Candelária é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul, localizado na região do Vale do Rio Pardo. Situado a aproximadamente 180 quilômetros da capital, Porto Alegre, sua população foi estimada pelo IBGE, para o ano de 2025, era de 29.775 habitantes, distribuída por uma área de 934,9 km².
Colonizada predominantemente por imigrantes alemães, Candelária possui uma forte herança cultural germânica, visível nos costumes, na arquitetura e na forte presença do dialeto Riograndenser Hunsrückisch. Economicamente, o município se destaca pela produção agrícola, com ênfase no cultivo de soja, milho e fumo, além de uma crescente industrialização, especialmente no setor calçadista.
Candelária também é um dos mais importantes sítios paleontológicos do Brasil para o Período Triássico, sendo nacionalmente conhecida como a "Terra dos Dinossauros". A descoberta de fósseis de relevância mundial, como o Guaibasaurus candelariensis, confere ao município destaque no cenário científico e turístico.
História
Redução Jesus Maria (1633-1636)
Remonta a novembro de 1633 a fundação da Redução Jesus Maria pelo jesuíta espanhol Pedro Mola, no local que hoje é conhecido como Trincheira, na localidade de Linha Curitiba, a cerca de 3,5 km da cidade. Esta povoação de índios é uma das 18 fundadas na primeira fase das reduções, tendo elas surgido em virtude de um acordo entre o governador da Província do Rio da Prata e a Companhia de Jesus em 4 de julho de 1626.
A mais próspera das 18 reduções era a de Jesus Maria, na qual viviam cerca de 10 mil índios da nação Tupi-Guarani em uma espécie de cidade que apresentava condições de vida favoráveis em termos de subsistência. Dedicavam-se a agricultura, produzindo milho, trigo e mandioca, além de possuírem significativos rebanhos de bovinos, ovinos e suínos.
Justamente pela pujança e grandeza da redução candelariense, bandeirantes paulistas foram atraídos na intenção de aprisionar índios e escravizá-los. Porém a redução contava com um ferrenho sistema de defesa formado por trincheiras, paliçadas e armamentos, além de índios adestrados militarmente por especialistas em operações de guerra. Uma boa explicação para a resistência de seis horas (das 8h às 14h) frente a bandeira poderosa comandada por Antônio Raposo Tavares. Na batalha de 3 de dezembro de 1636 caiu, com ares de heroísmo, a resistência da Redução de Jesus Maria, pondo fim ao primeiro capítulo da história candelariense.
Colonização até hoje (1862-Hoje)
A colonização do território que viria a ser Candelária iniciou-se em 1862, quando os pioneiros João Kochenborger e Jacob Welsch, ambos descendentes de imigrantes alemães, migraram da região de Rio Pardo em busca de novas terras. Kochenborger estabeleceu-se na localidade hoje conhecida como Linha Curitiba. Anos mais tarde, ele foi responsável pela construção do Aqueduto de Candelária, uma notável obra de engenharia destinada a canalizar a água do arroio Molha Grande para mover um engenho de serra e um moinho de milho e trigo em sua propriedade. Jacob Welsch, após um período residindo na atual Rua Dr. Middendorf, fixou-se permanentemente na área que hoje corresponde à Linha Passa Sete.
O povoado, inicialmente conhecido como "Germânia", experimentou um crescimento significativo com base na agricultura e na pecuária, o que gradualmente impulsionou o desenvolvimento do comércio e de pequenas manufaturas locais. Em reconhecimento à sua expansão, o distrito foi elevado à categoria de freguesia em 9 de maio de 1876, pela Lei Provincial n.º 1029, passando a se denominar Freguesia de Nossa Senhora de Candelária.
No início do século XX, o núcleo urbano contava com aproximadamente 150 moradores, concentrados majoritariamente ao longo da Rua do Comércio, hoje Avenida Pereira Rego. O desejo de autonomia política começou a se consolidar a partir de 1924, sob a liderança do Coronel José Antônio Pereira Rego, chefe político republicano de Rio Pardo. Ele organizou reuniões no Clube Rio Branco para articular o movimento pela emancipação de Candelária.
O movimento obteve o apoio crucial do então Presidente do Estado, o também republicano Dr. Borges de Medeiros. Como resultado, a emancipação política de Candelária foi decretada em 7 de julho de 1925, através do Decreto Estadual n.º 3.597. O Sr. Albino Lenz foi nomeado para o cargo de primeiro Intendente (cargo correspondente ao de prefeito na época), e a instalação oficial do novo município ocorreu em 28 de dezembro do mesmo ano.
Formação Administrativa
Distrito criado com a denominação de Candelária, por Ato Municipal n.º 53, de 10 de janeiro de 1898 e por Ato Municipal n.º 4, de 20 de julho de 1925, subordinado ao município de Rio Pardo.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o distrito de Candelária permanece no município de Rio Pardo.
