fernandes Gurjão para o governo do estado, estando à frente do executivo estadual de 1935 até 1943. 
Em 1939, o senhor Francisco Fernandes Sena toma posse como prefeito de Pau dos Ferros e, entre suas principais realizações, destacaram-se a construção de um abatedouro público e do primeiro quartel policial, em 1940. Nesse mesmo ano, mais especificamente no dia 11 de fevereiro, era empossado vigário paroquial o padre Manoel Caminha Freire de Andrade, que se tornou Cônego em 1954 e monsenhor em 1966, tendo celebrado na paróquia até 1991, quando se afastou por problemas de saúde. No período de 31 de janeiro de 1946 a 15 de março do mesmo ano, esteve à frente da prefeitura do município pela primeira vez uma mulher, Eulália Fernandes Bessa, nomeada por Miguel Seabra Fagundes, interventor federal no Rio Grande do Norte.
No início da década de 1950, durante a gestão do doutor Licurgo Nunes Ferreira (1948-1953), iniciou-se a construção do pavilhão municipal na Praça da Matriz, que posteriormente recebeu a denominação "Cônego Caminha", tornando-se uma das principais áreas de lazer de Pau dos Ferros. Em seu pavimento superior havia um salão de dança, onde tocava a banda musical Os Brasas. Outro fato relevante da sua gestão foi a construção e inauguração da Escola 31 de Março, atual Escola Estadual Doutor José Fernandes de Melo. Em 1953 tem início a construção do Patronato, inaugurado em 19 de julho de 1954 pelas filhas da caridade. Ainda em 1953, o vigário da paróquia de Pau dos Ferros trouxera de Portugal uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, marcando um dos maiores eventos religiosos da história do município e, por meio de uma mobilização, construiu uma capela em sua devoção, situada na Rua 13 de Maio, inaugurada em 1956. Em 1955 chegou até o município a agência do Banco do Nordeste do Brasil. 
Do centenário aos dias atuais
Em 4 de setembro de 1956 o município completou cem anos de emancipação política. Neste ano aconteceu uma série de eventos para se comemorar o centenário da cidade, bem como o bicentenário da paróquia, dentre eles a inauguração do Obelisco da Praça Monsenhor Caminha, no dia 14 de dezembro. O monumento foi projetado pelo arquiteto baiano Oscar de Sousa Lelis por encomenda do então prefeito José Fernandes de Melo. No mês de julho daquele mesmo ano foi fundado o Hospital Centenário de Pau dos Ferros, que teve como fundador e diretor Nelson Maia.
Em 1958, o então prefeito Paulo Diógenes construiu a atual "Escola Estadual 4 de Setembro" e ainda mais de quarenta quilômetros de estradas e ruas, entre as quais a atual Avenida da Independência. No dia 01 de janeiro de 1961, Dom Eliseu Simões Mendes fundou a Maternidade Santa Luzia de Marilac, que é mantida pela liga de assistência social da paróquia de Pau dos Ferros. Entre 1963 e 1969, durante a gestão de Pedro Diógenes Fernandes à frente da prefeitura, destacaram-se a criação da bandeira municipal, os primeiros telefones e a construção do Açude Pau dos Ferros, cujas obras se iniciaram em 1965 e vieram a ser concluídas em 1967. Em 1966, Pau dos Ferros ganhou seu principal ponto de diversão da época, o Cine São João, que funcionava na Rua 7 de Setembro, em uma época em que ainda não havia televisão na cidade. 
