sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

IMBITUVA - PARANÁ

Imbituva é um município brasileiro do estado do Paraná. Está localizado na região centro sul, há 900 metros acima do nível do mar e sua população estimada para o ano de 2025, segundo o IBGE, era de 30.849 habitantes. 
Toponímia
Imbituva é vocábulo indígena que significa cipoal, "lugar de muito imbé". Da língua tupi imbé: espécie de cipó da família das aráceas pertencentes ao gênero Philodendron; e tyba: grande quantidade, abundância. 
História
Em 1809, uma expedição rumo aos Campos de Guarapuava penetra no território onde, hoje, encontra-se o município de Imbituva. Na época de sua fundação, em 1871, o local era chamada de "Arraial do Cupim", devido à conformação geológica de um destes pousos de tropeiros. 
Às margens do histórico caminho de Viamão, repleto de tropeiros e marchantes, foram aparecendo, desde o Rio Grande do Sul até São Paulo, os pontos de “pouso”, os marcos, origem das cidades dos Campos Gerais. Desde então “Cupim” passou a ter destaque entre os “pousos” preferidos pelos tropeiros. Em 1871, o bandeirante, Antonio Lourenço, natural de Faxina, então capitania de São Paulo, abandonando o comércio de tropas, atraiu companheiros e fixou-se em Cupim com alguns companheiros, iniciando a construção da Vila. É considerado o fundador de Imbituva. 
Os primeiros povoadores eram procedentes da então Capitania de São Paulo, aos quais juntaram-se outros, todos da mesma procedência. A nova povoação não tardou a receber a influência de colonos alemães, poloneses e russos, que deram notável contribuição ao seu desenvolvimento. Os colonos alemães fixaram residência na direção da estrada que mais tarde ligaria Imbituva a Guarapuava. Também os italianos, em 189, adquiriram terras em Cupim e iniciaram a fundação de uma colônia. A freguesia foi criada em 1876, com sede no lugar denominado Campo do Cupim. Em 1881, foi elevada à categoria de vila, com denominação de Santo Antônio do Imbituva, vinculada ao Município de Ponta Grossa. Recebeu foros de cidade em 1910, passando a denominar-se apenas Imbituva, em 1929. O topônimo surgiu em virtude da existência de um rio com igual nome, junto à cidade. Aos habitantes do município dá-se o nome de imbituvenses. 
Gentílico: Imbituvense 
Formação Administrativa 
Freguesia criada com a denominação de Santo Antônio de Imbituva, pela Lei Provincial n.º 441, de 21 de fevereiro de 1876, subordinado ao município de Ponta Grossa. 
Elevado à categoria de vila com a denominação de Santo Antônio de Imbituva, por Lei Provincial n.º 651, de 26 de março de 1881, desmembrado de Ponta Grossa. Sede na localidade de Campo do Cupim. Constituído do distrito sede. Instalado em 14 de junho de 1882. 
Elevado à condição de cidade, por Lei Estadual n.º 938, de 02 de abril de 1910. 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído do distrito sede. 
Pela Lei Estadual n.º 2.645, de 10 de abril de 1929, o município de Santo Antônio do Imbituva passou a denominar-se Imbituva. 
Por Lei Estadual n.º 2.757, de 31 de março de 1930, é criado o distrito de São Miguel do Pinho e anexado ao município de Imbituva. 
Em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, o município é constituído de 3 distritos: Imbituva, Natal e São Miguel do Pinho. 
Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 6.667, de 31 de março de 1938, o distrito de São Miguel do Pinho passou a denominar-se simplesmente São Miguel. 
No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de 3 distritos: Imbituva, Natal e São Miguel. 
Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 199, de 30 de dezembro de 1943, o distrito de São Miguel passou a denominar-se Apiaba e o de Natal a denominar-se Guamiranga. 
Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1960, o município é constituído de 3 distritos: Imbituva, Apiaba e Guamiranga. 
Pela Lei Estadual n.º 11.203, de 16 de novembro de 1995, desmembra do município de Imbituva o distrito de Guamiranga. Elevado à categoria de município. 
Em divisão territorial datada de 15 de julho de 1997, o município é constituído de 2 distritos: Imbituva e Apiaba. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 14 de maio de 2001.
Geografia
A altitude média da sede municipal é de aproximadamente 950 metros acima do nível do mar, o que a posiciona no Segundo Planalto Paranaense. 
Relevo
O relevo é predominantemente ondulado a suavemente ondulado, característico de áreas de transição de planaltos.
Solos
Os solos são de origem basáltica e sedimentar, com predominância de Latossolos e Cambissolos. São solos que exigem correção química para a agricultura de alta produtividade, mas que respondem bem à mecanização e ao plantio direto, favorecidos pela topografia ondulada.
Vegetação
A vegetação original era composta pela Floresta Ombrófila Mista (Mata de Araucária), onde se destacavam o pinheiro-do-paraná e a imbuia. Hoje, restam fragmentos florestais preservados e áreas de reflorestamento de pinus e eucalipto, além das áreas convertidas em campos de lavoura.
Clima
Em Imbituva, o verão é longo, morno e úmido; o inverno é curto e ameno. Durante o ano inteiro, o tempo é com precipitação e de céu parcialmente encoberto. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 10 °C a 28 °C e raramente é inferior a 5 °C ou superior a 31 °C. 
As melhores épocas do ano para visitar Imbituva e realizar atividades de clima quente são do início de março ao meio de maio e do fim de outubro ao meio de dezembro. 
A estação morna permanece por 4,4 meses, de 21 de novembro a 2 de abril, com temperatura máxima média diária acima de 26 °C. O mês mais quente do ano em Imbituva é janeiro, com a máxima de 28 °C e mínima de 19 °C, em média. 
A estação fresca permanece por 2,8 meses, de 14 de maio a 8 de agosto, com temperatura máxima diária em média abaixo de 22 °C. O mês mais frio do ano em Imbituva é julho, com a mínima de 11 °C e máxima de 21 °C, em média. 
Economia
Imbituva é conhecida como um polo industrial têxtil no segmento de malhas, o que a faz conhecida como "Cidade das Malhas", com destaque para as peças em tricô, apresentando uma infinidade de modelos de peças de vestuário nas diversas malharias que compõem a Associação das Malharias de Imbituva. Um fator industrial que vem se destacando também em Imbituva, é o de calçados de segurança com bastante destaque dentro e fora do país, atualmente com 2 empresas nesse setor, empregando aproximadamente 1500 pessoas com emprego direto, ou indireto. 
Imbituva, conta hoje com aproximadamente 50 indústrias do ramo têxtil. As malharias surgiram há mais de 25 anos e cada vez mais estão ganhando espaço não só no Paraná, como também em outros estados. Elas geram atualmente mais de 500 empregos diretos e indiretos, envolvendo muitas vezes famílias inteiras. As indústrias estão em aperfeiçoamento contínuo, investindo em aquisição de equipamentos modernos para o setor têxtil, além de contar com profissionais de alta qualidade e vasta experiência no ramo. 
Existem micros, pequenas e grandes empresas que chegam a trabalhar com suas máquinas 24 horas por dia, para atender seus pedidos. A cidade de Imbituva compete em igualdade com as maiores potências no ramo têxtil. 
O turismo, baseado no comércio de seus produtos de malha também tem atraído um grande afluxo de pessoas de cidades paranaenses como Curitiba, Ponta Grossa, Guarapuava, Toledo, Cascavel e Foz do Iguaçu, incluindo também turistas de estados vizinhos, como Santa Catarina e São Paulo. Especial destaque para a Femai, Feira de Malhas de Imbituva, realizada pela Associação de Malharias de Imbituva, sempre no mês de abril, que chega a receber cerca de 40 mil pessoas. A feira é realizada a quase 30 anos. 
Desde 2005 Imbituva passou a ser um Arranjo Produtivo Local (APL) no setor têxtil, com reconhecimento e apoio do Governo do Estado. Existem planos para a instalação na cidade de uma escola técnica com a oferta de cursos na área da manufatura têxtil. Já conta com um centro comercial para reunir os produtos das malharias da cidade. 
Além da industrialização e comércio de produtos têxteis a economia do município de Imbituva é baseada na indústria madeireira, com destaque para o beneficiamento de madeiras e fabricação de móveis e utensílios deste material, segmento que gera mais de 20% do total de empregos entre a população economicamente ativa no município. 
No entanto é a agropecuária que responde ainda pela maior fatia do PIB do município, com destaque entre os produtos agrícolas para as lavouras de soja, milho, feijão, fumo e trigo. Destacam-se também os rebanhos suíno (corte) e bovino (gado de corte e leiteiro), os galináceos (em especial para produção de ovos) e a produção de mel de abelha. 
Destaque ainda para a produção de argila, produto da extração mineral empreendida por cerca de 14 estabelecimentos do município, especialmente dedicados à produção de cerâmica vermelha, como tijolos e telhas para a construção civil. 
Educação
Imbituva possui uma rede de ensino básica e média consolidada. Na área superior e técnica, o município conta com polos de educação a distância e parcerias com o Sistema S (SENAI/SEBRAE) para qualificar a mão de obra voltada à indústria têxtil e ao agronegócio, garantindo competitividade ao polo de confecções local.
Cultura
Imbituva é uma cidade formada por uma mescla de diversas etnias e tradições, que podem ser sintetizada na seguinte tripartite: europeus, africanos e indígenas. Dentre os europeus, como salienta Cleusi Bobato, consta-se que no final do século XIX "Imbituva recebeu dois grupos imigratórios em seu território: alemães e italiano". Embora em menor número, também vieram para a região eslavos (poloneses, ucranianos, russos e neerlandeses). Destes grupos, sobreviveu aspectos culturais relacionados a culinária, tal como o consumo de polenta, o nhoque e vinho. Também é evidente os traços de religiosidade europeia, sobretudo de influência protestante, visto a predominância da religião luterana e suas derivadas na localidade. 
Todavia, a região anteriormente já era ocupada pelos indígenas, com ênfase sobre os Kaingangues, os quais foram responsáveis por ensinar os primeiros imigrantes europeus no trabalho agrícola. Conforme esclarece Cleusi Bobato: "O primeiro desafio para esses imigrantes da Colônia Bella Vista consistia em aprender a lidar com a mata, como derrubá-la e como livrar-se dos troncos e galhos, para tornar o chão arável. Neste contexto, tiveram que aprender com os índios [...] Aprenderam a limpar o mato com foice [...] também o método indígena da coivara". Deste grupo, sobreviveram algumas práticas religiosas que foram assimiladas pelas benzedeiras, em particular, e de modo geral pela população que absorveu o conhecimento e o trato sobre ervas medicinais, mantendo suas hortas de remédios, que são comuns em todas as casas, mesmo na região urbana. Ainda, deste grupo foram absorvidas palavras, tal como se observa no próprio nome da cidade. 
Além disso, deve-se considerar que muito antes, a obra escrava tinha chegado a região, o que explica a presença negra na cidade até os dias atuais. Não se trata, portanto, de uma imigração tardia. Da junção entre tradições negras e indígena, desdobrou-se nos faxinais, os quais foram assimilados pelos imigrantes europeus. A cultura africana também foi assimilada na linguagem, na religiosidade, na culinária e na cultura de modo geral. 
Atualmente, pode-se considerar que a cidade de Imbituva é formada por uma cultura bastante plural, das quais se destacam os ativos movimentos musicais e culturais, tais como: o rock, o rap e a música caipira, os quais produzem uma musicalidade bastante peculiar da região. Em relação a cultura, desde meados da década de noventa, tem-se destacado na região a prática da capoeira. Esta arte marcial tem reunido em seu entorno praticantes e simpatizantes, os quais vivenciam a capoeira como um estilo de vida. Neste sentido, Jeferson Machado explica que: "desde a década de 1990, a capoeira passou, para além de uma prática esportiva, a alterar o cenário cultural da cidade, ocupando espaços como praças, escolas e as ruas dos bairros. A capoeira era - em alguns bairros - como, por exemplo, a Vila Zezo, mais visível que o próprio futebol. Era comum poder observar crianças e adolescentes praticando movimentos de agilidades nas ruas, praças e escolas". Estas gerações, ainda formado por crianças e jovens, serão essenciais para a ampliação da prática nas décadas seguintes. 
A capoeira - atualmente mantida pelos professores Josni Nogosek Ferreira dos Santos e Anderson Andrade, ambos do Grupo Guerreiro dos Palmares - possui uma longa linhagem em Imbituva e um estilo bastante próprio. Conforme a tradição, a capoeira chegou na cidade pela década de 1990 e foi gradualmente sendo assimilada pela população local. Segunda historiografia recente, a "capoeira chegou a Imbituva no inicio dos anos de 1990, quando passou pela cidade Mestre Luiz Baiano, que ensinou a capoeira para Valdecir Borgo", o qual foi um difusor da arte marcial na comunidade imbituvense. Em paralelo com Borgo, professor Daniel, ativista do movimento negro, candomblecista e jogador da capoeira angola, também ajudou na divulgação da capoeira. 
Desde o inicio da prática da capoeira em 1990, até os dias atuais, existiram cinco grupos de capoeira oficiais: Vôo Livre (grupo de Mestre Valdeci, já extinto), Salve Brasil (grupo criado pelo próprio professor Valdeci, tendo professor Daniel como Mestre, que também já é extinto), Berimbau de Prata (grupo de Mestre Samuca, que permanece ativo na cidade de Curitiba, tendo como liderança o Contramestre Jesus), ACAPRAS (grupo de Mestre Silveira) e Guerreiros dos Palmares (grupo de Mestre Pop, que é o atual grupo de capoeira na cidade). 
Transporte
O município de Imbituva é servido pelas seguintes rodovias: 
- BR-373, que passa por seu território, que liga BR-376 (em Ponta Grossa) a BR-277 (via Prudentópolis).
- BR-153, a "Transbrasiliana", no seu trecho União da Vitória a Jacarezinho (ligando Santa Catarina a São Paulo).
- PR-522, ligando a cidade a BR-487 (em Ivaí).
Turismo
O turismo em Imbituva é focado no comércio e na natureza:
- Turismo de Compras: A tradicional Feira de Malhas e as lojas de fábrica no centro da cidade são os grandes atrativos, especialmente nos meses de frio.
- Caminho da Madeira: O turismo histórico e cultural resgata a memória da extração madeireira.
- Recursos Naturais: Cachoeiras e áreas verdes em propriedades rurais oferecem potencial para o ecoturismo e o turismo rural.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Weather Spark .