Camaçari é um município do estado da Bahia, no Brasil. Situa-se a 41 quilômetros da capital estadual, Salvador. O município é conhecido como "Cidade Industrial", por abrigar o Polo Industrial de Camaçari. O seu gentílico é "camaçariense".
Etimologia
"Camaçari" deriva do tupi antigo kamasary, que designava a árvore atualmente conhecida como "cachaporra-do-gentio".
História
Ocupação
Em meados do século X, a região do Recôncavo Baiano foi invadida por povos tupis procedentes da Amazônia. Eles expulsaram os habitantes anteriores da região, falantes de línguas macro-jês, para o interior do continente. Quando os primeiros exploradores europeus chegaram à região, no século XVI, a mesma era habitada pela tribo tupi dos tupinambás.
A história da ocupação portuguesa do território de Camaçari começa em 1558, quando foi criada a Aldeia do Divino Espírito Santo pelos padres jesuítas, reunindo índios de várias aldeias tupinambás ao redor de uma capela de taipa sob o comando do padre João Gonçalves e do irmão Antônio Rodrigues às margens do Rio Joanes.
Em 1562, na Igreja de "Santos Spiritus", ajuntaram sete aldeias, com mil almas cristãs. Há indícios que esses índios tenham participado da "guerra do Paraguaçu", apesar de serem tupinambás, assim como os índios do Vale do Paraguaçu (região onde é hoje o povoado de São Francisco de Iguape, pertencente a Cachoeira). Mais tarde, já entre 1624 - 1640, os índios da aldeia do Espírito Santo participaram da luta contra a invasão holandesa, juntamente com o pessoal da Casa da Torre (hoje pertencente ao município de Mata de São João), o que fez crescer o índice de mortalidade por sucessivas epidemias e fome, antes mesmo da expulsão dos jesuítas no governo do Marquês de Pombal em 1755.
Após a expulsão dos jesuítas, a aldeia passou à categoria de Vila por provisão do Conselho Ultramarino, Alvará Régio de 27 de setembro de 1758, denominando-se Vila Nova do Espírito Santo de Abrantes - Vila de Abrantes - com a inauguração da Casa da Câmara e Cadeia Municipal (Senado da Câmara e Pelourinho).
A vila foi extinta em 1846 pela Resolução Provincial nº 241, de 16 de abril, sendo integrada ao município de Mata de São João. Em 1848, foi restabelecida pela Resolução nº 310, de 3 de junho, tendo o território desmembrado de Mata de São João.
Séculos XVIII e XIX
Entre os séculos XVIII e XIX, tem-se a administração da Marquesa de Niza através de Tomas da Silva Paranhos, que lhe enviou juros e rendas (enfiteuses e laudêmios) até, finalmente, adquirir a propriedade. Este latifundiário deixou 9 herdeiros: entre eles, Maria Joaquina da Silva Paranhos, casada com José Garcez Montenegro, de quem descende o desembargador Tomas Garcez Paranhos Montenegro.
No final do século XIX, houve a expansão da malha ferroviária baiana: suas principais diretrizes eram a integração com o recôncavo e a região do São Francisco. Camaçari está estrategicamente situada entre as duas bifurcações (uma em Simões Filho em direção ao recôncavo, e outra em Alagoinhas, onde a estrada toma outras duas direções – Médio São Francisco e Litoral Norte).
Abrantes, cuja importância se devia à ocupação pelos jesuítas e à limitada exploração agrícola nas terras da Marquesa de Niza, perdeu importância econômica em relação ao desenvolvimento que o interior passou a oferecer: a sede do município passou, então, a ser em Parafuso (sendo, posteriormente, construída a estação de trem). Por força política, no entanto, houve o retorno da sede para Abrantes em 1892.
Primeira administração municipal
A primeira composição administrativa (municipal) de Vila de Abrantes (sede) abrangia os distritos de Abrantes, Monte Gordo e Ipitanga (atual Lauro de Freitas). A Lei Municipal de 22 de março de 1920 criou o distrito de Camaçari, com território desmembrado de Abrantes, criação essa, confirmada pela Lei estadual nº 1.422, de 4 de agosto desse mesmo ano.
