Timbiras é um município brasileiro do estado do Maranhão.
História
Os Primeiros Habitantes
Darcy Ribeiro em expedições realizadas entre 1949 e 1954, atestou a existência dos Urubu-Kaapor, do tronco Tupi, no noroeste do Maranhão e sudeste do Pará. Os estudos incluíram ainda os timbiras, guajajaras, tembés, guarás, canelas. Os estudos de Darcy Ribeiro se deram ao longo dos rios Gurupi e Pindaré. Quanto à região dos Cocais não parecem ter permanecido aqui muito tempo, mas pelo menos por essa região passaram temporariamente, em fuga dos massacres sofridos na época.
Urubu, o Primeiro Nome
O município, ao longo de sua História recebeu vários nomes: Urubu, Porto dos Urubus, Monte Alegre e finalmente Timbiras.
Urubu era uma povoação à margem direita do rio Itapecuru, pertencente ao município de Codó, onde antigamente havia uma aldeia de índios. Segundo consta, o nome se justificava pela grande presença dessa ave no local, mais especificamente no povoado Sardinha, a dois quilômetros de onde hoje é a sede. No entanto, parece ser mais lógico crer que o nome deriva da presença da tribo de índios do mesmo nome, os urubus.
O local passou a ser ponto de referência para os viajantes que por ali passavam navegando pelo Itapecuru, motivo pelo qual recebeu o nome de "Porto dos Urubus". Depois de alguns anos chegaram à região as primeiras famílias descendentes de portugueses e italianos, chefiados pelo senhor Têta de Araújo, que conservaram o nome Urubu para a localidade.
Ali se estabeleceu a freguesia de Santa Rita dos Urubus, através da Lei Provincial n.º 13, art. 1º, § 2°, de 8 de maio de 1835. Mas segundo o historiador Ribeiro do Amaral, a Comarca e a Vila de Santa Rita dos Urubus foram criadas na mesma data, em 1836.
As terras onde hoje se localiza a sede do município eram habitadas por índios timbiras. Os moradores de Porto dos Urubus se mudaram para este local por causa das enchentes do Itapecuru que inundavam constantemente o povoado original. Porto dos Urubus, que apesar de tudo facilitava a penetração para o interior, continuou tendo a sua importância e passou a ser chamado por seu primeiro nome, o do povoado extinto, Sardinha.
Em 1836, foi criada a sede da Comarca de Urubu e dois anos depois, por influência do ex-regente do Império Bráulio Muniz, foi transferida a sede da Comarca para a vila de Codó. A transferência foi determinada pela Lei Provincial n.º 68, de 21 de julho de 1838. Com essa ação a comarca foi elevada à categoria de vila. Mas com a mudança da sede da comarca, a vila entrou em decadência.
Monte Alegre
Em 1900 chegaram à região e aí fixaram residência alguns frades capuchinhos e franciscanos, que trocaram a denominação do local para Monte Alegre, em 1920, dizendo não haver mais nenhuma razão para a adoção do nome Urubu, que achavam pejorativo.
Desmembramento e Redução da Vila
O território passou oficialmente à condição de Vila Monte Alegre quando foi desmembrado do município de Codó e de reduzida parte do município de Coroatá através do Decreto-Lei Estadual n.º 921 de 5 de abril de 1928, por determinação do então Interventor do Maranhão, Urbano Santos da Costa Araújo.
Primeira Decadência da Vila
Em 22 de abril de 1831, através do Decreto-Lei n.º 75, Urbano Santos, ainda na condição de Interventor do Maranhão, alegando que o município criado não possuía rendimento à altura exigida para permanecer autônomo, voltou a submetê-lo à subordinação de Codó.
Autonomia do Povoado Monte Alegre
A partir de 1918 com o aumento da população, o desenvolvimento do comércio e o crescimento da produção agrícola, sentiu-se a necessidade da autonomia do povoado.
O processo de emancipação teve início através do Projeto n.º 40, do Congresso do estado do Maranhão, publicado no Diário Oficial n.º 70, de 27 de março de 1920. A Lei n.º 921, de 5 de abril de 1920, sancionada por Urbano Santos, já na condição de Presidente do estado do Maranhão, elevou à categoria de vila a povoação Monte Alegre e à de município a zona ocupada pelo 6º Distrito Policial de Codó. A lei definiu ainda os limites do novo município.
