segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

VIÇOSA - MINAS GERAIS

Viçosa é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na Região Geográfica Intermediária de Juiz de Fora, e na Região Geográfica Imediata homônima, na região da Zona da Mata Mineira. Sua população estimada em julho de 2021 era de 79.910 habitantes.
História
Fundação

Antes da colonização, a região da bacia do Rio Piranga era habitada por índios Botocudos e Puris, que com os Tamoios pertenciam ao grupo Tupi. Embora percorrida por alguns bandeirantes no século XVII permaneceu ocupada por indígenas até então.
O povoamento branco-europeu da região iniciou-se no século XVIII pelas localidades situadas às margens do Caminho Novo - estrada aberta pelo governo colonial para que o ouro fosse levado direto da região das Minas ao Rio de Janeiro, encurtando o trajeto e mantendo seu monopólio, que antes era feito através das gargantas da Mantiqueira, passando pela Serra do Mar e pela baía da Ilha Grande, litoral paulista, para só então chegar ao Rio de Janeiro. Esse povoamento ocorreu em primeiro momento de forma tímida, uma vez que a Coroa Portuguesa proibia a ocupação da região dos "Sertões do Leste”.
Com a decadência da produção aurífera em Minas Gerais, vários exploradores e suas famílias se deslocaram das vilas mineradoras para a Zona da Mata. A referida região era tida como fronteira agrícola, sem grandes focos habitacionais branco-europeus até a primeira metade do século XVIII.
A atual região norte da Zona da Mata passaria a ser povoada por branco-europeus com incentivo do governador da capitania de Minas que, por volta de 1781, distribuiu para esta população privilegiada centenas de sesmarias destinadas à busca do ouro. O povoamento foi fortemente impulsionado ao longo do século XIX pela expansão da lavoura cafeeira. Além dessa, outras atividades econômicas se desenvolveram, como o comércio e outros serviços associados ao seu cultivo, ainda sob o regime de escravização de pessoas negras e indígenas.
A ocupação branco-europeia de Viçosa se inicia, propriamente, no século XIX. Em 8 de março de 1800, o Padre Francisco José da Silva obteve do bispo de Mariana - Frei Cipriano - a permissão para erigir uma ermida em homenagem a Santa Rita de Cássia, no local onde hoje está situada a capela de Nosso Senhor dos Passos na Rua dos Passos, centro do distrito sede - essa região passou a constituir o Patrimônio de Santa Rita. A construção da capela é o marco inicial do processo de ocupação provido pela Igreja Católica, em detrimento de outras manifestações religiosas, que se tornaria o povoado de Santa Rita do Turvo, topônimo da ermida que marcou o início do povoado acrescido do nome do principal rio que atravessa a localidade - Turvo.
Em 1813, com o aumento do povoado resolveu-se construir um novo templo católico no local da atual Praça Silviano Brandão. A construção de uma nova igreja católica à santa padroeira em outro local fez o eixo de expansão urbana mudar em direção a uma área mais plana, próxima ao vale do Ribeirão São Bartolomeu, com melhores condições de se erguer novas edificações, favorecendo o crescimento do povoado.
Em 13 de outubro de 1831, a atual cidade de Rio Pomba, a 100 km de Viçosa, foi elevada à categoria de vila, passando Santa Rita do Turvo a ser um de seus 14 distritos iniciais (em 1837 chegaram a 20).
 O traçado inicial do centro da cidade pouco se alterou ao longo do tempo, mesmo com a expansão local e criação de novas ruas. Contudo, já no final do século XIX, o território de Santa Rita do Turvo encontrava-se significativamente parcelado. O povoado era dividido em três regiões: O Patrimônio de Santa Rita, na Rua dos Passos; o Patrimônio da Matriz, onde se encontra o atual santuário e o quarteirão compreendido entre as ruas Senador Vaz de Mello e Arthur Bernardes, a Praça do Rosário, indo do Córrego São Bartolomeu até o Córrego da Conceição; e o patrimônio de São Francisco que abrangia a área onde atualmente está localizada a Praça Dr. Cristóvão Lopes de Carvalho, Rua Padre Serafim e pelo Cemitério Dom Viçoso.
Segundo José Mário Rangel, em 14 de julho de 1832 o distrito de Santa Rita do Turvo se desmembrou da freguesia do Pomba e tornou-se freguesia. Em 31 de agosto de 1833 foi fundada a Paróquia de Santa Rita, que à época também era uma divisão política. Em 1851 foi inaugurada a primeira igreja Matriz, construída sobre a antiga necrópole que ficava à frente da capela localizada no que hoje é a Praça Silviano Brandão, havendo o desmanche da mesma após término da obra.
Por efeito da Lei Provincial nº 1.871, de 30 de setembro de 1871, Santa Rita do Turvo foi elevada a Vila de mesmo nome. Era constituída, então, de cinco distritos: Santa Rita do Turvo (sede), São Sebastião dos Aflitos de Arrepiados e Curato de Coimbra (desmembrados do município de Ubá), São Miguel do Anta (desmembrado de Ponte Nova) e Barra do Bacalhau (desmembrado de Mariana). A vila foi elevada à categoria de cidade, município, efetivamente, três anos depois (em 3 de junho de 1876), com o nome de Viçosa de Santa Rita, em homenagem ao 7º bispo de Mariana, Dom Antônio Ferreira Viçoso. A 22 de janeiro de 1873 efetivou-se a instalação do município, com a inauguração do edifício a ser sede da Câmara e Cadeia, no local em que hoje se encontra o imóvel de número 136 da atual Praça Silviano Brandão, na esquina direita com a Rua dos Passos. A Câmara começou a funcionar em 12 de abril de 1877, quando o Brasil era ainda governado por Dom Pedro II. Seu primeiro presidente foi o Vereador Carlos Vaz de Mello, que mais tarde se tornou senador do Império.
 Pela lei provincial nº 3171, de 18 de outubro de 1883, e lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, foi criado o distrito de Santo Antônio dos Teixeiras e anexado ao município de Viçosa de Santa Rita. Pela lei provincial nº 3387, de 10 de julho de 1886, o distrito de São Sebastião dos Aflitos de Arrepiados passou a chamar-se São Sebastião do Erval. Pelo decreto estadual nº 227, de 6 de novembro de 1890, e lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, foi criado o distrito de São Vicente do Grama e anexado ao município de Viçosa de Santa Rita.
Em 21 de dezembro de 1885, durante a administração de Arthur Bernardes, o então presidente da Câmara Municipal de Viçosa por duas legislaturas, Carlos Vaz de Mello, conseguiu por sua influência política que a estrada de ferro chegasse a Viçosa. A chegada do "trem de ferro" da Leopoldina Railway, cuja estação ficava a seis quilômetros de Viçosa - no local hoje denominado Estação Velha ou Estação de Silvestre - foi o marco da chegada do progresso desenvolvimentista à cidade.
Em 1911 o município passaria a ser chamado somente de Viçosa.
A distância da estação ferroviária do centro da cidade dificultava o embarque e desembarque de passageiros, já que só era possível chegar até lá de carro de boi, charretes e outros meios. Essa situação perdurou por quase 30 anos, até que a estação da Leopoldina foi transferida para o centro da cidade, tendo sua inauguração acontecida em 21 de agosto de 1914, quando a população local já chegava a dois mil habitantes. A partir daí a cidade estava enfim ligada a então capital do país, Rio de Janeiro. Com a construção da estação ferroviária próxima à região central da cidade, consolidada pela construção da nova Matriz de Santa Rita, o centro ampliou seu raio de abrangência e nos arredores da mesma começaram a se instalar comércio, hotéis e novas residências, principalmente de estilo arquitetônico eclético. O crescimento em torno da estação ferroviária é um referencial comum entre as cidades da Zona da Mata mineira.
Com essa nova ligação entre a cidade de Viçosa e o litoral, chegaram a cidades as primeiras famílias que iriam formar a colônia libanesa e italiana do município. Alguns libaneses vieram como mascates e iniciou o comércio de tecidos, armarinhos e calçados, que era um comércio inexpressivo até meados do século XX. Também na mesma época chegaram os primeiros italianos, que eram em sua maioria artesãos, alfaiates, caldereiros. Apesar de pequenos, juntamente com a população negra, esses núcleos participaram ativamente na formação de Viçosa. Trouxeram seus costumes, suas crenças e seus valores, enriquecendo o patrimônio cultural local.
Em 1908 foi fundada a Casa de Caridade de Viçosa, que hoje é o Hospital São Sebastião (em um primeiro momento instalado à Avenida Bueno Brandão, só mudando para o atual local à Rua Tenente Kummel, com a o término da construção do edifício em 1930). Em 1922 foi inaugurado o Hospital Regional na Rua Afonso Pena (como parte integrante do Plano de Saúde Pública, do então Presidente do Estado de Minas Gerais, Dr. Arthur Bernardes).
Em 1913, foi fundada uma sociedade privada com capital constituído por cotas, com a denominação de Gymnasio de Viçosa (instituição que deu origem à atual Escola Estadual Doutor Raimundo Alves Torres - ESEDRAT), na Praça Silviano Brandão. Em 1917 foi fundada a Escola Normal Nossa Senhora do Carmo, em Viçosa, (atual Colégio Carmo) dirigido pelas Irmãs Carmelitas da Divina Providência, anexou-se a ele, por um curto período, antes de separar-se e se dedicar exclusivamente à educação do sexo feminino. O mais significativo é que ambas se tornaram referências de qualidade de ensino médio na cidade e região.
 A Escola Superior de Agricultura e Veterinária, ESAV, foi fundada em 1926, pelo então presidente do Brasil Arthur da Silva Bernardes, Viçosense. Participou de sua construção, contratado como engenheiro auxiliar, João Carlos Bello Lisbôa. Seu primeiro diretor foi o professor Peter Henry Rolfs, que trouxe um modelo de educação aplicado em escolas da Flórida, Estados Unidos, baseado na tríplice "Ensino, Pesquisa e Extensão" que logo foi difundido pelo resto do país. No ano de 1948 a Escola Superior se tornou Universidade Rural do Estado de Minas Gerais, UREMG. Em 1969 houve sua federalização, passando a se chamar Fundação Universidade Federal de Viçosa. Eventos marcantes para história da instituição se refletem no crescimento do município - personalidades importantes para a escola superior são também personalidades importantes para Viçosa. Sua implantação dentro do perímetro urbano constitui um fator de cristalização num dos vetores de crescimento da cidade. A Instituição passa a atrair pessoas em busca de emprego e traz estudantes e professores de diversos locais do País, promovendo o crescimento e expansão da cidade.
Na década de 1950 a cidade passou por significativas obras de reurbanização, bem como a construção de importantes edificações. As avenidas P.H. Rolfs e Santa Rita foram reformadas, o antigo edifício da prefeitura (Praça do Rosário) concluído e foi edificado o prédio do Cine Brasil (esquina da Praça do Rosário com Rua Padre Serafim) que se tornaria uma referência cultural por décadas. Foi inciada a construção do edifício do Colégio de Viçosa (Atual cede da prefeitura). As praças do Rosário e Silviano Brandão foram redesenhadas e foi erguida a nova matriz de Santa Rita, ao lado da antiga. A construção do novo templo católico, bem maior e mais sólido que o anterior, naquela época, é dado como "marco para o progresso e expansão do município".
 Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1963, o município é constituído de 3 distritos: Viçosa, Cachoeira de Santa Cruz e Silvestre. Pela lei nº 001/92, datada de 14 de janeiro de 1992, é criado o distrito de São José do Triunfo. Atualmente, o Município de Viçosa conta com quatro distritos: Viçosa (Sede), Cachoeira de Santa Cruz, São José do Triunfo e Silvestre.
O processo de ocupação do espaço urbano da cidade está intimamente ligado à implantação da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Inicialmente a própria instituição se encarregou de atender a demanda de moradia dos estudantes, construindo, ainda na década de 1920, o primeiro alojamento (agora também conhecido como alojamento velho) e no final da década de 1960 o alojamento feminino. Nessa mesma época foi implantada Vila Giannetti no próprio campus da universidade, destinada à moradia de professores, trazendo para a cidade um dos raros exemplares de urbanismo modernista existentes no interior do país.
A partir da federalização da instituição em 1969 e da criação de novos cursos, na década de 1970, houve uma modificação no cotidiano da cidade, que passou a ter sua dinâmica desenvolvida em razão da Universidade. Nesse momento, os estudantes já não eram totalmente atendidos pela habitação da própria Universidade, e acabam por se instalar no centro da cidade em pensões ou nas chamadas repúblicas pela proximidade da área ao campus. Intensificava-se assim o processo de adensamento do centro e dos bairros próximos a ele. A presença de edifícios na área central marcou essa década, assim como o processo de verticalização do bairro Ramos, na sua parte baixa próxima ao centro, e no início do Clélia Bernardes, principalmente ao longo da Avenida Olívia de Castro Almeida.Paralelamente a esse fato, os professores passaram a buscar áreas afastadas do centro da cidade, surgindo assim os primeiros condomínios horizontais, como o Condomínio Residencial Bosque do Acamari de 1983. Marca também o início do processo de verticalização, com edifícios com até quatro pavimentos. A tendência de verticalização prossegue no bairro Ramos e Clélia Bernardes, assim como na área da Praça Silviano Brandão, Avenida Santa Rita e Rua Gomes Barbosa. Também surgem, neste período, os primeiros edifícios de uso comercial e de serviços. O edifício Panorama, 12 pavimentos, foi o primeiro a contar com elevadores na cidade, ainda na década de 1970.
A ausência de trens de passageiros desde a década de 1980 incentivou a desativação da linha em 1994, nos trechos Três Rios - Ligação e Ponte Nova - Caratinga.
Nos anos 90, o processo de verticalização do Centro se intensifica, surgindo edifícios mais altos, com gabarito em torno de 10 pavimentos. Entretanto, com a falta de terrenos no centro propriamente dito e o papel indutor da UFV, a tendência à verticalização se desloca para a Avenida P.H. Rolfs e seus arredores, a Ladeira dos Operários e a Rua José Antônio Rodrigues, proximidades das “Quatro Pilastras”, bem como a Avenida Santa Rita e a Rua Gomes Barbosa. É também na década de 90 que os bairros de Fátima, Lourdes, São Sebastião, Santo Antônio, João Braz, entre outros, começaram a se verticalizar, ainda que com gabaritos menores, em torno de cinco pavimentos.
A partir do ano de 2001, instalaram-se na cidade instituições privadas de ensino superior, próximas à BR-120, instaurando um novo vetor de crescimento da malha urbana. A instalação dessas instituições reforçam a vocação do setor de serviços. Fatos históricos ligados à UFV influenciaram diretamente a evolução histórica e social do município.
O processo de verticalização da cidade e a chegada desenfreada de novos estudantes causou, além de problemas estruturais, reclamações por parte do povo viçosense acerca da qualidade de vida. No dia 17 de março de 2011, após várias manifestações populares sobre o não cumprimento da lei do silêncio, foi imposto que estabelecimentos noturnos que possuem isolamento acústico só poderiam funcionar até às 3 hs, os demais deverão fechar até as 2 hs, como dita o Código de Posturas do Município de Viçosa.
A economia local, baseada no setor de serviços, é dependente da população flutuante, que reside, em sua maioria, durante o período escolar na cidade. A expansão urbana acontece de modo orgânico, adensando regiões já saturadas e com infraestrutura antiga. Atualmente há discussões na sociedade sobre os benefícios e malefícios de não se controlar o modelo de crescimento local. Há problemas de drenagem pluvial, transportes, pavimentação, ocupação em áreas de risco, supressão dos cursos d'água, poluição visual, sistema de esgotos e de abastecimento, além de já surgirem problemas quanto ao abastecimento de energia elétrica. A Universidade participa das discussões, já que influencia diretamente a cidade.
 Apesar dos problemas urbanos, o município se destaca como polo microrregional, atendendo uma demanda de quase 200 mil habitantes que recorrem à Viçosa na busca por serviços de saúde, educação e comércio. O município tem se tornado uma referência cultural ao promover eventos de grande porte. Além disso, as pesquisas realizadas pelas instituições de ensino superior levam o nome da cidade a se tornar referência científica.
Em abril de 2011 foi inaugurado o Parque Tecnológico de Viçosa - TecnoParq - que é uma parceria da UFV, Governo de Minas e Prefeitura Municipal. O Parque Tecnológico de Viçosa, o primeiro de Minas Gerais, está em desenvolvimento desde o início da década de 2000, já com diversas empresas incubadas, além de inúmeras ações já desenvolvidas. Com a inauguração da sede, passa agora a contar com um espaço mais adequado ao desenvolvimento das ideias, que faz de um parque tecnológico diferente de um industrial. O TecnoParq é sediado nas instalações revitalizadas e ampliadas da antiga Escola Agrícola Arthur Bernardes, vinculada à extinta Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (Funabem). As instalações ficam às margens da BR-120, a cerca de 5 quilômetros do campus da UFV.
Geografia
Viçosa está situada na região da Zona da Mata Mineira, entre as Serras da Mantiqueira, do Caparaó e da Piedade. Apesar do relevo ser majoritariamente acidentado, Viçosa destaca-se pela sua verticalização, não observada nas cidades de porte equivalentes no estado de Minas Gerais, sendo considerada a quarta cidade com maior número de construções com mais de quatro pavimentos em todo o estado.
Clima
O clima de Viçosa é tropical de altitude com aumento de chuvas durante o verão e temperatura média anual em torno de 20 °C. No inverno, com as baixas temperaturas, a cidade experimenta um clima que faz as manhãs e o meio da noite oferecerem brisas muitos frias e com densa neblina, com temperatura mínima de 10 °C. O inverno viçosense também é conhecido pelo ar seco provocado pela baixa umidade relativa do ar. O verão tem característica de chuvoso e a temperatura máxima chega a 30 °C.
Viçosa é conhecida por uma cidade fria e úmida, e tem como característica uma variação climática irregular em determinadas épocas do ano, tendo, "as quatro estações do ano em um único dia" de acordo com os habitantes e residentes da cidade. Outras curiosidades são as tempestades elétricas que costumam ser bem intensas na cidade e arredores, assim como as chuvas intensas com fortes rajadas de vento.
Vegetação
A vegetação original da região é do tipo floresta tropical subperenifólia e pertence ao ecossistema da Mata Atlântica. No processo de colonização, foi substituída pelo cultivo do café, que deixou marcas nos aspectos físicos da paisagem atual e na sócio-economia regional.
Atualmente, a cobertura vegetal predominante é o capim gordura, com manchas descontínuas de sapé. As matas secundárias ocupam os topos das elevações, formando capoeiras ininterruptas.
A agricultura, principalmente o cultivo de milho e feijão, é praticada nos vales, onde ocorre, também, a maior concentração urbana. As encostas são utilizadas para cafeicultura, fruticultura, pastagens e reflorestamento.
Nas últimas décadas, o reflorestamento com eucalipto e a retomada do cultivo de café em bases tecnológicas mais avançadas foram substancialmente intensificadas.
Hidrologia
Viçosa é banhada pelo Ribeirão São Bartolomeu, que tem cerca de 440 nascentes[19], e pelo Rio Turvo Sujo, que são afluentes do Rio Piranga, que por sua vez é um afluente do Rio Doce.
Educação
Viçosa é uma cidade essencialmente universitária, com destaque para a Universidade Federal de Viçosa, que é responsável pelo rápido crescimento e desenvolvimento da cidade. Ainda em Viçosa encontramos outras instituições de ensino superior privadas como ESUV, FDV, UNIVIÇOSA, UNOPAR, UNISEB, acentuando ainda mais o caráter educacional da cidade. É uma cidade que atrai várias pessoas do Brasil e de outros países devido a eventos científico-acadêmicos que se realizam em torno da universidade, somando aproximadamente 500 eventos anuais
No Ensino Superior, Viçosa vem se destacando no cenário regional por ser sede de diversas Faculdades. Sendo que uma é a Universidade Federal de Viçosa, que é um centro reconhecido principalmente pelas ciências agrárias e ciências exatas, reconhecida pelo MEC como a 7ª melhor universidade do Brasil baseando-se na prova do ENADE de 2009. Mas a cidade também conta com quatro Faculdades Particulares, sendo elas, União de Ensino Superior de Viçosa (UNIVIÇOSA), Faculdade de Viçosa (FDV), Escola de Estudos Superiores de Viçosa (ESUV) e Universidade do Norte do Paraná (UNOPAR).
Ciência, tecnologia e desenvolvimento
Nos últimos anos, Viçosa vem sendo conhecida pelo seu aspecto científico e tecnológico. Para um melhor aproveitamento dos recursos disponíveis na UFV e para o incentivo ao empreendedorismo e a promoção do desenvolvimento local e regional, foi criada em 8 de agosto de 2011, o CENTEV - Centro Tecnológico de Desenvolvimento Regional de Viçosa. O CENTEV tem como missão promover e aperfeiçoar as relações entre a UFV, o setor público em geral e o setor privado de forma a promover o desenvolvimento econômico, social e ambiental de Viçosa e região. A EMATER - Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural também possui filial instalada em Viçosa.
Em Viçosa está instalada a sede regional na Zona da Mata da EPAMIG - Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais. A EPAMIG é a principal instituição de execução de pesquisa agropecuária de Minas Gerais e tem a função de apresentar soluções para o complexo agrícola, gerando e adaptando alternativas tecnológicas, oferecendo serviços especializados, capacitação técnica, insumos qualificados compatíveis com as necessidades dos clientes e em benefício da qualidade de vida da sociedade.
Cultura, lazer e patrimônio
Reflexos arquitetônicos e urbanísticos