No primeiro mandato de José Edmilson de Holanda como prefeito (1970-1973), Pau dos Ferros recebeu energia elétrica da Companhia Energética do Rio Grande do Norte (COSERN). Em 1970, devido a uma grande seca que assolou o município, Pau dos Ferros recebeu ajuda financeira do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), que construiu a estação de tratamento de água da cidade, cuja caixa d'água possui dezenove metros de altura e capacidade para 500 m³ de água. Em 28 de fevereiro de 1971 foram inauguradas as instalações da TELERN (Telecomunicações do Rio Grande do Norte). Em seu mandato também foi inaugurado o Estádio 9 de Janeiro, em alusão à vitória do Clube Centenário Pauferrense no primeiro matutão de futebol do Rio Grande do Norte, em 9 de janeiro de 1972. Com a saída de José Edmilson, reassume a prefeitura José Fernandes de Melo, que governou até 1977. Antes, em 28 de setembro de 1976, pelo decreto-lei estadual n° 15, foi criado o câmpus da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) no município, denominado "Professora Maria Elisa de Albuquerque Maia". Entre 1977 e 1983, o município fora novamente administrado por José Edmilson de Holanda. 
Nas décadas 1980 e 1990 destacaram-se a inauguração do terminal rodoviário municipal, em 1984; a criação da primeira rádio, a AM Cultura do Oeste, que entrou no ar em 1º de abril de 1986; a primeira visita de um Presidente da República, José Sarney, em 28 de outubro de 1987; a construção do hospital regional, inaugurado em 1990; o asfaltamento da BR-405 na Avenida da Independência e a criação da Feira de Cultura do Município (FECUM) em 1994, que em 1997 se transformou na atual Feira Intermunicipal de Educação, Cultura, Turismo e Negócios do Alto Oeste Potiguar (FINECAP). 
Nos anos 2000 e 2010, os principais acontecimentos históricos foram a construção da Praça de Eventos Nossa Senhora da Conceição; a reconstrução da antiga Praça da Matriz, que deu lugar à Praça Monsenhor Caminha; a chegada de duas instituições federais de ensino superior, o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) em 2009 e 2012, respectivamente; e a inauguração do primeiro grande centro comercial da região do Alto Oeste, o Plaza Shopping Center, em janeiro de 2019. 
Formação Administrativa
Distrito criado com a denominação de Pau dos Ferros, em 1759. 
Elevado à categoria de município com a denominação de Pau dos Ferros, pela Resolução Provincial n.º 344, de 04 de setembro de 1856, desmembrado do município de Portalegre. Sede na povoação de Pau dos Ferros. Instalada em 19 de janeiro de 1857. 
Pela Lei Municipal n.º 5, de 02 de setembro de 1902, é criado o distrito de Vitória e anexado a vila de Pau dos Ferros. 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de 2 distritos: Pau dos Ferros e Vitória. 
Elevado à condição de cidade com a denominação de Pau dos Ferros, pela Lei Estadual n.º 593, de 02 de dezembro de 1924. 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído do distrito sede. Não figurando o distrito de Vitória pois o mesmo foi extinto. 
Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937. 
Pelo Decreto Estadual n.º 603, de 31 de outubro de 1938, é recriado o distrito de Vitória e anexado ao município de Pau dos Ferros. 
No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de 2 distritos: Pau dos Ferros e Vitória. 
Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 268, de 30 de dezembro de 1943, o distrito de Vitória passou a denominar-se Panatis. 
No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o município é constituído de 2 distritos: Pau dos Ferros e Panatis (ex Vitória). 
Pela Lei Estadual n.º 146, de 23 de dezembro de 1948, é criado o distrito de Riacho de Santana e anexado ao município de Pau dos Ferros. 
Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1950, o município é constituído de 3 distritos: Pau dos Ferros, Panatis e Riacho de Santana. 
Pela Lei Estadual n.º 909, de 24 de novembro de 1953, é desmembrado do município de Pau dos Ferros o distrito de Panatis. Elevado à categoria de município com a denominação de Marcelino Vieira. 
Pela Lei Estadual n.º 55, de 21 de dezembro de 1953, é criado o distrito de Joaquim Correia (ex povoado de Encanto) e anexado ao município de Pau dos Ferros. 
Pela Lei Estadual n.º 56, de 21de dezembro de 1953, é criado o distrito de Rafael Fenandes (ex povoado de Varzinha) e anexado ao município de Pau dos Ferros. 
Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1955, o município é constituído de 4 distritos: Pau dos Ferros, Joaquim Correia, Rafael Fernandes e Riacho de Santana. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1º de julho de 1960. 
Pela Lei Estadual n.º 2.780, de 10 de maio de 1962, é desmembrado do município de Pau dos Ferros o distrito de Riacho de Santana. Elevado à categoria de município. 
Pela Lei Estadual n.º 2.833, de 20 de março de 1963, é desmembrado do município de Pau dos Ferros o distrito de Joaquim Correia. Elevado à categoria de município com a denominação de Encanto. 
Pela Lei Estadual n.º 2.964, de 22 de outubro de 1963, é desmembrado do município de Pau dos Ferros o distrito de Rafael Fernandes. Elevado à categoria de município. 
Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1963, o município é constituído do distrito sede. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2023.
Origem do Nome
A origem do nome "Pau dos Ferros" é uma das histórias mais tradicionais e pitorescas do folclore potiguar, remontando à rotas dos antigos boiadeiros.
"Conta a tradição oral que, nos primórdios da ocupação, os vaqueiros e comboieiros que viajavam conduzindo o gado costumavam repousar à sombra de uma frondosa árvore de oiticica. Para identificar o local de parada e organizar os rebanhos, os vaqueiros marcavam o tronco da árvore com os ferros em brasa utilizados para marcar os bois. A repetição desse hábito fez com que o local ficasse conhecido como o 'pau dos ferros', batizando definitivamente o povoado."
Geografia
O território de Pau dos Ferros ocupa 259,959 km² de área (0,4923% da superfície estadual), sendo 7,4616 km² de área urbana, constituída por um total de 29 bairros. Os limites municipais são: a norte São Francisco do Oeste e Francisco Dantas; a sul Rafael Fernandes e Marcelino Vieira; a leste Serrinha dos Pintos, Antônio Martins e novamente Francisco Dantas e, a oeste, Encanto e Ereré, este último no estado do Ceará. A cidade está a 389 km da capital estadual, Natal, e a 2 115 km de Brasília, capital federal. Na divisão territorial vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence à região geográfica imediata de Pau dos Ferros, dentro da região intermediária de Mossoró; até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Pau dos Ferros, na mesorregião do Oeste Potiguar.
Relevo
O relevo local se insere na Depressão Sertaneja, que abrange terrenos mais baixos de transição entre a Chapada do Apodi e o Planalto da Borborema. A geologia é marcada pela presença de abrangência de rochas metamórficas que formam o embasamento cristalino, oriundas do período Pré-Cambriano médio, com idade entre um bilhão e 2,5 bilhões de anos. 
Solo
O tipo de solo predominante é o podzolítico vermelho amarelo equivalente eutrófico, com drenagem bastante acentuada, relevo suave, alto nível de fertilidade e textura média, que pode ser ou não formada por cascalho. Há também, em menores porções, o solo bruno não cálcico e o litólico. Este último, na nova classificação brasileira de solos, passou a ser chamado de neossolo, enquanto os demais tornaram-se os luvissolos. 
Esses solos, por serem pouco desenvolvidos, são cobertos pela caatinga hiperxerófila, vegetação de pequeno porte típica do sertão nordestino, sem folhas na estação seca. Entre as espécies encontradas estão a catingueira (Caesalpinia pyramidalis), o facheiro (Pilosocereus pachycladus), o faveleiro (Cnidoscolus quercifolius), o juazeiro (Ziziphus joazeiro), a jurema-preta (Mimosa hostilis), o marmeleiro (Cydonia oblonga), o mufumbo (Combretum leprosum), a oiticica (Licania rigida), o pau d'arco (Handroanthus impetiginosus), o pereiro (Aspidosperma pyrifolium) e o xique-xique (Pilosocereus polygonus). Boa parte da cobertura original foi desmatada para a prática agrícola, com destaque ao cultivo de algodão.
Hidrografia
Pau dos Ferros é cortado pelo Rio Apodi-Mossoró, possuindo todo o seu território na bacia hidrográfica homônima. Outros cursos d'água do município são os riachos das Cajazeiras, da Capa, da Estrema, do Meio e do Retiro. O principal reservatório é o Açude Público Dr. Pedro Diógenes Fernandes (Açude Pau dos Ferros), construído pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) e inaugurado em 1967, estando localizado a três quilômetros da zona urbana e com uma capacidade total para 54.846.000 m³. Os demais reservatórios com capacidade igual ou superior a 100 000 m³ são os açudes 25 de Março (8.181.000 m³), da Capa (640.800 m³) e Benevides José Gonçalves (129.760 m³).
Clima
O clima é semiárido (Bsh segundo Köppen), com temperaturas elevadas durante todo o ano e precipitações sob a forma de chuva, concentradas no primeiro semestre, enquanto no restante do ano sua ocorrência é quase nula ou mesmo inexistente. 
Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), referentes ao período entre 1911 e 1985 e a partir de 1993, o maior acumulado de chuva em 24 horas registrado em Pau dos Ferros foi de 147,8 mm em 15 de abril de 1982. O recorde de chuva mensal é de 548,9 mm em março de 1981, enquanto o ano mais chuvoso da série histórica foi 1974, com 1 505,2 mm. Desde agosto de 2019, a menor temperatura registrada em Pau dos Ferros ocorreu em 22 de julho de 2020, com mínima de 17,7 °C, enquanto a maior atingiu 41,1 °C em 31 de outubro de 2023.
Economia
Pau dos Ferros é um município de grande relevância na região que se destaca pela alta regularidade das vendas no ano e pelo elevado potencial de consumo.
A economia de Pau dos Ferros é fortemente concentrada no setor terciário (comércio e prestação de serviços). A cidade funciona como um shopping a céu aberto para o Alto Oeste. O setor médico-hospitalar e o comércio de confecções, autopeças e alimentos são os maiores geradores de receitas.
No setor primário, embora castigado pelas secas periódicas, destaca-se a agricultura de subsistência (milho e feijão), a fruticultura irrigada em pequena escala e a pecuária leiteira. A indústria possui caráter complementar, focada na construção civil, panificação e pequenas confecções.
De janeiro a março de 2026, foram registradas 498 admissões formais e 418 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 80 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de 66.
Até abril de 2026 houve registro de 4 novas empresas em Pau dos Ferros, sendo que uma delas atua pela internet. Neste último mês, não foi identificada nenhuma nova empresa. Este desempenho é menor que o do mês imediatamente anterior (3). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 97 empresas.
Saúde
A rede de saúde de Pau dos Ferros inclui doze unidades básicas de saúde (UBS), um centro de atenção psicossocial (CAPS) e dois hospitais, sendo eles o Hospital Dr. Nelson Maia, o mais antigo e mantido pela Associação Hospital Centenário de Pau dos Ferros, e o Hospital Regional Doutor Cleodon Carlos de Andrade (HRCCA), inaugurado em 10 de março de 1990, contando com atendimento exclusivo aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e atendendo 24 horas por dia em regime de plantão. Ao lado do HRCCA está a sede VI Unidade Regional de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (VI URSAP), que abrange outros 36 municípios potiguares. 
Educação
Um dos maiores motores do desenvolvimento contemporâneo de Pau dos Ferros é a educação. A cidade transformou-se em um verdadeiro polo universitário que atrai jovens de três estados diferentes. O município sedia campi de instituições renomadas:
- UERN (Universidade do Estado do Rio Grande do Norte): oferece diversos cursos de graduação e pós-graduação, sendo pioneira no ensino superior local.
- UFERSA (Universidade Federal Rural do Semi-Árido): trouxe cursos de engenharia, tecnologia e ciências agrárias de peso para a região.
- IFRN (Instituto Federal do Rio Grande do Norte): referência em ensino técnico integrado e superior tecnológico.
Dentre as instituições privadas estão a Escola de Enfermagem Catarina de Siena, a Faculdade Evolução do Alto Oeste Potiguar (FACEP), a Universidade Potiguar (UnP) e a Universidade Anhanguera.
Cultura e lazer
A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SECULT) é o órgão da prefeitura responsável pela educação e pela área cultural e turística do município de Pau dos Ferros, cabendo a ela a organização de atividades e projetos culturais. Pau dos Ferros é considerada a Capital Nacional dos Estudos de Língua e Literatura, título atribuído na realização do VII Colóquio Nacional de Professores de Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e de Literatura, em agosto de 2010, no Câmpus Avançado da UERN do município.
Pau dos Ferros conta com alguns pontos turísticos: o Açude Pau dos Ferros, que abastece a população o município; a Casa de Cultura Popular Joaquim Correia, inaugurada em 1911, onde funcionou a primeira escola pública do município e posteriormente o campus da UERN na década de 1980; a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, sede da paróquia de Pau dos Ferros, que faz parte da Diocese de Mossoró; o Obelisco, situado no meio da Praça Monsenhor Caminha, foi projetado pelo arquiteto baiano Oscar de Sousa Lelis por pedido do então prefeito na época, José Fernandes de Melo, construído em maio de 1955 para ser entregue à população em 1956, ano do centenário do município e do bicentenário da paróquia e a Praça de Eventos Nossa Senhora da Conceição, área de lazer pública onde são realizados diversos eventos promovidos pela prefeitura ou instituições locais, construída em um terreno com dez mil metros quadrados de área e inaugurada em 25 de junho de 2008. 
O artesanato é uma das formas mais espontâneas da expressão cultural pau-ferrense, sendo possível encontrar uma produção feita com matérias-primas regionais, como o bordado e a madeira, além da culinária típica local. Normalmente essas peças são vendidas em lojas, feiras e/ou exposições, como a Feira do Artesanato Pauferrense (FARPA), realizada todos os meses na última sexta-feira, disponibilizando espaço para confecção, exposição e venda dos produtos artesanais, além de apresentações e barracas de comidas típicas, contribuindo para movimentar a economia local. Também se destaca a Feira Intermunicipal de Educação, Cultura, Turismo e Negócios do Alto Oeste Potiguar (FINECAP), evento realizado no começo de setembro, dentro da festa de emancipação política do município, e destinado às empresas, ao comércio e à indústria para a realização de suas atividades, além de exposições, apresentações de cantores e bandas de músicas vindas de diversos lugares do Brasil, oferecendo lazer, cultura e entretenimento para a população pau-ferrense e de outras localidades circunvizinhas. 
Outros eventos importantes realizados em Pau dos Ferros são: a Vitrine Cultural "Xanana Diógenes", que é realizada desde 2005 antecedendo a FINECAP, contando com apresentações artísticas e culturais, cujo nome é uma homenagem a uma das maiores artistas plásticas naturais do município; a Cavalgada do Vaqueiro, que acontece no dia 4 de setembro, data de aniversário da cidade, em homenagem ao vaqueiro, um dos personagens mais importantes da história de Pau dos Ferros e a festa da padroeira Nossa Senhora da Conceição, que se inicia em 28 de novembro com a missa de abertura e o hasteamento das bandeiras, prosseguindo com nove noites de novena e se encerrando no dia 8 de dezembro com missas e a procissão com a imagem da padroeira por algumas ruas da cidade, contando também com barracas de comidas típicas e apresentações de bandas musicais. Por meio da Lei Estadual n.º 11.870, de 5 de agosto de 2024, a festa tornou-se patrimônio cultural, histórico e religioso imaterial do Rio Grande do Norte. Os dias 4 de setembro e 8 de dezembro são feriados municipais. 
Esportes
Em Pau dos ferros ão realizados eventos com ênfase no setor esportivo, como o Campeonato Municipal de Futebol e a Copa Pau-ferrense de Ciclismo. Pau dos Ferros também vem se destacando em outras modalidades esportivas, como no voleibol, em que algumas equipes do município conquistaram torneios regionais e estaduais. Ainda há programas de incentivo à prática de esportes.
O futebol é a grande paixão local, centralizado no Estádio municipal 9 de Janeiro, palco de torneios amadores tradicionais. O ciclismo de resistência e as corridas de rua também ganharam enorme popularidade, aproveitando o relevo da região.
Referências para o texto: Wikipédia; IBGE ; Caravela .