Elevado à categoria de município com a denominação de Candelária, pelo Decreto Estadual n.º 3.493, de 07 de julho de 1925, desmembrado de Rio Pardo. Sede no atual distrito de Candelária. Constituído do distrito sede. Instalado em 17 de julho de 1925.
Por Ato Municipal n.º 5, de 20 de julho de 1925 é criado o distrito de Linha Sete de Setembro e anexado ao município de Rio Pardo.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de 2 distritos: Candelária e Linha Sete de Setembro.
Em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, o município é constituído de 3 distritos: Candelária, Botucaraí (antigo Sesmaria do Pinhal) e Linha Sete de Setembro.
No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município de candelária figura com 2 distritos: Candelária sub dividido em duas Zonas: Candelária e Palmital (ex Linha Sete de Setembro) e Botucaraí.
No quadro anexo para vigorar no período de 1944-948, o município é constituído do distrito de Candelária, formado de dois Sub distritos: Palmital e Botucaraí.
Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1960, o município é constituído de 2 distritos: Candelária e Botucaraí.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.
Geografia
O município de Candelária está localizado na região central do Rio Grande do Sul, a uma latitude 29º40'09" sul e uma longitude 52º47'20" oeste, com uma altitude de 57 metros acima do nível do mar. A cidade está a cerca de 187 km da capital do estado, Porto Alegre, com uma viagem de carro que dura aproximadamente 2 horas e 40 minutos. O principal acesso rodoviário é feito pela BR-287, que leva à BR-386, a qual dá acesso direto à capital. O município é subdividido em três distritos: Candelária (Sede), Pinheiro e Botucaraí.
Clima
Em Candelária, o verão é longo, quente e abafado; o inverno é curto e ameno. Durante o ano inteiro, o tempo é com precipitação e de céu parcialmente encoberto. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 10 °C a 30 °C e raramente é inferior a 4 °C ou superior a 35 °C.
As melhores épocas do ano para visitar Candelária e realizar atividades de clima quente são do início de março ao meio de maio e do fim de setembro ao meio de dezembro.
A estação quente permanece por 4,1 meses, de 21 de novembro a 24 de março, com temperatura máxima média diária acima de 28 °C. O mês mais quente do ano em Candelária é janeiro, com a máxima de 30 °C e mínima de 21 °C, em média.
A estação fresca permanece por 2,9 meses, de 20 de maio a 16 de agosto, com temperatura máxima diária em média abaixo de 21 °C. O mês mais frio do ano em Candelária é julho, com a mínima de 11 °C e máxima de 19 °C, em média.
Em Candelária, a porcentagem média de céu encoberto por nuvens sofre pequena variação sazonal ao longo do ano.
A época menos encoberta do ano em Candelária começa por volta de 20 de outubro e dura 6,6 meses, terminando em torno de 7 de maio.
O mês menos encoberto do ano em Candelária é março, durante o qual, em média, o céu está sem nuvens, quase sem nuvens ou parcialmente encoberto 65% do tempo.
A época mais encoberta do ano começa por volta de 7 de maio e dura 5,4 meses, terminando em torno de 20 de outubro.
O mês mais encoberto do ano em Candelária é junho, durante o qual, em média, o céu está encoberto ou quase encoberto 50% do tempo.
Relevo, bioma e hidrografia
Candelária encontra-se na bacia do rio Pardo, que é o principal curso d'água da região e contribui para a bacia do rio Jacuí. O município é banhado por diversos arroios e riachos que formam a rede hidrográfica local. A água é utilizada tanto para o consumo urbano quanto para as atividades agrícolas, que são predominantes no município. O relevo do município é uma área de transição, caracterizada por formações distintas. O norte é marcado por um relevo montanhoso, com a presença de coxilhas, enquanto a região sul possui planícies e chapadas. Essa configuração geomorfológica faz parte do Escudo Rio-Grandense. Candelária está inserida em uma zona de transição entre dois biomas brasileiros: a Mata Atlântica e o Pampa. A vegetação local reflete essa diversidade, com a presença de florestas estacionais e formações campestres.
Fauna e Flora
A fauna de Candelária é diversificada e reflete a transição entre os biomas. Na área de mata, é possível encontrar mamíferos como o tatu galinha e o graxaim do campo, além de uma rica avifauna com espécies como o joão de barro e a coruja-buraqueira. Na flora, predominam espécies nativas dos biomas. No Pampa, destacam-se as gramíneas e as formações de capões, enquanto na Mata Atlântica predominam árvores de maior porte, como o cedro, a corticeira e a aroeira-vermelha.
Economia
Candelária é uma pequena cidade que se destaca pela alta regularidade das vendas no ano e pelo alto crescimento econômico.