Viçosa foi fundada no final do período colonial, cresceu no período imperial e início da era republicana, tendo seu desenvolvimento acelerado após a época da Segunda Guerra Mundial.
O urbanismo colonial no Brasil se caracterizou frequentemente pela adaptação do traçado das ruas, largos e muralhas ao relevo do terreno e posição de edifícios importantes, como conventos e igrejas. Apesar de não seguirem o rígido padrão de tabuleiro de xadrez das fundações espanholas na América. As primeiras vias do povoado que gerou Viçosa foram traçadas adaptando-se ao relevo, ligando as ermidas, ao rio. Após a expansão para a área central, no segundo quartel do século XIX, as ruas foram traçadas de forma regular, aproveitando-se do relevo mais satisfatório, ligando a praça da Matriz ao Cemitério, passando pela Capela do Rosário. Ainda hoje esse traçado existe e nele estão os principais logradouros da cidade (Rua Benjamin Araújo, Rua Virgílio Val, Praça Silviano Brandão, Rua Arthur Bernardes, Rua Senador Vaz de Mello, Praça do Rosário, Rua Padre Serafim).
Inicialmente, a arquitetura colonial utilizou as técnicas da taipa-de-pilão e pau-a-pique, de rápida construção e que utilizava materiais abundantes na região: barro e madeira. Logo se adotaram também a alvenaria de pedra ou tijolos de adobe para levantar paredes, que permitiam a construção de estruturas maiores e a inclusão de madeiramento para pisos e tetos. A cantaria (trabalhos em pedra) não foi muito utilizada na Zona da Mata, ao contrário das regiões auríferas.
No período imperial, com a elevação do povoado a Vila e Cidade, novos moradores chegavam e o lugar começou a sofrer melhorias urbanísticas, como pavimentação das vias, iluminação pública, distribuição de água, paisagismo, etc.
Pouco depois da Proclamação da República a estrada de ferro chega ao município. As distâncias encurtaram e Viçosa passou a ter uma ligação direta com a capital do país. Essa ligação contribuiu para aumentar as influências sociais. A arquitetura começou a imitar o casario carioca e importar materiais de construção e ornamentação mais sofisticados, muitas vezes vindos da Europa.
No início do século XX surgiram nas Rua Gomes Barbosa, Avenida Santa Rita e Avenida Bueno Brandão um casario eclético, carregado de valores contemporâneos, e enriquecidos com o que havia de melhor na capital do país. Arquitetos e Engenheiros eram contratados no Rio para projetar a residência dos fazendeiros e comerciantes da cidade. Surgiu uma elite viçosense que refletia em seus imóveis o status social. As vias que abrigavam esses imóveis sofreram reformulação, pavimentação especial e ornamentação. Nessa época a Rua Gomes Barbosa foi pavimentada com pedras e a Avenida Bueno Brandão, ganhou a contenção e proteção, hoje conhecida como balaustrada.
Com a implantação da ESAV, na década de 1920, a cidade começou a ter um grande fluxo de conhecimento, que foi refletido nas edificações. O Campus recebeu um projeto urbanístico especial, tomando partido do vale no qual está instalado. O conjunto histórico do campus é um dos núcleos ecléticos mais bem preservados do município. No centro da cidade ainda há grandes casarões no estilo, que outrora abrigaram famílias e estabelecimentos comerciais e culturais que fizeram parte da história do município.
Apesar de grande parte da cidade ter crescido sem planos urbanísticos, destacam-se importante ícones de urbanismo no traçado urbano local. A Vila Gianetti, construída pela Universidade na década de 1950, para ser residência dos professores, é um destes ícones. Um conjunto de 52 casas, racionalmente dispostas em três vias de amplas dimensões, contando com calçadas, jardins, quintais e amplos afastamentos laterais, refletiram os valores vanguardistas da instituição, que ousou implantar no interior do estado um modelo diferenciado de desenho urbano. Atualmente a cidade vive expansão dos condomínios privados, verticais e horizontais, que refletem as leis do município.
Bens tombados
O tombamento é o ato de reconhecimento do valor cultural de um bem, que o transforma em patrimônio oficial e institui regime jurídico especial de propriedade, levando-se em conta sua função social. O poder público reconhece, protege e incentiva a difusão do conhecimento sobre o bem, que a partir do tombamento é considerado patrimônio de uma comunidade, fazendo parte de seus valores, participando da identidade local e sendo referência histórica/social.
O Estado de Minas Gerais tombou a casa do ex-presidente Arthur Bernardes, como patrimônio do povo mineiro.
Segue a lista de bens tombados na cidade, pelo município de Viçosa: Balaustrada (Avenida Bueno Brandão); Capela de Nosso Senhor dos Passos; Casa do ex-presidente Arthur Bernardes; Casa 254 da Avenida Bueno Brandão; Casas 119 e 129 da Rua Gomes Barbosa; Colégio de Viçosa; Edifício Arthur da Silva Bernardes (Campus UFV); Escola Municipal Ministro Edmundo Lins (Antiga Cadeia Pública); Escola Municipal Coronel Antônio da Silva Bernardes - CASB; Estação Ferroviária de Viçosa; Estação Ferroviária de Silvestre; Fachada do primeiro hospital da cidade (Avenida Bueno Brandão); Livro de Atas da Câmara Municipal, 1903 a 1909; Lambreta do Prof. Sebastião Lopes de Carvalho; Sede do Parque Tecnológico de Viçosa - CENTEV (Antigo Patronato Agrícola); Volume da ala antiga do Hospital São Sebastião.
Folclore
Festas religiosas:
São as seguintes as festas religiosas ocorrendo em Viçosa: Semana Santa: Manifestação que ocorre nas Paróquias Santa Rita de Cássia e Nossa. Senhora de Fátima; Encenação Semana Santa: Manifestação, que ocorre na Praça Silviano Brandão; Semana Santa Ao Vivo, manifestação que ocorre no Distrito São José do Triunfo; Coroações do Mês de Maio: Manifestação, ocorre no Santuário de Santa Rita de Cássia; Festa de Santa Rita: Manifestação, ocorre no Santuário de Santa Rita de Cássia; Festa de Nossa Senhora de Fátima: Manifestação, ocorre na Igreja Matriz Nossa Senhora de Fátima; Seara – Encontro Aberto de Carnaval, ocorre no Campus da UFV.
Festas Folclóricas no município de Viçosa: Blocos de Carnaval: Manifestação, ocorre no Centro da Cidade; Marcha Nico Lopes: Manifestação, ocorre no Campus da UFV e no Centro; Congado, ocorre no Distrito de São José do Triunfo.
Expressões e Entidades – Bem Imaterial: Liga Operária Viçosense, manifestação ocorre na Sede da Liga operária, localizada na Rua Virgílio Val, Centro; VAC – Viçosa Atlético Clube, manifestação ocorre na Sede do Clube.
Artesanato e artistas
A produção do artesanato local é bem diversificada. Destacam-se principalmente os trabalhos manuais como bordados, tapetes de tiras, crochê e tricô. Destacam-se também as pinturas em óleo sobre tela expostas em galerias pela a cidade, principalmente a Galeria José Lino Santana.
Viçosa conta também com alguns artistas locais e grupos artísticos onde seus integrantes são, na maioria das vezes, artistas natos e o fazem como forma de preservação da cultura local. Os principais artistas e grupos artísticos foram listados a seguir: Clube Raízes da Viola, responsável pela divulgação da música caipira nas comunidades viçosense; Cheiro de Relva, responsável pela divulgação da música de raiz da microrregião de Viçosa, a música caipira;  Orquestra de Câmara, manifestação que apoia a música clássica na cidade; Grupo Êxtase de Dança, grupo da Academia Núcleo Arte e Dança; Grupo Impacto de Dança de Rua, grupo da Academia Núcleo Arte e Dança; Jorge Raphel - Luthier, projetista e construtor de instrumentos musicais.
Esportes
É comum a prática dos Jogos escolares de Viçosa (JEVS),onde existem inúmeras modalidades, disputadas por algumas escolas da região.
Feriados e datas cívicas
Além dos feriados nacionais existem três datas municipais, sendo duas delas feriados:
- 22 de Maio - Feriado Municipal no qual é comemorado o Dia de Santa Rita de Cássia, padroeira do município. A data marcada pela maior expressão de fé e tradição da cidade. Tradição que foi construída a partir do século XIX, antes mesmo da santa ser canonizada (fato que só iria ocorrer em 1900). A veneração à Santa Rita é marco da fundação do município, com a construção da primeira ermida em louvor a santa.
A primeira paróquia da cidade, que leva o nome da santa, foi constituída em 1833. A primeira igreja matriz foi inaugurada em 1851 e o novo templo, e atual, é datado de 1953.
O novo templo também é Santuário. A distinção é dada pela diocese aos templos caracterizados por receberem fiéis de toda a região, foco de peregrinação. Geralmente, esses templos tem a presença de ícones de fé e relíquias do santo.
As celebrações em honra a santa são organizadas pela paróquia de Santa Rita de Cássia, com apoio das demais paróquias do município. Os eventos começam com a novena em honra a santa. No dia 22 há celebrações durante todo o dia, com destaque para a Missa das Rosas às 10 hs da manhã, onde são distribuídas rosas aos fiéis e ocorre uma celebração festiva. Há a tradicional cavalgada pela cidade, organizada pelos clubes equestres e o leilão de gado, com animais doados por criadores da região, no meio do dia. No início da tarde é tradicional a carreata pelas ruas da cidade com música e buzinas. No final da tarde, por volta das 16 hs, começa a procissão que conduz pelas ruas do centro o carro andor com a imagem da santa. O carro andor é uma tradição de mais de 50 anos, fabricado pelo Seu Nelo. Com criatividade, ele decora a alegoria com temas contemporâneos utilizando flores, luzes e cenários. O carro andor é puxado por um trator pelas ruas da cidade. A tradição começou em meados do século XX, quando o pároco à época viu a necessidade de controlar o acesso das pessoas ao andor da santa na procissão, que até então era carregado, o que ocasionava certo tumulto. A procissão da padroeira é a maior que ocorre na região, levando milhares de fiéis as ruas. Sua duração é de aproximadamente 3 hs e é marcada por janelas enfeitadas, fogos de artifício e cânticos pelo trajeto.
A imagem da santa que sai em procissão é a mesma que fica locada no altar principal do santuário. Apesar de não saber exatamente sua procedência, estima-se que tenha sido doada a igreja na mesma época da construção da ermida na Praça Silviano Brandão, no segundo quartel do século XIX e que sua procedência seja da capital da colônia, Rio de Janeiro. Ela carrega uma palma e um crucifixo, além de ter um esplendor de prata sobre a cabeça. Uma curiosidade é o enobrecimento da figura da freira (Santa Rita foi religiosa) com a inserção de panejamento com detalhes em ouro e uma capa sobre as costas, com arabescos e motivos florais.
- 8 de Agosto - Dia Cívico, no qual é comemorado o Aniversário de Arthur Bernardes (ex-presidente da república). Foi um advogado e político brasileiro, presidente de Minas Gerais de 1918 a 1922 e presidente do Brasil entre 15 de novembro de 1922 e 15 de novembro de 1926. Esta data é marcada por homenagens ao político viçosense. Há neste dia o depósito de uma corbélia de flores junto à estátua do ex-presidente, localizada na Praça Silviano Brandão, numa cerimônia com a presença de políticos e representantes de entidades locais. Há uma missa na Igreja Matriz, localizada na praça em que residiu. O principal evento da data é a entrega da Comenda Arthur Bernardes. A comenda é entregue a cada dois anos, em jantar oferecido pela Associação Comercial de Viçosa, em que se homenageiam pessoas que prestam relevantes serviços ao município e à sociedade.
- 30 de Setembro - Feriado Municipal no qual é comemorado o Aniversário de Emancipação do município. A data de celebração do aniversário da cidade gera algumas controvérsias. Há quem diga que deveria ser a data de instalação, outros a data de elevação à município. 30 de setembro se consolidou como data municipal após a celebração do centenário da cidade em 1971.
O dia é feriado municipal e é marcado por hasteamento da bandeira no Monumento ao Centenário, na Praça do Rosário, com a presença de políticos.
Na parte da manhã ocorre desfile cívico militar com a participação de escolas, entidades sociais, exército, polícia, corpo de bombeiros, além de exibição da frota de veículos municipais.
Pela data ser próxima ao Sete de Setembro, havia a tradição de se fazer um desfile com maior pompa no aniversário da cidade do que no Dia da Independência, porém esse costume se perdeu.
Há ainda, neste dia, eventos artísticos culturais, como shows, promovidos pela prefeitura local.
Referência para o texto: Wikipédia .

