quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

ASSIS CHATEAUBRIAND - PARANÁ

Assis Chateaubriand é um município brasileiro localizado na região oeste do Paraná. Sua população estimada pelo IBGE, para o ano de 2025 era de 38.357 habitantes. 
História 
A história de Assis Chateaubriand foi iniciada em 1958 quando a Colonizadora Norte do Paraná começou desbravar a região Vale do Piquiri. No dia 15 de dezembro de 1960 o pequeno povoado que pertencia ao Município de Guaíra passou a pertencer a Toledo, sendo denominado "Distrito de Tupãssi" que em Tupi Guarani significa "Mãe de Deus". Este povoado crescia surpreendentemente com a chegada dos pioneiros cheios de coragem que se embrenharam pelos sertões. Graças a estes homens valorosos, hoje existe Assis Chateaubriand que é uma referência regional. O distrito de Tupãssi cresceu tanto que teve que se desmembrar de Toledo e através da Lei nº 5.389 foi criado o Município de Assis Chateaubriand. Há 57 anos, no dia 20 de agosto de 1966 sobre o chão recém trabalhado, se criava o Município de Assis Chateaubriand, na época com cerca de 80 mil habitantes.
Assis Chateaubriand completou, em 2024, 58 anos - Mais de cinco décadas e meia de luta de um povo glorioso que ama seu pedaço de Brasil, vendo em cada nascer do sol, o marco de um novo dia, que brilha intensamente, como a esperança de cada chateuabriandense que no município faz sua escola, seu trabalho, seu lar e sua vida.
Em 1966 começou a história política - a emancipação administrativa -, quando então, o distrito de Tupãssi deixou oficialmente de pertencer ao município de Toledo e mudou o nome para "Assis Chateaubriand". Uma homenagem ao jornalista Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello.
Ele aqui esteve, no dia 20 de agosto de 1966, quando em sua homenagem foi realizado um grande desfile cívico e uma festa a base de churrasco. Também veio o governador da época, Paulo Pimentel.
Mas essa história começou bem antes disso. Ainda na década de 1950 começaram a chegar os primeiros desbravadores para a derrubada do mato e a abertura do povoado que partiu do jardim Progresso, onde abriram um campo de pouso de aviões para o desembarque dos funcionários e diretores da Colonizadora norte do Paraná, empresa responsável pela colonização do município.
O primeiro nome do povoado, Tupãssi, foi dado em homenagem aos índios Tupaci, (tribo do Mato Grosso do Norte) por Oscar Martinez, dono da Colonizadora Norte do Paraná, empresa responsável pela colonização na região. Antes, outros nomes designavam a localização: Campos dos Baianos e Cidade Morena.
Os colonizadores contratavam homens para proteger as terras, a quem chamavam de "guardas florestais". Os colonos os conheciam por "jagunços".
Surgem os povoados
Como o município era muito grande, nasceram os distritos para evitar longas viagens até a sede. Tupãssi, que ficou com o nome original e depois emancipou-se, encampando os distritos de JS e Brasiliana; Bragantina, chamou-se no início, Norte-Sul. A mudança foi em homenagem ao ex-governador Ney Braga; Encantado, em homenagem aos inúmeros gaúchos que vieram morar no Distrito; Nice, para homenagear Janice Martinez, esposa de Oscar Martinez; Silveirópolis, em homenagem a família Silveira, primeiros moradores do lugar. Engenheiro Azaury, para homenagear o engenheiro que trabalhou no projeto piloto da cidade e Terra Nova, por ser a entrada para o município, através do rio Piquiri. "Estando no lado de Alto de Piquiri, se avistava a Terra Nova, uma nova vida; por isso, o nome do povoado que nasceu em seguida", lembra Rudy Alvarez, primeiro prefeito eleito no município.
Os títulos de posse da região foram concedidos pelo governador da época, Moisés Lupion. O próximo governador do Estado foi Ney Braga. "O Ney queria cancelar todos os títulos concedidos pelo Lupion, então, nós pedimos ajuda ao David Nasser ", afirma Rudy. Nasser era um famoso jornalista da época, amigo de políticos influentes, que intercedeu pela causa e pediu uma homenagem ao patrão, o jornalista Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, dono dos Diários Associados, em São Paulo e outras capitais. Já no livro de Laércio Souto Maior, "História do município de Assis Chateaubriand", Oscar Martinez afirma que a homenagem foi por causa da dedicação do jornalista pelas questões agrícolas e sua grande amizade com ele.
A emancipação
O jornalista, conhecido por "Velho Capitão" se fez presente no dia da emancipação político-administrativa do município, acompanhado do governador do Estado da época, Paulo Pimentel, além de políticos de todo o Brasil. Aproximadamente 15 aviões pousaram no antigo aeroporto naquele dia. Era 20 de agosto de 1966. Chateaubriand já se encontrava com a saúde bastante debilitada, em razão de uma trombose. Como não podia mais falar por causa da doença, seu discurso foi lido pelo ator Lima Duarte, seu funcionário na extinta TV Tupi, que o acompanhava, empurrando sua cadeira de rodas.
A grande festa foi realizada na praça São Francisco de Assis, em uma barraca montada no meio da rua. Vários bois foram assados para o dia, sendo que ao final sobrou muita carne, que acabou sendo levada pela própria população. Segundo Rudy, "o jornalista Chateaubriand só comia frango; então mandamos preparar alguns pra ele", lembrou.
Ruas abertas, surgiu a primeira construção e em seguida muitas outras. Em pouco tempo já tínhamos uma igreja, alguns comércios e uma vila que crescia dia a dia, com gente chegando de todo lugar.
Os primeiros comerciantes a se estabelecerem na cidade, foram os irmãos Pires, portugueses que abriram um botequim no antigo campo de aviação, no Jardim Progresso. Depois, eles montaram o primeiro comércio de secos e molhados na avenida Tupãssi.
A produção agrícola já fazia fama com o plantio do café pelas mãos das primeiras famílias de agricultores. Depois, a cultura de hortelã tomou lugar por um bom tempo. Mas também se cultivava o feijão e o milho.
Construindo uma cidade
Estradas eram grandes problemas para a região. Chamadas de "picadas", em períodos de chuvas, ficava impossível transitar com veículos, mesmo que fossem os famosos Jeeps. O caminho para Toledo era feito de muitas curvas e desvios, o que não se fazia em menos de seis horas.
O plantio de hortelã tomava conta de 95% da plantação agrícola. O alto rendimento desta produção atraiu gente de todo o Brasil, através dos corretores, também conhecidos por "picaretas". A terra roxa era o atrativo.
Quase todas as famílias que chegavam, montavam barracas de lonas, na área rural ou na cidade, onde passavam a morar, enquanto eram construídas suas casas.
Enquanto isso, o mato ia sendo derrubado e as lavouras abertas. Várias serrarias foram construídas para o beneficiamento da madeira da região, constituída basicamente de madeira de lei, como ipê e peroba, cujas quais fizeram as casas da cidade e distritos. Era muito rara uma construção em alvenaria. O trabalho pesado para a preparação e plantio da lavoura foi na base do machado e das enxadas.
O povo continuava chegando, apesar das estradas poeirentas ou enlameadas que iam se abrindo por todo o interior do município, dando acesso às propriedades agrícolas, aos distritos e patrimônios.
Com o progresso a olhos vistos, nascia uma estação rodoviária, onde hoje é a praça dos pioneiros; o primeiro hospital; igrejas; farmácias; oficinas e muitos comércios, como as vendas e mercearias que procuravam vender um pouco de tudo, para atender ao povo nas suas necessidades diárias.
Primeiros passos da Educação
Em 1961 surgiu a primeira escola primária e já se comemorava o 7 de setembro com o desfile cívico. Escolas foram construídas em ramais e povoados importantes. Em 1966, a Prefeitura montou uma serraria para beneficiar as madeiras que utilizava na construção de pontes, carteiras escolares e escolas por todo o interior do município. Para levar a educação ao interior, 130 rurais escolas foram erguidas. Praticamente não existiam professores formados e para ensinar as crianças foram também contratadas pessoas com pouca formação para o cargo.
Em pouco tempo já existiam melhores estradas, pontes construídas e o fim da balsa no Rio Piquiri, com a atual ponte em concreto.
Com as necessidades prementes, chegou a água encanada e a luz elétrica. A cada mês, novas escolas e mais alunos faziam o colorido dos dias de uma saudosa época.
As agências bancárias foram se instalando, e com elas novas empresas comerciais traziam a evolução para a cidade.
Segundo o primeiro prefeito eleito, não havia procura de serviços de saúde ou assistência social por parte da população naquela época. Os pedidos eram na grande maioria, para a construção de escolas e estradas.
Chega a energia e surgem as polêmicas
A cidade teve no início, uma usina de energia elétrica, construída em uma barragem no rio Alívio, onde hoje funciona a estação de água da Sanepar. Com geradores de 300 KWA de energia, a hidrelétrica abasteceu toda a cidade, até metade dos anos 70. Os postes eram de madeira e já continham luminárias. A inauguração da iluminação elétrica foi uma grande novidade, fazendo com que os lampiões e as lamparinas de querosene fossem aposentados.
Sempre surgem nas conversas sobre a história de Assis Chateaubriand os assuntos polêmicos, como, a "vinda da Sadia para o município". Os comentários dão conta de que a Sadia foi para Toledo, "porque o prefeito da época não deu apoio", dizem. Rudy Alvarez, prefeito de então, afirma que isso não é verdade: "a Sadia nunca pensou em vir para Assis. Ela foi para o município vizinho, porque já naquela época, Toledo possuía um frigorífico que abatia 150 cabeças de suínos por dia, produzidos naquela região. Assis não criava suínos em quantidade", informa o ex-prefeito, dizendo que por isso, não justificaria montar uma indústria sem matéria prima.
Por outro lado, uma fábrica de papel ergueu paredes mas não funcionou. Conhecida como "Fábrica de Papel", foi iniciada para aproveitar a usina hidrelétrica que foi desativada com a chegada da Copel (Companhia Paranaense de Energia Elétrica) e as águas do rio Alívio. "Nós começamos uma obra que ia vender toneladas de papel para o Brasil, mas infelizmente não teve continuação no governo que me sucedeu", explica Rudy.
Formação Administrativa
Distrito criado com a denominação de Assis Chateaubriand, pela Lei Estadual n.º 4.582, de 27 de junho de 1962, subordinado ao município de Toledo. 
Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1963, o distrito de Assis Chateaubriand, figura no município de Toledo. 
Elevado à categoria de município com a denominação de Assis Chateaubriand, pela Lei Estadual n.º 5.389, de 27 de agosto de 1966, desmembrado de Toledo. Sede no atual distrito de Assis Chateaubriand (ex localidade). Constituído do distrito sede. Instalado em 14 de março de 1967. 
Pela Lei Estadual n.º 5.486, de 31 de janeiro de 1967, é criado o distrito de Tupãssi e anexado ao município de Assis Chateaubriand. 
Pela Lei Estadual n.º 5.489, de 31 de janeiro de 1967, é criado o distrito de Bragantina e anexado ao município de Assis Chateaubriand. 
Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1968, o município é constituído de 3 distritos: Assis Chateaubriand, Bragantina e Tupãssi. 
Pela Lei Estadual n.º 6.920, de 02 de setembro de 1977, é criado o distrito de Encantado d’Oeste e anexado ao município de Assis Chateaubriand. 
Em divisão territorial datada de 1º de janeiro de 1979, o município é constituído de 4 distritos: Assis Chateaubriand, Bragantina, Encantado d’Oeste e Tupãssi. 
Pela Lei Estadual n.º 7.270, de 27 de dezembro de 1979, desmembra do município Assis Chateaubriand o distrito de Tupãssi. Elevado à categoria de município. 
Em divisão territorial datada de 1988, o município é constituído de 3 distritos: Assis Chateaubriand, Bragantina e Encantado d’Oeste. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.
Geografia
Não existem acidentes geográficos marcantes, tendo em sua topografia pequenas ondulações e seus córregos se localizam a dois quilômetros do perímetro urbano. O clima é tipicamente subtropical, ocorrendo nos meses de novembro e dezembro um período relativo de estiagem, com períodos de chuvas nos demais meses, concentrando-se os períodos de queda de temperatura nos meses de junho e agosto com geadas em partes do Município e temperaturas médias de 2 a 30 graus. A precipitação pluviométrica é de 1.250 a 1.500 mm em média. Tem um dos solos mais férteis do Paraná, composto em sua totalidade do maior derrame basáltico do mundo que formou a terra roxa. Sua conservação é permanente, prova disso é que não existem erosões. A altitude é de 440 metros acima do nível do mar. Latitude sul de 24º2‹ e Oeste de 53º29‹. A área total é de 1.010,33 km2 cerca 101,0330 hectares ou 41.749.173,60 alqueires paulistas. A área urbana tem 1.997,08 hectares ou 19,97 km2 e área rural 990,36 km2.
Economia
O oeste do Paraná comportou-se em três fases: a primeira fase é da economia extrativista e de subsistência familiar nas décadas de 1950 e 1960. A segunda fase, concentrada nas décadas de 1970 e 1980, período de modernização na produção agrícola, sendo implantadas a cultura da soja, trigo, algodão e milho. A terceira fase é a nossa atualidade, ou seja, década de 1990 e o novo milênio, marcada pela diversificação na base agropecuária e pela busca de alternativas da agroindustrialização e de competitividade. 
No início da colonização de Assis Chateaubriand, onde tudo era mata-virgem, a principal fonte de renda era a agricultura comercial e principalmente a agricultura de subsistência para os que aqui chegaram. A primeira forma de agricultura fora o cultivo de hortaliças, mandioca, feijão, arroz e milho, criação de pequenos animais: porco, galinha e gado. Com a derrubada das matas, a escala de produção aumentou, passando a plantar em grande escalas, culturas já numeradas e o café em áreas altas, ou seja, cabeceiras dos lotes devido às geadas. 
Com a introdução da lavoura branca, houve uma produção contínua, mesmo ainda com o plantio feito ainda manual, devido aos tocos e madeira derrubados nas propriedades. Surge assim em seguida o ciclo da hortelã, que empregou grande quantidade de gente, pois sua mão de obra era grande até a extração de óleo. Com a mecanização (década de 1960), com a entrada da soja no mercado, houve um êxodo rural, fato mundial, onde parte da mão de obra fora absorvida por máquinas e implementos agrícolas, e com tal mecanização foram surgindo o algodão, o trigo e outras culturas até os dias de hoje. Vale apenas lembrar que a pecuária foi sempre constante na produção do município, sendo para a subsistência bem como para a comercialização. 
Produção agrícola
Algodão, arroz irrigado, amendoim das águas, arroz sequeiro, fumo, feijão das águas, feijão da seca, milho safrinha, milho safra normal, mandioca industrial, soja safra normal, trigo, banana, uva da mesa, alface, abóbora, abóbora-tetsukabuto (cabotiá), beterraba, batata doce, couve-flor, cenoura, feijão vagem, pimentão, pepino, repolho, capineira, semente de soja, semente de trigo, mudas essenciais flor nativas, soja orgânica,[carece de fontes] 
Produção pecuária
Bovinos, leite, bezerros, bezerras, garrotes, novilhas, touros, vacas para cria, vacas para corte, suínos, suínos-raça, ovos, ovos férteis de codorna, aves de corte, aves de postura, aves caipira, mel, cama de aviário, esterco de suínos/bovinos, alevinos, cat-fish, bagre, carpa, tilápia. 
Educação
Na área educacional, Assis Chateaubriand é referência regional. Abriga um campus do IFPR (Instituto Federal do Paraná), que oferece cursos técnicos e superiores voltados à tecnologia e à produção agroindustrial. Além disso, conta com escolas da rede municipal e estadual premiadas por seus índices de desempenho, consolidando o município como um polo de formação profissional.
Turismo
O turismo em Assis Chateaubriand é focado no lazer regional e nos eventos tradicionais:
- Expo-Assis: Uma feira agroindustrial e gastronômica que atrai milhares de visitantes, com destaque para a culinária típica.
- Horto Municipal: Um espaço de preservação e lazer que serve como pulmão verde da cidade.
- Turismo Religioso: A Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo é um ponto arquitetônico central.
Referências para o texto: Wikipédia ; IBGE ; Site da Prefeitura Municipal .