A economia candelariense é robusta e tem no setor primário sua principal fundação.
Candelária é um dos maiores produtores mundiais de tabaco. A cultura do "ouro verde" movimenta uma vasta cadeia logística e industrial na região.
Nas terras baixas, o cultivo de arroz irrigado é fortíssimo, complementado pela produção de milho e soja.
O município abriga indústrias de beneficiamento de grãos, calçados e metalmecânica, além de um comércio local que atende a microrregião do Vale do Rio Pardo.
Em janeiro de 2026, foram registradas 269 admissões formais e 241 desligamentos, resultando em um saldo de 28 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de -10.
Até fevereiro de 2026 não houve registro de novas empresas em Candelária. Neste último mês, não foi identificada nenhuma nova empresa. Este desempenho é igual ao do mês imediatamente anterior (0). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 91 empresas.
Infraestrutura
Transportes
O município de Candelária atua como um importante entroncamento rodoviário na região do Vale do Rio Pardo. A principal rodovia que corta a cidade é a RSC-287, uma via de tráfego intenso e de extrema importância econômica, responsável por ligar Candelária a polos como Santa Maria, Santa Cruz do Sul e à Região Metropolitana de Porto Alegre. Outra via de destaque é a ERS-400, que conecta o município à cidade de Sobradinho, servindo como a principal rota de escoamento e de acesso à região Centro-Serra do estado.
A cidade conta com a Estação Rodoviária de Candelária, localizada na região central do município (Rua Andrade Neves). O terminal é o núcleo da mobilidade pública local, oferecendo infraestrutura básica de serviços como guichês de passagens, despacho de encomendas, guarda-volumes e lanchonetes.
Saúde
A rede de saúde de Candelária é estruturada para atender as demandas tanto da população urbana quanto das comunidades rurais. O principal complexo de atendimento de média e alta complexidade do município é o Hospital Candelária (mantido pela Sociedade Beneficente Hospital Candelária), que oferece leitos de internação, pronto atendimento de urgência e emergência, e exames de imagem. A instituição recebe frequentemente aportes de programas estaduais, como o "Avançar na Saúde", para a modernização de suas instalações. A atenção primária é garantida por uma rede de aproximadamente 11 Unidades de Saúde (incluindo Estratégias de Saúde da Família - ESF e Unidades Básicas), que estão distribuídas estrategicamente pelos bairros e interior para garantir vacinação, consultas de rotina e acompanhamento preventivo.
Educação
Na área da educação, Candelária mantém uma rede de ensino que busca equilibrar a oferta urbana com as necessidades das escolas do campo. O município conta com escolas técnicas e polos de ensino superior à distância, além de estar a curta distância de grandes centros universitários como a UNISC (em Santa Cruz do Sul) e a UFSM (em Santa Maria), o que facilita a especialização da sua juventude.
Lazer e esportes
O lazer em Candelária é marcado pela forte integração com a natureza e por espaços públicos tradicionais. O coração da cidade é a Praça Alberto Blanchardt da Silveira (conhecida como Praça Central), localizada na Avenida Pereira Rêgo. O espaço é o principal ponto de convivência das famílias candelarienses e abriga arborização densa, parquinho infantil e um chafariz projetado com menções arquitetônicas ao famoso Aqueduto de Candelária (um dos grandes cartões-postais do município).
Para a realização de esportes e grandes festividades, a principal infraestrutura é o Parque Municipal de Eventos Itamar Vezentini. É neste espaço que ocorre a Expocande, principal feira do município, que atrai milhares de visitantes para feiras agroindustriais, exposições de negócios e shows nacionais.[36] Durante o verão, o lazer da população se volta para as águas do Rio Pardo, especialmente na Prainha de Candelária (Balneário Carlos Larger), uma área de banho municipal que recebe melhorias sazonais para acolher veranistas e atividades esportivas de areia.[37] Nos últimos anos, a infraestrutura de lazer também foi impulsionada pela iniciativa privada através de loteamentos residenciais (como no bairro Nova Germânia), que implementaram novos parques públicos com dezenas de milhares de metros quadrados de áreas verdes, pistas de caminhada e equipamentos de ginástica ao ar livre.
Cultura e Turismo
A identidade cultural de Candelária é profundamente marcada pela herança de seus colonizadores, majoritariamente imigrantes alemães. Essa influência é visível em diversos aspectos do cotidiano, como na arquitetura de algumas edificações, na gastronomia local, em festas comunitárias e, notadamente, no idioma. Nas áreas rurais do município, não é raro encontrar famílias onde o dialeto alemão Riograndenser Hunsrückisch é a primeira língua, passada de geração em geração, um traço cultural que resiste e se mantém vivo.
Candelária é reconhecida nacionalmente como a "Terra dos Dinossauros" devido à extraordinária riqueza de fósseis do período Triássico encontrados em seu território, com cerca de 230 milhões de anos. Essa identidade paleontológica é celebrada no Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues, que possui um acervo importante de fósseis, e em monumentos espalhados pela cidade, como a estátua do Prestosuchus chiniquensis no trevo principal de acesso.
Além do acervo paleontológico, o município preserva construções históricas, com destaque para o Aqueduto de Candelária, uma obra de 1862 construída por um dos pioneiros da colonização, João Kochenborger. A estrutura é um símbolo da engenhosidade dos primeiros imigrantes e um importante ponto turístico.
Turismo e Eventos
Candelária apresenta um roteiro turístico diversificado, que mescla belezas naturais, patrimônio histórico e um calendário de eventos consolidado. Entre seus principais atrativos está o Aqueduto de Candelária, um símbolo da colonização construído em 1862. A estrutura, hoje tombada como patrimônio, foi erguida por um dos pioneiros para mover um moinho e serve como um dos principais cartões-postais da cidade.
Outro ponto de grande relevância é o Cerro do Botucaraí, com 570 metros de altitude, conhecido como "Santo Cerro". O local é um importante destino de peregrinação religiosa, especialmente durante a Sexta-feira Santa, quando milhares de fiéis visitam sua Via Sacra para orações.[45] O patrimônio histórico é complementado pela Ponte do Império, uma construção de pedra que integrava a antiga Estrada do Botucaraí, via de comunicação essencial durante o Brasil Império.
Para o lazer, a Praia Carlos Larger, conhecida como Prainha, é o principal balneário da cidade às margens do Rio Pardo. No verão, o local atrai grande público e sedia o Musa do Sol, um dos maiores concursos de beleza de verão do estado. O município conta ainda com belezas naturais como a Cascata da Ferradura, uma queda d'água procurada para banho e contato com a natureza.
O calendário anual de Candelária é marcado por importantes eventos. A Expocande (Exposição Industrial, Comercial, de Serviços e Agronegócios), realizada bienalmente no Parque de Eventos Itamar Vezentini, é a maior feira do município, destacando as potencialidades econômicas locais com uma vasta programação de shows. A herança germânica é celebrada na Festa da Colônia (Koloniefest), com danças, música e gastronomia típicas. Outros eventos relevantes incluem a Chocande, uma feira de chocolate e artesanato na época da Páscoa, e o Natal das Candeias, que promove as celebrações de fim de ano no centro da cidade.
Paleontologia
Candelária é um dos mais importantes sítios paleontológicos do Brasil para o Período Triássico, sendo reconhecida como a "Terra dos Dinossauros". Sua rica geologia, pertencente à Formação Candelária, preservou um notável acervo de fósseis com aproximadamente 230 milhões de anos, cruciais para o estudo da origem dos dinossauros e mamíferos.
O histórico da pesquisa paleontológica no município iniciou-se na década de 1930, quando o paleontólogo Llewellyn Ivor Price, em uma expedição conjunta de Harvard e do antigo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), realizou as primeiras coletas científicas na região. Nessa expedição, foi encontrado o holótipo do Candelaria barbouri, um pequeno réptil pararéptil que deu nome à Formação Candelária e projetou o município no cenário científico mundial.
Um novo marco ocorreu na década de 1970, com o padre e paleontólogo amador Daniel Cargnin, que identificou diversos novos afloramentos fossilíferos, como os da localidade de Bom Retiro. Muitos dos fósseis coletados por ele hoje integram acervos de importantes instituições, como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Museu Vincente Pallotti. Na mesma década, o professor Mário Costa Barberena, da UFRGS, consolidou a pesquisa na região, descobrindo em 1979, às margens da rodovia RSC-287, o dicinodonte Jachaleria candelariensis, um herbívoro robusto cujo parente mais próximo havia sido encontrado apenas na Argentina.
Na década de 1990, durante trabalhos de campo do projeto Pró-Guaíba, equipes da então Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB) descobriram um dos mais emblemáticos fósseis locais: o dinossauro Guaibasaurus candelariensis, um dos mais antigos do mundo, cujo nome homenageia o município e a Bacia do Rio Guaíba.
Desde 2002, uma parceria entre a UFRGS, sob a coordenação do professor César Schultz, e o Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues intensificou as pesquisas. O museu tornou-se o guardião do patrimônio paleontológico local e um centro de referência, abrigando um importante acervo de fósseis da região. Essa colaboração elevou o número de afloramentos conhecidos e de novas espécies descritas, como o cinodonte traversodontídeo Aleodon cromptoni e o probainognátio Candelariodon barberenai, cujas descobertas reforçam as evidências da deriva continental, ao apresentarem semelhanças com espécies encontradas na África. A forte identidade da cidade com seu passado pré-histórico se reflete também na cultura popular, com a criação do mascote "Candino".
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .
Colonizada predominantemente por imigrantes alemães, Candelária possui uma forte herança cultural germânica, visível nos costumes, na arquitetura e na forte presença do dialeto Riograndenser Hunsrückisch. Economicamente, o município se destaca pela produção agrícola, com ênfase no cultivo de soja, milho e fumo, além de uma crescente industrialização, especialmente no setor calçadista.
Candelária também é um dos mais importantes sítios paleontológicos do Brasil para o Período Triássico, sendo nacionalmente conhecida como a "Terra dos Dinossauros". A descoberta de fósseis de relevância mundial, como o Guaibasaurus candelariensis, confere ao município destaque no cenário científico e turístico.
História
Redução Jesus Maria (1633-1636)
Remonta a novembro de 1633 a fundação da Redução Jesus Maria pelo jesuíta espanhol Pedro Mola, no local que hoje é conhecido como Trincheira, na localidade de Linha Curitiba, a cerca de 3,5 km da cidade. Esta povoação de índios é uma das 18 fundadas na primeira fase das reduções, tendo elas surgido em virtude de um acordo entre o governador da Província do Rio da Prata e a Companhia de Jesus em 4 de julho de 1626.
A mais próspera das 18 reduções era a de Jesus Maria, na qual viviam cerca de 10 mil índios da nação Tupi-Guarani em uma espécie de cidade que apresentava condições de vida favoráveis em termos de subsistência. Dedicavam-se a agricultura, produzindo milho, trigo e mandioca, além de possuírem significativos rebanhos de bovinos, ovinos e suínos.
Justamente pela pujança e grandeza da redução candelariense, bandeirantes paulistas foram atraídos na intenção de aprisionar índios e escravizá-los. Porém a redução contava com um ferrenho sistema de defesa formado por trincheiras, paliçadas e armamentos, além de índios adestrados militarmente por especialistas em operações de guerra. Uma boa explicação para a resistência de seis horas (das 8h às 14h) frente a bandeira poderosa comandada por Antônio Raposo Tavares. Na batalha de 3 de dezembro de 1636 caiu, com ares de heroísmo, a resistência da Redução de Jesus Maria, pondo fim ao primeiro capítulo da história candelariense.
Colonização até hoje (1862-Hoje)
A colonização do território que viria a ser Candelária iniciou-se em 1862, quando os pioneiros João Kochenborger e Jacob Welsch, ambos descendentes de imigrantes alemães, migraram da região de Rio Pardo em busca de novas terras. Kochenborger estabeleceu-se na localidade hoje conhecida como Linha Curitiba. Anos mais tarde, ele foi responsável pela construção do Aqueduto de Candelária, uma notável obra de engenharia destinada a canalizar a água do arroio Molha Grande para mover um engenho de serra e um moinho de milho e trigo em sua propriedade. Jacob Welsch, após um período residindo na atual Rua Dr. Middendorf, fixou-se permanentemente na área que hoje corresponde à Linha Passa Sete.
O povoado, inicialmente conhecido como "Germânia", experimentou um crescimento significativo com base na agricultura e na pecuária, o que gradualmente impulsionou o desenvolvimento do comércio e de pequenas manufaturas locais. Em reconhecimento à sua expansão, o distrito foi elevado à categoria de freguesia em 9 de maio de 1876, pela Lei Provincial n.º 1029, passando a se denominar Freguesia de Nossa Senhora de Candelária.
No início do século XX, o núcleo urbano contava com aproximadamente 150 moradores, concentrados majoritariamente ao longo da Rua do Comércio, hoje Avenida Pereira Rego. O desejo de autonomia política começou a se consolidar a partir de 1924, sob a liderança do Coronel José Antônio Pereira Rego, chefe político republicano de Rio Pardo. Ele organizou reuniões no Clube Rio Branco para articular o movimento pela emancipação de Candelária.
O movimento obteve o apoio crucial do então Presidente do Estado, o também republicano Dr. Borges de Medeiros. Como resultado, a emancipação política de Candelária foi decretada em 7 de julho de 1925, através do Decreto Estadual n.º 3.597. O Sr. Albino Lenz foi nomeado para o cargo de primeiro Intendente (cargo correspondente ao de prefeito na época), e a instalação oficial do novo município ocorreu em 28 de dezembro do mesmo ano.
Formação Administrativa
Distrito criado com a denominação de Candelária, por Ato Municipal n.º 53, de 10 de janeiro de 1898 e por Ato Municipal n.º 4, de 20 de julho de 1925, subordinado ao município de Rio Pardo.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o distrito de Candelária permanece no município de Rio Pardo.
Elevado à categoria de município com a denominação de Candelária, pelo Decreto Estadual n.º 3.493, de 07 de julho de 1925, desmembrado de Rio Pardo. Sede no atual distrito de Candelária. Constituído do distrito sede. Instalado em 17 de julho de 1925.
Por Ato Municipal n.º 5, de 20 de julho de 1925 é criado o distrito de Linha Sete de Setembro e anexado ao município de Rio Pardo.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de 2 distritos: Candelária e Linha Sete de Setembro.
Em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, o município é constituído de 3 distritos: Candelária, Botucaraí (antigo Sesmaria do Pinhal) e Linha Sete de Setembro.
No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município de candelária figura com 2 distritos: Candelária sub dividido em duas Zonas: Candelária e Palmital (ex Linha Sete de Setembro) e Botucaraí.
No quadro anexo para vigorar no período de 1944-948, o município é constituído do distrito de Candelária, formado de dois Sub distritos: Palmital e Botucaraí.
Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1960, o município é constituído de 2 distritos: Candelária e Botucaraí.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.
Geografia
O município de Candelária está localizado na região central do Rio Grande do Sul, a uma latitude 29º40'09" sul e uma longitude 52º47'20" oeste, com uma altitude de 57 metros acima do nível do mar. A cidade está a cerca de 187 km da capital do estado, Porto Alegre, com uma viagem de carro que dura aproximadamente 2 horas e 40 minutos. O principal acesso rodoviário é feito pela BR-287, que leva à BR-386, a qual dá acesso direto à capital. O município é subdividido em três distritos: Candelária (Sede), Pinheiro e Botucaraí.
Clima
Em Candelária, o verão é longo, quente e abafado; o inverno é curto e ameno. Durante o ano inteiro, o tempo é com precipitação e de céu parcialmente encoberto. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 10 °C a 30 °C e raramente é inferior a 4 °C ou superior a 35 °C.
As melhores épocas do ano para visitar Candelária e realizar atividades de clima quente são do início de março ao meio de maio e do fim de setembro ao meio de dezembro.
A estação quente permanece por 4,1 meses, de 21 de novembro a 24 de março, com temperatura máxima média diária acima de 28 °C. O mês mais quente do ano em Candelária é janeiro, com a máxima de 30 °C e mínima de 21 °C, em média.
A estação fresca permanece por 2,9 meses, de 20 de maio a 16 de agosto, com temperatura máxima diária em média abaixo de 21 °C. O mês mais frio do ano em Candelária é julho, com a mínima de 11 °C e máxima de 19 °C, em média.
Em Candelária, a porcentagem média de céu encoberto por nuvens sofre pequena variação sazonal ao longo do ano.
A época menos encoberta do ano em Candelária começa por volta de 20 de outubro e dura 6,6 meses, terminando em torno de 7 de maio.
O mês menos encoberto do ano em Candelária é março, durante o qual, em média, o céu está sem nuvens, quase sem nuvens ou parcialmente encoberto 65% do tempo.
A época mais encoberta do ano começa por volta de 7 de maio e dura 5,4 meses, terminando em torno de 20 de outubro.
O mês mais encoberto do ano em Candelária é junho, durante o qual, em média, o céu está encoberto ou quase encoberto 50% do tempo.
Relevo, bioma e hidrografia
Candelária encontra-se na bacia do rio Pardo, que é o principal curso d'água da região e contribui para a bacia do rio Jacuí. O município é banhado por diversos arroios e riachos que formam a rede hidrográfica local. A água é utilizada tanto para o consumo urbano quanto para as atividades agrícolas, que são predominantes no município. O relevo do município é uma área de transição, caracterizada por formações distintas. O norte é marcado por um relevo montanhoso, com a presença de coxilhas, enquanto a região sul possui planícies e chapadas. Essa configuração geomorfológica faz parte do Escudo Rio-Grandense. Candelária está inserida em uma zona de transição entre dois biomas brasileiros: a Mata Atlântica e o Pampa. A vegetação local reflete essa diversidade, com a presença de florestas estacionais e formações campestres.
Fauna e Flora
A fauna de Candelária é diversificada e reflete a transição entre os biomas. Na área de mata, é possível encontrar mamíferos como o tatu galinha e o graxaim do campo, além de uma rica avifauna com espécies como o joão de barro e a coruja-buraqueira. Na flora, predominam espécies nativas dos biomas. No Pampa, destacam-se as gramíneas e as formações de capões, enquanto na Mata Atlântica predominam árvores de maior porte, como o cedro, a corticeira e a aroeira-vermelha.
Economia
Candelária é uma pequena cidade que se destaca pela alta regularidade das vendas no ano e pelo alto crescimento econômico.
A economia candelariense é robusta e tem no setor primário sua principal fundação.
Candelária é um dos maiores produtores mundiais de tabaco. A cultura do "ouro verde" movimenta uma vasta cadeia logística e industrial na região.
Nas terras baixas, o cultivo de arroz irrigado é fortíssimo, complementado pela produção de milho e soja.
O município abriga indústrias de beneficiamento de grãos, calçados e metalmecânica, além de um comércio local que atende a microrregião do Vale do Rio Pardo.
Em janeiro de 2026, foram registradas 269 admissões formais e 241 desligamentos, resultando em um saldo de 28 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de -10.
Até fevereiro de 2026 não houve registro de novas empresas em Candelária. Neste último mês, não foi identificada nenhuma nova empresa. Este desempenho é igual ao do mês imediatamente anterior (0). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 91 empresas.
Infraestrutura
Transportes
O município de Candelária atua como um importante entroncamento rodoviário na região do Vale do Rio Pardo. A principal rodovia que corta a cidade é a RSC-287, uma via de tráfego intenso e de extrema importância econômica, responsável por ligar Candelária a polos como Santa Maria, Santa Cruz do Sul e à Região Metropolitana de Porto Alegre. Outra via de destaque é a ERS-400, que conecta o município à cidade de Sobradinho, servindo como a principal rota de escoamento e de acesso à região Centro-Serra do estado.
A cidade conta com a Estação Rodoviária de Candelária, localizada na região central do município (Rua Andrade Neves). O terminal é o núcleo da mobilidade pública local, oferecendo infraestrutura básica de serviços como guichês de passagens, despacho de encomendas, guarda-volumes e lanchonetes.
Saúde
A rede de saúde de Candelária é estruturada para atender as demandas tanto da população urbana quanto das comunidades rurais. O principal complexo de atendimento de média e alta complexidade do município é o Hospital Candelária (mantido pela Sociedade Beneficente Hospital Candelária), que oferece leitos de internação, pronto atendimento de urgência e emergência, e exames de imagem. A instituição recebe frequentemente aportes de programas estaduais, como o "Avançar na Saúde", para a modernização de suas instalações. A atenção primária é garantida por uma rede de aproximadamente 11 Unidades de Saúde (incluindo Estratégias de Saúde da Família - ESF e Unidades Básicas), que estão distribuídas estrategicamente pelos bairros e interior para garantir vacinação, consultas de rotina e acompanhamento preventivo.
Educação
Na área da educação, Candelária mantém uma rede de ensino que busca equilibrar a oferta urbana com as necessidades das escolas do campo. O município conta com escolas técnicas e polos de ensino superior à distância, além de estar a curta distância de grandes centros universitários como a UNISC (em Santa Cruz do Sul) e a UFSM (em Santa Maria), o que facilita a especialização da sua juventude.
Lazer e esportes
O lazer em Candelária é marcado pela forte integração com a natureza e por espaços públicos tradicionais. O coração da cidade é a Praça Alberto Blanchardt da Silveira (conhecida como Praça Central), localizada na Avenida Pereira Rêgo. O espaço é o principal ponto de convivência das famílias candelarienses e abriga arborização densa, parquinho infantil e um chafariz projetado com menções arquitetônicas ao famoso Aqueduto de Candelária (um dos grandes cartões-postais do município).
Para a realização de esportes e grandes festividades, a principal infraestrutura é o Parque Municipal de Eventos Itamar Vezentini. É neste espaço que ocorre a Expocande, principal feira do município, que atrai milhares de visitantes para feiras agroindustriais, exposições de negócios e shows nacionais.[36] Durante o verão, o lazer da população se volta para as águas do Rio Pardo, especialmente na Prainha de Candelária (Balneário Carlos Larger), uma área de banho municipal que recebe melhorias sazonais para acolher veranistas e atividades esportivas de areia.[37] Nos últimos anos, a infraestrutura de lazer também foi impulsionada pela iniciativa privada através de loteamentos residenciais (como no bairro Nova Germânia), que implementaram novos parques públicos com dezenas de milhares de metros quadrados de áreas verdes, pistas de caminhada e equipamentos de ginástica ao ar livre.
Cultura e Turismo
A identidade cultural de Candelária é profundamente marcada pela herança de seus colonizadores, majoritariamente imigrantes alemães. Essa influência é visível em diversos aspectos do cotidiano, como na arquitetura de algumas edificações, na gastronomia local, em festas comunitárias e, notadamente, no idioma. Nas áreas rurais do município, não é raro encontrar famílias onde o dialeto alemão Riograndenser Hunsrückisch é a primeira língua, passada de geração em geração, um traço cultural que resiste e se mantém vivo.
Candelária é reconhecida nacionalmente como a "Terra dos Dinossauros" devido à extraordinária riqueza de fósseis do período Triássico encontrados em seu território, com cerca de 230 milhões de anos. Essa identidade paleontológica é celebrada no Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues, que possui um acervo importante de fósseis, e em monumentos espalhados pela cidade, como a estátua do Prestosuchus chiniquensis no trevo principal de acesso.
Além do acervo paleontológico, o município preserva construções históricas, com destaque para o Aqueduto de Candelária, uma obra de 1862 construída por um dos pioneiros da colonização, João Kochenborger. A estrutura é um símbolo da engenhosidade dos primeiros imigrantes e um importante ponto turístico.
Turismo e Eventos
Candelária apresenta um roteiro turístico diversificado, que mescla belezas naturais, patrimônio histórico e um calendário de eventos consolidado. Entre seus principais atrativos está o Aqueduto de Candelária, um símbolo da colonização construído em 1862. A estrutura, hoje tombada como patrimônio, foi erguida por um dos pioneiros para mover um moinho e serve como um dos principais cartões-postais da cidade.
Outro ponto de grande relevância é o Cerro do Botucaraí, com 570 metros de altitude, conhecido como "Santo Cerro". O local é um importante destino de peregrinação religiosa, especialmente durante a Sexta-feira Santa, quando milhares de fiéis visitam sua Via Sacra para orações.[45] O patrimônio histórico é complementado pela Ponte do Império, uma construção de pedra que integrava a antiga Estrada do Botucaraí, via de comunicação essencial durante o Brasil Império.
Para o lazer, a Praia Carlos Larger, conhecida como Prainha, é o principal balneário da cidade às margens do Rio Pardo. No verão, o local atrai grande público e sedia o Musa do Sol, um dos maiores concursos de beleza de verão do estado. O município conta ainda com belezas naturais como a Cascata da Ferradura, uma queda d'água procurada para banho e contato com a natureza.
O calendário anual de Candelária é marcado por importantes eventos. A Expocande (Exposição Industrial, Comercial, de Serviços e Agronegócios), realizada bienalmente no Parque de Eventos Itamar Vezentini, é a maior feira do município, destacando as potencialidades econômicas locais com uma vasta programação de shows. A herança germânica é celebrada na Festa da Colônia (Koloniefest), com danças, música e gastronomia típicas. Outros eventos relevantes incluem a Chocande, uma feira de chocolate e artesanato na época da Páscoa, e o Natal das Candeias, que promove as celebrações de fim de ano no centro da cidade.
Paleontologia
Candelária é um dos mais importantes sítios paleontológicos do Brasil para o Período Triássico, sendo reconhecida como a "Terra dos Dinossauros". Sua rica geologia, pertencente à Formação Candelária, preservou um notável acervo de fósseis com aproximadamente 230 milhões de anos, cruciais para o estudo da origem dos dinossauros e mamíferos.
O histórico da pesquisa paleontológica no município iniciou-se na década de 1930, quando o paleontólogo Llewellyn Ivor Price, em uma expedição conjunta de Harvard e do antigo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), realizou as primeiras coletas científicas na região. Nessa expedição, foi encontrado o holótipo do Candelaria barbouri, um pequeno réptil pararéptil que deu nome à Formação Candelária e projetou o município no cenário científico mundial.
Um novo marco ocorreu na década de 1970, com o padre e paleontólogo amador Daniel Cargnin, que identificou diversos novos afloramentos fossilíferos, como os da localidade de Bom Retiro. Muitos dos fósseis coletados por ele hoje integram acervos de importantes instituições, como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Museu Vincente Pallotti. Na mesma década, o professor Mário Costa Barberena, da UFRGS, consolidou a pesquisa na região, descobrindo em 1979, às margens da rodovia RSC-287, o dicinodonte Jachaleria candelariensis, um herbívoro robusto cujo parente mais próximo havia sido encontrado apenas na Argentina.
Na década de 1990, durante trabalhos de campo do projeto Pró-Guaíba, equipes da então Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB) descobriram um dos mais emblemáticos fósseis locais: o dinossauro Guaibasaurus candelariensis, um dos mais antigos do mundo, cujo nome homenageia o município e a Bacia do Rio Guaíba.
Desde 2002, uma parceria entre a UFRGS, sob a coordenação do professor César Schultz, e o Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues intensificou as pesquisas. O museu tornou-se o guardião do patrimônio paleontológico local e um centro de referência, abrigando um importante acervo de fósseis da região. Essa colaboração elevou o número de afloramentos conhecidos e de novas espécies descritas, como o cinodonte traversodontídeo Aleodon cromptoni e o probainognátio Candelariodon barberenai, cujas descobertas reforçam as evidências da deriva continental, ao apresentarem semelhanças com espécies encontradas na África. A forte identidade da cidade com seu passado pré-histórico se reflete também na cultura popular, com a criação do mascote "Candino".
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .