segunda-feira, 8 de junho de 2026

MATEUS LEME - MINAS GERAIS

Mateus Leme é um município brasileiro no estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Pertence à Região Metropolitana de Belo Horizonte, estando situado a cerca de 60 km a oeste da capital do estado. Ocupa uma área de pouco mais de 300 km², sendo 28,9 km² em área urbana, e sua população estimada em 2025, pelo IBGE, era de 40.814 habitantes. 
História
O surgimento do povoado que originou o município está ligado, como grande parte dos municípios mineiros, à penetração dos bandeirantes paulistas no interior das Minas Gerais no século XVIII, à procura de ouro e pedras preciosas, aprisionando índios e se apossando das terras. 
Mateus Leme, segundo Waldemar Barbosa foi um bandeirante paulista que percorreu a região de Minas Gerais, e posteriormente seguiu para Bahia combatendo índios ferozes entre 1715 e 1717. No volume XXVI da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros – Edição IBGE, o bandeirante Mateus Leme é citado como o “genro de Borba Gato que desbravou, em meados do século XVIII, as terras onde hoje se localiza o município que tem seu nome” confirmando a informação de Teóphilo de Almeida sobre a região. 
Uma carta Sesmaria, do ano de 1710, refere-se ao local (Morro do Mateus Leme), comprovando a sua origem bem remota. Outras fontes documentais, dos anos 1739 e 1745, referem-se ao “Arraial Morro de Mateus Leme”. 
Ainda segundo o estudioso Teóphilo de Almeida, encontram-se no Morro de Mateus Leme vestígios de antigos aquedutos e lavrados, iniciados num trabalho vultoso de mineração aurífera no local. Disso, podemos deduzir que a mineração se apresentava muito lucrativa, pois compensava os gastos com obras bastante onerosas. 
Apesar destes indícios de riquezas, o arraial do Morro de Mateus Leme atravessa todo o século XVIII sem alcançar foros de freguesia, sendo capela curada de freguesia de Nossa Senhora da Boa Viagem do Curral Del Rei. Nessa época estima-se a população de Mateus Leme 2.358 pessoas, segundo um levantamento pastoral (em 1826, de acordo com um mapa estatístico citado por Abílio Barreto), Mateus Leme apresentava 410 fogos e 2.556 almas. 
Presume-se que a população, com a decadência da exploração aurífera, tenha voltada para outras atividades econômicas como a agricultura e a pecuária. 
A freguesia (povoação) foi criada em 1832, com a denominação de Santo Antônio do Morro de Mateus Leme, tendo como filiais Itatiaiuçu e Patafufo. 
Em termos administrativos, a população passou por diversas mudanças: tendo pertencido aos municípios de Sabará e Pintagui, foi posteriormente incorporado aos municípios de Pará de Minas, antigo Patafufo (1848), Bonfim (1850) e (1870) e novamente Pará de Minas (1877). A autonomia foi adquirida em 1938, quando foi criado o município.
Foi assim nomeado em homenagem ao bandeirante paulista Mateus Leme, que fundou em Minas Gerais o arraial de Itatiaiaçu. 
É o local de instalação do primeiro radar meteorológico de Minas Gerais. 
Mateus Leme abriga o Monumento Natural Serra do Elefante, Unidade de Conservação criada por meio de decreto municipal em 2008 que apresenta uma enorme biodiversidade. 
Em Mateus Leme, existe há 15 anos a Casa de Cultura Cássia Afonso de Almeida, entidade sem fins lucrativos que incentiva a arte, a cultura e a educação no município.
Formação Administrativa
Distrito criado com a denominação de Mateus Leme, pelo Decreto de 14 de julho de 1832, e Lei Estadual n.º 2, de 14 de setembro de 1891, subordinado ao município de Pará. 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o distrito de Mateus Leme figura no município de Pará. 
Assim permanecendo nos quadros de apuração do Recenseamento Geral de 1º de setembro de 1920. 
Pela Lei Estadual n.º 806, 22 de setembro de 1921, o município de Pará passou a denominar-se Pará de Minas. 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o distrito de Mateus Leme figura no município de Pará de Minas (ex Pará). 
Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937. 
Elevado à categoria de município com a denominação de Mateus Leme, pelo Lei Estadual n.º 148, de 17 de dezembro de 1938, desmembrado de Pará de Minas. Sede no antigo distrito de Mateus Leme. Constituído de 3 distritos: Mateus Leme, Igarapé, desmembrado de Pará de Minas e Serra Azul desmembrado de Itaúna. 
No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de 3 distritos: Mateus Leme, Igarapé e Serra Azul. 
Pelo Lei Estadual n.º 1.058, de 31 de dezembro de 1943, é criado o distrito de Azurita e anexado ao município de Mateus Leme. Pelo mesmo Decreto-lei, o distrito de Serra Azul tomou a denominação de Boturobi. 
No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o município é constituído de 4 distritos: Mateus Leme, Azurita, Boturobi (ex Serra Azul) e Igarapé. 
Pela Lei n.º 336, de 27 de dezembro de 1948, é criado o distrito de Juatuba (ex povoado) e anexado ao município de Mateus Leme. 
Em divisão territorial datada de 1º de julhode 1950, o município é constituído de 5 distritos: Mateus Leme, Azurita, Boturobi, Igarapé e Juatuba. 
Pela Lei n.º 1.039, de 12 de dezembro de 1953, é criado o distrito de São Joaquim de Bicas (ex povoado) com terras desmembradas do distrito de Igarapé e anexado ao município de Mateus Leme. Pela mesma Lei, o distrito de Boturobi voltou a chamar-se Serra Azul. 
Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1955, o município é constituído de 6 distritos: Mateus Leme, Azurita, Igarapé, Juatuba, São Joaquim de Bicas e Serra Azul (ex Boturobi). 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1º de julho de 1960. 
Pela Lei Estadual n.º 2.764, de 30 de dezembro de 1962, são desmembrados do município de Mateus Leme os distritos de Igarapé e São Joaquim de Bicas para formarem o novo município de Igarapé. 
Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1963, o município é constituído de 4 distritos: Mateus Leme, Azurita, Juatuba e Serra Azul. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada 1991. 
Pela Lei Estadual n.º 10.704, de 27 de abril de 1992, é desmembrado do município de Mateus Leme o distrito de Juatuba. Elevado à categoria de município. 
Em divisão territorial datada de 1999, o município é constituído de 3 distritos: Mateus Leme, Azurita e Serra Azul. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2023.
Geografia
Relevo

Mateus Leme limita-se ao sul com Itatiaiuçu pela Serra Azul, onde se localiza o ponto de altitude máxima do município, com 1.298 metros em relação ao nível do mar. O ponto de altitude mínima do município localiza-se no reservatório Serra Azul, no limite com o município de Juatuba, a 791 metros em relação ao nível do mar. 
A Serra Azul, também chamada de Serra das Farofas ou Serra do Itatiauçu, contém jazidas de minério de ferro e outros minerais e localiza-se na porção mais ocidental do Quadrilátero Ferrífero. Além dessa serra, outras compõem o território mateus-lemense, como a Serra dos Caboclos, Serra do Caxambu, Serra das Perobas, Serra da Saudade, Serra Boa Vista e Serra Santo Antônio, com pico de 1.284 metros de altitude, também conhecida na região como “Serra do Elefante”. 
A Serra do Elefante, devido à altitude elevada do pico, à inexistência de barreiras físicas naturais nas proximidades e à localização na RMBH, foi escolhida para a instalação do primeiro radar meteorológico de Minas Gerais. O equipamento permite identificar, por meio da emissão e recepção de ondas, a formação de chuvas, tempestades e granizo. A localização estratégica do radar, quase sem barreiras em sua área de influência, permite uma ampla varredura com qualidade num raio de 250 km, mas tem alcance de até 350 km para avaliações qualitativas de entradas de tempestades no estado. O radar é operado pela CEMIG e pelo Instituto Mineiro de Gestão de Águas (IGAM). 
Hidrografia
Mateus Leme encontra-se totalmente dentro da Bacia do Rio Paraopeba. O município não é banhado por esse rio, mas por alguns de seus afluentes da margem esquerda, como o ribeirão Mateus Leme e o ribeirão Serra Azul. 
O ribeirão Serra Azul nasce no município vizinho de Itaúna e é represado em Juatuba para formação do reservatório Serra Azul. O reservatório inunda terras de Juatuba, Igarapé e Mateus Leme e foi construído para fornecimento de água à população da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O reservatório, denominado Sistema Serra Azul, faz parte do Sistema Paraopeba, juntamente com o Sistema Vargem das Flores e Sistema Rio Manso.
Clima
Em Mateus Leme, a estação com precipitação é úmida e de céu encoberto; a estação seca é de céu quase sem nuvens. Durante o ano inteiro, o clima é morno. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 13 °C a 30 °C e raramente é inferior a 10 °C ou superior a 33 °C. 
A melhor época do ano para visitar Mateus Leme e realizar atividades de clima quente é do fim de abril ao fim de setembro. 
A estação quente permanece por 2,2 meses, de 16 de janeiro a 22 de março, com temperatura máxima média diária acima de 29 °C. O mês mais quente do ano em Mateus Leme é fevereiro, com a máxima de 29 °C e mínima de 20 °C, em média. 
A estação fresca permanece por 2,5 meses, de 19 de maio a 2 de agosto, com temperatura máxima diária em média abaixo de 26 °C. O mês mais frio do ano em Mateus Leme é julho, com a mínima de 13 °C e máxima de 26 °C, em média. 
Em Mateus Leme, a porcentagem média de céu encoberto por nuvens sofre extrema variação sazonal ao longo do ano.
A época menos encoberta do ano em Mateus Leme começa por volta de 7 de abril e dura 6,2 meses, terminando em torno de 13 de outubro. 
O mês menos encoberto do ano em Mateus Leme é agosto, durante o qual, em média, o céu está sem nuvens, quase sem nuvens ou parcialmente encoberto 77% do tempo. 
A época mais encoberta do ano começa por volta de 13 de outubro e dura 5,8 meses, terminando em torno de 7 de abril. 
O mês mais encoberto do ano em Mateus Leme é dezembro, durante o qual, em média, o céu está encoberto ou quase encoberto 78% do tempo. 
Ferrovias
Mateus Leme é cortada e acessada pela Linha Garças a Belo Horizonte da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas, ligando-a ao município de Iguatama e à capital mineira, Belo Horizonte. A ferrovia se encontra atualmente concedida ao transporte de cargas pela VLI Multimodal, que comanda a concessionária Ferrovia Centro-Atlântica, também operante na linha férrea. O transporte ferroviário de passageiros foi desativado há anos, porém devido ao grande potencial turístico de Mateus Leme e das outras cidades atravessadas pela ferrovia, as autoridades estaduais pretendem reativar o modal em todo o seu trajeto. 
Rodovias
A cidade também é acessada pelas rodovias: MG-050, BR-262 e BR-381.
Economia
Mateus Leme é um município de grande relevância na região que se destaca pela alta regularidade das vendas no ano.
A economia de Mateus Leme passou por uma transição profunda nas últimas décadas. Se antes a base era puramente agrícola, hoje o perfil é híbrido:
- Indústria e Logística: devido à proximidade com a rodovia MG-050 e o entroncamento com a BR-262, a cidade tornou-se um hub para centros de distribuição e indústrias de autopeças e construção civil.
- Avicultura: 0 município é um dos maiores produtores de frangos de Minas Gerais, com uma cadeia produtiva robusta que envolve desde granjas tecnológicas até frigoríficos.
- Mineração: a extração de areia, brita e minério de ferro contribui significativamente para o PIB local.
Em janeiro de 2026, foram registradas 468 admissões formais e 392 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 76 novos trabalhadores. Este desempenho é superior ao do ano passado, quando o saldo foi de 73.
Até fevereiro de 2026 houve registro de 1 nova empresa em Mateus Leme, sendo que a maioria delas atua com estabelecimento fixo. Neste último mês, não foi identificada nenhuma nova empresa. Este desempenho é menor que o do mês imediatamente anterior (1). No ano de 2025 inteiro, foram registradas 126 empresas.
Educação
Na área da educação, Mateus Leme conta com uma rede municipal e estadual que atende plenamente ao ensino básico. Para o ensino superior e técnico, a cidade se beneficia da proximidade com polos universitários em Itaúna, Betim e Belo Horizonte. No entanto, programas municipais têm focado na qualificação profissional voltada para o setor industrial e logístico, preparando a mão de obra local para as empresas instaladas nos distritos industriais da cidade.
Turismo
O turismo em Mateus Leme é focado no ecoturismo e nas manifestações religiosas.
- Serra do Elefante: é o principal cartão-postal. Procurada para a prática de voo livre (parapente), trilhas de mountain bike e caminhadas ecológicas. No topo, a vista panorâmica da região metropolitana é de tirar o fôlego.
- Turismo Religioso: a Semana Santa de Mateus Leme é uma das mais tradicionais da região, com procissões e encenações que atraem fiéis de todo o estado.
- Culinária Regional: o distrito de Azurita é famoso por sua gastronomia típica mineira, com destaque para os doces caseiros e o tradicional queijo minas.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark ; Caravela .