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

IBIÚNA - SÃO PAULO

Ibiúna é um município brasileiro do estado de São Paulo. Situa-se na Região Metropolitana de Sorocaba, na Mesorregião Macro Metropolitana Paulista e na Microrregião de Piedade. Localiza-se a uma latitude 23º39'23" sul e a uma longitude 47º13'21" oeste, estando a uma altitude de 996 metros. Sua população foi estimada em 80.062 habitantes, conforme dados do IBGE de 2021. O município é formado pela sede e pelos distritos de Carmo Messias e Paruru. Ibiúna possui a segunda maior população rural do estado de São Paulo, menor apenas que a capital do estado.
História
Período Pré-Colonial

Por estar localizada entre as grandes bacias hidrográficas do Tietê e Paranapanema, a região que abarca o atual município de Ibiúna provavelmente já reunia ótimas condições para o estabelecimento de grupos humanos há milênios atrás. De acordo com algumas pesquisas arqueológicas, os primeiros indícios da presença de grupos ameríndios no estado de São Paulo datam de fins do Pleistoceno, sendo que a área onde hoje está a capital e região metropolitana contam com datações radiocarbônicas de cerca de 6.000 anos atrás.
Esses primeiros grupos produziam diversas ferramentas feitas em pedra, madeira e ossos, utilizando assim diversos tipos de matéria-prima para confecção desses instrumentos. Sua alimentação era baseada na caça de animais e coleta de frutos e raízes, lhes sendo desconhecida a agricultura nesse primeiro momento. As primeiras populações indígenas agricultoras só teriam alcançado a região de Ibiúna e outras próximas dos grandes rios paulistas por volta do início da Era Comum. Ancestrais dos atuais grupos Tupi-Guarani e Macro-Jê, essas populações cultivavam mandioca, feijão e milho, assim como diversas várias espécies não alimentícias, como cabaças, tabaco, algodão e urucu. Também produziam cerâmica, tecnologia provavelmente desconhecida pelos primeiros grupos que haviam se estabelecido nas margens de rios como o Una e o Sorocamirim e arredores.
Séculos depois, os primeiros colonizadores europeus se depararam com diversos grupos Guaianás (também conhecidos como Guaianazes) nas cabeceiras do rio Sorocaba e boa parte do Planalto Paulista. Falante de um idioma relacionado ao tronco Macro-Jê, o contato entre este povo e os portugueses se deu já nas primeiras décadas de colonização da América, geralmente mencionados nas documentações dos séculos XVI e XVII como “índios bravos”. Por resistirem ao avanço português sobre suas terras, diversos conflitos ocorreram, sendo muitas vezes escravizados, mortos ou eventualmente expulsos para o interior do continente. O nome Guaianá provavelmente não corresponde à identidade própria desses povos, já que esse termo era normalmente utilizado para designar diversas populações não-tupis. Já a presença de grupos Tupi na região das nascentes do rio Sorocaba também parece ser confirmada pelos registro arqueológicos, inclusive durante o período colonial.
Colonização Portuguesa do vale do Rio do Una
Data de fins do século XVI o início da colonização portuguesa na bacia do rio Sorocaba, período em que foi fundada a vila de Nossa Senhora do Monte Serrat pelo bandeirante Afonso Sardinha. Este povoado, bem como a vila de São Filipe do Itovuvu – fundada em 1611 – posteriormente deram origem ao município de Sorocaba. Ambas as vilas tiveram como função inicial servirem de bases exploratórias de minas de ouro e ferro identificadas na região. Essas atividades logo foram abandonadas pelos primeiros colonos contudo, já que as minas eram de difícil exploração e geravam pouco lucro aos garimpeiros. Servindo como um ponto de expansão da colonização do interior da capitania de São Vicente, Sorocaba tornou-se, na segunda metade do século XVII, um núcleo populacional composto por diversas sesmarias.
A partir do século XVIII, o estabelecimento de rotas de transporte de muares do sul da colônia, assim como a comercialização destes nas feiras da vila de Sorocaba, fizeram desta uma parada fundamental do ponto de vista da economia interna colonial. Afluíam para essa vila grandes contingentes de tropas de diversas regiões, bem como interessados na aquisição dos animais para alimentação, carga e transporte. Nesse período há também um aumento progressivo da população da vila de Sorocaba e seu entorno.
Foi no contexto de expansão da colonização das terras próximas a Sorocaba que se deu a concessão de uma sesmaria, em 1711, no vale do rio Una. Doada a Manoel de Oliveira Carvalho, as terras aparentemente abarcavam cerca de uma légua em quadra, sendo já cultivadas há anos pelo sogro do mesmo. De acordo com algumas fontes, a fazenda era então denominada Sítio do Paiol. Cerca de 50 anos depois, Manoel Oliveira Costa (herdeiro de Manoel de Oliveira Carvalho) mandou erigir uma capela em honra a Nossa Senhora das Dores de Una, formando então um pequeno núcleo de povoamento a sua volta, para a qual afluíam viajantes destinados à Feira de Sorocaba. Algumas fontes também apontam para a existência de uma sesmaria na área dos atuais bairros de Piratuba, Cocais e Ressaca, onde Helvídio Rosa e família fundaram uma fazenda posteriormente conhecida como Fazenda Velha dos Rosas. Ainda assim, o centro do povoado se concentrou junto à capela, em área então denominada Fazenda Velha do Una.
Ainda que procurado por mascates e tropeiros destinados à Sorocaba, a localidade manteve-se pouco populosa até fins do século XVIII, época em que a Fazenda Velha do Una foi comprada pelo Capitão Salvador Leonardo Rolim de Oliveira. Em 1811, o povoado foi elevado à condição de freguesia, sendo então batizada como Nossa Senhora das Dores do Una, embora frequentemente referida apenas como Una pelos habitantes locais. Em 1832, ano em que o distrito de São Roque se tornou um munícipio, a freguesia de Nossa Senhora das Dores do Una tornou-se parte dessa administração. Visto que a freguesia estava localizada em uma área relativamente distante do núcleo urbano de São Roque, foi brevemente transformada em um distrito do município de Sorocaba entre 1846 e 1850.
Emancipação da Vila do Una e a origem do nome "Ibiúna"
Sete anos após o retorno à administração municipal de São Roque, o distrito foi emancipado, conforme disposto na Lei Provincial n. 10, de 24 de março de 1857. Nessa mesma época, se instalou na agora Vila de Una o capitão Antonio Vieira Branco, após doação de terras pelo imperador Pedro II. Localizada no atual bairro Areia Vermelha, a fazenda era considerada modelo durante o Brasil Império, contando com uma serraria e uma máquina de benefício de algodão. Na fazenda também eram produzidas ferramentas como foices, machados, martelos, serrotes, entre outros instrumentos de uso agrícola.
De acordo com o “Almanak da Província de São Paulo de 1873”, além da Matriz, a Vila do Una contava com mais duas edificações religiosas: as capelas de Santa Cruz e Bom Jesus do Campo Verde. Voltada principalmente para a produção comercial de café, algodão e pecuária, a vila seguiu crescendo em função de suas fazendas. A estruturação do agora município pode ser observada nessa documentação de 1873, contando com escola pública, pequenos comércios, alguns profissionais liberais e agência dos correios instalada, além de teatro e cadeia em construção.
Em fins do século XIX também ocorre uma paulatina substituição da mão-de-obra nas fazendas, até então predominantemente baseadas no trabalho escravizado africano e afro-brasileiro. Embora inicialmente atraídos pelas ofertas de trabalho nas fazendas da região, muitos imigrantes, em especial italianos, libaneses e portugueses, eventualmente tornaram-se proprietários de pequenas propriedades. A chegada dos primeiros contingentes de imigrantes japoneses, na primeira metade do século XX, embora não tenha alterado a economia predominantemente agrícola do município de Una, fez com que esta se voltasse paulatinamente para a comercialização de alimentos – em especial para os mercados consumidores da Capital e cidades adjacentes.
Em 1944, o município teve seu nome alterado para Ibiúna, tendo em vista a existência de outra cidade com o mesmo nome no estado da Bahia. Dessa forma, o nome atual deriva do tronco linguístico tupi-guarani, sendo uma corruptela de “Y” (rio) e “Una” (negro), mantendo assim a relação histórica entre o núcleo urbano e o rio de Una. 
Como forma de preservar parte de sua história arquitetônica, Ibiúna conta um tombamento de caráter municipal. Trata-se da Capela do Bom Jesus da Prisão, edificação religiosa inaugurada em agosto de 1928 e considerada patrimônio histórico e cultural do município de Ibiúna desde 2001, conforme Lei Municipal n. 606 do mesmo ano. Localizada entre as Ruas XV de Novembro e Fortunato Antônio de Camargo, a capela foi erigida em área elevada do centro urbano, no mesmo local onde anteriormente havia uma edificação religiosa construída em madeira.
Hidrografia
A hidrografia de Ibiúna consta de Rio Una, Rio Sorocabuçu e Rio Sorocamirim
Topografia
A topografia do município é bastante variável, uma vez que esta se localiza nas encostas da serra do Paranapiacaba, normalmente ondulada, acidentada e montanhosa. A maioria das terras possuem declividade superior a doze por cento, podendo atingir cem por cento nas regiões mais altas. Por esta razão, a maior parte da agricultura local é desenvolvida nas terras de encostas e meia encosta, devido à ausência generalizada de planícies. Possui 62,9 por cento da Represa de Itupararanga em suas terras.
Os pontos de maior altitude são: Morro da Figueira (cerca de 1.050 metros de altitude) e Laje do Descalvado (cerca de 1.200 metros de altitude, no Bairro do Salto).
Clima
O clima de Ibiúna é o subtropical, com verões amenos chuvosos e invernos amenos e sub-secos, tendo temperatura média anual em torno de dezoito graus centígrados, sendo o mês mais frio julho, com média de treze graus centígrados e o mês mais quente fevereiro, com média de 22 graus centígrados. A precipitação média anual gira em torno de 1.400 milímetros. Geadas ocorrem durante todo o outono e inverno, quando existem influências das massas de ar polares que afetam a região nesta época do ano. Ibiúna é considerada como uma das cidades mais frias da região onde se localiza, segundo o senso comum.
A temperatura máxima já registrada foi 38 °C. e a temperatura mínima já registrada foi -4 °C.
Estância turística
Ibiúna é um dos 29 municípios paulistas considerados "estâncias turísticas" pelo estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por lei estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do estado para a promoção do turismo regional. O município também adquire o direito de agregar, junto a seu nome, o título de "estância turística", termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.
Referência para o texto: Wikipédia .

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

SENHOR DO BONFIM - BAHIA

Senhor do Bonfim é um município brasileiro localizado no centro norte da Bahia. Localizado a 375 quilômetros da capital Salvador, sua população, conforme estimativas do IBGE de 2019, era de 79.015 habitantes.
História
A história da formação de Senhor do Bonfim está diretamente relacionada à busca de ouro e pedras preciosas e à introdução da criação de gado no sertão baiano. Em fins do século XVI, portugueses pertencentes à Casa da Torre, organizavam expedições com destino ao rio São Francisco e às minas de ouro de Jacobina, iniciando a ocupação do interior da província e a formação de vias de comunicação com o litoral.
Situado em zona de passagem dessas expedições, estabeleceu-se no território do atual município uma rancharia de tropeiros no século XVII, servindo de pouso para vaqueiros, bandeirantes e desbravadores que transitavam naquela região. Na mesma época, dentro da estratégia de catequese das populações indígenas, foi criado o arraial da Missão do Sahy a partir de 1697, dirigido pela Ordem dos Frades Menores ou Ordem dos Padres Franciscanos. No Arraial, estabelecido nas proximidades de uma aldeia pataxó, foram construídos convento e igreja sob invocação de Nossa Senhora das Neves. Em 1720, o arraial do Sahy passou à categoria de Vila, sediando a comarca de Jacobina até 1724, quando a sede foi transferida para a Vila de mesmo nome.
Com o crescimento da atividade pecuária, a expansão das pastagens e o consequente avanço da ocupação do sertão baiano, formou-se uma povoação ao redor da antiga rancharia, às margens da estrada das Boiadas Em 1750, o núcleo contava com várias edificações e com população estabelecida, recebendo a denominação de arraial de Senhor do Bonfim da Tapera.
O Arraial, além de rota para a penetração no território, destacava-se como importante núcleo, desenvolvendo-se com base em atividades ligadas à criação de gado. As riquezas minerais da Região, além da localização privilegiada do Arraial, atraiam grande número de tropeiros, aventureiros e peões vindos de outras partes da Bahia e do Nordeste, dificultando o controle e a ordem na localidade. O município criado em 1776 por força de Carta Régia, para solucionar os constantes problemas que surgiam em 1799 com a população local que chegava a 600 pessoas, requereu ao governo da Província a criação da Vila, solicitação que foi atendida no mesmo ano com a instalação da Vila Nova da Rainha em primeiro de outubro.
Em 1885 a vila foi elevada à categoria de cidade, passando a chamar-se Senhor do Bonfim.
Geografia
A cidade está localizada no sopé sul da Serra do Gado Bravo, extensão da Chapada Diamantina, na Cordilheira do Espinhaço. Sua altitude, na região central da cidade, é de 453 metros acima do nível do mar, mas possui locais na extensão do município com altitude superior a 600 metros. Por ter localização privilegiada, é sempre verde em todos os meses do ano, sempre abastecida de frutas e verduras da região denominada "Grota", nos vales da cordilheira.
Nos seus domínios encontram-se várias nascentes de rios, todos pertencentes à bacia do Rio Itapicuru. Existem vários açudes no município, como o Açude do Sohen, Açude do Quiçé, Açude da Boa Vista, que ajudam a minorar a falta d'água nos tempos de seca. Esses açudes represam riachos também pertencentes à bacia do rio Itapicuru.
Na área do município é possível observar vários tipos de vegetação, desde a densa mata serrana, remanescente da Mata Atlântica, até a caatinga, sendo um observatório perfeito para quem pretende contemplar ou estudar os aspectos da cobertura vegetal do Nordeste brasileiro.
Clima
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1977 a 2011, a menor temperatura registrada em Senhor do Bonfim foi de 13,8 °C em 9 de junho de 1997, e a maior atingiu 38,2 °C em 3 de outubro de 1997. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 110,2 milímetros (mm) em 7 de fevereiro de 1991.
Economia
A região que Senhor do Bonfim centraliza é uma rica província mineral, destacando-se a grande produção de cobre (Mina da Caraíba), Cromo (Mina de Pedrinhas e Ferbasa), ouro, vanádio, magnesita, ferro, manganês, calcita, granito, ametista (Mina da Cabeluda), esmeralda (Minas da Carnaíba e Socotó) e níquel.
Possui também uma intensa atividade agropecuária, com produção considerável de milho e feijão bem como de gado de corte. Destaca-se também na pecuária leiteira. Possui dois matadouros para abate do gado bovino, caprino e ovino e começa a destacar-se também na produção de suínos.
Merece destaque a agricultura familiar que serve de sustento para uma parcela considerável da população e é geralmente comercializada na feira livre, pelos próprios produtores.
Infraestrutura
Educação
Em 1986, foi inaugurada a então Faculdade de Educação de Senhor do Bonfim, hoje Departamento de Educação do Campus VII da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), considerada pioneira e uma das mais tradicionais instituições do ensino superior público na Bahia e que oferece cursos de graduação, licenciaturas e bacharelados em diversas áreas, como também Cursos de Especialização lato sensu e Mestrado.
A cidade abriga um campus do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia Baiano (IFBaiano, antiga Escola Agrotécnica), que oferece Cursos técnicos de nível médio e pós-médio, cursos do PRONATEC, Graduação, Ensino à Distância e Pós-graduação.
A Universidade Aberta do Brasil (UAB), articulada com a Universidade São Carlos também está presente em Senhor do Bonfim.
Em 2011 a Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), inaugurou um campus na cidade, que possui ainda uma ampla gama de instituições privadas de nível superior, tornando o município um polo de referência educacional na região.
Cultura
Senhor do Bonfim é considerada a Capital Baiana do Forró. Sua Festa de São João, que é o maior evento junino da Bahia e está entre os maiores do Brasil, é muito conhecida pela guerra de espadas (proibida desde 2017 por decisão do TJ-BA com fulcro no art. 16 do Estatuto do Desarmamento) e pela tradição cultural de seu povo de acender fogueiras em frente às suas residências. As noites juninas são animadas por inúmeros grupos de forró e desfiles de 'quadrilhas', que seguindo a tradição portuguesa consiste em pares que executam várias evoluções de passos de dança, sempre ao ritmo do forró pé de serra.
A festa em Senhor do Bonfim transcorre durante todo o mês de junho e envolve toda a área urbana. Várias ruas são decoradas com motivos juninos e nordestinos, tendo como homenageada a figura de Luiz Gonzaga. Durante os festejos desta época, a cidade de Senhor do Bonfim recebe cerca de 80 mil visitantes. Nesses dias é possível conhecer e desfrutar uma enorme variedade de pratos da culinária nordestina, como o bode assado, a buchada, o sarapatel, o feijão de torresmo, a legítima carne do sol do sertão, o feijão verde, o andu, a canjica, a pamonha, os mingaus variados, o baião de dois, dentre outros. A variedade de bebidas típicas dos festejos como os licores caseiros é abundante, e é essencial provar desde os mais tradicionais, como o de jenipapo, maracujá, laranja e gengibre como os mais modernos, de uvas passas.
As serras são especiais para a prática do motocross e trilhas, adequadas para hiking. Para os amantes da vela, a 40 quilômetros de distância, as represas de Ponto Novo e Pindobaçu, são ótimas para a prática desse esporte, sendo que na primeira existe uma etapa da Copa de Vela da Bahia. Nesses dois lagos pratica-se também pesca esportiva.
No Monte Tabor, localizado no distrito de Missão do Sahy, ainda podem ser encontradas ruínas das edificações realizadas pelos padres franciscanos, principalmente de uma capela no topo da elevação.
A cidade também realiza anualmente, no mês de julho, a procissão de São Cristóvão, considerado o santo padroeiro dos motoristas.
Referência para o texto: Wikipédia .

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

TRÊS CORAÇÕES - MINAS GERAIS

Três Corações é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. Com 78.999 habitantes e cerca de 828 km², é um dos principais centros urbanos do sul do estado. Situa-se a cerca de 287 km de distância da capital estadual, Belo Horizonte. É a terra natal do Pelé.
Etimologia
A versão oficial para o nome da cidade provém da Capela erigida por Tomé Martins em louvor aos Sacratíssimos Corações de Jesus, Maria e José. Entretanto duas outras versões, de cunho mais poético, falam sobre o nome Três Corações. A primeira é sobre o amor de Jacira, Jussara e Moema por três boiadeiros vindos de Goiás, que as deixaram a chorar. A segunda versão fala das curvas caprichosas do Rio Verde, que atravessa o município, desenhando três corações em seu caminho sinuoso.
Os antigos nomes da cidade são: Rio Verde; Porto Real Passagem do Rio Verde; Aplicação do Rio Verde; Três Corações do Rio Verde
História
O distrito de Três Corações do Rio Verde deve sua criação ao decreto datado de 14 de junho de 1832. A Lei Provincial nº. 3.197, de 23 de setembro de 1884, criou o Município com denominação de Três Corações do Rio Verde e território desmembrado de Campanha, tendo-se verificado a instalação a 10 de julho de 1885. Em virtude da Lei Provincial nº. 3.387, de 10 de julho de 1886, elevou-se a categoria sede do município e também do distrito, que teve sua criação confirmada pela Lei Estadual nº. 2, de 14 de setembro de 1891. Por força da lei nº. 843, de 1923, o município passou a denominar-se simplesmente Três Corações.
As primeiras notícias sobre as terras onde hoje se situa o município de Três Corações datam de 1737, quando Cipriano José da Rocha, ouvidor de São João Del-Rei, informa que, quando de passagem pela região, encontrou roças e catas de mineração na região da Aplicação do Rio Verde.
Por volta de 1760, o português Tomé Martins da Costa se estabelece na barranca direita do Rio Verde, embriagado pelo ouro abundante existente em suas lavras. Após adquirir novas terras, constrói a fazenda do Rio Verde e manda erigir uma capela sob a invocação dos Santíssimos Corações de Jesus, Maria e José.
No ano de 1764, de passagem pela região em viagem de inspeção e demarcação de limites, o governador da capitania de Minas Gerais, D. Luís Diogo Lobo da Silva, visita Tomé em sua fazenda, encontrando alguns casebres ao redor da capela.
Em 1790, o capitão Domingos Dias de Barros, genro de Tomé Martins da Costa, pede licença para construir uma ermida no lugar da antiga capela, que é inaugurada em 1801, tendo seu altar-mor trabalhado pelo mestre Ataíde.
Em 14 de julho de 1832 é instalada a freguesia dos Três Corações do Rio Verde e a paróquia dos Três Sacratíssimos Corações. Em 6 de setembro de 1860, grandes comemorações na elevação a Vila da Freguesia dos Três Corações do Rio Verde e na inauguração da Igreja Matriz. Em 1873, o Presidente da Província de Minas Gerais sanciona Lei incorporando à Vila o território pertencente à Freguesia.
O grande passo para o pleno desenvolvimento do município seria, entretanto, dado no ano de 1884, quando a Vila recebe a visita do Imperador D. Pedro II e a Família Imperial, para a inauguração da estrada de ferro Minas & Rio. Inaugurada oficialmente em 22 de junho deste ano, fazia a conjunção entre a Vila e a cidade de Cruzeiro, no estado de São Paulo. A repercussão desta visita foi de tamanha relevância que, três meses depois, em 23 de setembro de 1884, a Vila seria emancipada, sendo elevada à categoria de cidade.
Em 7 de setembro de 1923, com a Lei 843, Três Corações do Rio Verde passa a denominar-se apenas Três Corações.
Geografia
Hidrografia

A cidade de Três Corações fica localizada na bacia do Rio Verde, sendo esse o principal curso de água que corta o território tricordiano. A cidade também conta com outros rios menores que integram a bacia do Rio Verde, como o Rio do Peixe, Rio Palmela e Rio Lambari.
Relevo
O relevo na qual situa-se o município de Três Corações é caracteristicamente de planalto, mais especificamente no interior da Serra da Mantiqueira. O formato do relevo da região é caracterizado pelos mares de morros, ou morros mamelonares, com a descontinuidade na altitude e algumas cristas que apresentam altitude mais elevada como em São Thomé das Letras.O território municipal abrange algumas serras menores tais como a Serra da Onça, Palmital, do Jurumirim,entre outras.
Clima
O clima da cidade de Três Corações é, no aspecto regional (Sul de Minas), como Tropical de Altitude, ou na Classificação climática de Köppen-Geiger, Cwa, caracterizado por verões quentes e úmidos, estação chuvosa, e invernos secos e relativamente frios, estação seca. O outono e a primavera são caracteristicamente estações de transição entre a úmida e seca, sendo o outono o inicio da estação seca e também a época da passagem das primeiras frentes frias, e a primavera a passagem para a estação úmida, com a ocorrência das primeiras chuvas de verão.
Vegetação
A vegetação na região da cidade de Três Corações é marcada pela transição da Mata Atlântica para o Cerrado brasileiro, com características da cobertura vegetal nativa dos dois biomas.
Economia
Pecuária

Tem destacada participação na economia do município, através de seu rebanho leiteiro e gado de corte, sendo o gado leiteiro um dos melhores do Estado.
Agropecuária
As culturas do café, milho e batata inglesa são de grande expressão econômica, seguindo-se em menor escala as de feijão, arroz e frutas regionais. No ano de 2009 foi considerada uma das maiores produtoras de milho da região, ganhando destaque nacional.
Comércio
O município possui dinâmica atividade comercial, tanto atacadista como varejista, produz infinita variedade de roupas e calçados, atraindo pessoas de várias cidades da região oferecendo bom preço e bom atendimento.
Indústria
A política de desenvolvimento industrial, associada à implantação de áreas destinadas a novas empresas, tem concorrido, de forma significativa, para a diversificação da produção. Como resultado da conjugação de suas potencialidades, recursos e sua estratégica posição geográfica. Três Corações oferece inúmeras oportunidades de investimento. O município dispõe de um Distrito Industrial, localizado às margens da Rodovia Fernão Dias (BR-381), ocupando uma área de 2.634.944,47 M2, que a cada dia se firma como um dos mais promissores polo industriais do Sul de Minas. A cidade possui também um mini distrito, situado na estrada Três Corações/São Bento Abade, com área de 50.380 M2, pronta para receber empresas de pequeno porte.
No setor industrial destacam-se as indústrias de produtos derivados do leite (leite em pó, manteiga, queijo), metalúrgicos (esquadrias metálicas, botijão de gás, rodas de aço para automóveis, roda de liga leve, fios de cobre, fundição), fábrica de ração, fertilizantes, couro, calçados, pré-moldados de cimento, produtos químicos, refrigerantes, cromação e niquelação de metais, móveis, piscinas de fibra de vidro, brinquedos de plástico, colchões, aparelhos de sinalização, semáforos, desinfetantes, doces, bolsas e cintos de couro, vassouras e confecções.
O principal recurso natural (mineral) é a pedra São Tomé, de grande aplicação no ramo de construção civil.
Educação
Situada em Três Corações, a Escola de Sargentos das Armas (ESA) do Exército Brasileiro (Site Oficial) é o estabelecimento de ensino militar do Exército responsável pela seleção e formação dos sargentos de carreira das Armas do Exército Brasileiro: Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia e Comunicações, que são as chamadas “armas” com atuação na linha de frente do combate. 
A cidade é sede da Universidade do Vale do Rio Verde (UninCor) com cursos de Administração, Agronomia, Ciências Contábeis, Logística, Ciências da Computação, Direito, Educação Física, Enfermagem, Engenharia Ambiental, Farmácia, Medicina. Veterinária, Nutrição, Música, Odontologia, Pedagogia, Psicologia, Serviço Social, Odontologia, Medicina Veterinária, Direito e Gestão de Produção Industrial. A Universidade Vale do Rio Verde (UninCor) é uma instituição particular de ensino que possui campus em Belo Horizonte, Betim, Pará de Minas e Três Corações (sede). Fundada em 1965, como Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, em 1998, torna-se a Universidade Vale do Rio Verde.
Ademais, situa-se no município um campus avançado do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais, com cursos Técnicos Subsequentes e Integrados ao Ensino Médio nas áreas de administração, logística, mecânica e informática, além de MBA (especialização) em Gestão Estratégica de Negócios e Pós-graduação em Ciências Naturais e Matemática.
Turismo
- Monumento ao Tri (Praça Coronel José Martins) - Erguido na Pça. Coronel José Martins, presta uma justa homenagem ao Tricampeonato Mundial de Futebol, conquistado pelo Brasil, no México, em 1970. Engloba homenagem especial prestada pelos tricordianos ao seu filho maior, Edson Arantes do Nascimento, Rei Pelé.
- Igreja Matriz da Sagrada Família - Construída em 1927, em estilo neogótico, é decorada com painéis e murais de autoria do decorador sacro libanês Pedro Zógbi e do tricordiano Argentino Neves. Seus altares são de mármore de Carrara. Entre seus muitos vitrais, encontra-se o dedicado a Sagrada Família, tido como um dos mais belos de nossa região. O templo mede 56m de comprimento por 20 de largura. Sua abóboda tem 17 m e a torre 50 m de altura. Reformada na sua parte externa em 2004, a Igreja Matriz de Três Corações encontra-se entre as mais belas edificações sacras do estado mineiro.
- Casa da Cultura Godofredo Rangel - Reúne em suas dependências um grandioso e rico acervo fotográfico e histórico da cidade. Possui salas para exposições, leitura, um posto de venda de peças artesanais e livros de autores locais, biblioteca, um pequeno museu e um acervo relativo ao jogador Pelé.
- Ginásio Poliesportivo Rei Pelé - Com uma arquitetura arrojada e alta sofisticação no acabamento interno, o ginásio é um dos maiores e mais modernos de nosso Estado. Situado em uma área de 5.000 m², tem capacidade para oito mil pessoas, sendo ainda dotado de cabine central suspensa de televisão e rádio.
- Ponte dos Boiadeiros - Construída sobre o Rio Verde em uma região esteticamente favorecida, foi inaugurada em 1924, sendo um arrojo de engenharia em sua época. Restaurada, é hoje um marco do "ciclo do gado".
- Abrigo da Locomotiva Maria Fumaça - Situado ao lado do prédio da Estação Ferroviária (inaugurada em 1884, pelo Imperador D. Pedro II) o local abriga uma locomotiva Baldwin, de fabricação americana. O abrigo foi criado em 1984, durante as comemorações do centenário da cidade e presta uma homenagem aos antigos ferroviários.
- Parque Municipal Dondinho - Parque criado com o nome do pai de Pelé onde existe uma enorme estátua de Pelé e seu pai quando criança.
- Parque do Pelé.
- Casa Pelé - Reconstruída a réplica da casa onde viveu o Rei do Futebol quando criança em Três corações no terreno verdadeiro. Localizada em Três corações MG na rua Edson Arantes do Nascimento, nº 1.000, centro.
- Estação Ferroviária e Pátio Ferroviário de Três Corações.
- Portão Monumental ESA.
- Parque infantil
- Portão do Cemitério Municipal

Referência para o texto: Wikipédia .

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

CHAPADINHA - MARANHÃO

Chapadinha é um município brasileiro do estado do Maranhão. Localizada na região Leste do Maranhão e na Microrregião de Chapadinha, a cidade tem uma população estimada em 80.195 habitantes e uma área territorial de 3.247,385 km².
É sede da Região de Planejamento do Alto Munim (Lei Complementar nº 108/2007), bem como sede regional de diversos órgão públicos e está inserida na mais "nova fronteira agrícola" do Maranhão e do MATOPIBA: o Baixo Parnaíba Maranhense.
História
Primeiros habitantes

Índios Anapurus, da Tribo Tupi - segundo historiadores, os índios Anapurus, de vida nomadista, chegaram a ocupar terras Brasil a fora, principalmente terras litorâneas, mas em razão das perseguições dos colonos europeus, se dividiram em pequenos grupos que procuraram migrar para várias regiões. Baseados nesses fatos, todos os historiadores acreditam que os habitantes primitivos da cidade de Chapadinha devem ser os índios Anapurus, da Tribo Tupi. Em face da topografia plana e da cor das mulheres primitivas que habitavam o local, o povoado recebeu a denominação de Chapada das mulatas.
Segundo antigos historiadores, chapadinha nasceu por volta do século XVIII, com fixação em 1783, e era aproximadamente a 5.000 metros do centro da cidade na direção Sul, mais precisamente no bairro da Aldeia. Naquele local se encontravam descendentes dos índios Anapurus da Tribo Tupi, os mesmos habitantes terras do baixo Parnaíba, localizada na estrada entre o Porto da Manga (atualmente cidade de Nina Rodrigues) e Vila de Brejo (atualmente cidade de Brejo) natural das boiadas, de onde demandava Caxias e Piauí, ou daí procediam rumo à capital do Estado. O povoado prosperou rapidamente, atraindo comerciantes e outras famílias.
Já se passaram cerca de 231 anos desde sua primeira povoação (foram 107 anos na condição de povoado, outros 48 anos como vila e agora 82 anos como cidade).
Guerra dos Balaios
Em Chapadinha houve uma revolução importante do Maranhão denominada de Balaiada, em razão da situação de miséria que passava o povo naquela época, pequenos grupos começaram a se rebelar.
Em 13 de dezembro de 1838, o vaqueiro Raimundo Jutaí, líder da revolução, juntando-se com mais nove homens, Ruivo, tempestade, Mulugueta, Milhomem, Pedregulho, Gaviões, Coco, Macabira e Preto Cosme que se autodenominava “D. Cosme, tutor e imperador das liberdades bem-te-vis.” invadiram a cadeia de "vila da Manga" hoje cidade de Nina Rodrigues, soltando seu irmão e todos os presos que ali estavam, dando assim o começo da revolução, em pouco tempo já conseguiram agrupar milhares de homens, os quais eram chamados de “Balaios”, em razão de um dos homens ser fabricante de balaios, era o Manoel Francisco doa Anjos Ferreira, um de seus principais líderes que se juntou ao grupo de foragidos quando chegou a Brejo.
A partir daí começaram as investidas contra fazendeiros e proprietários, foram vários combates principalmente nos vales de duas hidrografias maranhenses, chegando atingir aos povos sitiados no Golfão Maranhense, do qual faz parte o rio Munim que integra o ecossistema natural do atual município de , antiga Vila da Manga do Iguará, local de início da Guerra da Balaiada que se estendeu até aos Estados do Ceará e Piauí.
Com eclosão da balaiada na vila da Manga, os revoltosos não encontrando ali em Nina Rodrigues os recursos necessários às suas intervenções, deslocaram-se seguidamente para Chapadinha que sofreu inúmeras depredações. Ali, mais especificamente no lugarejo Angico, a 12 km, construíram seu forte.
Visando dar fim à rebelião e, ao mesmo tempo, livrar a vila de Brejo de qualquer invasão por parte dos rebeldes já que os mesmos se encontravam em Chapadinha, distante aproximadamente daquela vila 80 km, o seu prefeito enviou correspondência ao Comandante das Forças da Legalidade, Capitão Pedro de Andrade solicitando ajuda o qual foi atendido imediatamente. Segundo o historiador José Ribeiro de Amaral, as tropas eram (110 praças de linhas e 60 paisanos ou guardas nacionais) feito a junção com as forças locais trataram de marchar ao encontro dos balaios que se encontravam nas mediações.
Enfrentando águas e lamaçais e conduzindo vários feridos fadigados, chegaram ao lugar Anzico a 14 de abril do mesmo ano, onde foram atacados pelos rebeldes que se encontravam em melhor situação. Os mesmos dominaram as tropas que os aceitaram prontamente mas logo ao sair em direção ao quartel dos rebeldes, os mesmos assassinaram a tiro o Capitão Pedro Alexandrino de Andrade e seu colega o Tenente Coronel João José Alves mataram a facadas, fato que se deu em 18 de abril de 1839.
A revolta só foi dominada em toda a área do conflito, quando o regente do império, Pedro de Araújo Lima (Marquês de Oliveira) nomeou o coronel Luís Alves de Lima e Silva no dia 7 de fevereiro de 1840 como presidente e comandante de armas. Unindo as tropas públicas de diversas províncias para submeter os revoltosos a várias derrotas depois de um ano de guerrilha no dia 24 de Setembro de 2014, ocorreu à condição de General e ao título de Duque de Caxias.
Categoria de vila
Em 1870, o povoado já tinha uma subdelegacia de polícia e um distrito de paz, um batalhão de guarda nacional, um comissário vacinador, uma cadeira de primeiras letras para meninos, criadas pela Lei Provincial nº 268 de setembro de 1849. A povoação dispunha de uma capela coberta de telhas embora as casas em sua maioria fossem verdadeiras palhoças, a lavoura constava de arroz, milho, feijão, algodão e fumo. A população de toda a freguesia era avaliada em mil pessoas.
Categoria de cidade
Pelo Decreto Lei nº 45 de 29 de março de 1938, assinado pelo senhor Boanerges Neto Ribeiro, Secretário Geral do Governo do Estado do Maranhão, presidida pelo interventor Paulo Martins de Sousa Ramos (que se encontrava no Rio de Janeiro na ocasião), Chapadinha foi elevada a categoria de cidade.
Geografia
A topografia é denominada pela chapada baixa com vegetação de campos e cerrados abrangendo termos relevo plano. A vegetação do município é do tipo cerrado e tem uma composição florística diversificada. Dentre as espécies mais comuns encontra-se o babaçu, carnaúba e buriti. Há também o pequizeiro, a mangabeira, faveira, bacuri e o jaborandi, árvore que é extraída para fins medicinais, entre outras espécies nativas. São encontrados com muita facilidade minerais, areia, monazítica, pedra, argila e outros.
O clima é tropical úmido, com chuvas concentradas no primeiro semestre do ano. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde outubro de 1976 a menor temperatura registrada em Chapadinha foi de 15,4 °C em 26 de março de 1993, e a maior atingiu 39,7 °C em 2 de dezembro de 2015. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 185 milímetros (mm) em 5 de março de 1996. Março de 2008, com 751 mm, foi o mês de maior precipitação.
Hidrografia
Três cursos d’água importante banham o município de Chapadinha.
- Rio Munim - O Rio Munim é considerado o principal rio do município de Chapadinha, ele nasce em Aldeias Altas e corta a cidade no sentido Norte e Sul, passando por diversas localidades, recebendo as águas do Rio Iguará e do Rio Preto, passando nos municípios de Ninas Rodrigues, Morros, Axixá, e já se misturando as águas salgadas no município de Icatu.
Muitos habitantes da cidade de Chapadinha vão ao rio nos finais de semana para se divertir, só que às vezes essa diversão não é muito saudável pois, como muitos moradores usam o rio como fonte de sobrevivência, tendo a pesca como o principal meio, os habitantes da cidade poluem o rio com sacos plásticos, garrafas pet, latas de cerveja e etc. Prejudicando assim os moradores da região.
No inverno o rio tem um alto índice no aumento das águas. Em várias localidades o rio transborda e prejudica os moradores que têm vários pertences e plantações destruídas. Uma das piores cheias foi no ano de 2009, muitas pessoas tiveram suas casas inundadas. Nessa época surgiram várias campanhas na cidade, principalmente nas escolas, para ajudar os que tiveram perdas.
- Rio Preto - O Rio Preto nasce na localidade de saquinho no município de Buriti, servindo de divisa entre os municípios de Anapurus, Mata Roma e Chapadinha desaguando no Rio Munim.
- Rio Iguará - O rio Iguará nasce em Aldeias Altas, servindo de divisa também entre os municípios de Chapadinha e Timbiras, desaguando no rio Munim, pouco depois de Vargem Grande.
- Riacho Itamacaoca - O riacho Itamacaoca nasce nas localidades Fonte Velha e Paredão no Município de chapadinha, aproximadamente a 3 km do centro da cidade. A 1 km desta nascente foi construída uma barragem pela Caema, que recebeu o nome de barragem Itamacaoca de grande utilidade para a comunidade chapadinhense, no abastecimento de água potável e tratada para a população. O nome Itamacaoca se deu em razão dos primeiros habitantes terem sido os índios e que suas casa eram conhecidas como “OCAS” e quem cujo local existirem muitas pedras em formas de grutas, das quais surgem olhos d’água, iniciando assim um córrego que os índios denominaram de riacho.
Em 2015, com a grave crise hídrica que assola todo o Nordeste brasileiro, a barragem da Itamacaoca vive seu pior momento, secando completamente.
Outras fontes naturais são Chororó, Bica, Aldeia, Quebra-cabeça, Japão, juçaral, Angelim.
Economia
Atualmente, tem como grande atividade agrícola a plantação de soja, com crescente ampliação dos plantios de eucaliptos para atender a fabrica de paletes da Suzano em instalação no município. Sua economia é predominantemente baseada no setor de comércio e serviços, sendo incipiente a indústria (basicamente concentrada na construção civil, olarias, e também metalurgia). No passado a exploração do extrativismo de babaçu levou muita renda a este município que era um dos maiores produtores do estado do Maranhão.
Agricultura
O sistema ainda é tradicional (roça queimada) onde se cultiva o feijão, milho, arroz, mandioca e outros, mas toda a produção é só para o consumo interno. Já existem pequenos projeto de roça mecanizada, mais ainda em fase experimental. Planta-se também cana de açúcar, é extraído a garapa,tijolos, cachaça, vinagre e mel.
Pecuária e Piscicultura
A pecuária de Chapadinha é de pouca expressividade, com sua produção voltada apenas para o consumo interno. Nos últimos anos através de um projeto social chamado Mesa Farta, de iniciativa particular tem incentivado a criação de peixes em pequenos tanques no fundo do quintal, o que de fato esta pequena produção induz além do objetivo central que é criar para comercializar. Segundo a Cooperativa dos Profissionais Autônomos do Estado do Maranhão, no ano de 2012 o Governo Federal deu início à contratação de serviços de ATER para agricultores familiares em situação de extrema pobreza, como uma das ações do Plano Brasil Sem Miséria. Tal iniciativa tem dado grande impulso nas atividades de produção de frango caipira, horticultura, piscicultura e caprino cultura. Sendo a mais significativa, a produção de frangos que em 2013 deve chegar a 70 ton/ano.
Fruticultura
Encontramos com muita variação quintais de algumas residências, frutas como: caju, acerola, manga, jaca, banana, abacate, laranja, limão, açaí, jenipapo, cajá, buriti, ingá, bacuri (Reserva Extrativista Chapada Limpa), goiaba, murici, ata (fruta do conde, pinha), e outras frutas.
Infraestrutura
Aeroporto

A pista de pouso do aeroporto tem aproximadamente 3200 metros de asfalto, e foi inaugurada em setembro de 1989 (construída pelo Ministério da Aeronáutica). Tem capacidade de receber pequenos aviões e jatinhos. No entanto, as instalações do aeroporto encontram-se invadidas, funcionando em seu local um bar. A pista de pouso é constantemente acessada por motos, carros e pedestres que a utilizam como atalho para uma estrada que leva à zona rural, colocando em perigo sua utilização. Embora a camada asfáltica esteja em boas condições, a situação do aeroporto é de completo abandono.
Educação
Ensino Superior

Chapadinha, por ser uma cidade polo da microrregião em referência às demais cidades circunvizinhas, detém todos os polos de Universidades Públicas e Particulares. Assim como as Universidades Públicas UFMA (Universidade Federal do Maranhão) e UEMA (Universidade Estadual do Maranhão), se destacam várias outras particulares como a maior Faculdade Particular da cidade: FAP.
A UFMA - Universidade Federal do Maranhão - oferece os cursos: Biologia, Zootecnia, Agronomia e Engenharia Agrícola. O Museu de História Natural do Leste Maranhense está vinculado ao Campus de Chapadinha, como um repositório local da biodiversidade (do cerrado da região do Baixo Parnaíba e do Munim) e para contribuir para a popularização do conhecimento científico em Biologia, em especial entre crianças e jovens.
A construção de uma Universidade Pública/Federal na cidade facilitou a vida de muitos jovens que terminam o ensino médio, pois a universidade mais próxima é na capital São Luís, que fica a cerca de 300 km daqui. Apesar da distância, conseguir uma vaga em uma universidade federal da capital requer muito esforço e uma grande pontuação no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) que é o principal meio para conseguir estudar nela.
Curso de Medicina
Chapadinha está entre os 22 municípios brasileiros pré-selecionados, em abril de 2015, pelos ministérios da Saúde e da Educação, que poderão receber cursos de medicina ofertados por instituições particulares
Festas e cultura
Uma manifestação tradicional cultural e religiosa da cidade está no Festejo de Nossa Senhora das Dores que acontece todo ano no mês de setembro, e também as festividades carnavalescas que já foram declaradas as melhores, maiores e mais animadas do estado, exercendo forte influência até em estados vizinhos atraindo diversos visitantes de muitos lugares brasileiros e até estrangeiros.
Referência para o texto: Wikipédia .

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

GOIANA - PERNAMBUCO

Goiana é um município brasileiro do estado de Pernambuco, Região Nordeste do país. Encontra-se localizado no extremo norte da Região Metropolitana do Recife, fazendo divisa com a Região Metropolitana de João Pessoa. Está situado no litoral, a 62 km do Recife, 51 km da capital paraibana.
História
A história de Goiana está muito ligada aos engenhos da região. Os goianenses participaram ativamente da Batalha das Heroínas de Tejucopapo (1646), da Revolução Pernambucana (1817), da Confederação do Equador (1824) e da Revolução Goianense (1825). A vila operária de Goiana é considerada a primeira do seu tipo na América Latina. A localidade foi elevada à categoria de freguesia 1568, de vila em em 15 de janeiro de 1711, ganhou foros de cidade em 5 de maio de 1840 e de sede de município em 3 de agosto de 1892, tendo como seu primeiro prefeito o Dr. Belarmino Correia de Oliveira.
A origem mais provável do nome Goiana é que venha da palavra em tupi-guarani "Guyanna", que significa "terra de muitas águas". O topônimo do município aparece pela primeira vez nos catálogos da Companhia de Jesus, em 1592, com o nome de aldeia de "Gueena". O mesmo documento, em 1606, registra-o com a grafia modificada para "Goyana" e, finalmente Goiana. O historiador Francisco Adolfo de Varnhagen disse que Goiana é uma palavra de origem da língua tupi, que significa: gente estimada. Outros filólogos divergem e dizem ter o significado de mistura ou parente, alguns como Frei Vicente de Salvador, em 1627, definiu como sendo porto ou ancoradouro.
Sabe-se que muito antes da chegada dos portugueses ao Brasil, Goiana, assim como diversas outras localidades da América, já era habitada por indígenas, inúmeros historiadores defendem seus estudos e com isso, daí, nasce uma diversidade de teorias, principalmente sobre suas origens. Existem diversas teses sobre a origem da cidade de Goiana, das tais a mais aceita é a de que a cidade surgiu quando Diogo Dias ganhou e fundou o Engenho Recuzaém. A segunda tese é a de que em 1501 com a finalidade de explorar a costa brasileira expedições portuguesas já tinham aportado o litoral goianense em uma praia, hoje denominada Ponta de Pedra. Existindo ainda a terceira tese, a qual diz que a primeira povoação de Goiana esteve no Engenho Japumim, também fundado por Diogo Dias, segundo historiadores.
Período colonial
A colonização jamais realizou os propósitos da empresa mercantil que impulsionou as navegações. Montada especificamente para a troca, ela operava sempre na pressuposição da existência de produção local, nas áreas com que mantinha a troca. O problema da colonização apresenta, assim, grandes dificuldades, uma vez que a estrutura econômica portuguesa não estava preparada para enfrentá-lo. Nesse período, Goiana foi uma das principais produtoras de cana de açúcar no estado de Pernambuco; o Rio Goiana, que corta a cidade, abrigava um importante porto, que escoava a produção do local. Foi durante este período que Goiana foi, por diversas vezes, sede da capitania de Itamaracá, e permaneceu como segunda cidade mais importante do estado, até o fim deste período.
A povoação foi elevada a freguesia em 1568 quando Diogo Dias, um cristão-novo de muitas posses, comprou de Jerônimo de Albuquerque dez mil braças de terra próximas à atual cidade de Goiana, então Capitania de Itamaracá, estabelecendo um engenho fortificado no Vale do Rio Tracunhaém. Este colono foi alvo do ataque ao engenho Tracunhaém, em 1574, no qual índios potiguaras exterminaram toda a população do engenho. Este episódio provocou a extinção da capitania de Itamaracá e a criação da capitania da Paraíba.
Em fevereiro de 1640 defrontaram-se entre Goiana e a ilha de Itamaracá a esquadra ibérica de Fernando de Mascarenhas, conde da Torre, e a holandesa, comandada por Willem Loos, num combate que seria imortalizado em quatro gravuras de Frans Post. No dia 24 de abril do ano de 1646, armadas com paus, pedras, panelas, pimenta e água fervente, as mulheres de Tejucopapo, atual distrito do município, venceram os holandeses que ameaçavam suas terras e famílias. Este evento é conhecido e retratado em um filme denominado "Epopeia das Heroínas de Tejucupapo", que no último domingo de abril é recontada a história, através de uma encenação teatral ao ar livre no marco histórico pelo Clube das Mães, na zona rural do município. A encenação mostra a vida de mulheres que lutaram contra os invasores e contra o preconceito, atraindo cerca de cinco mil pessoas em média por ano.
Período imperial
Após a independência de Portugal em 7 de setembro de 1822, que resultou no fim do "Brasil Colônia" (1500-1822), o Brasil torna-se uma monarquia constitucional, período denominado "Brasil Império" (1822-1889). D. Pedro I retorna a Portugal para assegurar que sua filha assumisse o trono português. Após um período regencial, D. Pedro II, aos catorze anos de idade, é coroado o segundo imperador do Brasil.
No ano de 1859, Dom Pedro II, imperador do Brasil, visitou a cidade de Goiana, chegou acompanhado por uma comitiva com quase quinhentos cavaleiros. Na véspera todos os preparativos foram realizados para receber o monarca. O que havia de melhor nos engenhos foi trazido para o sobrado onde ele se hospedou. Foram à cidade pessoas das regiões circunvizinhas, atraídas pela visita do imperador. Dom Pedro II conheceu as igrejas e encantou-se com a beleza do Cruzeiro do Carmo, no centro. Ele chegou a visitar também o hospital, as repartições públicas, as escolas e elogiou o avanço dos alunos no latim.
Abolição da Escravatura
A abolição em Goiana foi declarada no dia 25 de março de 1887. Em meio a escravos se rebelando e fazendo revoluções almejando o fim da escravidão pelo Brasil, acabou se criando em Goiana um clube abolicionista chamado O Terpsícore, que buscava levantar fundos para a libertação dos escravos. Havia também na cidade o Clube do Cupim, cujo objetivo era "roubar" escravos de seus senhores e enviá-los ao estado do Ceará, onde já não havia escravidão por lei. Em Goiana, a abolição foi declarada de maneira mais prática, pois deixaram a burocracia de lado. Basílio Machado, um sapateiro abolicionista, infiltrava-se nos engenhos pedindo para trabalhar. Ao ganhar a confiança do senhor do engenho, ele elaborava um plano para fugir com os escravos e escondê-los na olaria de José Pires Vergueiro que se encarregava de enviá-los para o Ceará. A campanha abolicionista em Goiana tinha o apoio da população em geral e foi um dos quartéis general na luta pela liberdade dos negros. A cidade acabou sendo a primeira a libertar seus escravos no estado mesmo com o enorme número de engenhos que possuía. Enquanto em Goiana já havia a liberdade de escravos, a Lei Áurea era assinada no Rio de Janeiro, então capital do Brasil, pela Princesa Isabel do Brasil e pelo Ministro da Agricultura da época Conselheiro João Alfredo Correia de Oliveira, no dia 13 de maio de 1888,extinguindo assim a escravidão no resto do Brasil. A Princesa Isabel sancionou a Lei Áurea, na sua terceira e última regência, estando o Imperador D. Pedro II em viagem ao exterior.
Período republicano
Dom Pedro II foi deposto em 15 de novembro de 1889 por um golpe militar liderado pelo republicano Deodoro da Fonseca, que se tornou o primeiro presidente de facto do país, através de ascensão militar. E permaneceu no cargo até o ano de 1891, quando assumiu a presidência o Marechal Floriano Peixoto, que foi considerado o consolidador da república.
Durante esse período, apareceu o primeiro ônibus de que se tem notícia no Brasil, foi um veículo da marca francesa Panhard-Levassor, importado no ano 1900 pela Companhia de Transporte de Goiana, que na época era a mais importante cidade de Pernambuco, depois da capital, Recife. Destinava-se o referido veículo ao transporte de passageiros entre as duas cidades pela histórica estrada de rodagem, hoje a BR-101. No dia 23 de março de 1903, o veículo, com lotação de doze passageiros, fez sua primeira viagem, saindo do centro de Goiana e chegando até a cidade de Olinda, onde parava para o almoço. E seguiam da cidade de Olinda até o Recife levando mais uma hora para chegar ao destino. O ônibus não durou muito, pois uma viagem total, que teria setenta quilômetros, levava cerca de nove horas. E as viagens suburbanas custavam muito.
Também nessa época se instalou na cidade a Fiação de Tecidos Goiana - Fiteg, composta da fábrica, da casa do proprietário e da vila operária, a primeira do seu tipo na América Latina, além de ser um importante marco da arquitetura do início do século XX, tem a peculiaridade de todas as edificações seguirem a mesma modulação: cada habitação representa um módulo, a que tanto a fábrica, quanto a casa do proprietário obedeceram, repetindo, no entanto, tantos módulos, quantos se fizeram necessários. As casas, estreitas, geminadas, com vão abrindo-se diretamente para os logradouros, são distribuídas em nove quadras, num total de 376 habitações. A fábrica foi fechada na década de 1980 depois de declarar a sua falência, deixando centenas de goianenses desempregados, e mesmo que foram discutidas medidas pelo governo, a fábrica realmente fez a declaração, demitindo, de pouco em pouco os trabalhadores..
História recente
No final da década de 1990, surgiram rumores de que Goiana receberia um aeroporto internacional, as quais foram reafirmadas pelo falecido ex-governador do estado Eduardo Campos, o projeto que contempla também um porto e um polo industrial ainda está em desenvolvimento. No ano de 2004 assumiu a prefeitura o empresário Beto Gadelha, que oficializou a implantação do Polo Farmacoquímico de Pernambuco no município de Goiana. Ele teve o mandato cassado pelo TSE no ano de 2006, tendo então que ser feita novas eleições no município. No então ano de 2006, assumiu a prefeitura, Henrique Fenelon, que foi reeleito no ano de 2008, sendo assim o primeiro prefeito reeleito da história de Goiana. A cidade ocupa atualmente a 52ª posição na lista das cidades mais violentas do país
Geografia
O município de Goiana está localizado na Bacia hidrográfica do Rio Goiana, possui poucas montanhas, possui diversas praias.
Relevo
O município de Goiana está localizada no extremo nordeste do estado de Pernambuco, e se desenvolveu em uma planície litorânea ou aluvional (fluviomarinha), constituída por ilhas, penínsulas, alagados, manguezais e pequenas montanhas e dunas, que possuem altitudes abaixo dos 80 metros de altura, apresentando algumas grandes planícies como por exemplo na sua sede e na praia de Catuama.
Hidrografia
O município de Goiana encontra-se inserido nos domínios da Bacia Hidrográfica do Rio Goiana. Seus principais tributários são os rios Goiana, Capibaribe-Mirim, Tracunhaém, Megaó, Barrado Goiana, da Guabiraba, Itapessoca, Itapirema, Corope e Arataca e os riachos Cupissura, Milagre, da Pitanga, Farias, João Marinho, Água do Bicho, da Ponta Branca, Ibeapecu e do Boi. Os principais açudes são: Jacaré, Zombeiro, da Mata, Santa Teresa, da Prata e a Lagoa de Catuama. Todos os cursos d’água no município têm regime de escoamento perene e o padrão de drenagem é o dendrítico.
Águas subterrâneas
O município está inserido no Domínio Hidrogeológico Intersticial e no Domínio Hidrogeológico Fissural. O Domínio Hidrogeológico Intersticial é composto de rochas sedimentares da Formação Beberibe, Grupo Barreiras, Depósitos Aluvionares, Depósitos Fluviolagunares, e dos Depósitos Fluviomarinhos. O Domínio Hidrogeológico Fissural é formado por rochas do embasamento cristalino que engloba o subdomínio de rochas metamórficas, constituído do Complexo Vertentes e do Complexo Belém do São Francisco.
O abastecimento de água é feito por trinta poços que retiram águas dos recursos superficiais e subterrâneos do município, sendo dezenove públicos e onze particulares. Abastecendo a imensa maioria de sua população.
Clima
O clima de Goiana é considerado tropical atlântico (do tipo As segundo o modelo de Köppen-Geiger), e a média anual das temperaturas é de 24,9 °C, chegando aos 31 ºC no verão e ficando abaixo dos 20 ºC no inverno. Por se tratar de uma cidade litorânea, o efeito da maritimidade é bastante perceptível, traduzindo-se em amplitudes térmicas relativamente baixas. A precipitação média anual é de 1.924 milímetros, concentrados principalmente no inverno, entre março e julho, com uma pequena estação seca entre outubro e dezembro.
Fauna e flora
Goiana se encontra em domínios de Mata Atlântica e de manguezais, mas devido à exploração nos períodos colonial e imperial e, atualmente no crescimento da cidade, sobraram poucas áreas de sua vegetação nativa. São encontrados ainda manguezais nas cercanias dos rios Goiana, Capibaribe-Mirim e Tracunhaém e Mata Atlântica em zonas de preservação das Usinas Maravilha e Santa Teresa, também da reserva particular da praia de Tabatinga, que pertence à Usina. Santa Teresa e ao norte do distrito de Tejucopapo, na Mata de Megaó. A mata da Usina é considerada pela CPRH uma mata em bom estado de conservação, já as matas de Megaó e de Massaranduba, são consideradas em estado regular de conservação pela mesma instituição.
Das espécies de plantas encontradas no município de Goiana, há uma que é originalmente dele: a Capiúba (Tapirira guianensis) teve seu nome científico posto em homenagem ao município. As espécies de plantas mais comuns na região são a Capiúba (Tapirira guianensis), Cabotâ-de-leite (Thyrsodium schomburkianum), Sucupira-branca (Bowdichia vigiloides) e Loureiros (Ocotea spp) e os animais da fauna local são o Anu-preto (Crotophaga ani), Anu-branco (Guira guira), Bem-te-vi (Pitangus Sulphuratus), Urubu, (Coragyps atratus) e outros como tatu, preguiça, pardal, preá e iguana. Ficam localizados no município estuários e manguezais do Rio Goiana e Megaó, do Rio Itapessoca e do Canal de Santa Cruz, sendo possível encontrar diversas espécies de crustáceos e moluscos, as mais comuns delas são o Siri (Callicnetes spp), Guaiamu (Cardisoma guanhumi), Tainha (Mugil Curema), Caranguejo-ucá (Ucides Cordatus), Ostra (Cassostrea rizophorae) e o Marisco-pedra (Anomalocardia braziliana)
Economia
O município é um dos dez maiores centros econômicos do estado. Goiana produz cimento, embalagens de papelão, açúcar, cal, casos de algodão, móveis e artefatos de fibra de coco. As principais lavouras do município são de cana de açúcar, coco da baía, mandioca e fumo. Além de ter um comércio muito movimentado e com feira todos os dias. A economia começou a crescer mais aceleradamente depois da criação do Distrito Industrial de Goiana e do Polo Farmacoquímico e de Biotecnologia de Pernambuco, além do recente Polo Automotivo.
Agricultura
O setor primário em Goiana possui como atividade principal a produção de cana de açúcar. É nessa área de cultivo onde está empregada a maior parte da mão de obra local. A cana foi o primeiro produto que moveu o Brasil, alavancando a economia brasileira durante o período colonial, sendo substituída pelo café no período imperial. Outra atividade rural de grande destaque no município é a do cultivo do coco da baia. Goiana é a maior produtora de calcário do estado de Pernambuco, a segunda maior produtora de areia industrial e de ferro do mesmo estado, e a terceira maior produtora de rocha fosfática de Pernambuco. Na aquicultura, Goiana também se destaca em sua região, ocupando 70% das áreas destinadas a esse tipo de agricultura dessa mesma região. Possuindo hectares principalmente na região dos rios Goiana e Megaó.
Monopolizadora na ocupação do solo, a cana de açúcar, em sua expansão, tem motivado a destruição de grande parte da cobertura florestal das várzeas e das encostas com altas declividades, apesar das restrições dessa última categoria de área ao uso agrícola, especialmente a culturas temporárias. Em consequência, a cobertura florestal, no espaço canavieiro de Goiana, restringe-se a alguns vales nas porções central e oriental do município, onde os remanescentes da Mata Atlântica apresentam-se, em sua maior parte, degradados ou substituídos por bambu (Bambusa vulgaris) e outras plantações. No ano de 2000, 53,6% do solo goianense, era ocupado por plantações de cana de açúcar. No município, as áreas reservadas a policultura eram equivalentes a 24,3% do total de áreas no litoral norte de Pernambuco no mesmo ano. Já as plantações de coco da baía estão localizadas na região centro-oriental do município, ocupando 2,5% da área dele e sendo o maior plantador desse produto no litoral norte.
Indústria
O setor secundário no município de Goiana possui grande importância desde o início do século XXI quando foi criada a FITEG, no município, desde então empresas como como Klabin, Nassau, Canaã e Produtos Pérola se estabeleceram no município.
O Distrito Industrial de Goiana foi criado pela Lei Estadual nº 950/2009, ele fica localizado no bairro da Nova Goiana, emprega dezenas de goianenses e contou inicialmente com quatro empresas, como a fábrica de sucos Canaã, ou a de alimentos Produtos Pérola, aumentando conforme o passar dos anos. A Klabin é uma papeleira que produz em Goiana, embalagens de papelão, a multinacional chegou ao município na década de 1960, empregando centenas de trabalhadores no Engenho Pedregulho.[88] A Nassau é uma fábrica de cimentos localizada na ilha de Itapessoca, atualmente é a maior fábrica de cimentos do estado de Pernambuco e a segunda maior do país.
O setor secundário promete ganhar espaço na economia goianense, desde que foi anunciado que o Polo Famacoquímico e de Biotecnologia do estado de Pernambuco ficaria localizado no município de Goiana. Em 9 de agosto de 2011, o Governo do Estado de Pernambuco divulgou que a nova unidade da Fiat Chrysler Automobiles, anteriormente prevista para o Complexo Industrial Portuário de Suape, será implantada em Goiana, junto com dezenas de sistemistas. Alguns dos sistemistas como a CBVP, já estão confirmados no Polo Vidreiro.
Comércio
O setor terciário atualmente é a principal fonte geradora do Produto Interno Bruto goianense. O centro comercial de Goiana é um dos mais movimentados da região, atualmente a feira livre sofre um caos, por culpa do pouco espaço reservado para os muitos feirantes. Assim como no resto do país o maior período de vendas é o Natal. No centro também é comum ver-se produtos contrabandeados, pirateados e falsificados, que em geral são CDs e DVDs pirateados e vendidos por preços mais baixos.
Polo farmacoquímico e de biotecnologia
Goiana foi escolhida pelo governo do estado para sediar o Polo Famacoquímico e de Biotecnologia de Pernambuco. O polo, cuja administração foi delegada à AD Diper, irá ocupar uma área de 345,370 hectares, localizada a aproximadamente 4 km do centro urbano de Goiana, às margens da BR-101. O município de Goiana polariza um centro econômico-social com 6,5 milhões de pessoas, distribuídas entre Recife e João Pessoa, por isso a escolha do município para sediar o Pólo.
As instalações da fábrica de hemoderivados (Hemobrás) em Goiana iniciaram no começo do ano de 2009. A previsão é que os 19 blocos da fábrica estejam concluídos até o primeiro semestre de 2012, mas a fábrica só começaria a funcionar em 2014. A demora na implantação e nas obras foi provocada por questões burocráticas e civis. Mas a área destinada à fábrica já foi submetida à terraplanagem e a colocação de estacas. Simultaneamente a Hemobrás atua no estímulo a pesquisas relativas à biotecnologia e hemoderivados. Há parcerias com a FioCruz (Fundação Oswaldo Cruz), o TECPAR (Instituto de Tecnologia do Paraná) e o IBMP (Instituto de Biologia Molecular do Paraná), além da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).
Além da Hemobrás, o Polo também vai receber as Fábricas da LAFEPE (Laboratório Farmacêutico de Pernambuco), da União Química (de São Paulo) e mais recentemente, da Riff Laboratórios Farmacêuticos, além de outras.
Infraestrutura
Educação

A Faculdade de Formação de Professores de Goiana (FFPG), atual FADIMAB - Faculdade de Ciências e Tecnologias Professor Dirson Maciel de Barros, é destaque na região atraindo alunos de cidade de até 60 km de distância. Está em obras na cidade a construção de uma unidade do SESC. E já estão concluídas as obras de uma Escola Técnica Estadual.
Turismo
Praias

Goiana possui, ao todo, seis praias em sua orla marítima, que conta com 18 km de extensão, sendo totalmente banhada pelo Oceano Atlântico. A praia mais frequentada de todas é a de Ponta de Pedras, e nesta mesma praia fica a Ponta do Funil, o ponto mais oriental do estado de Pernambuco. Algumas das praias preservam vegetação nativa da Mata Atlântica, que é o caso de Tabatinga e Barra de Catuama. Já a praia de Atapuz é mais frequentada por pescadores, e por sua proximidade do Projeto Peixe-Boi, que tem seu centro nacional na ilha de Itamaracá, é normal se ver o peixe-boi, espécie em estado de conservação ameaçado de extinção, em suas águas.
A praia de Carne de Vaca é a primeira praia do litoral de Pernambuco. Tem um estreito areal, com ondas pequenas e fracas, quando a maré baixa possui bancos de areia antes dos seus arrecifes. Fica localizada em uma vila, com poucas casas e uma vasta área de coqueiros. No norte, é a foz do Rio Goiana, onde se encontram manguezais e alagamentos, e ao sul, fica o Riacho Doce, que já participou de filmagens para a televisão, inclusive para uma minissérie do mesmo nome. Sua praia vizinha, a praia de Tabatinga possui coqueiros, mangues e casas de veraneio. Ela fica localizada em uma reserva florestal entre as praias de Carne de Vaca e Ponta de Pedra. Sendo a praia menos movimentada do município, e de fácil encontro com animais nativos da Mata Atlântica. A praia de Ponta de Pedra possui ondas fracas, areia fina e diversas colônias de algas na água.
É sede de um distrito homônimo. Em Ponta de Pedras é fácil de se encontrar vários barcos de pescadores ancorados perto da costa. É a praia mais famosa de Goiana, sendo também a mais frequentada, recebendo milhares de turistas no verão, tando do estado de Pernambuco quanto do estado da Paraíba.
A praia de Catuama tem águas claras, arrecifes e areia molhada. Na maré baixa, se encontram bancos de areia, pedras e piscinas naturais. Está localizada na vila homônima, entre as praias de Ponta de Pedras e de Barra de Catuama. Maioria das casa encontradas na vila são de veraneio. Já a praia de Barra de Catuama, é tranquila e considerada perfeita para banho, ela mantém vegetação nativa da mata atlântica. Fica localizada entre a vila Catuama e a Ilha de Itapessoca. Da praia de Barra de Catuama se possui visão para as Ilhas de Itamaracá e de Itapessoca. A praia de Atapuz, última praia do município de Goiana, é localizada em uma vila de pescadores, entre a Ilha de Itapessoca e o Canal de Santa Cruz. Por sua proximidade do Projeto Peixe-Boi, que tem seu centro nacional na ilha de Itamaracá é normal se ver o peixe-boi, espécie em fase de extinção, em suas águas.
Centro histórico
O Centro Histórico de Goiana é considerado Patrimônio Histórico Nacional desde o ano de 1938. A cidade possui oito igrejas seculares monumentais no centro, sem contar os prédios tombados e a arquitetura em que eles foram construídos. A falta de conservação do patrimônio histórico de Goiana já foi discutida diversas vezes mais nada até agora foi resolvido para conter as rachaduras, vidros quebrados e outros problemas nos prédios seculares.
A Prefeitura de Goiana está localizada em um edifício com características históricas, situado na Avenida Marechal Deodoro da Fonseca. A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Brancos está localizada na mesma avenida da Prefeitura. É uma igreja em estilo barroco construída no século XVIII e declarada como Patrimônio Histórico Nacional, no ano de 1938. A Igreja de Nossa Senhora do Amparo dos Homens Pardos foi construída no século XVIII, com estilo barroco, estilo que era muito utilizado naquela época para construções de igrejas. Nas suas dependências se encontra o Museu de Arte Sacra de Goiana e é considerada patrimônio histórico nacional, que possui numerosas exposições de diferentes estilos, destacando o acervo de cerâmicas de Santos realizadas pelos artistas pernambucanos e as de Arte Sacra colecionadas entre os séculos XVII e XX. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos também foi construída em estilo barroco no ano de 1835 e declarada Patrimônio Histórico Nacional no ano de 1938, igual aconteceu com a maioria de seus edifícios e igrejas da redondeza, inclusive a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, que pertence ao convento de Santo Alberto dos Carmelitas e foi construída no século XVII, no mesmo século do Convento, o Convento foi construído também em estilo barroco no século XVII, em seu interior é possível se encontrar com uma importante coleção de imagens sacras dos séculos XVI e XVII.
Outros atrativos turísticos
A Igreja de São Lourenço de Tejucupapo, uma das igrejas mais importantes do município de Goiana, foi construída em meados do século XVI e é considerada uma das igrejas mais antigas do estado de Pernambuco. Merece especial destaque em seu interior, uma bela capela, um exemplar com grande valor histórico e arquitetônico.
O Restaurante Buraco da Gia foi criado por Luiz Moraes. O nome Buraco da Gia, escrito com g (escolha do dono), surgiu no ano de 1967, quando Luiz Moraes mudou-se para o local e verificou que ali havia uma cacimba onde morava uma jia. Com suas imensas patas, os caranguejos de seu Luiz espantam e encantam. Adestrados durante um ano, eles podem segurar um copo ou quebrá-lo, puxar carrinhos com quatro cervejas e abrir garrafas, tudo ao comando do mestre. Nomes como Juscelino Kubitschek, Gilberto Freyre, Assis Chateaubriand, Chacrinha e Jarbas Vasconcelos já participaram do Show do Caranguejo, onde seu Luiz ordena seus guaiamuns a segurarem o copo enquanto o cliente bebe cerveja ou refrigerante. Devido à sua simpatia e atenção com todos os clientes, seu Luiz já foi matéria de várias revistas e jornais, inclusive internacionais como o The New York Times. O restaurante também participou de programas de televisão como Hebe, Silvio Santos, Domingão do Faustão e os extintos Chacrinha e Que Delícia de Show, apresentado por Flávio Cavalcanti, na antiga TV Tupi.
O ecoparque Aparauá tem seu nome vindo do tupi-guarani, significando massaranduba (árvore da flora brasileira), é um espaço de preservação ecológica do Engenho Massaranduba do Norte. No engenho, os visitantes podem fazer trilhas ecológicas, tomar banhos de bica e em piscinas naturais, passear a cavalo, praticar pesca esportiva, com respeito à natureza e apoio social aos moradores das áreas circunvizinhas. O Engenho Uruaé foi construído no século XVII juntamente com a capela dedicada a Nossa Senhora da Piedade. João Alfredo viveu nesse local que possui ainda hoje seu estilo colonial típico preservado, composto pela casa grande, moita com chaminé, senzala e a já mencionada capela. Além de conter os móveis e utensílios da época em excelente estado. Logo na sua chegada, os visitantes são transportados para os tempos da cana de açúcar. O engenho encontra-se em ótimo estado de conservação e pode-se perceber uma preocupação com o meio ambiente por parte dos proprietários. Seus funcionários são vestidos como os servos de antigamente e palestras sobre os costumes da época são ministradas durante todo o ano.
Cultura
Música

A Sociedade Musical Curica (Banda Curica) foi fundada 1848, é a mais antiga banda da América Latina em atividade. Já a Banda Saboeira é a segunda banda mais antiga da América Latina em funcionamento, tendo sido fundada em 1849. Até hoje as duas bandas mantém ensaios periódicos e realizam apresentações em eventos públicos e particulares. Ganharam destaque depois da visita do imperador Dom Pedro II no ano de 1859.
A ciranda é uma dança solar e praieira, encontrada no litoral norte de Pernambuco. Segundo o musicólogo Padre Jaime Dinis, a palavra ciranda vem do espanhol Zaranda, que é um instrumento de peneirar farinha daquele país e teria evoluído da palavra árabe Çarand. Herdada pelos portugueses, a dança foi difundida a partir do município de Goiana. Ao mestre cirandeiro cabe tirar as cantigas e improvisar os versos. Os instrumentos básicos de uma ciranda são ganzá, bombo e o caixa podendo aparecer outros como a cuíca, o pandeiro, a sanfona e alguns instrumentos de sopro.
Todo ano ocorre o evento do "Dia do músico" que é comemorado na própria data comemorativa sendo sempre em 22 de novembro. Além disso,os músicos sempre se unem para realizações de festivais e apresentações pela cidade, alguns realizados pelas bandas clássicas, como a Curica.
Cinema
O Cine-Teatro Polytheama foi construído no ano de 1914 a antes de possuir este nome foi chamado de "Cine Nacar" e depois "Cine Rex", sendo desativado com a denominação Cine-Teatro Polytheama nos anos 1980. Por iniciativa da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco vai ser reativado depois de uma reforma que custou R$ 1,2 milhão (um milhão e duzentos mil reais), o novo Polytheama disponibilizará 220 lugares para o público e será inaugurado no primeiro trimestre de 2010.
Artesanato
O município de Goiana possui artesãos de destaque no estado de Pernambuco, alguns, como Zé do Carmo possuem reconhecimento nacional e internacional, e outros como Tog, ganharam prêmios na Feira Nacional de Arte (Feneart).
Entre os artesões de Goiana, o mais destacado é Zé do Carmo, o qual é considerado patrimônio vivo de Pernambuco desde o ano de 2002. No ano de 1980 o artista Zé do Carmo foi convocado para fazer uma escultura para ser entregue ao Papa João Paulo II, ele fez então um anjo em formato de cangaceiro, e entregou ao arcebispo de Recife daquele tempo, Dom Hélder Câmara, que não aceitou e falou que não iria entregar ao Papa, naquele momento, o artista Zé do Carmo ganhou fama internacional pela polêmica. Hoje ele permanece em Goiana, fazendo suas esculturas. Antônio José da Silva, mais conhecido como Tog. Começou a trabalhar com o barro no ano de 1979, por incentivo de seus familiares. Ele é tricampeão na Feira Nacional de Arte (Feneart).
A artesã Maria Adélia Tavares, moradora da praia de Ponta de Pedras, foi a criadora do projeto Cestaria de Cana Brava, um grupo formado, predominantemente, por mulheres e filhas de pescadores. O artista João Boneco, conhecido também como mestre Joãozinho, é uma ceramista goianense, que buscou propagar a cerâmica artística goianense para Pernambuco e para o Brasil. Hoje é considerado um dos maiores ceramistas do estado de Pernambuco.
Esportes
Assim como na maioria das cidades do país o esporte mais conhecido e praticado na cidade é o futebol, os principais clubes da cidade são a Atlético Clube Goiana e o Unibol Pernambuco Futebol Clube. Também jogou neste município o Manchete Futebol Clube do Recife e a Associação Esportiva DR-5. O município possui o estádio Agamenon Magalhães, com capacidade para 1.200 pessoas sentadas. O jogador Anderson Hernanes de Carvalho Andrade Lima, mais conhecido como Hernanes, foi jogador do Unibol Pernambuco Futebol Clube nos anos de 1999 e 2000. No ano de 2008 ganhou o Prêmio Craque do Brasileirão. Após se projetar como um exímio jogador pelo São Paulo Futebol Clube, Hernanes atuou por várias temporadas na Juventus, clube Italiano da cidade Turim. Atualmente joga pelo São Paulo Futebol Clube.
Referência para o texto: Wikipédia .