Monte Alegre e a União dos Partidos Políticos
Quando Monte Alegre foi impedido de ser município, de acordo com o decreto acima citado, existiam na localidade dois partidos políticos: o Magalhenista, do governo, e o Republicano, de oposição. Os magalhenistas eram liderados pelo Coronel Benedito Brandão Melo e Alvim, enquanto os republicanos tinham como líder o Sr. Francisco Jocker Ribeiro. Pelo interesse comum, os dois se uniram para juntos aos poderes públicos lutarem pela restauração da autonomia do município, o que acabaram conseguindo quando da promulgação do Decreto-Lei n.º 144, de 27 de julho de 1931.
Segunda Decadência de Monte Alegre
Com a restauração do município, foi nomeado interventor municipal o Sr. Benedito Brandão de Melo e Alvim, que pouco governou, sendo exonerado do cargo em 1933. Em 16 de julho daquele ano o Decreto-Lei n.º 539 suprimiu de novo a qualidade de município de Monte Alegre. Veio então nova luta política pela autonomia, que enfim obteve êxito através da Lei n.º 837, de 3 de julho de 1935.
Timbiras, o Novo Nome do Município
Com as mudanças da situação política da localidade, a luta pela criação do município de Monte Alegre logrou mais uma vitória: a elevação à categoria de cidade através do Decreto-Lei n.º 45, de 29 de março de 1938.
Acreditava-se que a localidade fora habitada inicialmente pela tribo dos timbiras, ou que, na menor das hipóteses, essa tribo acampara algum tempo no local. Essa lembrança inspirou a ideia de mudar-se mais uma vez e em definitivo o nome do município. O Decreto-Lei n.º 820, de 30 de dezembro de 1943 determinou que Timbiras fosse a partir de então o nome do município.
Origem do nome
A palavra Timbira, segundo Curt Nimuendaju, o etnólogo pioneiro no estudo desses povos, diz que se for de origem tupi, a palavra pode significar "os amarrados" (tin = amarrar, pi'ra = passivo), uma referência às inúmeras fitas de palha ou faixas trançadas em algodão que usam sobre o corpo: na testa, no pescoço, nos braços, nos pulsos, abaixo dos joelhos, nos tornozelos. Os índios Kaapor discriminavam os Timbira chamando-os pejorativamente de “comedores de cobra". Segundo o Dicionário Tupi-Guarani o topónimo Timbira significa: o amarrado; o escravo.
Formação Administrativa
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, figura no município de Codó o distrito de Monte Alegre.
Elevado à categoria de vila com a denominação de Monte Alegre. Pela Lei Estadual n.º 921, de 05 de abril de 1931, confirmado pelo Decreto n.º 539, de 16 de dezembro de 1933. Sede na vila de Monte Alegre.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, Monte Alegre aparece como distrito do município de Codó.
Elevado novamente à categoria de município com a denominação de Monte Alegre, pelo Decreto n.º 832, de 03 de junho de 1935, desmembrado de Codó. Constituído do distrito sede.
Em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, o município é constituído do distrito sede.
Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 820, de 30 de dezembro de 1943, o município de Monte Alegre passou a denominar-se Timbiras.
Em divisões territoriais datada de 01 de julho de1960, o município já denominado Timbiras é constituído do distrito sede.
Assim permanecendo em divisões territoriais datada de 2025.
Geografia
Timbiras tem uma área de 1.486,584 km² e uma população de 27.328 habitantes, segundo estimativas do IBGE, para o ano de 2025.
A geografia de Timbiras é um espetáculo esculpido pela natureza. O relevo é predominantemente plano e suavemente ondulado, característico da transição entre a Amazônia e o Cerrado nordestino. Com uma altitude baixa, o município desfruta de um clima tropical quente e úmido, marcado por temperaturas elevadas e um regime de chuvas que garante o vigor da vegetação e o sustento das atividades agrícolas.
O solo, fértil nas áreas de várzea e margens do rio, sustenta uma agricultura diversificada. A vegetação original mescla trechos de matas ciliares, capoeiras e vegetação de transição, abrigando uma rica biodiversidade. O grande protagonista da geografia timbirense é o Rio Itapecuru, cujas cheias e vazantes ditam o ritmo da vida ribeirinha e embelezam a paisagem local.
Localização
Localiza-se na mesorregião do Leste Maranhense, mais especificamente na microrregião de Codó, a 316 quilômetros da capital São Luís, à margem direita do rio Itapecuru. Sua sede está a 4°15’18”LS e 43°56’27”LW e a uma altitude média de 49 metros acima do nível do mar. O município é atravessado pela Estrada de Ferro São Luís-Teresina, concedida atualmente para o transporte de cargas.
Divisão Política
A zona urbana do município apresenta sua maior parte à margem direita do Itapecuru, ficando a trizidela, que constitui principalmente o bairro São Sebastião, do lado esquerdo.
A zona rural compreende mais de cem povoados, sendo os principais: Flores, Lagoa Preta, Axixá, Campestre, Sete, Chapéu, Centrinho, Lagoa Grande, Mata Fome, Bacaba, Poço do Boi, São José, etc.
Relevo
O relevo é de baixas altitudes, destacando-se alguns morros típicos da região do Vale do Rio Itapecuru. As formas mais significativas do relevo são os morros, chapadas e serras.
Os principais morros são: morro do Capitão (220 metros de altitude), situado no bairro São Sebastião; morro Conduru (215 metros de altitude), localizado a 13 quilômetros da sede, em 1947, passou a ter mais um nome, morro Quebrado; morro da Bela Vista (120 metros de altitude), mede aproximadamente 630 metros de comprimento e nele se localizam a estação de tratamento de água da CAEMA e a torre de retransmissão de sinal de televisão.
A serra mais importante é a da Cangalha, na parte setentrional do município. A chapada de destaque é a do Socó.
Hidrografia
A rede hidrográfica é constituída por rios, riachos, igarapés e lagoas.
Além do rio Itapecuru podemos destacar os rios Pirapemas, que corta o município de sudeste para noroeste, na divisa com o município de Chapadinha; Guará, que também fica na fronteira com Chapadinha, rio Guanaré, na fronteira entre Timbiras e Vargem Grande e rio Curimatá, que é um afluente do Pirapemas.
Os riachos mais importantes são: Carro Quebrado, Pimenta e Rabo do Gato.
Principais Igarapés
- Bom Boi - nasce no povoado Bom-Fim, no município de Codó e desemboca no rio Itapecuru na altura do povoado Deserto. Na época da criação do município de Timbiras, foi designado como ponto de limite com o vizinho município de Codó.
- São Bernardo - com uma extensão de cinco quilômetros, nasce no lugarejo Centrinho dos Lopes e desemboca no rio Itapecuru já zona urbana, limitando o bairro Anjo da Guarda com o centro da cidade.
- Santarém - é o mais importante de todos, nasce num brejo de juçaras e buritis na localidade Finca-Pés, e também desemboca no Itapecuru já na zona urbana, definindo o bairro Santarém.
Rio Itapecuru
É o principal rio que banha o município. A população depende dele quase que absolutamente, pois toda a água potável distribuída na cidade é proveniente desse rio.
Às suas margens desenvolve-se uma agricultura de subsistência conhecida pelo termo vazante. Essa técnica vem sendo questionada pelos riscos de degradação da mata ciliar.
O rio é ainda fonte de lazer principalmente no verão quando se instalam as barracas na sua margem direita, próximo a ponte que liga o bairro São Sebastião à sede do município. Nesse período aumenta a frequência de banhistas, vindos das cidades vizinhas, Codó e Coroatá, mas também pelos timbirenses que estudam ou trabalham fora e que retornam para passar suas férias.
Clima
O clima predominante é o tropical, caracterizado por um período chuvoso de dezembro a maio, com níveis pluviométricos mais acentuados entre janeiro e abril. De julho a novembro o município passa por um período de estiagem. A temperatura média é de 27 graus Celsius.
Em Timbiras, a estação com precipitação é de céu encoberto e quente; a estação seca é escaldante e de céu parcialmente encoberto. Durante o ano inteiro, o clima é opressivo. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 22 °C a 38 °C e raramente é inferior a 20 °C ou superior a 40 °C.
A melhor época do ano para visitar Timbiras e realizar atividades de clima quente é do meio de junho ao meio de agosto.
A estação quente permanece por 3,1 meses, de 29 de agosto a 1 de dezembro, com temperatura máxima média diária acima de 36 °C. O mês mais quente do ano em Timbiras é outubro, com a máxima de 38 °C e mínima de 24 °C, em média.
A estação fresca permanece por 5,7 meses, de 25 de janeiro a 17 de julho, com temperatura máxima diária em média abaixo de 33 °C. O mês mais frio do ano em Timbiras é março, com a mínima de 24 °C e máxima de 32 °C, em média.
Em Timbiras, a porcentagem média de céu encoberto por nuvens sofre extrema variação sazonal ao longo do ano.
A época menos encoberta do ano em Timbiras começa por volta de 3 de junho e dura 4,5 meses, terminando em torno de 20 de outubro.
O mês menos encoberto do ano em Timbiras é julho, durante o qual, em média, o céu está sem nuvens, quase sem nuvens ou parcialmente encoberto 67% do tempo.
A época mais encoberta do ano começa por volta de 20 de outubro e dura 7,4 meses, terminando em torno de 3 de junho.
O mês mais encoberto do ano em Timbiras é abril, durante o qual, em média, o céu está encoberto ou quase encoberto 85% do tempo.
Vegetação
Na região predomina a floresta tropical de transição, sendo a maior parte da área do município coberta pelas matas de cocais, com incidência quase absoluta da palmeira de babaçu e cerca de 20% coberta de mata nativa ainda virgem ou pouco degradada.
Economia
Timbiras é uma pequena cidade que se destaca por apresentar novas oportunidades de negócios e pela alta regularidade das vendas no ano.
A economia local apoia-se em pilares tradicionais e sustentáveis: destaca-se fortemente na agricultura familiar, na produção de mandioca, milho, arroz, na pecuária extensiva, além do extrativismo vegetal e da pesca artesanal no rio. O comércio local e o setor de serviços completam o dinamismo econômico da cidade.
De janeiro a junho de 2026, foram registradas 88 admissões formais e 53 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 35 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de 0.
Até julho de 2026 houve registro de 8 novas empresas em Timbiras, sendo que 5 atuam pela internet. Neste último mês, uma nova empresa se instalou na cidade. Este desempenho é igual ao do do mês imediatamente anterior (1). No ano de 2025 inteiro, não houve novos registros.
Manifestações Culturais
Religião
Em Timbiras temos representantes das religiões catolicismo, protestantismo e cultos afros, como umbanda.
Na sede fica a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira do município e a Capela de Santa Rita de Cássia. Os templos evangélicos mais tradicionais pertencem à Igreja Congregação Cristã no Brasil, Assembleia de Deus, Igreja Batista, Igreja Adventista, Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Mundial do Poder de Deus e Igreja Internacional da Graça de Deus. A igreja evangélica mais antiga da cidade é a Assembleia de Deus que fica localizada na Avenida Barreto Vinhas, Centro de Timbiras. A referida Igreja possui uma média de 600 membros distribuídos num total de 07 Congregações (Bairro Forquilha, Multirão, Horta, Anjo da guarda, Alto Fogoso, São Sebastião e Caixa Dágua).
O calendário religioso católico, adotado pela maioria da população, compreende:
- 22 de maio: Festejos de Santa Rita de Cássia. Justifica-se a festa pelo fato de ter sido essa a santa de devoção da senhora Raimunda Frazão de Melo e Alvim, responsável pela construção da capela de mesmo nome.
- 31 de agosto: Festejos de São Raimundo Nonato. Festa muito popular que a cada ano aglomera mais adeptos. Realizam caminhadas em honra ao santo. A culminância é a caminhada da Fazenda Glória até a igreja matriz, onde é celebrada a missa.
- 22 de outubro: Festa de Nossa Senhora dos Remédios. Inclui novenas, terços, procissões e quermesse.
Educação
Timbiras compreende que o conhecimento é a semente mais sólida para o desenvolvimento humano e social. Nos últimos anos, o município tem buscado ampliar o acesso ao ensino superior e à capacitação profissional por meio de polos educacionais e parcerias estratégicas. A oferta de cursos voltados para a pedagogia, a gestão pública, a agronomia e a tecnologia garantem que a juventude timbirense encontre ferramentas para inovar e liderar o futuro da cidade sem precisar deixar sua terra natal.
Turismo
O turismo em Timbiras é um convite apaixonante à contemplação e ao lazer. As praias fluviais que se formam às margens do Rio Itapecuru durante o período de estiagem, os banhos revigorantes e os passeios de barco encantam os visitantes.
Cultura
Culturalmente, Timbiras é um verdadeiro tesouro do Maranhão: a cidade é famosa por suas vibrantes manifestações folclóricas, festas religiosas, o tradicional bumba-meu-boi e a rica culinária regional, que mantêm viva a identidade de um povo orgulhoso de suas raízes.
Esporte
No esporte, o município demonstra grande vitalidade. O incentivo ao futebol amador, aos campeonatos locais e às práticas esportivas nas escolas movimenta os centros comunitários, promovendo a saúde, o lazer e a forte integração social entre os moradores de todas as gerações.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .
História
Os Primeiros Habitantes
Darcy Ribeiro em expedições realizadas entre 1949 e 1954, atestou a existência dos Urubu-Kaapor, do tronco Tupi, no noroeste do Maranhão e sudeste do Pará. Os estudos incluíram ainda os timbiras, guajajaras, tembés, guarás, canelas. Os estudos de Darcy Ribeiro se deram ao longo dos rios Gurupi e Pindaré. Quanto à região dos Cocais não parecem ter permanecido aqui muito tempo, mas pelo menos por essa região passaram temporariamente, em fuga dos massacres sofridos na época.
Urubu, o Primeiro Nome
O município, ao longo de sua História recebeu vários nomes: Urubu, Porto dos Urubus, Monte Alegre e finalmente Timbiras.
Urubu era uma povoação à margem direita do rio Itapecuru, pertencente ao município de Codó, onde antigamente havia uma aldeia de índios. Segundo consta, o nome se justificava pela grande presença dessa ave no local, mais especificamente no povoado Sardinha, a dois quilômetros de onde hoje é a sede. No entanto, parece ser mais lógico crer que o nome deriva da presença da tribo de índios do mesmo nome, os urubus.
O local passou a ser ponto de referência para os viajantes que por ali passavam navegando pelo Itapecuru, motivo pelo qual recebeu o nome de "Porto dos Urubus". Depois de alguns anos chegaram à região as primeiras famílias descendentes de portugueses e italianos, chefiados pelo senhor Têta de Araújo, que conservaram o nome Urubu para a localidade.
Ali se estabeleceu a freguesia de Santa Rita dos Urubus, através da Lei Provincial n.º 13, art. 1º, § 2°, de 8 de maio de 1835. Mas segundo o historiador Ribeiro do Amaral, a Comarca e a Vila de Santa Rita dos Urubus foram criadas na mesma data, em 1836.
As terras onde hoje se localiza a sede do município eram habitadas por índios timbiras. Os moradores de Porto dos Urubus se mudaram para este local por causa das enchentes do Itapecuru que inundavam constantemente o povoado original. Porto dos Urubus, que apesar de tudo facilitava a penetração para o interior, continuou tendo a sua importância e passou a ser chamado por seu primeiro nome, o do povoado extinto, Sardinha.
Em 1836, foi criada a sede da Comarca de Urubu e dois anos depois, por influência do ex-regente do Império Bráulio Muniz, foi transferida a sede da Comarca para a vila de Codó. A transferência foi determinada pela Lei Provincial n.º 68, de 21 de julho de 1838. Com essa ação a comarca foi elevada à categoria de vila. Mas com a mudança da sede da comarca, a vila entrou em decadência.
Monte Alegre
Em 1900 chegaram à região e aí fixaram residência alguns frades capuchinhos e franciscanos, que trocaram a denominação do local para Monte Alegre, em 1920, dizendo não haver mais nenhuma razão para a adoção do nome Urubu, que achavam pejorativo.
Desmembramento e Redução da Vila
O território passou oficialmente à condição de Vila Monte Alegre quando foi desmembrado do município de Codó e de reduzida parte do município de Coroatá através do Decreto-Lei Estadual n.º 921 de 5 de abril de 1928, por determinação do então Interventor do Maranhão, Urbano Santos da Costa Araújo.
Primeira Decadência da Vila
Em 22 de abril de 1831, através do Decreto-Lei n.º 75, Urbano Santos, ainda na condição de Interventor do Maranhão, alegando que o município criado não possuía rendimento à altura exigida para permanecer autônomo, voltou a submetê-lo à subordinação de Codó.
Autonomia do Povoado Monte Alegre
A partir de 1918 com o aumento da população, o desenvolvimento do comércio e o crescimento da produção agrícola, sentiu-se a necessidade da autonomia do povoado.
O processo de emancipação teve início através do Projeto n.º 40, do Congresso do estado do Maranhão, publicado no Diário Oficial n.º 70, de 27 de março de 1920. A Lei n.º 921, de 5 de abril de 1920, sancionada por Urbano Santos, já na condição de Presidente do estado do Maranhão, elevou à categoria de vila a povoação Monte Alegre e à de município a zona ocupada pelo 6º Distrito Policial de Codó. A lei definiu ainda os limites do novo município.
Monte Alegre e a União dos Partidos Políticos
Quando Monte Alegre foi impedido de ser município, de acordo com o decreto acima citado, existiam na localidade dois partidos políticos: o Magalhenista, do governo, e o Republicano, de oposição. Os magalhenistas eram liderados pelo Coronel Benedito Brandão Melo e Alvim, enquanto os republicanos tinham como líder o Sr. Francisco Jocker Ribeiro. Pelo interesse comum, os dois se uniram para juntos aos poderes públicos lutarem pela restauração da autonomia do município, o que acabaram conseguindo quando da promulgação do Decreto-Lei n.º 144, de 27 de julho de 1931.
Segunda Decadência de Monte Alegre
Com a restauração do município, foi nomeado interventor municipal o Sr. Benedito Brandão de Melo e Alvim, que pouco governou, sendo exonerado do cargo em 1933. Em 16 de julho daquele ano o Decreto-Lei n.º 539 suprimiu de novo a qualidade de município de Monte Alegre. Veio então nova luta política pela autonomia, que enfim obteve êxito através da Lei n.º 837, de 3 de julho de 1935.
Timbiras, o Novo Nome do Município
Com as mudanças da situação política da localidade, a luta pela criação do município de Monte Alegre logrou mais uma vitória: a elevação à categoria de cidade através do Decreto-Lei n.º 45, de 29 de março de 1938.
Acreditava-se que a localidade fora habitada inicialmente pela tribo dos timbiras, ou que, na menor das hipóteses, essa tribo acampara algum tempo no local. Essa lembrança inspirou a ideia de mudar-se mais uma vez e em definitivo o nome do município. O Decreto-Lei n.º 820, de 30 de dezembro de 1943 determinou que Timbiras fosse a partir de então o nome do município.
Origem do nome
A palavra Timbira, segundo Curt Nimuendaju, o etnólogo pioneiro no estudo desses povos, diz que se for de origem tupi, a palavra pode significar "os amarrados" (tin = amarrar, pi'ra = passivo), uma referência às inúmeras fitas de palha ou faixas trançadas em algodão que usam sobre o corpo: na testa, no pescoço, nos braços, nos pulsos, abaixo dos joelhos, nos tornozelos. Os índios Kaapor discriminavam os Timbira chamando-os pejorativamente de “comedores de cobra". Segundo o Dicionário Tupi-Guarani o topónimo Timbira significa: o amarrado; o escravo.
Formação Administrativa
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, figura no município de Codó o distrito de Monte Alegre.
Elevado à categoria de vila com a denominação de Monte Alegre. Pela Lei Estadual n.º 921, de 05 de abril de 1931, confirmado pelo Decreto n.º 539, de 16 de dezembro de 1933. Sede na vila de Monte Alegre.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, Monte Alegre aparece como distrito do município de Codó.
Elevado novamente à categoria de município com a denominação de Monte Alegre, pelo Decreto n.º 832, de 03 de junho de 1935, desmembrado de Codó. Constituído do distrito sede.
Em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, o município é constituído do distrito sede.
Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 820, de 30 de dezembro de 1943, o município de Monte Alegre passou a denominar-se Timbiras.
Em divisões territoriais datada de 01 de julho de1960, o município já denominado Timbiras é constituído do distrito sede.
Assim permanecendo em divisões territoriais datada de 2025.
Geografia
Timbiras tem uma área de 1.486,584 km² e uma população de 27.328 habitantes, segundo estimativas do IBGE, para o ano de 2025.
A geografia de Timbiras é um espetáculo esculpido pela natureza. O relevo é predominantemente plano e suavemente ondulado, característico da transição entre a Amazônia e o Cerrado nordestino. Com uma altitude baixa, o município desfruta de um clima tropical quente e úmido, marcado por temperaturas elevadas e um regime de chuvas que garante o vigor da vegetação e o sustento das atividades agrícolas.
O solo, fértil nas áreas de várzea e margens do rio, sustenta uma agricultura diversificada. A vegetação original mescla trechos de matas ciliares, capoeiras e vegetação de transição, abrigando uma rica biodiversidade. O grande protagonista da geografia timbirense é o Rio Itapecuru, cujas cheias e vazantes ditam o ritmo da vida ribeirinha e embelezam a paisagem local.
Localização
Localiza-se na mesorregião do Leste Maranhense, mais especificamente na microrregião de Codó, a 316 quilômetros da capital São Luís, à margem direita do rio Itapecuru. Sua sede está a 4°15’18”LS e 43°56’27”LW e a uma altitude média de 49 metros acima do nível do mar. O município é atravessado pela Estrada de Ferro São Luís-Teresina, concedida atualmente para o transporte de cargas.
Divisão Política
A zona urbana do município apresenta sua maior parte à margem direita do Itapecuru, ficando a trizidela, que constitui principalmente o bairro São Sebastião, do lado esquerdo.
A zona rural compreende mais de cem povoados, sendo os principais: Flores, Lagoa Preta, Axixá, Campestre, Sete, Chapéu, Centrinho, Lagoa Grande, Mata Fome, Bacaba, Poço do Boi, São José, etc.
Relevo
O relevo é de baixas altitudes, destacando-se alguns morros típicos da região do Vale do Rio Itapecuru. As formas mais significativas do relevo são os morros, chapadas e serras.
Os principais morros são: morro do Capitão (220 metros de altitude), situado no bairro São Sebastião; morro Conduru (215 metros de altitude), localizado a 13 quilômetros da sede, em 1947, passou a ter mais um nome, morro Quebrado; morro da Bela Vista (120 metros de altitude), mede aproximadamente 630 metros de comprimento e nele se localizam a estação de tratamento de água da CAEMA e a torre de retransmissão de sinal de televisão.
A serra mais importante é a da Cangalha, na parte setentrional do município. A chapada de destaque é a do Socó.
Hidrografia
A rede hidrográfica é constituída por rios, riachos, igarapés e lagoas.
Além do rio Itapecuru podemos destacar os rios Pirapemas, que corta o município de sudeste para noroeste, na divisa com o município de Chapadinha; Guará, que também fica na fronteira com Chapadinha, rio Guanaré, na fronteira entre Timbiras e Vargem Grande e rio Curimatá, que é um afluente do Pirapemas.
Os riachos mais importantes são: Carro Quebrado, Pimenta e Rabo do Gato.
Principais Igarapés
- Bom Boi - nasce no povoado Bom-Fim, no município de Codó e desemboca no rio Itapecuru na altura do povoado Deserto. Na época da criação do município de Timbiras, foi designado como ponto de limite com o vizinho município de Codó.
- São Bernardo - com uma extensão de cinco quilômetros, nasce no lugarejo Centrinho dos Lopes e desemboca no rio Itapecuru já zona urbana, limitando o bairro Anjo da Guarda com o centro da cidade.
- Santarém - é o mais importante de todos, nasce num brejo de juçaras e buritis na localidade Finca-Pés, e também desemboca no Itapecuru já na zona urbana, definindo o bairro Santarém.
Rio Itapecuru
É o principal rio que banha o município. A população depende dele quase que absolutamente, pois toda a água potável distribuída na cidade é proveniente desse rio.
Às suas margens desenvolve-se uma agricultura de subsistência conhecida pelo termo vazante. Essa técnica vem sendo questionada pelos riscos de degradação da mata ciliar.
O rio é ainda fonte de lazer principalmente no verão quando se instalam as barracas na sua margem direita, próximo a ponte que liga o bairro São Sebastião à sede do município. Nesse período aumenta a frequência de banhistas, vindos das cidades vizinhas, Codó e Coroatá, mas também pelos timbirenses que estudam ou trabalham fora e que retornam para passar suas férias.
Clima
O clima predominante é o tropical, caracterizado por um período chuvoso de dezembro a maio, com níveis pluviométricos mais acentuados entre janeiro e abril. De julho a novembro o município passa por um período de estiagem. A temperatura média é de 27 graus Celsius.
Em Timbiras, a estação com precipitação é de céu encoberto e quente; a estação seca é escaldante e de céu parcialmente encoberto. Durante o ano inteiro, o clima é opressivo. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 22 °C a 38 °C e raramente é inferior a 20 °C ou superior a 40 °C.
A melhor época do ano para visitar Timbiras e realizar atividades de clima quente é do meio de junho ao meio de agosto.
A estação quente permanece por 3,1 meses, de 29 de agosto a 1 de dezembro, com temperatura máxima média diária acima de 36 °C. O mês mais quente do ano em Timbiras é outubro, com a máxima de 38 °C e mínima de 24 °C, em média.
A estação fresca permanece por 5,7 meses, de 25 de janeiro a 17 de julho, com temperatura máxima diária em média abaixo de 33 °C. O mês mais frio do ano em Timbiras é março, com a mínima de 24 °C e máxima de 32 °C, em média.
Em Timbiras, a porcentagem média de céu encoberto por nuvens sofre extrema variação sazonal ao longo do ano.
A época menos encoberta do ano em Timbiras começa por volta de 3 de junho e dura 4,5 meses, terminando em torno de 20 de outubro.
O mês menos encoberto do ano em Timbiras é julho, durante o qual, em média, o céu está sem nuvens, quase sem nuvens ou parcialmente encoberto 67% do tempo.
A época mais encoberta do ano começa por volta de 20 de outubro e dura 7,4 meses, terminando em torno de 3 de junho.
O mês mais encoberto do ano em Timbiras é abril, durante o qual, em média, o céu está encoberto ou quase encoberto 85% do tempo.
Vegetação
Na região predomina a floresta tropical de transição, sendo a maior parte da área do município coberta pelas matas de cocais, com incidência quase absoluta da palmeira de babaçu e cerca de 20% coberta de mata nativa ainda virgem ou pouco degradada.
Economia
Timbiras é uma pequena cidade que se destaca por apresentar novas oportunidades de negócios e pela alta regularidade das vendas no ano.
A economia local apoia-se em pilares tradicionais e sustentáveis: destaca-se fortemente na agricultura familiar, na produção de mandioca, milho, arroz, na pecuária extensiva, além do extrativismo vegetal e da pesca artesanal no rio. O comércio local e o setor de serviços completam o dinamismo econômico da cidade.
De janeiro a junho de 2026, foram registradas 88 admissões formais e 53 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 35 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de 0.
Até julho de 2026 houve registro de 8 novas empresas em Timbiras, sendo que 5 atuam pela internet. Neste último mês, uma nova empresa se instalou na cidade. Este desempenho é igual ao do do mês imediatamente anterior (1). No ano de 2025 inteiro, não houve novos registros.
Manifestações Culturais
Religião
Em Timbiras temos representantes das religiões catolicismo, protestantismo e cultos afros, como umbanda.
Na sede fica a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira do município e a Capela de Santa Rita de Cássia. Os templos evangélicos mais tradicionais pertencem à Igreja Congregação Cristã no Brasil, Assembleia de Deus, Igreja Batista, Igreja Adventista, Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Mundial do Poder de Deus e Igreja Internacional da Graça de Deus. A igreja evangélica mais antiga da cidade é a Assembleia de Deus que fica localizada na Avenida Barreto Vinhas, Centro de Timbiras. A referida Igreja possui uma média de 600 membros distribuídos num total de 07 Congregações (Bairro Forquilha, Multirão, Horta, Anjo da guarda, Alto Fogoso, São Sebastião e Caixa Dágua).
O calendário religioso católico, adotado pela maioria da população, compreende:
- 22 de maio: Festejos de Santa Rita de Cássia. Justifica-se a festa pelo fato de ter sido essa a santa de devoção da senhora Raimunda Frazão de Melo e Alvim, responsável pela construção da capela de mesmo nome.
- 31 de agosto: Festejos de São Raimundo Nonato. Festa muito popular que a cada ano aglomera mais adeptos. Realizam caminhadas em honra ao santo. A culminância é a caminhada da Fazenda Glória até a igreja matriz, onde é celebrada a missa.
- 22 de outubro: Festa de Nossa Senhora dos Remédios. Inclui novenas, terços, procissões e quermesse.
Educação
Timbiras compreende que o conhecimento é a semente mais sólida para o desenvolvimento humano e social. Nos últimos anos, o município tem buscado ampliar o acesso ao ensino superior e à capacitação profissional por meio de polos educacionais e parcerias estratégicas. A oferta de cursos voltados para a pedagogia, a gestão pública, a agronomia e a tecnologia garantem que a juventude timbirense encontre ferramentas para inovar e liderar o futuro da cidade sem precisar deixar sua terra natal.
Turismo
O turismo em Timbiras é um convite apaixonante à contemplação e ao lazer. As praias fluviais que se formam às margens do Rio Itapecuru durante o período de estiagem, os banhos revigorantes e os passeios de barco encantam os visitantes.
Cultura
Culturalmente, Timbiras é um verdadeiro tesouro do Maranhão: a cidade é famosa por suas vibrantes manifestações folclóricas, festas religiosas, o tradicional bumba-meu-boi e a rica culinária regional, que mantêm viva a identidade de um povo orgulhoso de suas raízes.
Esporte
No esporte, o município demonstra grande vitalidade. O incentivo ao futebol amador, aos campeonatos locais e às práticas esportivas nas escolas movimenta os centros comunitários, promovendo a saúde, o lazer e a forte integração social entre os moradores de todas as gerações.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .