Exu é um município brasileiro do estado de Pernambuco, situado à altura da Serra do Araripe, na divisa entre os estados de Pernambuco e Ceará.
Administrativamente, o município é composto por seis distritos: Exu (sede), Posto da Serra, Tabocas, Timorante, Viração e Zé Gomes. Sua população, conforme estimativas do IBGE para o ano de 2025, era de 33.486 habitantes.
Etimologia
De acordo com os habitantes da terra, existem duas versões para a origem da denominação "Exu": uma decorrente de uma corruptela do nome do povo "Ançu" ou "Açu" da nação Cariri; a outra diz que os indígenas chamaram de Exu devido a um tipo de abelhas de ferrão, denominadas "Inxu", que ao ferroar causava muita dor.
História
Nos primeiros anos do século XVIII teve início a povoação de Exu, decorrente dos contatos do povo indígena Ançu ou Açu, identificado com a nação cariri, com fazendas vinculadas à Casa da Torre, à margem do rio São Francisco, habitada por proprietários e procuradores baianos estabelecidos na capitania da Baía de Todos os Santos.
Os indígenas, já em contato com os vaqueiros dessas fazendas, levaram estes às suas moradias e ao regressar, os vaqueiros informaram aos patrões que as terras onde moravam os indígenas eram fartas em fontes de águas e os terrenos dotados de boa qualidade para o cultivo e a criação animal. Após ter tomado conhecimento sobre a região, esses fazendeiros a colonizaram, expulsando os indígenas que ocupavam tradicionalmente a área e aldeiando os remanescentes.
Logo após essa invasão por colonizadores luso-brasileiros, chegaram alguns jesuítas, que ali permaneceram por alguns anos, até partirem da região, deixando apenas vestígio de sua estadia, pois construíram uma capelinha ao Senhor Bom Jesus dos Aflitos, que tornou-se o padroeiro da cidade. Reflexo disso foi a criação em 1734 da freguesia do Senhor Bom Jesus dos Aflitos de Exu.
Conforme algumas fontes da memória local, a colonização contemporânea do município teria ocorrido no século XVIII, pelos portugueses, teve à frente o colono português Joaquim Pereira de Alencar, o qual era avô do Barão do Exu e antepassado do escritor e político cearense José de Alencar.
Em 1817, após a Revolução Pernambucana, ocorreu a prisão em Recife da comerciante e revolucionária Bárbara de Alencar, exuense descendente dos primeiros colonos portugueses que se estabeleceram na região e a Fazenda Caiçara, situada no território da freguesia de Senhor Bom Jesus dos Aflitos de Exu e pertencente à família Alencar foi confiscada.
Durante a época do Brasil Imperial, o povoado de Exu foi elevado à categoria de vila no ano de 1846. Três anos depois, houve a transferência da sede do termo para Ouricuri por uma lei datada de 1849, a qual se seguiu a várias outras leis que conferiu instabilidade na formação do poder local.
Essa instabilidade institucional no estabelecimento do ente local exuense pode ser observada na Lei de 1858 que restaurou a categoria de vila para Exu, na lei de 1862 que retrocede esse estatuto ao anexá-la à comarca de Cabrobó; na Lei de 1863 que transferiu a vila para Granito; na Lei de 1872 que a transforma em sede de freguesia; na Lei de 1874, que novamente a restaurou na categoria de vila; na Lei de 1881 que elevou-a ao estatuto de comarca; e na Lei de 1883 que lhe tirou esse mesmo estatuto.
No final do Brasil Império, o município foi instalado em 7 de junho de 1885, passando a ser autônomo em 9 de julho de 1893, logo após à Proclamação da República, em face a Lei n.º 52, de 3 de agosto de 1892, quando foi designado como seu primeiro prefeito Manoel da Silva Parente. Em 1895, o município foi suprimido, porém, ele veio a ser restaurado em 1907 com nome de Novo Exu, denominação que seria posteriormente simplificada para Exu.