A Lei estadual nº 1.809, de 28 de julho de 1925, modificou-lhe o topônimo para Montenegro (em homenagem ao desembargador Tomas Garcez Paranhos Montenegro) e transferiu-lhe a sede para o arraial de Camaçari, elevado à categoria de vila. Mas, em 1938, em razão do Decreto-Lei estadual nº 10.724, de 30 de março de 1938, em que todos os municípios passaram a ter o nome de suas respectivas sedes, o município passou a denominar-se Camaçari, constituindo-se dos distritos de Camaçari, Abrantes e Monte Gordo. Incluindo as localidades Parafuso e Dias d'Ávila, esta última foi elevada à categoria de vila e distrito em 1953 (Lei nº 628, de 30 de dezembro de 1953).
Lauro de Freitas, em 1880, passou integrar o distrito de Montenegro, atual Camaçari. Em 1932, retornou a Salvador.
Período recente
Em 1957, estimava-se uma população de 4 300 habitantes, o que caracterizou-se como a principal cidade de veraneio da região pela excelência de suas águas minerais.
A separação do distrito de Dias d'Ávila, transformado em município segundo a Lei Estadual nº 4.404, ocorreu em 25 de dezembro de 1985, reduzindo a área de Camaçari para 773 quilômetros quadrados e retornando à formação anterior com três distritos: Camaçari (distrito sede), Abrantes e Monte Gordo.
Passou a existir, na região, um padrão de ocupação a partir da agricultura de sobrevivência, roças, arruados, chácaras e sítios. Existe, também, no município, hoje, aglomeração de populações de remanescentes de quilombo.
O município possui sobrevivências africanas na capoeira de Angola, candomblés e artesanatos, onde percebem-se as influências indígenas numa fusão com as africanas. Estão presentes, no município, as etnias banta e iorubá na sede e na orla.
As mais intensas transformações das paisagens e populações do município se dão a partir da década de 1970, quando se inicia o processo de implantação do Polo Petroquímico, e, mais tarde, com a implantação do polo de Apoio (2000) e Ford (2001), além da construção da estrada litorânea que liga o estado da Bahia a Sergipe.
Geografia
As vegetações encontradas no município são dunas, manguezais, restingas, mata ciliar e atlântica. Existem três áreas de proteção ambiental (APA): Joanes/Ipitanga, Rio Capivara e Lagoas de Guarajuba. Além das unidades de conservação: Cinturão Verde de Proteção do Complexo Petroquímico de Camaçari, Parque das Dunas de Abrantes e Parque Garcia D'Ávila.
Clima
O clima de Camaçari é tropical úmido, com uma temperatura média compensada de 25 graus Celsius (°C).
Economia
Setor secundário
A economia do município é quase totalmente baseada no polo industrial de Camaçari, inaugurado em 1978 no município e em atividade até os dias atuais, figurando como um dos mais importantes da América Latina. Foi o primeiro complexo petroquímico planejado do país. Tem mais de 60 empresas químicas, petroquímicas e de outros ramos de atividade como automotiva, destacando-se a fábrica da Ford, de celulose, metalurgia do cobre, têxtil, bebidas e serviços, entre outras.
Emprega 13 mil pessoas diretamente e 20 mil pessoas através de empresas contratadas (80 por cento da mão de obra local). Além disso, gera 45 mil empregos, sendo 15 mil diretos e 30 mil indiretos. Representa mais de 30 por cento do total exportado pelo estado da Bahia. Sua participação no Produto Interno Bruto baiano é de 20 por cento. A fábrica da Ford Motor Company, na cidade, monta os veículos Ford EcoSport, Ford Fiesta e o Ford Fiesta Sedan. Essa foi a primeira indústria automotiva a se instalar no nordeste do país e emprega cerca de 800 engenheiros.
Em dezembro de 2001, a Companhia Monsanto, no Polo Petroquímico de Camaçari, foi a primeira planta da empresa projetada para produzir matérias-primas para o herbicida Roundup na América do Sul. O investimento é equivalente a 500 milhões de dólares. A fábrica de Camaçari, a maior unidade da Monsanto fora dos Estados Unidos, é também a única planta da empresa voltada para a fabricação de matérias-primas para a linha de produção Roundup.
Setor terciário
Em Camaçari, são mais de 42 quilômetros de praias paradisíacas, o que contribui de forma acentuada para o turismo na cidade. Em Camaçari, existe a mais tradicional aldeia hippie do Brasil; o projeto Tamar de preservação das tartarugas-marinhas; e — na direção do interior — o Parque da Dunas de Abrantes e o Mirante do Cruzeiro. Também em Vila de Abrantes está a igreja mais antiga do município; construída pelos jesuítas há mais de 400 anos e, — entre muitas outras riquezas – as nascentes protegidas das quatro principais bacias hidrográficas responsáveis pelo abastecimento de água de toda a Região Metropolitana de Salvador.
Além de sua riqueza industrial, o litoral de Camaçari possui praias, como Guarajuba, Arembepe e Jauá, todas muitos frequentadas. Além delas, há também a Praia de Barra do Jacuípe, de Genipabu, de Interlagos, Praia de Itacimirim, Praia do Japonês e de Busca Vida.
Educação
Na educação, o município é sede de um campus da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), do Instituto Federal da Bahia (IFBA), da Faculdade Metropolitana de Camaçari (FAMEC) e visa construir um campus da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Católica do Salvador (UCSal). O município também sedia o programa social Cidade do Saber, inaugurado em 22 de março de 2007 e reconhecido como o mais importante centro de conhecimento e inclusão social do estado da Bahia.
Cultura
Na área da cultura, destaca-se a Cidade do Saber, pois promove diversos eventos movimentando o calendário com exposições, concertos, espetáculos de dança e teatro, competições esportivas. A instituição, inaugurada em março de 2007, mantém uma orquestra pró-sinfônica e uma companhia de balé somadas às atividades oferecidas de educação não formal a crianças e adultos, como música, teatro, dança (em parceria com a Ebateca), artesanato, artes plásticas, judô, caratê, natação, ginástica rítmica, hidroginástica, futebol, cursos de inglês e espanhol (em parceria com as Escolas Fisk), hidroginástica. São 10 mil alunos nessas atividades, e mais 40 mil pessoas que circulam anualmente no complexo. Mantido anualmente com quinze milhões de reais da Prefeitura, além de recursos da Braskem e Cofic, é administrado pelo Instituto Professor Raimundo Pinheiro funcionando com cerca de 300 colaboradores.
A estrutura de 22 mil metros quadrados é composta por dois prédios com salas de aula distribuídas em três pavimentos, o Teatro Cidade do Saber (segundo maior teatro da Bahia e público de 19 mil espectadores em 2014), o Museu Interativo de Química, Física e Mecânica (em parceria com a Braskem), ginásio de esportes e piscina semiolímpica, além de uma unidade móvel para oficinas de leitura e contação de histórias que percorre áreas da zona rural. A importância se percebe também nos cinco prêmios de reconhecimento recebidos, dos quais três são internacionais.
Eventos
Em Camaçari, acontece a tradicional festa do Boi Janeiro de Parafuso, a mais antiga da cidade, sendo celebrada com apresentações de dança e de música, em ramificação ao bumba meu boi. Surgida na década de 1930, no distrito de Parafuso, a festa veio a ocorrer através de Dona Palmira, falecida moradora da região.
Existe, também, o Boi Mirim de Parafuso, surgida através do Boi Janeiro, como uma forma de não deixar a tradição acabar. Surgiu em 1997, por iniciativa de Dona Adélia, moradora da regiãoː reúnem-se crianças em sua casa e elas imitam os personagens do Boi Janeiro.
Referência para o texto: Wikipédia .