Ao longo do século XX, o município de Exu passou por uma grave crise sociopolítico que perpassou aquele século devido as diversas e contínuas disputas políticas envolvendo três famílias que lutavam pelo domínio do mandonismo local: os Alencar, os Sampaio e os Saraiva.
A partir de ano 1949, o conflito oligárquico entre os clãs político-familiares se intensificou com o assassinato do coronel Romão Sampaio por José Aires de Alencar, vulgo "Zito Alencar", um jovem pertencente ao clã Alencar que fugiu depois da prática do crime. Após esse evento, as três famílias viveram em constantes conflitos armados, com uma facção formada pelos "Alencar" de um lado (popularmente conhecidos como "Boca Branca") e outra facção formada pelas famílias Sampaio e Saraiva do outro (conhecidos como "Boca Preta"), as quais matavam e aterrorizavam toda a população local alheia a essas disputas político-familiares.
Entre o final da década de 1940 e meados da década de 1960, período conhecido como Quarta República, a animosidade dessas disputas armadas seriam reproduzidas na política institucional local. Isso ocorreu com o Partido Social Democrático (PSD) sendo associado à família "Alencar", enquanto a União Democrática Nacional (UDN) seria associada à família "Sampaio". A eleição de Cid Sampaio ao cargo de governador de Pernambuco em 1958 fez com que essas oligarquias locais viessem a inverterem as siglas partidárias a que estavam originalmente vinculadas.
Após o Golpe Militar de 1964, o estado deligerante entre as oligarquias locais permaneceu com os três clãs familiares apoiando a ditadura civil-militar instalada e se filiando conjuntamente ao partido governante Aliança Renovadora Nacional (ARENA), mas formando uma cisão na classe dominante local com a família "Sampaio" compondo a chamada "ARENA 1", enquanto a família "Alencar" formava o "ARENA 2".
Na década de 1960, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Instituto Nacional de Endemias Rurais (INERu) vinculado ao Ministério da Saúde escolheram o município de Exu para abrigar um laboratório científico dedicado ao estudo da peste, que foi coordenado pela bióloga Alzira de Paiva Almeida. Deste laboratório, denominado formalmente de Plano Piloto de Peste do Brasil em Exu, saíram resultados importantes de microbiologia que contribuíram para que o Brasil se tornasse autossuficiente no diagnóstico da peste além de ajudar o estado de Pernambuco a armazenar uma das maiores coleções de cepas da Yersinia pestis do mundo, com cerca de mil exemplares.
Em 12 de maio de 1978, o prefeito municipal de Exu, o Zito Alencar, que havia assassinado, três décadas antes, uma liderança política vinculada à família Sampaio, foi assassinado por pistoleiros. Nessa época, cogitou-se uma intervenção federal no município.
No final da década de 1970, Exu foi cenário das gravações de um documentário curta metragem chamado "Exu, Uma Tragédia Sertaneja", dirigido por Eduardo Coutinho, que buscou retratar os conflitos locais entre as famílias Sampaio/Saraiva e a família Alencar, sendo lançado em janeiro de 1979.
Formação Administrativa
Freguesia criada com a denominação de Senhor Bom Jesus dos Aflitos de Exu, em 1734.
Pela Lei Provincial n.º 150, de 30 de março de 1846, e Leis Provinciais n.º 249, de 18 de junho de 1849, n.º 548, de 09 de abril de 1863 e n.º 608, de 03 de abril de 1895, a vila de Exú foi extinta.
Pelas Leis Provinciais n.º 442, de 02 de junho de 1858, e n.º 1.135, de 30 de abril de 1874, a vila foi recriada com a mesma denominação. Instalada em 07 de junho de 1875.
Elevada à condição de sede do município com a denominação de Novo Exú, pela Lei Estadual n.º 844, de 10 de junho de 1907.
Elevada à condição de cidade com a denominação de Novo Exú, pela Lei Estadual n.º 991, de 01 de julho de 1909. Desmembrado de Granito. Sede em Novo Exú.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído do distrito sede.
Pelas Leis Municipais n.º 12, de 15 de novembro de 1914, e n.º 101, de 15 de novembro de 1929, é criado o distrito de Bom Jardim e anexado ao município de Exú.
Pela Lei n.º 101, de 15 de novembro de 1929, é criado o distrito de Canabrava anexando ao município de Novo Exú.
Pela Lei Municipal n.º 14, de 20 de agosto de 1931, o distrito de Canabrava passou a denominar-se Taboca.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município aparece constituído de 4 distritos: Novo Exú, Baixio, Bom Jardim e Tabocas (ex Canabrava).
Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937.
Pelo Decreto-lei n. 92, de 31 de março de 1938, os distritos de Bom Jardim e Tabocas aparecem com a denominação de Claranã e Cana-Brava.
Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 235, de 09 de dezembro de 1938, o município de Novo Exú passou a denominar-se simplesmente Exu. Sob o mesmo Decreto, é transferido o distrito Claranã do município de Exú para Bodocó.
No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município aparece constituído de 3 distritos: Exú (ex Novo Exu), Baixio e Cana-Brava (ex-Tabocas).
Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 952, de 31 de dezembro de 1943, o distrito de Baixio tomou o nome Timorante o distrito de Cana-Brava a denominar-se Viração.
Pela Lei Estadual n.º 421, de 31 de dezembro de 1948, o município de Exú passou grafar a Exu.
Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1950, o município de 3 distritos: Exu, Timorante (ex Baixio), e Viração (ex Cana Brava).
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1º de julho de 1955.
Pela Lei Municipal n.º 170 de 10 de dezembro de 1958, é criado o distrito de Tabocas e anexado ao município de Exu.
Pela Lei Municipal n.º 171, de 10 de maio de 1958, é criado do distrito de Zé Gomes e anexado ao município de Exu.
Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1960, o município é constituído de 5 distritos: Exu, Tabocas, Timorante, Viração e Zé Gomes.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2023.
Geografia
O espaço territorial municipal de Exu se encontra situado na parte pernambucana da Chapada do Araripe, estando nas proximidades do município cearense de Crato.
Relevo e Altitude
Exu possui uma topografia privilegiada. Enquanto a sede está a cerca de 520 metros de altitude, as áreas situadas na encosta da Chapada do Araripe podem atingir os 900 metros. O relevo é composto por planaltos e depressões sertanejas.
Solo e Vegetação
Os solos variam de arenosos a latossolos profundos nas áreas de serra. A vegetação é um mosaico: a Caatinga domina as baixadas, enquanto a Floresta Estacional (Mata Serrana) protege as encostas da chapada, garantindo um verde perene mesmo em tempos de seca.
Clima
O clima é o Semiarido (BSh), mas com uma particularidade: a proximidade com a Chapada do Araripe cria microclimas mais frescos e úmidos nas serras, o que diferencia Exu de vizinhos mais áridos. O índice pluviométrico é 865 mm anuais de água.
Em Exu, a estação com precipitação é abafada e de céu encoberto; a estação seca é de céu parcialmente encoberto. Durante o ano inteiro, o clima é quente. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 18 °C a 36 °C e raramente é inferior a 17 °C ou superior a 37 °C.
A melhor época do ano para visitar Exu e realizar atividades de clima quente é do fim de maio ao meio de outubro.
A estação quente permanece por 2,9 meses, de 14 de setembro a 11 de dezembro, com temperatura máxima média diária acima de 34 °C. O mês mais quente do ano em Exu é novembro, com a máxima de 35 °C e mínima de 22 °C, em média.
A estação fresca permanece por 4,4 meses, de 24 de fevereiro a 5 de julho, com temperatura máxima diária em média abaixo de 31 °C. O mês mais frio do ano em Exu é julho, com a mínima de 18 °C e máxima de 31 °C, em média.
Economia
Exu é uma pequena cidade que se destaca por apresentar novas oportunidades de negócios e pela alta regularidade das vendas no ano.
A economia de Exu é sustentada pelo vigor do setor primário e pelo turismo cultural e está baseada, principalmente, pela agricultura e pecuária.
Os principais destaques são:
Na apicultura, Exu é um dos grandes produtores de mel de abelha do Araripe, produto de altíssima qualidade devido à flora diversificada da chapada.
A agricultura contempla o cultivo de mandioca (e suas casas de farinha), milho e feijão, além da fruticultura nas áreas de serra.
O setor de serviços é pulsante, impulsionado pelo fluxo de pessoas que cruzam a divisa Pernambuco/Ceará.
De janeiro a dezembro de 2025, foram registradas 330 admissões formais e 247 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 83 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de 16.
Até janeiro de 2026 não houve registro de novas empresas em Exu. Neste último mês, não foi identificada nenhuma nova empresa. Este desempenho é igual ao do mês imediatamente anterior (0). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 20 empresas.
Educação
Na área educacional, o município conta com uma rede de ensino fundamental e médio que busca integrar o saber acadêmico à valorização cultural. Exu tem se destacado por projetos de educação patrimonial, ensinando às novas gerações a importância histórica de figuras como o Barão de Exu e Luiz Gonzaga. A proximidade com centros universitários no Cariri (Crato e Juazeiro do Norte) facilita o acesso ao ensino superior para os jovens exuenses.
Turismo
O turismo em Exu é, essencialmente, uma peregrinação cultural e ecológica.
O Parque Aza Branca é o maior atrativo da cidade. O complexo abriga o Museu de Luiz Gonzaga, a casa onde ele viveu, o mausoléu do artista e de sua esposa Helena, além de um acervo riquíssimo com sanfonas, gibões de couro e discos de ouro.
Na Chapada do Araripe, para os amantes do ecoturismo, as trilhas na serra oferecem vistas panorâmicas, fontes de água natural e uma fauna exuberante, sendo um refúgio para observadores de aves.
O turismo gastronômico é forte, com destaque para o bode assado, o queijo coalho e os doces de frutas nativas.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .
Administrativamente, o município é composto por seis distritos: Exu (sede), Posto da Serra, Tabocas, Timorante, Viração e Zé Gomes. Sua população, conforme estimativas do IBGE para o ano de 2025, era de 33.486 habitantes.
Etimologia
De acordo com os habitantes da terra, existem duas versões para a origem da denominação "Exu": uma decorrente de uma corruptela do nome do povo "Ançu" ou "Açu" da nação Cariri; a outra diz que os indígenas chamaram de Exu devido a um tipo de abelhas de ferrão, denominadas "Inxu", que ao ferroar causava muita dor.
História
Nos primeiros anos do século XVIII teve início a povoação de Exu, decorrente dos contatos do povo indígena Ançu ou Açu, identificado com a nação cariri, com fazendas vinculadas à Casa da Torre, à margem do rio São Francisco, habitada por proprietários e procuradores baianos estabelecidos na capitania da Baía de Todos os Santos.
Os indígenas, já em contato com os vaqueiros dessas fazendas, levaram estes às suas moradias e ao regressar, os vaqueiros informaram aos patrões que as terras onde moravam os indígenas eram fartas em fontes de águas e os terrenos dotados de boa qualidade para o cultivo e a criação animal. Após ter tomado conhecimento sobre a região, esses fazendeiros a colonizaram, expulsando os indígenas que ocupavam tradicionalmente a área e aldeiando os remanescentes.
Logo após essa invasão por colonizadores luso-brasileiros, chegaram alguns jesuítas, que ali permaneceram por alguns anos, até partirem da região, deixando apenas vestígio de sua estadia, pois construíram uma capelinha ao Senhor Bom Jesus dos Aflitos, que tornou-se o padroeiro da cidade. Reflexo disso foi a criação em 1734 da freguesia do Senhor Bom Jesus dos Aflitos de Exu.
Conforme algumas fontes da memória local, a colonização contemporânea do município teria ocorrido no século XVIII, pelos portugueses, teve à frente o colono português Joaquim Pereira de Alencar, o qual era avô do Barão do Exu e antepassado do escritor e político cearense José de Alencar.
Em 1817, após a Revolução Pernambucana, ocorreu a prisão em Recife da comerciante e revolucionária Bárbara de Alencar, exuense descendente dos primeiros colonos portugueses que se estabeleceram na região e a Fazenda Caiçara, situada no território da freguesia de Senhor Bom Jesus dos Aflitos de Exu e pertencente à família Alencar foi confiscada.
Durante a época do Brasil Imperial, o povoado de Exu foi elevado à categoria de vila no ano de 1846. Três anos depois, houve a transferência da sede do termo para Ouricuri por uma lei datada de 1849, a qual se seguiu a várias outras leis que conferiu instabilidade na formação do poder local.
Essa instabilidade institucional no estabelecimento do ente local exuense pode ser observada na Lei de 1858 que restaurou a categoria de vila para Exu, na lei de 1862 que retrocede esse estatuto ao anexá-la à comarca de Cabrobó; na Lei de 1863 que transferiu a vila para Granito; na Lei de 1872 que a transforma em sede de freguesia; na Lei de 1874, que novamente a restaurou na categoria de vila; na Lei de 1881 que elevou-a ao estatuto de comarca; e na Lei de 1883 que lhe tirou esse mesmo estatuto.
No final do Brasil Império, o município foi instalado em 7 de junho de 1885, passando a ser autônomo em 9 de julho de 1893, logo após à Proclamação da República, em face a Lei n.º 52, de 3 de agosto de 1892, quando foi designado como seu primeiro prefeito Manoel da Silva Parente. Em 1895, o município foi suprimido, porém, ele veio a ser restaurado em 1907 com nome de Novo Exu, denominação que seria posteriormente simplificada para Exu.
Ao longo do século XX, o município de Exu passou por uma grave crise sociopolítico que perpassou aquele século devido as diversas e contínuas disputas políticas envolvendo três famílias que lutavam pelo domínio do mandonismo local: os Alencar, os Sampaio e os Saraiva.
A partir de ano 1949, o conflito oligárquico entre os clãs político-familiares se intensificou com o assassinato do coronel Romão Sampaio por José Aires de Alencar, vulgo "Zito Alencar", um jovem pertencente ao clã Alencar que fugiu depois da prática do crime. Após esse evento, as três famílias viveram em constantes conflitos armados, com uma facção formada pelos "Alencar" de um lado (popularmente conhecidos como "Boca Branca") e outra facção formada pelas famílias Sampaio e Saraiva do outro (conhecidos como "Boca Preta"), as quais matavam e aterrorizavam toda a população local alheia a essas disputas político-familiares.
Entre o final da década de 1940 e meados da década de 1960, período conhecido como Quarta República, a animosidade dessas disputas armadas seriam reproduzidas na política institucional local. Isso ocorreu com o Partido Social Democrático (PSD) sendo associado à família "Alencar", enquanto a União Democrática Nacional (UDN) seria associada à família "Sampaio". A eleição de Cid Sampaio ao cargo de governador de Pernambuco em 1958 fez com que essas oligarquias locais viessem a inverterem as siglas partidárias a que estavam originalmente vinculadas.
Após o Golpe Militar de 1964, o estado deligerante entre as oligarquias locais permaneceu com os três clãs familiares apoiando a ditadura civil-militar instalada e se filiando conjuntamente ao partido governante Aliança Renovadora Nacional (ARENA), mas formando uma cisão na classe dominante local com a família "Sampaio" compondo a chamada "ARENA 1", enquanto a família "Alencar" formava o "ARENA 2".
Na década de 1960, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Instituto Nacional de Endemias Rurais (INERu) vinculado ao Ministério da Saúde escolheram o município de Exu para abrigar um laboratório científico dedicado ao estudo da peste, que foi coordenado pela bióloga Alzira de Paiva Almeida. Deste laboratório, denominado formalmente de Plano Piloto de Peste do Brasil em Exu, saíram resultados importantes de microbiologia que contribuíram para que o Brasil se tornasse autossuficiente no diagnóstico da peste além de ajudar o estado de Pernambuco a armazenar uma das maiores coleções de cepas da Yersinia pestis do mundo, com cerca de mil exemplares.
Em 12 de maio de 1978, o prefeito municipal de Exu, o Zito Alencar, que havia assassinado, três décadas antes, uma liderança política vinculada à família Sampaio, foi assassinado por pistoleiros. Nessa época, cogitou-se uma intervenção federal no município.
No final da década de 1970, Exu foi cenário das gravações de um documentário curta metragem chamado "Exu, Uma Tragédia Sertaneja", dirigido por Eduardo Coutinho, que buscou retratar os conflitos locais entre as famílias Sampaio/Saraiva e a família Alencar, sendo lançado em janeiro de 1979.
Formação Administrativa
Freguesia criada com a denominação de Senhor Bom Jesus dos Aflitos de Exu, em 1734.
Pela Lei Provincial n.º 150, de 30 de março de 1846, e Leis Provinciais n.º 249, de 18 de junho de 1849, n.º 548, de 09 de abril de 1863 e n.º 608, de 03 de abril de 1895, a vila de Exú foi extinta.
Pelas Leis Provinciais n.º 442, de 02 de junho de 1858, e n.º 1.135, de 30 de abril de 1874, a vila foi recriada com a mesma denominação. Instalada em 07 de junho de 1875.
Elevada à condição de sede do município com a denominação de Novo Exú, pela Lei Estadual n.º 844, de 10 de junho de 1907.
Elevada à condição de cidade com a denominação de Novo Exú, pela Lei Estadual n.º 991, de 01 de julho de 1909. Desmembrado de Granito. Sede em Novo Exú.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído do distrito sede.
Pelas Leis Municipais n.º 12, de 15 de novembro de 1914, e n.º 101, de 15 de novembro de 1929, é criado o distrito de Bom Jardim e anexado ao município de Exú.
Pela Lei n.º 101, de 15 de novembro de 1929, é criado o distrito de Canabrava anexando ao município de Novo Exú.
Pela Lei Municipal n.º 14, de 20 de agosto de 1931, o distrito de Canabrava passou a denominar-se Taboca.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município aparece constituído de 4 distritos: Novo Exú, Baixio, Bom Jardim e Tabocas (ex Canabrava).
Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937.
Pelo Decreto-lei n. 92, de 31 de março de 1938, os distritos de Bom Jardim e Tabocas aparecem com a denominação de Claranã e Cana-Brava.
Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 235, de 09 de dezembro de 1938, o município de Novo Exú passou a denominar-se simplesmente Exu. Sob o mesmo Decreto, é transferido o distrito Claranã do município de Exú para Bodocó.
No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município aparece constituído de 3 distritos: Exú (ex Novo Exu), Baixio e Cana-Brava (ex-Tabocas).
Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 952, de 31 de dezembro de 1943, o distrito de Baixio tomou o nome Timorante o distrito de Cana-Brava a denominar-se Viração.
Pela Lei Estadual n.º 421, de 31 de dezembro de 1948, o município de Exú passou grafar a Exu.
Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1950, o município de 3 distritos: Exu, Timorante (ex Baixio), e Viração (ex Cana Brava).
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1º de julho de 1955.
Pela Lei Municipal n.º 170 de 10 de dezembro de 1958, é criado o distrito de Tabocas e anexado ao município de Exu.
Pela Lei Municipal n.º 171, de 10 de maio de 1958, é criado do distrito de Zé Gomes e anexado ao município de Exu.
Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1960, o município é constituído de 5 distritos: Exu, Tabocas, Timorante, Viração e Zé Gomes.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2023.
Geografia
O espaço territorial municipal de Exu se encontra situado na parte pernambucana da Chapada do Araripe, estando nas proximidades do município cearense de Crato.
Relevo e Altitude
Exu possui uma topografia privilegiada. Enquanto a sede está a cerca de 520 metros de altitude, as áreas situadas na encosta da Chapada do Araripe podem atingir os 900 metros. O relevo é composto por planaltos e depressões sertanejas.
Solo e Vegetação
Os solos variam de arenosos a latossolos profundos nas áreas de serra. A vegetação é um mosaico: a Caatinga domina as baixadas, enquanto a Floresta Estacional (Mata Serrana) protege as encostas da chapada, garantindo um verde perene mesmo em tempos de seca.
Clima
O clima é o Semiarido (BSh), mas com uma particularidade: a proximidade com a Chapada do Araripe cria microclimas mais frescos e úmidos nas serras, o que diferencia Exu de vizinhos mais áridos. O índice pluviométrico é 865 mm anuais de água.
Em Exu, a estação com precipitação é abafada e de céu encoberto; a estação seca é de céu parcialmente encoberto. Durante o ano inteiro, o clima é quente. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 18 °C a 36 °C e raramente é inferior a 17 °C ou superior a 37 °C.
A melhor época do ano para visitar Exu e realizar atividades de clima quente é do fim de maio ao meio de outubro.
A estação quente permanece por 2,9 meses, de 14 de setembro a 11 de dezembro, com temperatura máxima média diária acima de 34 °C. O mês mais quente do ano em Exu é novembro, com a máxima de 35 °C e mínima de 22 °C, em média.
A estação fresca permanece por 4,4 meses, de 24 de fevereiro a 5 de julho, com temperatura máxima diária em média abaixo de 31 °C. O mês mais frio do ano em Exu é julho, com a mínima de 18 °C e máxima de 31 °C, em média.
Economia
Exu é uma pequena cidade que se destaca por apresentar novas oportunidades de negócios e pela alta regularidade das vendas no ano.
A economia de Exu é sustentada pelo vigor do setor primário e pelo turismo cultural e está baseada, principalmente, pela agricultura e pecuária.
Os principais destaques são:
Na apicultura, Exu é um dos grandes produtores de mel de abelha do Araripe, produto de altíssima qualidade devido à flora diversificada da chapada.
A agricultura contempla o cultivo de mandioca (e suas casas de farinha), milho e feijão, além da fruticultura nas áreas de serra.
O setor de serviços é pulsante, impulsionado pelo fluxo de pessoas que cruzam a divisa Pernambuco/Ceará.
De janeiro a dezembro de 2025, foram registradas 330 admissões formais e 247 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 83 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de 16.
Até janeiro de 2026 não houve registro de novas empresas em Exu. Neste último mês, não foi identificada nenhuma nova empresa. Este desempenho é igual ao do mês imediatamente anterior (0). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 20 empresas.
Educação
Na área educacional, o município conta com uma rede de ensino fundamental e médio que busca integrar o saber acadêmico à valorização cultural. Exu tem se destacado por projetos de educação patrimonial, ensinando às novas gerações a importância histórica de figuras como o Barão de Exu e Luiz Gonzaga. A proximidade com centros universitários no Cariri (Crato e Juazeiro do Norte) facilita o acesso ao ensino superior para os jovens exuenses.
Turismo
O turismo em Exu é, essencialmente, uma peregrinação cultural e ecológica.
O Parque Aza Branca é o maior atrativo da cidade. O complexo abriga o Museu de Luiz Gonzaga, a casa onde ele viveu, o mausoléu do artista e de sua esposa Helena, além de um acervo riquíssimo com sanfonas, gibões de couro e discos de ouro.
Na Chapada do Araripe, para os amantes do ecoturismo, as trilhas na serra oferecem vistas panorâmicas, fontes de água natural e uma fauna exuberante, sendo um refúgio para observadores de aves.
O turismo gastronômico é forte, com destaque para o bode assado, o queijo coalho e os doces de frutas nativas.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .